segunda-feira, 20 de junho de 2011
A SENHORA PRESIDENTA
As feministas do governo gostam de presidenta e as conservadoras (maioria) preferem presidente, já adotado por jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão, final os veículos de comunicação tem a ética de escrever e falar certo.
* * *
Na verdade, a ordem partiu diretamente de Dilma: ela quer ser chamada de Presidenta. E ponto final.
Por oportuno, vou dar conhecimento a vocês de um texto sobre este assunto e que foi enviado pelo leitor Hélio Fontes, de Santa Catarina, intitulado “Olha a Vernácula"
Vejam:
No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante.
Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente.
Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não "presidenta", independentemente do sexo que tenha.
Se diz capela ardente, e não capela "ardenta"; se diz a estudante, e não "estudanta"; se diz a adolescente, e não "adolescenta"; se diz a paciente, e não "pacienta".
Um bom exemplo seria:
"A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizantas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta."
As veias abertas da América Latina - Resenha crítica do livro
http://ofabulosodestinodeap.wordpress.com/2011/01/31/resenha-critica-do-livro-as-veias-abertas-da-america-latina-de-eduardo-galeano/
José William Vesentini (*)
Publicado inicialmente em 1971, em espanhol, e tendo obtido um sucesso imediato (e tradução para inúmeros idiomas, inclusive o português), este livro do escritor uruguaio Galeano pretende, ao menos na aparência, fazer uma história da América Latina com ênfase na sua constante “exploração” pelas potências imperialistas. Digo na aparência porque de fato não se trata de uma história: não existe qualquer seriedade acadêmica ou científica, qualquer preocupação com as fontes, sua checagem e o confronto com outras sobre o mesmo tópico, nem mesmo qualquer preocupação em dialogar (seja reproduzindo, adaptando, criticando ou modificando) com as idéias dos clássicos que teorizaram a respeito da exploração dos trabalhadores (Marx) ou das “nações oprimidas” (Lênin), e sequer a de ter uma interlocução a sério (sem meramente citar uma ou outra frase descontextualizada) com a ampla e boa bibliografia sobre a história da América Latina que já existia antes da redação desta obra, tais como os trabalhos de Manoel Bomfim, Celso Furtado, Raul Plebish ou Tulio H. Donghi, para mencionar apenas alguns exemplos. É um livro mais de ficção, embora com frequência mencione – quase sempre numa leitura enviesada – determinados episódios verídicos e sempre escolhidos a dedo para comprovar a idéia central do livro. Mas é uma boa ficção jornalística, bem escrita e de leitura agradável, acessível ao público letrado em geral (até mesmo a alunos do ensino básico, daí advindo boa parte da sua enorme popularidade, pois pode ser usada como leitura complementar nas disciplinas história e geografia quando se aborda a América Latina) e no fundo contendo humor ou episódios engraçados (ou melhor, que o Autor torna engraçados pela sua experiência anterior como chargista e jornalista).
A idéia central do livro surge logo nas primeiras linhas:
*Há dois lados na divisão internacional do trabalho: um em que alguns países especializam-se em ganhar, e outro em que se especializaram em perder. Nossa comarca do mundo, que hoje chamamos de América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se abalançaram pelo mar e fincaram os dentes em sua garganta*.
*Passaram os séculos, e a América Latina aperfeiçoou suas funções. (…) Mas a região continua trabalhando como um serviçal. Continua existindo a serviço de necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que ganham, consumindo-os, muito mais do que a América Latina ganha produzindo-os. (…) É a América Latina, a região das veias abertas. Desde o descobrimento até nossos dias, tudo se transformou em capital europeu ou, mais tarde, norte-americano (…) Tudo: a terra, seus frutos e suas profundezas, ricas em minerais, os homens e sua capacidade de trabalho e de consumo, os recursos naturais e os recursos humanos. O modo de produção e a estrutura de classes de cada lugar têm sido sucessivamente determinados, de fora, por sua incorporação à engrenagem universal do capitalismo. e a cadeia das dependências sucessivas torna-se infinita, tendo muito mais de dois elos, e por certo também incluindo, dentro da América Latina, a opressão dos países pequenos por seus vizinhos maiores e, dentro das fronteiras de cada país, a exploração que as grandes cidades e os portos exercem sobre suas fontes internas de víveres e mão-de-obra. *(Galeano, pp. 5-6, grifos nossos).
Essa longa citação foi necessária porque resume todo o conteúdo, toda a argumentação do livro. O restante da obra é constituído tão somente por exemplificações variadas dessa idéia central, qual seja, que a América Latina desde que foi *ocupada* [seria mais apropriado dizer *construída,* mas esta percepção é complexa demais para o raciocínio simplista de Galeano] pelos europeus no século XVI, sempre foi e continua sendo uma “vítima” da “exploração internacional”, da potência capitalista dominante neste ou naquele momento da história. Mais ainda: como uma reprodução mimética, devido às “elites” internas [nossa classe dominante e ao mesmo tempo dirigente] em conluio com os interesses externos, existiria também aqui uma exploração das regiões mais pobres e baseadas em atividades primárias pelas mais ricas e industrializadas ou que têm por base atividades mercantis. Ou que até mesmo haveria, como o texto afirma explicitamente, uma exploração dos Estados-nações menores pelos maiores [o Autor pensa aqui na “exploração” da Bolívia ou do Paraguai pelo Brasil ou pela Argentina].
Sem dúvida que o leitor minimamente informado e culto logo deve ter percebido que se trata de uma simplificação grotesca e mecanicista de algumas idéias de Caio Prado Júnior, Andé Gunder Frank, Rodolfo Stavenhagen e alguns outros pensadores clássicos desta região do globo, que escreveram sobre o “sentido da colonização” [mas sem a menor pretensão que isso fosse algo inexorável e válido até o presente], sobre o “desenvolvimento do subdesenvolvimento” [isto é, que o desenvolvimento dos países ou regiões ricas se faz, necessariamente, às custas da crescente pobreza nos países ou regiões pobres, um argumento inicialmente de Gunder Frank que ele próprio, após algum tempo, considerou superado ou inadequado] ou sobre o “colonialismo interno” [uma antiga tese, típica dos anos 1960, de Stavenhagen e Pablo G. Casanova, ambos do México, segundo a qual existiriam regiões exploradoras e exploradas dentro dos países subdesenvolvidos]. A partir dessa idéia central, no fundo uma caricatura de algumas obras de pensadores críticos dos anos 1950 ou 60 (os quais, cabe realçar, em muitos casos reviram posteriormente suas teses em confronto com uma nova bibliografia e principalmente com as mudanças na realidade), Galeano prossegue nas duzentas e tantas páginas do seu livro com ilustrações ou exemplificações que comprovariam essa tese: citações descontextualizadas deste ou daquele autor, deste ou daquele político ou empresário, longas descrições de certos acontecimentos que, dependendo de como são contados, podem ser encaixados no seu ponto de vista, etc. Em suma, essa idéia central é reproduzida *ad nauseam* no restante do livro de mil maneiras, através de pretensos exemplos históricos, de trechos da fala de políticos ou empresários até mesmo norte-americanos (dando a impressão que eles admitem estarem “explorando” a América Latina), de relatos de massacres perpetrados contra grupos indígenas ou contra toda a população paraguaia (numa reprodução do famoso mito que o Paraguai de Solano López era uma democracia cuja economia crescia enormemente a cada ano de forma independente das potências imperialistas e que estas incentivaram o Brasil, junto com a Argentina e o Uruguai, a arrasar essa “experiência de desenvolvimento autônomo”, exterminando de propósito a maior parte da população daquele país). Um amontoado de idiotices mesmo que alguns episódios propalados no livro tenham de fato ocorrido (tal como o extermínio de inúmeros grupos indígenas), embora sempre vistos de forma desvirtuada pela leitura de Galeano.
Essa interpretação maniqueísta da guerra do Paraguai, por exemplo, é totalmente simplória e até mesmo rasteira. Na verdade, segundo uma historiografia mais recente e crítica, essa guerra teve motivos bem diferentes. O militar e ditador López, por exemplo, foi nomeado presidente * vitalício* do Paraguai pelo seu pai, também presidente vitalício antes dele.
Era um aliado declarado da França de Napoleão III [também uma potência imperialista, que inclusive tentou recolonizar o México impondo ao país um imperador títere, Maximiliano da Áustria], a quem tinha como modelo, que inclusive lhe forneceu armas para a guerra. E na verdade foi ele quem iniciou o conflito – pois antes dos embates tinha um exército mais numeroso e bem armado do que aqueles três países juntos – com vistas a anexar em seu território partes do sul do Brasil e do nordeste da Argentina. Uma boa parte da população paraguaia morreu no conflito? Infelizmente sim, embora o seu número exato seja polêmico e sem dúvida sensivelmente inferior ao anunciado por uma certa bibliografia jornalística e panfletária (no estilo de Júlio J. Chiavenato), cujas exageradas cifras (chegando até a 97% de toda a população masculina do país!) Galeano menciona. Pelo menos em parte, essa alta mortandade foi uma decorrência da obrigatoriedade, imposta por López, de crianças e adolescentes do sexo masculino servirem às forças armadas por ocasião da guerra, sendo que os que se recusavam ou que recuavam quando estavam perdendo alguma batalha eram sumariamente fuzilados pelos próprios soldados paraguaios a mando do ditador*(1)*. Um conceituado historiador que reviu as causas dessa guerra assinalou que ela não foi instigada pela Inglaterra, como alguns (que Galeano repetiu, como sempre de forma caricatural) argumentaram, mas sim por contradições internas dos Estados sul-americanos envolvidos. Teria sido, na interpretação desse historiador * (2)*, uma guerra na qual não existiram “bandidos” nem “mocinhos” e cuja razão última foi a consolidação dos Estados nacionais na região platina, além de Solano López ter tido a pretensão de obter pela força das armas uma saída para o mar. Mas a idealização de López por Galeano chega ao ponto de ele, na pg. 134, censurar o poeta chileno Pablo Neruda, que escreveu o *Canto General*, uma homenagem aos povos latino-americanos, por não ter destacado Solano López como um dos eternos heróis desta região do globo!
Afinal de contas, essa tese simplista que constitui a essência do livro de Galeno tem como alicerce a seguinte lógica: que um país ou uma região desenvolvida (industrializada, com tecnologia moderna, com elevado padrão ou qualidade de vida, com boas escolas e universidades, com um bom e acessível sistema de saúde, etc.) sempre conseguiu esse feito graças não à produção interna, ao sobretrabalho como diria Marx, e sim à exploração de outros países ou regiões, que por esse motivo são cada vez mais pobres e miseráveis. É a teoria da soma zero, de que numa transação ou numa interação qualquer sempre que alguém ganha ou obtém algum benefício é porque um outro perdeu (ou vice-versa). Em outras palavras, é a imagem de um hipotético bolo – toda a riqueza mundial ou global – que teria sempre um tamanho único e fixo e, dessa forma, se alguém está comendo um pedaço grande é porque os outros vão ter que sobreviver com migalhas. Galeano leva essa imagem equivocada aos extremos, afirmando que toda a história recente (do século XX) comprova que “as desigualdades internacionais crescem a cada ano” (p. 8), como também as regionais dentro dos países latino-americanos, ou seja, que os países (ou regiões) pobres ficam a cada ano mais pobres enquanto que os desenvolvidos ficam cada vez mais ricos. Está aqui, juntamente com a clareza do texto e a pretensão de ser uma história de fato (isto é, um estudo objetivo e racional mesmo que não neutro), a explicação para a o enorme sucesso deste livro em especial entre certa parcela da intelectualidade latino-americana (e também, secundariamente, entre um ou outro “esquerdista” mais panfletário da Europa ou dos Estados Unidos). Afinal, ele consola aqueles que se sentem subjugados ou inferiorizados, ele lhes explica que no fundo eles são “vítimas” e a culpa é sempre dos “outros”, daqueles que estão numa situação melhor. Tanto Freud como Nietzsche já haviam teorizado a respeito dessa “transferência da culpa”, oriunda de “ressentimento” e de um “sentimento de inferioridade”. Galeano também fornece um caminho, ou melhor, uma fuga, que no fundo é comodista: a revolta pura e simples, a militância numa organização ou num partido “anti-imperialista”, como se o simples rompimento com os “outros”, com o capitalismo e com as “potências dominantes”, fosse a garantia para um futuro melhor. Em suma, o futuro nacional desejável, o desenvolvimento econômico e principalmente social não virá do esforço (educação e estudos, investimento em tecnologia, qualificação da força de trabalho), mas sim de uma simples atitude de rebeldia (que os adolescentes tanto adoram!), de um rompimento com os Estados Unidos e com o capitalismo, tal como teria ocorrido em Cuba, que é idealizada neste livro como o grande farol para a América Latina.
É fácil perceber porque esta obra fez tanto sucesso nos anos 1970. Foi a principal década das ditaduras militares no Brasil, no Chile, na Argentina, no Uruguai e em alguns outros países da região. Ditaduras muitas vezes sangrentas, que contavam com o apoio no mínimo tácito dos Estados Unidos em função da guerra fria e do fato de elas supostamente estarem “combatendo o avanço do comunismo”. Ditaduras que reprimiam qualquer forma de pensamento crítico e propalavam um maniqueísmo que no fundo ajudou a promover idéias como esta de Galeano, também maniqueístas mas com o sinal invertido. Era de fato uma época de maniqueísmos, em grande parte suscitados pela realidade da guerra fria e a pretensa oposição dual e radical entre o capitalismo norte-americano versus o comunismo soviético. Confesso que nessa década cheguei a usar trechos deste livro de Galeano nas minhas aulas de geografia no ensino básico. Como boa parte dos jovens universitários na época, era um fiel simpatizante do governo Allende no Chile (quase tive um ataque cardíaco quando ouvi no rádio sobre o golpe militar de 1973!) e também um simpatizante (embora não tão fiel assim: já tinha as minhas dúvidas) do regime castrista em Cuba. Mas o mundo mudou, o clima intelectual também, novas e arejadas idéias e informações acabaram por se impor. E outras ainda surgirão no futuro, embora de maneira alguma, como apregoam alguns, a mera repetição do passado, das crenças infantis dos anos 1970. Afinal, as pessoas evoluem e todos, em algum (ou alguns) momento da vida, cometem sérios equívocos. O trabalho do intelectual é se manter atualizado, pesquisar, ser honesto e crescer intelectualmente, sem nunca fincar o pé numa posição apriorística e doutrinária, a qual em última instância é uma atitude intransigente e até mesmo comodista. Se é fácil entender o porque do enorme sucesso deste livro nos anos 1970, em contrapartida é difícil compreender a razão pela qual isso perdura até hoje, quando toda a história dos anos 1980 em diante mostrou a sua natureza errônea.
Sem dúvida que idéia central de Galeano tornou-se insustentável frente às evidências empíricas: a diminuição – e não o aumento – das desigualdades internacionais de uma forma geral (salvo exceções) nas últimas décadas, algo facilmente detectável pela análise de qualquer série anual de dados estatísticos confiáveis sobre PIB, renda *per capita*, expectativa de vida ou principalmente o IDH dos diversos países do mundo *(3). *Isso sem falar no inegável fracasso do “modelo cubano”, por um lado, e pelo outro o retumbante sucesso de países que se desenvolveram não cortando os laços e sim se integrando mais no mercado mundial – o Japão, em primeiro lugar, depois os “tigres asiáticos” e mais recentemente a China e a Índia. Por sinal, *todos* os países que conheceram uma real melhoria no padrão de vida de suas populações nas últimas décadas foram economias que se integraram cada vez mais no mercado mundial, em outras palavras no capitalismo global, inclusive abrindo as portas para os investimentos estrangeiros e incrementando (e não diminuindo) suas relações comerciais com “as potências capitalistas”, notadamente com os Estados Unidos. Mas Galeano realmente não se importa com as evidência empíricas, ele apenas seleciona cuidadosamente citações que aparentemente comprovam a sua idéia básica.
Há uma visível escassez e insatisfação generalizadas em Cuba? Galeano não consegue ignorar esse contratempo e acaba “explicando” isso com a afirmação de que é exatamente porque no socialismo todos podem consumir de tudo que faltam produtos! É lógico que ele também culpa o “bloqueio” norte-americano a Cuba como a principal causa dos problemas na ilha (Galeano, pp.51-5). Isso não poderia faltar no seu livro. Mas não deixa de ser curioso o fato de que há uma enorme contradição nessa desculpa. Ou seja, quando os Estados Unidos estabelecem relações comerciais e financeiras com um país o estão “explorando”, mas quando eles cortam essas relações, deixando de investir capitais ou de comprar açúcar, como ocorreu com Cuba, isso passa a ser um “bloqueio” e a principal razão dos problemas dessa nação! Não é uma incoerência? A bem da verdade, esse famoso “bloqueio” [ou melhor, embargo] nada mais é que uma legislação norte-americana de 1962 que proíbe às firmas daquele país, e apenas a elas como é óbvio [já que nenhuma legislação nacional em todo o mundo poderia dizer o que as firmas de outros países podem ou não fazer nas suas relações com terceiros], de terem relações com Cuba ou de investirem capitais na ilha. (Por sinal, isso é algo que há tempos, desde pelo menos os anos 1980, vem sendo driblado pela formação de *joint ventures* nas quais capitais norte-americanos se associam a grupos de outros países para estabelecerem negócios em Cuba ou construírem por lá hotéis cinco estrelas, em algumas das melhores praias do país que, com o consentimento do governo de Fidel Castro, se tornam particulares e interditadas aos cubanos comuns; oficialmente, a origem do capital não é norte-americana). Em outras palavras, não é e nunca foi um bloqueio tal como o pretendido em 1806 por Napoleão Bonaparte, por exemplo, isto é, obstar os navios de circular num trecho do oceano ou de descarregar em tais ou quais portos. Isso quer dizer que nunca houve qualquer impedimento – nem poderia haver, pois isso seria uma delaração de guerra a todos os demais Estados – para o comércio de Cuba com o restante do mundo. Não apenas com o “bloco soviético”, que durante algum tempo sustentou o país, mas até mesmo com o Canadá, Espanha, França, México, e alguns poucos outros países capitalistas ou com economias de mercado, que nunca deixaram de manter relações comerciais com Cuba mesmo no auge da guerra fria, nos anos 1960 ou 70. Esse comércio não era e ainda não é muito intenso devido não a uma pretensa imposição desse “bloqueio”, mas sim pela fraqueza da economia cubana, que pouco tinha e ainda tem a oferecer (basicamente açúcar, charutos e rum), além de sua escassez em divisas para adquirir produtos desses países.
A popularidade do livro de Galeano, mesmo não sendo mais tão intensa como nos anos 1970, ainda se mantém devido ao crescimento dos regimes autoritários e populistas na América Latina, que em muitos casos fazem uso de uma retórica anti-imperialista para se legitimarem e/ou se perpetuarem no poder. O ditador venezuelano Hugo Chávez, por exemplo, ajudou a promover o livro em janeiro de 2009, ao dar um exemplar de *As veias abertas da América Latina* como presente ao recém empossado presidente norte-americano Barak Obama. [Por sinal, foi por esse motivo que escrevi estes comentários críticos: vários jornalistas, ex-alunos e professores de geografia me mandaram e-mails solicitando meu parecer sobre o livro. Sem isso não teria sequer relido esta obra que já considerava ultrapassada e até retrógrada.].
Situação paradoxal, pois este livro logrou um enorme sucesso em oposição às ditaduras dos anos 1970 e agora ele volta a adquirir uma renovada popularidade devido às novas ditaduras, que em alguns casos (como principalmente na Venezuela) são até mais repressivas que as que existiram naquela década! Galeano deveria abençoar as ditaduras por, de forma direta ou indireta, alçar o seu livro à categoria de best-seller, por sinal um dos maiores da América Latina durante várias décadas. Mas na verdade Chávez tem razão ao promover Galeano: este livro com a sua retórica pseudoradical infantil e panfletária (que até Chávez consegue entender!) lhe forneceu subsídios para implantar uma ditadura que se apresenta como revolucionária, como uma oposição intransigente ao imperialismo norte-americano visto como o grande culpado pelos males da América Latina. O livro de Galeano – embora não só ele, pois é parte de um enorme conjunto de obras, panfletos, discursos e escritos jornalísticos pretensamente esquerdistas [alguns até propagados por políticos corruptos que hoje compõem a elite econômica (digamos, os 0,01% mais ricos) da região, por pelegos de sindicatos ou por oligarcas de regiões atrasadas que veem nestas idéias uma forma de desviar a atenção do seu mandonismo, além de outros semelhantes] –, mesmo sem talvez o pretender, contribui para manter o atraso na América Latina. Não é um livro que soma, que incita à melhoria (aos estudos, pesquisas, empreendedorismo – por sinal, algo repudiado como demoníaco no livro –, maior incentivo à produção e à geração de tecnologica, e por aí afora, fatores que indubitavelmente foram e são essenciais no arranque de países como China, Coréia do Sul, Cingapura e outros, que até os anos 1970 eram mais atrasados economica e socialmente que o México, a Venezuela, o Brasil ou a Argentina), mas, pelo contrário, é uma obra que gera ressentimentos, que transmite uma mensagem segundo a qual a “solução” para todos os problemas sociais, econômicos, culturais ou espaciais está na luta, na ferrenha oposição ao capitalismo e aos Estados Unidos. Uma ilusão. Mas uma ilusão perigosa, que mais atrapalha do que ajuda na busca de alternativas para o futuro por parte das nações latino-americanas.
(São Paulo, fevereiro de 2009)
NOTAS:
(*) Professor Livre Docente no Depto. de Geografia da FFLCH da Universidade de São Paulo.
(1) Cf. CARVALHO, José Murilo de. *D. Pedro II*. São Paulo, Cia das Letras, 2007, pp. 106-125. O Autor menciona depoimentos de prisioneiros paraguaios durante a guerra, quando num gesto magnânimo (e também, provavelmente, com vistas a mostrar disposição para o diálogo e o término do conflito) D. Pedro II mandou soltar, que suplicaram para continuarem prisioneiros até o final da guerra, pois com certeza seriam fuzilados por ordem do energúmeno ditador, que não admitia que algum militar paraguaio fosse aprisionado sem resistir até a morte.
(2) Cf. DORATIOTO, F. *Maldita guerra*. São Paulo, Cia das Letras, 2002, pp. 95-6.
(3) Sobre esse assunto ver nossa análise in VESENTINI, J. W. *Nova Ordem, Imperialismo e Geopolítica Global*, Campinas, Papirus, 2003, especialmente pp. 107-134.
sexta-feira, 17 de junho de 2011
Breve retrato do Brasil
Diário do Comércio, 6 de junho de 2011
O Foro de São Paulo, aquela entidadezinha que segundo os eminentes bambambãs do jornalismo brasileiro não tinha importância nem força nenhuma, aquela organização fantasmal na qual só os paranóicos enxergavam alguma periculosidade, domina agora metade da América Latina e não dá o menor sinal de cansaço na sua marcha para a conquista do continente inteiro.
No Brasil, os partidos de direita agonizam. Seus líderes se afobam e se atropelam na pressa obscena de mostrar subserviência ao vencedor.
O homem que entre sorrisos de auto-satisfação elevou a dívida nacional à casa dos trilhões, desgraçando as gerações futuras para ganhar os votos da presente, continua sendo aplaudido como o salvador da nossa economia e prepara seu reingresso triunfal no Palácio do Planalto. Denunciado à Justiça como corrupto e corruptor, ri e aposta, como um ladrãozinho qualquer, na lentidão dos tribunais, que não o pegarão em vida.
Os bandos criminosos, treinados e armados pelas Farc -- por sua vez amparadas pela benevolência oficial --, matam 40 mil brasileiros por ano e, pela força desse exemplo, mantêm inerme e cabisbaixa uma população à qual o governo sonega tanto a proteção policial quanto os meios de autodefesa.
Nas escolas, as crianças aprendem a cultuar a sodomia e a desprezar a gramática, só fazendo jus aos últimos lugares nos testes internacionais pela razão singela de que não há um lugar abaixo do último. As indústrias chamam técnicos do exterior, porque das universidades brasileiras não vem ninguém alfabetizado.
Em todo o território nacional, só três coisas funcionam: a coleta de impostos, o narcotráfico e o agronegócio, que tapa o rombo aberto pelos outros dois e é, por isso mesmo, o mais odiado, o mais xingado dos três.
Os juízes usam a Constituição como papel higiênico e a única ordem jurídica que resta é a prepotência dos grupos de pressão subsidiados por fundações estrangeiras.
As Forças Armadas se aviltam, respondendo a cusparadas com muxoxos e rastejando ante os que as desprezam.
A alta cultura desapareceu, há trinta anos não surge um escritor digno desse nome, as poucas mentes criadoras que restam fogem para o exterior ou definham no isolamento, o simulacro de pesquisa científica com que as universidades sugam bilhões de reais do contribuinte nada produz que valha a pena ler.
Uma ortografia de loucos acabou se impondo como lei, assinada, e não por acaso, por um presidente analfabeto.
Um palhaço iletrado que se elegeu por gozação é nomeado, na Câmara, para a Comissão de Cultura, um cargo para o qual, com toda a evidência, não se requer cultura nenhuma.
Nas discussões públicas, as mentes iluminadas de comentaristas e acadêmicos se dispersam em mil e um detalhes fúteis, ostentando falsa esperteza sem jamais atinar com a forma geral do processo histórico que toda semana as desmente e as ridiculariza. E quanto mais erram, mais inteligentes parecem a um público que elas próprias emburreceram precisamente para isso.
Em suma, está tudo exatamente como há décadas venho anunciando que ia estar, e só me resta o consolo amargo de ter tido razão onde o erro teria sido mil vezes preferível. O povo mostrou-se incapaz de controlar seus governantes, os governantes incapazes de controlar seus mais baixos instintos, a elite nominalmente pensante incapaz até mesmo de acompanhar o que está acontecendo, quanto mais de prever o que vai acontecer em seguida.
O Brasil está dando um espetáculo de inconsciência, de insensibilidade, de sonsice irresponsável como jamais se viu no mundo. É um país que vive de mentiras autolisonjeiras enquanto naufraga em caos, sangue, dívidas e abominações de toda sorte.
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Uma geração de predadores - Olavo de Carvalho
Desde que me distanciei do Brasil, tenho visto a inteligência dos meus compatriotas cair para níveis que às vezes ameaçam raiar o sub-humano. Não posso medi-la pela produção literária, que veio rareando até tornar-se praticamente inexistente num país que já teve alguns dos melhores escritores do mundo. Meço-a pelas teses universitárias que me chegam, cada vez mais repletas de solecismos e contra-sensos grotescos, pelos comentários de jornal, pelos pronunciamentos das chamadas “autoridades” e, de modo geral, pelas discussões públicas. Em todo esse material, o que mais salta aos olhos não é o vazio de idéias, não é a estupidez dos raciocínios, não é nem mesmo a miséria da linguagem: é a incapacidade geral de distinguir entre o essencial e o acessório, o decisivo e o irrelevante. Não há problema, não há tema, não há assunto que, uma vez trazido ao palco – ou picadeiro –, não seja infindavelmente roído pelas beiradas, como se não tivesse um centro, um significado, um sentido em torno do qual articular uma discussão coerente. Cada um que abre a boca quer externar apenas algum sentimento subjetivo deslocado e extemporâneo, exibir bom-mocismo, angariar simpatias ou votos, como se se tratasse de uma rodada de apresentações pessoais num grupo de psicoterapia e não de uma conversa sensata sobre – digamos – alguma coisa. A coisa, o objeto, o fato, o tema, este, coitado, fica esquecido num canto, como se não existisse, e depois de algum tempo cessa mesmo de existir. A impressão que me sobra é a de que toda a população legente e escrevente está sofrendo de síndrome de déficit de atenção. Ninguém consegue fixar um objeto na mente por dez segundos, a imaginação sai logo voando para os lados e tecendo, embevecida, um rendilhado de frivolidades em torno do nada.
Se me perguntarem quais são os problemas essenciais do Brasil, responderei sem a menor dificuldade:
1) A matança de brasileiros, entre quarenta e cinqüenta mil por ano.
2) O consumo de drogas, que aumenta mais do que em qualquer país vizinho, e que alguns celerados pretendem aumentar ainda mais mediante a liberação do narcotráfico – o maior prêmio que as Farc poderiam receber por décadas de morticínio.
3) A absoluta ausência de educação num país cujos estudantes tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais, concorrendo com crianças de nações bem mais pobres; num país, mais ainda, onde se aceita como ministro da Educação um sujeito que não aprendeu a soletrar a palavra “cabeçalho” porque jamais teve cabeça, e onde se entende que a maior urgência do sistema escolar é ensinar às crianças as delícias da sodomia – sem dúvida uma solução prática para estudantes e professores, já que o exercício dessa atividade não requer conhecimentos de português, de matemática ou de coisa nenhuma exceto a localização aproximada partes anatômicas envolvidas.
4) A falta cada vez maior de mão-de-obra qualificada de nível superior, que tem de ser trazida de fora porque das universidades não vem ninguém alfabetizado.
5) A dívida monstruosa acumulada por um governo criminoso que não se vexa de estrangular as gerações vindouras para conquistar os votos da presente, e que ainda é festejado, por isso, como o salvador da economia nacional.
6) A completa impossibilidade da concorrência democrática num quadro onde governo e oposição se aliaram, com o auxílio da grande mídia e a omissão cúmplice da classe rica, para censurar e proibir qualquer discurso político que defenda os ideais e valores majoritários da população, abomináveis ao paladar da elite.
7) A debilitação alarmante da soberania nacional, já condenada à morte pela burocracia internacional em ascensão e pelo cerco continental do Foro de São Paulo (aquela entidade que até ontem nem mesmo existia, não é?).
8) A destruição completa da alta cultura, num estado catastrófico de favelização intelectual onde a função de respiradouro para a grande circulação de idéias no mundo, que caberia à classe acadêmica como um todo, é exercida praticamente por um único indivíduo, um último sobrevivente, que em retribuição leva pedradas e cuspidas por todo lado, especialmente dos plagiários e usurpadores que vivem de parasitar o seu trabalho.
Se me perguntam a causa desses oito vexames colossais, digo que é a coisa mais óbvia do mundo: quarenta anos atrás, as instituições que se gabam de ser as maiores universidades brasileiras lançaram na praça uma geração de pseudo-intelectuais morbidamente presunçosos, que na juventude já se pavoneavam de ser “a parcela mais esclarecida da população”. Hoje essas mentes iluminadas dominam tudo – sistema educacional, partidos políticos, burocracia estatal, o diabo –, moldando o país à sua imagem e semelhança. Matança, dívidas, emburrecimento geral, debacle do ensino, é tudo mérito de um reduzido grupo de cérebros de péssima qualidade intoxicados de idéias bestas e vaidade infernal. Dentre todas as gerações de intelectuais brasileiros, a pior, a mais predatória, a mais destrutiva.
Se querem saber agora por que os temas fundamentais não podem ser enxergados e discutidos na sua essência, por que as atenções são sempre desviadas para detalhes laterais e por que, em suma, nenhum problema neste país tem solução, a resposta também não é difícil: quem molda os debates públicos, por definição, é a elite dominante, e esta não permite que nada seja discutido exceto nos moldes do seu vocabulário, dos seus interesses, da sua agenda, da sua irresponsabilidade psicótica, da sua ambição megalômana, da sua auto-adoração abjeta.
Enquanto vocês não perderem o respeito por essa gente, nada de sério se poderá discutir no Brasil.
Olavo de Carvalho é ensaísta, jornalista e professor de Filosofia
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Para ser moderninha, classe média cai na promiscuidade
Assuntos: BBB, classe média, Freud, Playboy, prostitutas
8 de maio de 2011 às 22h48min
Da classe média brasileira, não raro, saiam poetas, escritores e intelectuais que faziam história no País. Então, ela começou a se degradar economicamente e foi virando moderninha na mesma proporção. Começou com as mães moderninhas que passaram a fazer uso de uma psicologia imaginária por nunca terem lido Freud. Depois vieram os pais também moderninhos.
Eles começaram por apagar a salutar hierarquia familiar ao pregar que você é amiguinho ou amiguinha da filha ou do filho. Essa cumplicidade de amiguinhas de salão de beleza levou, não poderia ser de outro jeito, a um vale-tudo de conseqüências imprevisíveis.
Hoje não é raro ver pai ou mãe agenciando, por exemplo, as filhas para posar para revistas masculinas. Não há nada dessa promiscuidade em Freud, acrescente-se logo. Isso é o de menos, reparem bem. Há filhos posando nus em posições sexuais com as mães, também nuas. E há filhas reclamando com o pai da posição sexual que o namorado insiste em fazer, considerada por elas conservadoras.
Antigamente, as mulheres que transavam em troca de dinheiro eram chamadas de prostitutas. As pobres coitadas sofreram todo o tipo de preconceito e de perseguição, proveniente em grande parte das famílias de classe média. Acreditavam as famílias de classe média que as prostitutas iriam destruir as famílias.
Deu-se um fenômeno singular: as meninas de classe média é que acabaram com as prostitutas. Mas o requinte moral diabólico da classe média jamais iria aceitar que suas filhas fossem chamadas de prostitutas. Com a entrada das meninas de classe média na jogada financeira do sexo, prostituta passou a ser garota de programa. Uma senhora de classe média diria em seu linguajar próprio: lindo e moderninho, não?
Não faz muito, li a declaração de uma ex-BBB – não sei o nome dela porque ainda não me degradei o suficiente para assistir a lixos do tipo – de que só fechou o contrato com a Playboy depois que o pai havia visto as fotos dela nua. Com a aprovação do pai, topou o contrato. E disse isso com contrição de filha zelosa.
Bom, hoje, mais que nunca, entendo o motivo por que a classe média detestava Nelson Rodrigues.
P.S: Com este pequeno artigo serei chamado de reacionário, retrógrado, ultrapassado e careta. Bom, alguém precisa ser reacionário, retrógrado, ultrapassado e careta num país formado só por gente moderninha. Trata-se de um elogio, convenhamos.
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Do outro lado, foram 119 execuções
Posted: 01/05/2011
by R. S. Fialho in Brasil, Esquerdismo, História, Marxismo, Mentalidade Revolucionária, Movimento Revolucionário
Tags:Brasil, Esquerdismo, História, Marxismo, Mentalidade Revolucionária
É comum ouvirmos falar da violência com que o regime militar combateu o comunismo. Mas é raro ouvirmos falar da violência com que os comunistas reagiram ao regime. Muitos inocentes morreram ou foram mutilados por causa de ataques terroristas realizados por organizações comunistas. Já que a grande mídia tem rabo preso e por isso não fala das vítimas dos comuna, publico uma lista de 119 vítimas fatais dos comunistas.
As famílias destas vítimas não recebem as polpudas reparações que hoje todos pagamos aos denominados “perseguidos políticos”.
http://frenteocidental.com/2011/05/01/do-outro-lado-foram-119-execucoes/
domingo, 8 de maio de 2011
Minorias , movimentos e mudanças sociais
O que o povo não sabia é que só existiam dois profissionais e um morreu deste mal.
Vejamos outros exemplos:
"Pelo segundo ano consecutivo, a Bahia foi o Estado que registrou o maior número de casos, com 29 assassinatos (15 gays e 14 travestis), seguido por Alagoas (24 casos), Rio de Janeiro e São Paulo (23 casos cada). Em termos relativos, que leva em conta a população do Estado, Alagoas lidera o ranking dos homicídios homofóbicos. Por esse critério, Maceió também é a capital mais perigosa para os homossexuais, com nove casos na cidade de 932 mil habitantes. Superou Salvador (oito casos e 2,6 milhões de moradores), Rio de Janeiro (sete casos e 6,3 milhões de habitantes) e São Paulo (três casos e 11 milhões de moradores)."
fonte - http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ba/total+de+gays+assassinados+sobe+31+em+2010+no+pais/n1300024126215.html
"O ano de 2010 terminou com 182 policiais baleados no Estado do Rio de Janeiro. A estatística fechou com 83 PMs mortos, 11 PCs mortos, 1 PF morto, 76 PMs baleados, 9 PCs baleados, 1 PF baleado e 1 PRF baleado. Dos 182 policiais, 75 estavam de serviço. Doze eram PMs reformados e um era policial civil aposentado."
fonte - http://robertatrindade.wordpress.com/estatistica2010/
Para ver os dados de São Paulo onde policiais são mortos com mais de 10 tiros a queima-roupa vá para http://apsegp.blogspot.com.br/2010/10/policia-na-mira-veja-relacao-de.html
Será que existe uma superexposição midiática de temas colocados a título de defesa de grupos vulneráveis?
O Estado, totalmente tomado por simpatizantes e representantes destes movimentos, altamente organizados, exploram os fatos (quando não os cria), dão visibilidade astronomicamente potencializada como se isso fosse a opinião de toda a sociedade, com isso justificando a mudança de leis ou a elaboração de novas, nas quais se colocam como defensores destas "minorias".
O mais famoso estudo de Salomon Asch na década de 1950 - o efeito da pressão social na conformidade - pretendia responder à pergunta: como e até que ponto as forças sociais moldam as opiniões e atitudes das pessoas? Imaginar que isso já era discutido e estudado cientificamente a mais de 60 anos, de que forma o avanço das telecomunicações tinham poder de influência na população, fico me perguntando até quando continuaremos cordeirinhos guiados pelos formadores de opinião ignorando os processos?
A condução da sociedade é algo cientificamente planejado e executado com uma precisão milimétrica por uma espécie de “Engenharia Social”. Existem os meios, as ações estimulantes e é só aguardar os resultados, estabelecendo ações corretivas como um sistema de controle Feed Back.
As ultimas décadas tornou o sistema judiciários um verdadeiro Frankenstein, totalmente invertido na sua lógica (Aristóteles remexe-se no túmulo) onde os casos particulares submetem a sociedade. O discurso de inversão da lógica do Estado foi para a prática. Deixamos de ser iguais perante a lei.
Concordo que o poder econômico paga melhores profissionais deixando ao Estado a tarefa de ficar do lado do cidadão indefeso através das defensorias públicas. Logo, aquilo que distingue as pessoas com maior poder aquisitivo, seria compensado pelo fortalecimento dos grupos como forma de enfrentamento. Agora perante a lei, existem os iguais e os mais iguais dos que os iguais, ou seja, a lei já está criando distinção entre as pessoas e os grupos, a título de proteger as minorias. Logo logo para alguns vai ser permitido fazer coisas que para outros estará proibido.
Como eram alguns valores da nossa sociedade e para onde está se encaminhando:
Mãe solteira; Usuário de drogas; Cigarro (tabaco); Trabalho da Criança; Igreja; Casamento; Autoridade; homossexuais; Liberação da Maconha; Pedofilia; etc.
Isso me lembra um texto ‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos (comentário sobre o filme “A onda”) escrito por Raymundo de Lima, Psicólogo, doutor de Educação pela Universidade de São Paulo (USP) e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM). A análise do texto se baseia em algumas linhas como a psicologia de massas e a servidão voluntária dos indivíduos a um líder, grupo ou causa mítica; a propaganda política e ideológica; alem do recurso da ‘experiência pedagógica’, como meio de ir para além do mero aprendizado de conceitos teóricos. Faz alusão a Kurt Lewin que tinha como propósito criar não somente técnicas de aprendizagem alternativa à aula tradicional, considerada chata ou enfadonha, mas de efetivamente trabalhar a "dimensão afetiva e emocional de cada grupo enquanto gestalt, onde estão presentes preconceitos, dogmatismo, coesão, fé cega num líder, bloqueios, filtragens, enganos e auto-enganos na comunicação entre seus membros."
No filme A Onda pode-se observar, segundo o Prof. Raymundo Lima,
“fenômenos como ‘conformidade’, ‘disciplina’, ‘bloqueios’, ‘filtragens’, ‘contágio social’, a influência do ‘poder’, a ‘submissão’, as ‘distâncias sociais’, ‘barreiras psicológicas’, a ‘psicose de massa’, o ‘vigiar e punir” de uns contra outros para que ninguém seja a si próprio, a delação ou dedurismo como prática corriqueira de difícil verificação e confrontação com a verdade, o ‘narcisismo das pequenas diferenças’ proposto por Freud, a ‘regressão dos indivíduos a condição de massa’ (conforme dito de Adorno: o fascismo ao manipular as massas, faz “psicanálise às avessas”), etc.”
Diante de todos estas mensagens através deste veículo (intracefet) fico pensando (como indivíduo e não como grupo) na quantidade de elementos em comuns citados pelos autores, usados pelos discursos dos nossos esquerdistas (em plantão permanente), ou daqueles que se colocam como representantes de sindicatos, movimentos sociais, representantes dos grupos vulneráveis, etc. Como disse Lima, continua sendo atual o discurso do professor Ross, proferido no final de “A onda”:
Lembrando dos policiais mortos, alguem está a buscar leis para distinguir os policiais do resto da população, estes sim morrendo às moscas, e que deveriam ser protegidos ou gozar de regalias? Claro que não. Só coloquei policiais como exemplo por estes correrem perigo como função do Estado, são seus representantes, alem de desorganizados é claro. Muito diferente de quem faz da sua própria vida uma jornada perigosa como os usuários de drogas, banhistas da praia de Boa Viagem em Recife, os profissionais do sexo , namoradas com namorados imaturos que não suportam o NÃO da separação (e matam) e todos aqueles que têm “ligações perigosas”.
Como na história do sapateiro, qualquer verdade é meia-verdade se não se investigar um pouco mais.
Portanto, que autonomia é esta que não dá independência de pensamento? Os últimos versos de Cântico Negro do inspirado José Régio podem ser o início de uma resposta...
(...) Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Lamartine Neto
...................................
Link para download do filme "A Onda":
http://www.filesonic.com/file/16380987/A%2BONDA%2B-%2B2008.7z
Link para o texto ‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos (comentário sobre o filme “A onda”) escrito por Raymundo de Lima
http://br.monografias.com/trabalhos906/a-onda-irracionalismo/a-onda-irracionalismo.shtml
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