As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

domingo, 27 de novembro de 2011

A prova de sociologia

Depois que um aluno fez a postagem da prova de sociologia um colega no facebook e da série de manifestações, vi finalmente a bendita prova (abaixo)


Fiz este comentário logo de imediato... Esta escola já foi motivo de orgulho. Hoje é isso... pena!!!
 Pensei mais um pouco e acrescentei...

Por outro lado isso pode ser o reflexo da imposição de disciplinas de cunho ideologizante de forma obrigatória e a resposta do aluno pode refletir o grau de respeito que ele tem. Acredito que ele não está sozinho e até agora (10h20 de 26.11.2011) somam 265 comentários, 67 compartilhamentos e 38 curtidas, pessoas que podem não ter agido como o aluno da prova, mas sentem o aparente desprezo que ele sentiu.

Eis que um colega que está em outro Estado estudando escreve:

José Lamartine, sou doutorando em Sociologia e gostaria de saber, com o seu capital intelectual, qual o conteúdo ideológico dessa prova? Você conhece esse conteúdo? Agora te pergunto, ficar ensinado aos alunos como ser um bom profissional, como apertar uma válvula, tudo isso é neutro? Você não sabe nada de Sociologia, portanto, fale do que você estudou, de sociologia deixa para mim que sou doutorando.
Ah, só para lembrar, pela UFRJ.
Sabe qual é o meu sonho: que ele fosse meu aluno.
Acho que ela vai ser meu aluno pois volto em março de 2013. Será um prazer!
Gostaria de responder-lhe mais detalhadamente mas acabei enviando isso daqui

Professor, o senhor percebeu que não entrei no mérito da prova e sim me referi a “disciplinas de cunho ideologizante de forma obrigatória” tal o contexto de imposição dos PCN e seu conteúdo? Quem sabe a resposta não esta no processo histórico de formação dos próprios professores?
Como ex-aluno e professor desta Instituição (antes mesmo da existência da sociologia como disciplina obrigatória) sempre trabalhei buscando entender a realidade que nos cerca e parece que não foi tão ruim, basta ver o resultado por nossos ex-alunos. Portanto sempre me interessei pelas causas sociais, buscando entender como se dá a interação entre os indivíduos e como se organizam.
Como psicólogo me interesso também pelas motivações individuais e grupais. Porque as pessoas e as massas sociais fazem o que fazem. Que razões elas tem, conscientes ou inconscientes para agirem assim. Isso é também meu objeto de estudo e trabalho.
Caso não tenha percebido ainda, as fronteiras de nossas atividades não são rígidas como o senhor gostaria que fosse ao declarar “... de sociologia deixa para mim que sou doutorando”. Mas do que nunca nosso mundo precisa de flexibilidade.
Esta é a resposta preparada do que penso do trabalho que a maior parte dos professores de sociologia fazem. É bom que se diga que existem honrosas exceções. 


Professor, o processo de ideologização é a base da formação acadêmica brasileira nos últimos 40 anos, principalmente porque aqueles que eram ou se tornaram professores, agentes do movimento da esquerda internacional, que não foram exilados (ou se auto-exilaram fora do país como a maioria), ficaram por aqui dentro dos seus refúgios nas universidades públicas (principalmente), nas quais passaram fazer “a cabeça” de seus universitários com mais intensidade. Estes se formaram e ajudaram a formar outros, e outros, e outros e, conforme a tese de ocupação dos espaços de Antonio Gramsci, ao qual estão sendo fiéis, não mais promovem a revolução armada, mas sim uma "revolução cultural" lenta e gradual, como a velha receita para se "cozinhar um sapo" que todos conhecem.
Antes da sociologia ser uma disciplina obrigatória, na época da existência de OSPB e ON, nós, professores de áreas técnicas influenciamos muitos alunos na militância, e que voce hoje conhece como Alice Portugal, Nelson Pelegrino, Daniel Almeida etc., e vejam o estrago ideológicos que estes e tantos outros fizeram com nosso querido Brasil ao acabar com a democracia. Acabou mesmo, o que temos é uma disputa descarada por cargos burocráticos (leia de vez em quando a revista Veja) mas não uma oposição de ideologias, base do princípio democrático. Por esta lei da ideologia única se alguém se opuser é sinal de que será massacrado pelos cães de guarda (bastar ver o coitado do Cabo Anselmo no programa Roda viva) em um processo de patrulhamento ideológico massacrante.
Hoje temos alinhados "partidos socialistas revolucionários, o PT e o PV, movimentos revolucionários como o MST, e o MR8 (que muitos julgam extinto) e outros, incluindo aí a igreja progressista, da teologia da libertação. Partidos comunistas marxistas-leninistas o PC do B e o PCB (dito “pcbinho”). Marxistas-trotskistas o PSOL, o PSTU e PCO. Marxistas-gramscistas o PPS e o PSB. Temos ainda os movimentos comunistas anarquistas, que podem ser ou revolucionários ou pacifistas, orientados pelo Fórum Social Mundial, compostos por ONGs e OGPs, extremamente ativas na desconstrução da sociedade tradicional. Finalmente, apresentando-se como a panacéia dos sofrimentos desta mesma sociedade, os dois partidos sociais-democratas, o PSDB, do socialismo fabiano, e o PDT, da Internacional Socialista, ambos reformistas." (fonte http://joselamartine.blogspot.com.br/2010/06/quadro-politico.html)
Nas palavras de Gramsci: "O moderno Príncipe, desenvolvendo-se, subverte todo o sistema de relações intelectuais e morais, uma vez que seu desenvolvimento significa... que todo ato é concebido como útil ou prejudicial, como virtuoso ou criminoso, somente na medida em que tem como ponto de referência o próprio moderno Príncipe... O Príncipe toma o lugar nas consciências, da divindade ou do imperativo categórico, torna-se a base de um laicismo moderno e de uma completa laicização de toda a vida e de todas as relações de costume".
Ou seja, este moderno Príncipe é esta ideologia que entra nas mentes e consciências tenras de forma inquestionável e imperceptível. É claro que se os agentes deste processo de manipulação tomarem consciência disso decerto se revoltariam e fariam um movimento contrário.
Logo, me perguntar qual o conteúdo ideológico da prova é querer me intimidar, já que meu comentário foi geral. Sua visão de que nosso trabalho é “apertar uma válvula” não implica que não saibamos o ocorre com nossos alunos nas várias disciplinas que estudam.
Como psicólogo me interesso também pelas motivações individuais e grupais. Porque as pessoas e as massas sociais fazem o que fazem. Que razões elas tem, conscientes ou inconscientes para agirem assim. Isso é também meu objeto de estudo e trabalho.
Por fim sei que voce é doutorando em sociologia, na verdade todos já sabem, mas foi bom querer marcar território inclusive dizendo que não sei nada de sociologia, dessa sociologia.
Muito me admira que do alto de sua potencia acadêmica voce tente se apropriar com exclusividade de um conhecimento que está aí a quem quer que esteja disposto e minimamente motivado a aprender, não apenas como atributo exclusivo dos “iluminados”, mas aqui, caso não tenha percebido ainda, as fronteiras de nossas atividades se entrelaçam, não são rígidas como o senhor gostaria que fosse ao declarar “... de sociologia deixa para mim que sou doutorando”. É ser muito prepotente, mas não estranho.

SOCIOLOGIA NO ENSINO MÉDIO: Entrevistas com Márcio da Costa e Santo Conterato (Junho de 2009) 
http://www.habitus.ifcs.ufrj.br/pdf/7entrevistas.pdf
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