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domingo, 4 de março de 2012

Com quantas mentiras se faz uma “comissão da verdade”?

Escrito por Heitor De Paola - 18 Dezembro 2011

(Escritor e comentarista político, membro da International Psychoanalytical Association e Clinical Consultant, Boyer House Foundation, Berkeley, Califórnia, e Membro do Board of Directors da Drug Watch International. Possui trabalhos publicados no Brasil e exterior. É ex-militante da organização comunista clandestina, Ação Popular - AP)

.... o aspecto mais assustador do regime é o poder de obliterar a memória, transformar mentiras em verdades e alterar o Passado. O lema do partido é “quem controla o passado, controla o futuro, quem controla o presente controla o passado”.
George Orwell, na distopia 1984.

A verdade não existe, só a força da vontade... e na simplicidade primitiva de suas mentes, eles mais facilmente acreditam nas grandes mentiras do que nas pequenas.
Adolf Hitler, em Mein Kampf.

Um dos maiores problemas no conflito entre os liberais-conservadores e os revolucionários é que, enquanto os primeiros se aferram a táticas pontuais, derivadas de uma visão estreita da realidade, os últimos possuem uma estratégia de longo prazo em função de uma visão de conjunto infinitamente mais ampla. Assim, o que um conservador enxerga na atual “Comissão da Verdade” é apenas um tática revanchista dos derrotados em 1964, hoje no poder. Na verdade é muito mais do que isto: é apenas uma pequena parte de uma estratégia global e de longo prazo para a conquista total do Estado, “a longa marcha para dentro do Estado”. Não passa de uma “comichão”, uma pequena coceira na estratégia revolucionária.

É mais uma isca para ser mordida pelos adversários e fazê-los se mobilizar, tais como a “luta contra a corrupção”, contra a internacionalização da Amazônia, pelo justiçamento dos mensaleiros, o movimento “Cansei!”, a PL 122 e tantos mais. Os revolucionários sabem que tais movimentos são “pequenas verdades” que entusiasmam as “mentes simples primitivas” por um curto período de tempo e se esgotam rapidamente. Enquanto isto, a grande mentira sequer é vislumbrada.

Em sucessivos artigos e ensaios tenho demonstrado, e Olavo de Carvalho com mais profundidade ainda, que grandes estratégias não se combatem com ataques táticos pontuais. Em linguagem revolucionária, não se atacam focos guerrilheiros enquanto os inimigos já têm um Exército Popular visando diretamente nosso núcleo defensivo. Os militares, principais leitores deste jornal (n. do e: artigo para o jornal Inconfidência), parecem ter aprendido as lições de Teoria Estratégica apenas para uso na guerra explícita. No combate cultural, intelectual e moral ficam totalmente perdidos e às cegas. No campo de batalha militar esta lição foi aprendida à custa de enormes sacrifícios humanos, como na I Guerra Mundial: a crença dos aliados de que a “ofensiva definitiva” no Somme poderia decidir a guerra. Enquanto isto a Alemanha, que possuía uma visão estratégica mais realista, já preparava o ataque submarino irrestrito. É verdade que, em termos militares, foram derrotadas e novamente em 45, mas hoje despontam como a mais poderosa força econômica na Europa, um verdadeiro IV Reich, após uma desnazificação fajuta [2].

Mesmo que se consiga, o que é improvável, alguma alteração da tal Comissão para “examinar os dois lados”, que se consiga revogar o PL 122 e o quê mais, isto não alterará em nada a ofensiva revolucionária.

No “teatro de operações” do qual estou tratando, o exército revolucionário ataca em todas as frentes simultaneamente, porém usando unidades que parecem atuar por si mesmo. Sabem designar a quantidade certa de “homens e munição” para cada alvo singular: uma divisão ali, um batalhão acolá, um pequeno pelotão para as menos importantes no momento. No entanto, como o comando estratégico é centralizado, as unidades variam de poder de fogo conforme os inimigos reagem. Já perceberam os leitores a quietude do MST nos últimos tempos? Pois é, a batalha mais acirrada agora é a da Comissão das Mentiras, verdadeiro embrião do futuro ‘Ministério da Verdade’ (MINIVER), já em verdadeira fase de instalação na Argentina através do recém fundado Instituto Nacional de Revisionismo Histórico Argentino y Iberoamericano Manuel Dorrego [3].

Existe até mesmo um destacamento para oferecer uma “paz honrosa” – a “peace without victory” de Woodrow Wilson -, o grão-tucanato de FHC et caterva que preparou o terreno para seus correligionários do PT usando de forma magnífica a estratégia de “armas silenciosas para guerras tranqüilas” [4], e hoje finge ser oposição, enganando a muitos conservadores e liberais sinceros.

Estes últimos põem todo seu poder de fogo, meio mixuruca, é verdade, contra ela, deixando aberto o flanco para outras frentes: o “casamento” homossexual, a legalização das drogas e do aborto, o desarmamento, o movimento ambientalista e os ataques incessantes à Igreja Católica (por fora e por dentro).

Nunca acreditei na falácia de alguns militares de que “o Exército de hoje é o mesmo de ontem’. O de ontem percebia a estratégia global e a atacava diretamente, como em 64, 68 e com a Operação Condor. As FFAA de hoje estão num período letárgico de fazer dó! Somente os da reserva, remanescentes dos governos contra-revolucionários, percebem a “grande mentira”, mas estão impotentes e aos poucos vão morrendo.

Mesmo entre estes há os que não percebem que na Argentina, no Chile e no Uruguai ocorreu o mesmo, mas engoliram a isca com anzol e tudo de que ‘não haverá punições’, só ‘levantamento da verdade’, ufa! Ora, o Brasil é diferente, aqui não ocorrerá nada disto, como respondeu desrespeitosa e arrogantemente o Presidente do Clube da Aeronáutica à brilhante exposição de Graça Salgueiro sobre os processos contra militares na América Latina, especialmente no Cone Sul. Esperem para ver a segunda fase! Mais uma vez se consome o “efeito Orloff”: a Argentina é o Brasil amanhã! A “comichão” se transmutará processos e prisões.

Os alvos principais do ataque revolucionário são os pilares em que se assenta a Civilização Ocidental: a filosofia grega, a tradição judaico-cristã e o direito romano.

No Brasil, paupérrimo em filósofos, substitui-se facilmente Sócrates, Platão e Aristóteles por Sófocles e Epicuro, como foi exposto magistralmente por Nivaldo Cordeiro. O Direito é substituído pelo “direito alternativo” marxista. A Igreja Católica se mostra ainda mais acuada e, ao invés de contra-atacar, se coloca na defensiva. Cristãos e judeus vivem às turras como irmãos nas melhores famílias, João Paulo II beija o Corão, Bento XVI pede desculpas pelas acusações de pedofilia - quando se sabe que menos de 1% dos casos ocorre dentro das instituições católicas - e dá seu aval à falácia pagã da Mãe Terra, Gaia.

Há esperança? Não tenho resposta.

Notas:

* - O título do artigo foi inspirado numa frase de Osmar José de Barros Ribeiro.

(2) Oportunamente abordarei este tema.

(3)http://es.wikipedia.org/wiki/Instituto_Nacional_de_Revisionismo_Hist%C3%B3rico_Argentino_e_Iberoamericano_Manuel_Dorrego . Para Dorrego ver em http://www.elortiba.org/dorrego.html

(4) Para as “Dez Estratégicas da manipulação midiática” de Noam Chomsky ver http://theinternationalcoalition.blogspot.com/2011/07/noam-chomsky-top-10-media-manipulation_08.html

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