segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Parte 1 - Roger Scruton sobre Slavoj Žižek: O Príncipe Palhaço da Revolução


O Estado da Arte publica com exclusividade no Brasil um ensaio do filósofo britânico Roger Scruton que avalia o fenômeno do stalinismo pop-psicanalítico de Slavoj Žižek. O texto foi publicado originalmente em setembro de 2016 no City Journal.
O Príncipe Palhaço da Revolução (Parte 1)
Sobre Slavoj Žižek, um novo tipo de pensador esquerdista
por Roger Scruton
Nas décadas de 1960 e 1970, o consenso, nas instituições acadêmicas e intelectuais ocidentais, caia muito para a esquerda. Escritores como Michel Foucault e Pierre Bourdieu ganharam destaque ao atacarem a civilização que eles rejeitavam como “bourgeois”. Os textos de teoria crítica escritos por Jürgen Habermas dominavam o currículo das ciências sociais, apesar de serem extremamente tediosos. A reescrita da história nacional como um conto de “luta de classes”, realizada por Eric Hobsbawm na Grã-Bretanha e Howard Zinn nos Estados Unidos, quase se tornou uma ortodoxia não só nos departamentos de História universitários, mas também nas escolas de ensino médio. Para nós, dissidentes, era um tempo desalentador, e raramente eu acordava pela manhã sem me perguntar se dar aula na Universidade de Londres era a carreira certa. Então o comunismo entrou em colapso no Leste Europeu, e me permiti ter esperança.

Durante um tempo, parecia estar por vir um pedido de desculpas daqueles que haviam dedicado seus esforços intelectuais e políticos a encobrir os crimes da União Soviética ou enaltecer as “repúblicas do povo” da China e do Vietnã. Mas esse momento durou pouco. Em uma década, o establishment da esquerda retomou o controle, com Zinn e Noam Chomsky renovando suas denúncias descontroladas contra os Estados Unidos, a esquerda europeia se reagrupando contra o “neoliberalismo” (o novo nome para o livre mercado) como se este é que fosse o problema desde o começo, Habermas e Ronald Dworkin colecionando prestigiosos prêmios por suas defesas quase ininteligíveis dos principais lugares-comuns da esquerda, e o veterano marxista Hobsbawm sendo recompensado por uma vida inteira de lealdade inabalável à União Soviética ao ser condecorado “Companheiro de Honra” pela rainha.
Realmente, o inimigo não era mais descrito como antes: o modelo marxista não cabia muito bem às novas condições, e parecia um pouquinho insensato defender a causa da classe operária quando seus últimos membros estavam se juntando às fileiras dos não empregáveis ou dos autônomos. Mas uma coisa permaneceu inalterada no despertar do colapso comunista: a convicção de que era inaceitável ir para a “direita”. Você pode ter dúvidas quanto a certas doutrinas ou políticas de esquerda; você pode cogitar que esse ou aquele pensador ou político esquerdista cometeu “erros”. Mas isso era o mais longe que a autocrítica conseguia chegar. Em contrapartida, simplesmente contemplar um pensamento de direita equivalia a entrar no território do diabo.
Assim, em poucos anos, a visão maniqueísta da política moderna, como uma luta até a morte entre a boa esquerda e a cruel direita, retomou seu domínio. Assegurando ao mundo que não haviam sido enganados pela propaganda comunista, os pensadores de esquerda renovaram seus ataques à civilização ocidental e sua economia “neoliberal” como sendo a principal ameaça à humanidade em um mundo globalizado. O termo “de direita” ainda é um xingamento hoje em dia, assim como era antes da queda do muro de Berlim, e as atitudes da esquerda se adaptaram às novas condições com pouca moderação de seu zelo oposicionista.
Houve, no entanto, uma mudança importante. Um novo tipo de pensador de esquerda surgiu – um que veste seu zelo revolucionário com uma camada de ironia, parcialmente rejeitando seu próprio idealismo impraticável como se falasse através da máscara de um palhaço. Se você resolveu estudar no departamento de humanas de alguma universidade americana, logo vai se deparar com o nome de Slavoj Žižek, o filósofo que cresceu no regime relativamente moderado da Iugoslávia comunista, classificado como “dissidente” durante o declínio do comunismo na sua Eslovênia natal, mas que agora está fazendo onda como crítico radical do Ocidente, ainda que sempre com certa ironia.
É prova da leniência do regime iugoslavo o fato de Žižek ter podido passar um tempo em Paris no início dos anos 1980. Lá, ele encontrou o psicanalista Jacques-Alain Miller, que estava promovendo um seminário do qual ele participou, e que também se tornou seu analista. Miller é genro de Jacques Lacan, o inescrupuloso maníaco pelo poder que Raymond Tallis descreveu como “o analista do inferno”, e este é um preço infeliz que se paga ao tentar entender Žižek: você tem que entender Lacan, também.
Os Écrits de Lacan, publicados em 1966, foram uma das fontes que embasaram os estudantes revolucionários em maio de 1968. Trinta e quatro volumes dos seus seminários se seguiram, publicados por seus discípulos e, posteriormente, traduzidos para o inglês – ou ao menos uma língua que se parecia com inglês tanto quanto o original se parecia com francês. A influência desses seminários é um dos mistérios profundos da vida intelectual moderna. Sua regurgitação truncada de teorias que Lacan não explorou nem entendeu é, por pura falta de vergonha intelectual, sem precedente na literatura. Tecnicidades inexplicadas, tiradas da teoria dos conjuntos, da física de partículas, da linguística, da topologia, e seja o que mais pudesse conferir poder ao feiticeiro que as invocou, são usadas para provar teoremas espetaculares como o de que um pênis ereto em condições burguesas é equivalente à raiz quadrada de menos um, ou que você não (até ser convencido por Lacan) “ex-siste”.
Outro conceito lacaniano – o do grande Outro – é crucial para entender Žižek. Após as famosas palestras sobre Hegel de Alexandre Kojève, realizadas no Institut des Hautes Études antes da II Guerra Mundial e assistida por todo mundo que era alguém no mundo literário parisiense (inclusive Lacan), a ideia do Outro se tornou uma fixação do pensamento filosófico francês. O grande e sutil argumento da Fenomenologia do Espírito de Hegel, de que atingimos a autoconsciência e a liberdade por meio do reconhecimento do Outro, tem sido reciclado repetitivamente por aqueles que assistiram às palestras de Kojève. Você o encontra em Jean-Paul Sartre, Emmanuel Levinas e Georges Bataille. E você o encontra, de maneira horrivelmente truncada, em Lacan.
Para Lacan, o grande Outro (A maiúsculo em Autre) é o desafio apresentado ao self pelo não self. Esse grande Outro assombra a percepção de mundo com o pensamento de um poder dominador e controlador – um poder que buscamos e do qual fugimos. Há também o pequeno outro (a minúsculo em autre), que não é muito diferente do self, mas é o que se vê no espelho durante o estágio de desenvolvimento que Lacan chama de “fase do espelho”, quando a criança supostamente vê seu reflexo e diz “Aha!”. Este é o ponto de reconhecimento, quando a criança encontra pela primeira vez o “objeto = a”, que, de alguma forma para mim impossível de decifrar, indica tanto o desejo como a ausência dele.
A fase do espelho dá à criança uma ideia ilusória (e breve) do self, como um outro todo-poderoso no mundo dos outros. Mas esse self logo é esmagado pelo grande Outro, um personagem baseado no contexto de seio bom/seio mau, amigo/inimigo criado pela psicanalista Melanie Klein. Ao expor as trágicas consequências desse encontro, Lacan traz surpreendentes insights, frequentemente repetidos sem explicação por seus discípulos como se tivessem mudado o curso da história intelectual. Um é particularmente repetido: “não há relação sexual” – uma observação interessante vindo de um sedutor em série, de quem nenhuma mulher, nem mesmo as analisandas, escapava.
Além disso, é atribuída a Lacan a ideia de que o sujeito não existe além da fase do espelho até que seja trazido à existência por um ato de “subjetivização”. Você se torna um sujeito autoconsciente ao tomar posse do seu mundo e incorporar sua alteridade em seu self. Dessa maneira, você começa a “ex-sistir” – existir para fora, em uma comunidade de outros.
As ruminações de Lacan sobre o Outro aparecem constantemente nos textos de Žižek, que provam um aspecto em que o sistema comunista tinha vantagem sobre seus rivais ocidentais: são produtos de uma mente seriamente educada. Žižek escreve com perspicácia sobre arte, literatura, cinema e música, e quando está tratando dos eventos de sua época – sejam as eleições presidenciais americanas ou o extremismo islâmico no Oriente Médio –, sempre tem algo interessante e desafiador a dizer. Ele aprendeu o marxismo não como uma busca exibicionista de uma classe ociosa acadêmica, mas como uma tentativa de descobrir a verdade sobre nosso mundo. Estudou Hegel com profundidade, e no que certamente são seus dois textos de mais fôlego – The Sublime Object of Ideology (1989) e a Parte I de The Ticklish Subject (1999) –, Žižek mostra como aplicar tal estudo aos tempos confusos em que vivemos. Ele responde tanto à poesia quando à metafísica de Hegel, e preserva o anseio hegeliano por uma perspectiva total, na qual o ser e o nada, a afirmação e a negação, são relacionados e reconciliados.
Se tivesse permanecido na Eslovênia, e se a Eslovênia tivesse permanecido comunista, Žižek não seria o estorvo que se tornou desde então. De fato, a introdução de Žižek no mundo acadêmico ocidental é quase suficiente para lamentar o colapso do comunismo no Leste Europeu. Ao adotar a visão psicanalítica de Lacan como base transcendental para sua nova filosofia socialista, Žižek eleva a empolgação a um nível que nenhum daqueles monótonos socialistas geralmente produzidos pela academia ocidental conseguiu atingir. E seu estilo astuto e abrangente dá indícios constantes de argumentação persuasiva. Às vezes, pode ser lido com facilidade por muitas páginas seguidas, com uma plena sensação de que está compartilhando questões que podem produzir um entendimento entre ele e seu leitor.  Ao mesmo tempo, passa rapidamente por afirmações absurdas que parecem, a princípio, lapsos de escrita, mas que o leitor descobre, com o passar do tempo, serem o verdadeiro conteúdo de sua mensagem.
Como exemplo do estilo de Žižek, eis aqui alguns dos assuntos tratados em três páginas consecutivas, escolhidos mais ou menos ao acaso, de seu envolvente livro de 2008, In Defense of Lost Causes: o Sudário de Turim; o Corão e a visão de mundo científica; o Tao da física; o humanismo secularista; a teoria lacaniana da função paterna; a verdade na política; o capitalismo e a ciência; a arte e a religião segundo Hegel; a pós-modernidade e o fim das grandes narrativas; a psicanálise e a modernidade; o solipsismo e o ciberespaço; a masturbação; Hegel e o espírito objetivo; o pragmatismo de Richard Rorty; e há ou não há um grande Outro?
O tiroteio de assuntos e conceitos torna fácil, para Žižek, introduzir suas pequenas doses de veneno, que o leitor, acompanhando o ritmo da prosa, pode acabar engolindo facilmente sem perceber. Assim, não devemos “rejeitar o terror in toto, mas reinventá-lo”; devemos reconhecer que o problema de Hitler, e de Stálin também, é “não serem violentos o suficiente”; devemos aceitar a “perspectiva cósmica” de Mao e considerar a Revolução Cultural um evento positivo. Em vez de criticar o stalinismo como imoral, devemos louvá-lo por sua humanidade, já que resgatou o experimento soviético da “biopolítica”; além disso, o stalinismo não era imoral, mas muitomoral, pois baseava-se na figura do grande Outro, que, como os lacanianos sabem, é o erro primordial do moralista. Também devemos reconhecer que a “ditadura do proletariado” é “a única escolha verdadeira hoje”.
A defesa que Žižek faz do terror e da violência, seu apelo por um novo Partido baseado nos princípios leninistas, sua celebração da Revolução Cultural de Mao, apesar das incontáveis mortes que foram, ainda, louvadas como parte do significado da política de ação – tudo isso pode ter servido para difamar Žižek entre os leitores esquerdistas mais moderados, não fosse pelo fato de que nunca é possível saber se ele está falando sério. Talvez ele esteja rindo – não só de si mesmo e de seus leitores, mas do establishmentacadêmico que o inclui, a sério, ao lado de Kant e Hegel no currículo de filosofia, com um Journal of Žižek Studies agora já em seu quarto ano de publicação. Talvez ele esteja nos incentivando a dar férias para o cérebro, zombando dos idiotas que acreditam haver algo mais a se fazer com ele além de escapar dos pensamentos:
Aqui, no entanto, é preciso evitar a armadilha fatal de pensar no sujeito como o ato, o gesto, que depois intervém para preencher a lacuna ontológica, e insistir no ciclo vicioso irredutível da subjetividade: “a ferida só é curada pela lança que a causou”, isto é, o sujeito “é” a própria lacuna preenchida pelo gesto da subjetivização (o que, para Laclau, estabelece uma nova hegemonia; para Rancière, dá voz ao “parte sem parte”; para Badiou, assume fidelidade ao evento-verdade; etc.). Em suma, a resposta lacaniana para a questão posta (e respondida de maneira negativa) por filósofos tão diferentes como Althusser, Derrida e Badiou – “Pode a lacuna, a abertura, o Vazio que precede o gesto de subjetivização ainda ser chamado de ‘sujeito’?” – é um enfático “Sim!” – o sujeito é, ao mesmo tempo, a lacuna ontológica (a “noite do mundo”, a loucura do autoisolamento radical) bem como o gesto de subjetivização que, por meio de um curto circuito entre o Universal e o Particular, cura a ferida de sua lacuna (em lacanês: o gesto do Mestre que estabelece uma “nova harmonia”).“Subjetividade” é um nome para essa circularidade irredutível, para um poder que não combate uma força resistente externa (diga-se, a inércia de dada ordem substancial), mas um obstáculo que é absolutamente inerente, que, em última instância, “é” o próprio sujeito. Em outras palavras, o próprio esforço do sujeito para preencher a lacuna retroativamente sustenta e gera essa lacuna.
Perceba a súbita intromissão, na logorreia, de uma longa frase em itálico, em nada mais clara que as outras, como se Žižek houvesse parado para tirar uma conclusão antes de passar, de maneira exultante, para o próximo conceito malformado.
A passagem é parte de uma contribuição para a teoria lacaniana da “subjetivização”. Mas seu significado principal é deixar claro para o leitor que, seja o que for dito sobre outros autores de absurdos em voga, Žižek também o disse, e que todas as verdades, todas as contribuições, todos os fragmentos úteis de bobagens esquerdistas, são afluentes que correm na incontrolável onda de sua abrangente negatividade. A prosa é um convite: mergulhe, leitor, para lavar sua mancha de argumentação fundamentada, e aproveite, enfim, as refrescantes águas da mente, que correm de assunto em assunto, de lugar em lugar, desimpedidas das realidades, sempre fluindo para a esquerda.
Žižek publica cerca de dois ou três livros por ano. Ele escreve com uma distância irônica de si mesmo, consciente de que não é possível obter aceitação de outra forma. Mas também se preocupa em criticar a plausibilidade superficial da sociedade de consumo que substituiu a antiga ordem da Iugoslávia comunista e descobrir a causa espiritual profunda de seus males. Quando não escreve alusivamente, pulando como um gafanhoto de assunto em assunto, ele tenta desmascarar o que considera serem os autoenganos da ordem capitalista global.  Como seu outro mestre, o filósofo francês de extrema-esquerda Alain Badiou, Žižek não consegue oferecer uma alternativa precisa. Sem esta, porém, uma alternativa imprecisa – até mesmo puramente imaginária – servirá, sejam quais forem as suas consequências. Nas palavras dele, com a linguagem de Badiou: “É melhor um desastre de fidelidade ao Evento do que uma não existência de indiferença ao Evento.” (O Evento é a sempre esperada, e sempre adiada, Revolução.)[Continua]
Tradução: Ana Beatriz Fiori


PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

domingo, 25 de setembro de 2016

Nelson Rodrigues, você é ou não é reacionário? (4 de junho de 1969)

Entrevista com Nelson Rodrigues, em VEJA de 4 de junho de 1969



As páginas amarelas surgiram em junho de 1969, menos de um ano após o nascimento de VEJA, e tomaram forma próxima da atual ao longo de 1970. 

O primeiro entrevistado da seção, pela qual já passaram os maiores nomes da política, economia, ciência, arte e espetáculos, foi o dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues. À época com 56 anos, o autor de Vestido de Noiva, Álbum de Família e Anjo Negro era apresentado como “o mais amado, o mais odiado e o mais discutido comentarista político do Brasil”. Na conversa, Nelson critica: a esquerda, o jovem, o carnaval, o cinema, o Maracanã (que leva o nome de seu irmão, Mário Filho), São Paulo, Piauí, o arcebispo Dom Hélder Câmara, o intelectual católico Alceu Amoroso Lima… E explica sua aversão ao biquíni: “O biquíni é a degradação da nudez. A nudez, para que tenha um valor plástico, para que tenha um interesse visual, na pior das hipóteses, exige o desejo. Mas eu vou além: a nudez exige o amor. Portanto, a nudez sem o desejo e, pior ainda, a nudez sem o amor é o que há de mais feio”. 

Confira trecho da entrevista:



Quem é você, Nelson Rodrigues? 
Eu sou um pierrô, sou um romântico. Mas o romântico piegas. Não o romântico de grande estilo, não o wagneriano. E aí me veio essa vergonha de ser romântico e uma certa tendência para negar essa emotividade fácil e vagamente burlesca.

Dizem que você é obsessivo… 
Eu sou uma flor de obsessão.

Você é reacionário, Nelson Rodrigues? 
Na televisão, sempre que me lembro, eu digo que sou reacionário, só pra chatear.

Mas você é ou não é reacionário? 
Se a Rússia – onde não existe o direito de greve, onde uma vez o Stálin, de uma só cajadada, matou 12 milhões de camponeses de fome punitiva, onde toda a experiência socialista tem 100 milhões de mortos a pauladas –, se a Rússia se considera libertária, se acha que está trabalhando para o futuro, que é o futuro, então, nesse caso, eu sou reacionário, sou o passado, sou a Idade Média. E prefiro ser a Idade Média, pois a Rússia é a pré-Idade Média. E, então, assim mesmo, estou na frente da Rússia.

Como é que sua coluna passou a ser política? 
Passei à ação política simplesmente porque deixei de ser covarde. Sou um ex-covarde.

Mas, na política, o que você é exatamente? 
Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. Geralmente, o anticomunista diz que não é. Mas eu sou e o confesso.

Por quê? 
Porque a experiência comunista inventou a antipessoa, ou o anti-homem. Conhecíamos o canalha, o mentiroso, o vampiro de Düsseldorf. Mas, todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, ainda assim, homens. O comunismo, porém, inventou alguém que não é homem. Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês. Para o comunista, o pequeno burguês é um idiota absoluto justamente porque tem escrúpulos.

Sua fúria anticomunista não é hidrófoba? 
Não, o comunismo é que é hidrófobo. Minha fúria é a de um homem que ama a liberdade. Eu sou um homem que põe a liberdade acima do pão.



Fonte - http://veja.abril.com.br/blog/reveja/quem-e-voce-nelson-rodrigues/

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A árvore genealógica dos partidos políticos do Brasil







Quem nunca teve a curiosidade de desenhar a árvore genealógica de sua família? Ainda mais sendo oriundo de uma família de imigrantes (alemã, italiana, etc). Aquela ‘pontinha’ de curiosidade, que ajuda a pensar “de onde venho e para onde vou”? Pois nestes últimos dias, resolvi me debruçar sobre a história dos partidos políticos brasileiros e fazer o mesmo. Como não sou historiador, nem cientista político, o desenho pode apresentar falhas. No entanto, ajudou-me a organizar as ideias e reconhecer melhor em qual terreno e contexto se inserem alguns partidos atuais. Na dúvida, veja o quadro acima.
– Brasil Império e República Velha
Para começo de conversa, durante o Brasil Império (1822-1889), dois partidos “de direita”, que defendiam a manutenção da escravatura, bipolarizaram o poder: Partido Liberal e Partido Conservador. O cenário só começou a mudar com a aparição dos Partidos Republicanos. Não existia uma união nacional nesta época, com os quadros sendo formados dentro dos Estados (o Partido Republicano Paulista, o Mineiro, e o Riograndense, de Júlio de Castilhos, por exemplo). Estes dominaram o palco principalmente a partir da Proclamação da República e estabelecendo a política do ‘café com leite‘, com paulistas e mineiros se revezando no poder. É preciso compreender que neste período não havia o sufrágio universal. Ou seja, mulheres e pobres não iam às urnas. Portanto, as referências políticas eram pessoas da elite social.
– Era Vargas
Oriundo do PRR (Partido Republicano Riograndense), o gaúcho Getúlio Vargas chegou à presidência em 1930 graças a um golpe de Estado que interrompeu o revezamento de paulistas e mineiros. Quatro anos depois, promulgou uma nova Constituição, impondo entre outras coisas o voto secreto, o voto às mulheres e direitos trabalhistas. Com a implantação do Estado Novo (nada mais do que uma ditadura populista), viu as oposições se radicalizarem entre extrema-direita e extrema-esquerda: Ação Integralista Brasileira (AIB), que defendia um governo fascista; e Aliança Nacional Libertadora (ANL), formada por integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Aliás, este último, conhecido como ‘Partidão’, foi o primeiro viés de esquerda na política nacional, fundado ainda em 1922, acabou sendo tornado ilegal por muitos dos governos que assumiram o país. Apesar de fortes revoluções organizadas por essas duas frentes, Vargas manteve-se na presidência até 1945. Voltaria eleito cinco anos depois, mas antes ainda foi o avalizador de dois partidos que seriam fundados: PSD (Partido Social Democrático) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – pelo qual se filiou. No espectro oposto, surgiria a UDN (União Democrática Nacional), uma herdeira dos Partidos Conservador e Liberal. Seria a principal oposição ao governo getulista até seu suicídio em 1954.
– Ditadura Militar
Com o golpe militar de 1964, apoiado inicialmente pela UDN para derrubar o governo trabalhista de João Goulart (‘filho político’ de Getúlio), todos os partidos – da esquerda à direita – entraram na ilegalidade. Do PCdoB (Partido Comunista do Brasil, herdeiro do PCB), passando pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro, encontro de ideologias entre PCB e PTB), PDC (Partido Democrata Cristão) e alcançando até a própria UDN. Permitia-se apenas a adesão a duas vertentes: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Era como se, de uma hora para outra, a política nacional voltasse ao período do Brasil Império, onde vigoravam apenas os liberais e conservadores. Os quadros da centro-esquerda foram forçados ao exílio (como o petebista Leonel Brizola), enquanto os da extrema-esquerda assumiram a ilegalidade para criar grupos armados – ALN (Aliança Libertadora Nacional), MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), entre outros.
– Reabertura política
Diante das manifestações populares pelo fim dos governos militares, foram surgindo novos partidos. Com o DNA getulista, Brizola fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Este ainda recebeu alguns componentes dos grupos revolucionários, enquanto a maioria acabou migrando para o recém fundado Partido dos Trabalhadores (PT), encontrando-se com líderes de movimentos sindicais. Com o desprestígio da ARENA, surgiu o PDS (Partido Democrático Social), que passaria a abrigar aqueles políticos que governaram sob o guarda-chuva militar, como José Sarney. O MDB, por sua vez, foi quem surfou a onda da abertura política, sendo a cara da recente democracia brasileira. Velhos partidos, como PCdoB, PSB e PTB também foram reativados, mas já desvirtuados das ideologias que os havia fundado.
– Coligações e fisiologismo
A partir da década de 90, os partidos foram se multiplicando. Da direita, saíram do PDS o PFL (Partido da Frente Liberal, hoje DEM), PPB (Partido Progressista Brasileiro, hoje apenas PP) e PRN (Partido da Reconstrução Nacional, hoje PTC) – que elegeria Fernando Collor nas primeiras eleições diretas. Do gigantesco PMDB, surgiria principalmente o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Do PT, acabariam migrando vertentes radicais de esquerda, como PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), PCO (Partido da Causa Operária) e mais recentemente PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). O impeachment de Collor em 1992, no entanto, influenciaria ainda mais o fisiologismo na vida democrática brasileira. A troca constante de partidos – como do então vice-presidente Itamar Franco, que chegaria ao seu 5º partido ao assumir a presidência (PTB, MDB, PL, PRN e PMDB) – denunciava a falta de fidelidade a uma raiz ideológica. Além disso, o sistema presidencialista de coalizão insuflou as coligações antes inimagináveis. O ‘tucano’ Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ex-MDB, coligou com o PFL (dissidência do PDS e ARENA) para vencer as eleições de 1994 e 1998. Já o petista Lula uniu-se com o PL para fazer o mesmo em 2002 e 2006. Quando que os liberais do Brasil Império imaginariam que seus herdeiros políticos um dia uniriam forças com trabalhadores de movimentos sindicais? Da fusão dessa coligação improvável, por exemplo, saiu o atual SD (Solidariedade), que tem como presidente o deputado Paulinho da Força Sindical – um ex-petista, que se tornou uma das principais bases de apoio ao recente impeachment de Dilma Rousseff. Outra obra do fisiologismo é o recém criado Rede Sustentabilidade, capaz de abrigar a fundadora Marina Silva, ex-PT e PV (Partido Verde); Randolfe Rodrigues, ex-PSOL; Miro Teixeira, ex-PP, PDT e PROS (Partido Republicano da Ordem Social); e João Derly, ex-PCdoB. Isso sem falar no PSC (Partido Social Cristão), herdeiro do antigo PDC extinto pela ditadura militar, mas que já lançou a pré-candidatura de Jair Bolsonaro, um entusiasta do regime militar. Mas talvez o ‘filho mais bastardo’ da política brasileira seja o PR (Partido da República), nascido da fusão entre PL e PRONA (Partido da Reedificação da Ordem Nacional) – pensado e criado pelo ultranacionalista Enéas Carneiro, primo distante do integralista Plínio Salgado. Mesmo assim, não exitou em coligar com o PT nas eleições de Dilma. Sendo assim, à esta altura, onde ninguém mais sabe quem é o inimigo ou amigo na trincheira, urge uma reforma na política brasileira. Ou sigam degustando essa sopa de letrinhas promíscuas e indigestas.









PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

11 erros fatais que fariam Dilma ser demitida de qualquer empresa séria no mundo - por Marc Tawil

Marc Tawil é Sócio-diretor na Tawil Comunicação
27 de ago de 2016


Dilma Rousseff sobreviveria ao mercado corporativo apenas sendo... Dilma Rousseff? A resposta é: jamais




Demitir um CEO parece improvável, mas acontece com mais frequência do que supõe nossa vã filosofia de rede social. CEOs ou presidentes, o topo da cadeia – ou da cadeira – sofrem, sim, sanções pesadas por terem a língua solta demais, serem arrogantes demais, tranquilos demais ou até ousados demais.

Neste milênio mesmo, vieram à tona casos bizarros de demissão, como a do CEO histórico do Yahoo!, Scott Thompson, acusado de maquiar o próprio currículo com uma faculdade de Ciências da Computação quando, na verdade, só tinha um curso de contabilidade.

O desligamento de Andrew Mason, fundador e CEO do Groupon, foi ainda mais estranho: saiu por excesso de otimismo – ele acreditava tanto na plataforma do Groupon, que ignorava a queda do número de cupons vendidos.

Já a demissão do CEO da HP, Mark Hurd, teve ares cinematográficos: Jodie Fisher, ex-atriz de filmes eróticos nos anos 1990, foi o pivô de um escândalo de assédio sexual e falsificação de relatórios de despesas por parte dele.

Estar no topo da cadeia não é fácil e isso só explica os altos salários e benefícios compatíveis com tantas responsabilidades. Cabe ao presidente, líder ou CEO colocar todos acomodados confortavelmente em seus assentos e pilotar esse Boeing sem solavancos e acima de nuvens e tempestades.

E se?


Governo não é empresa e o Brasil não é a Coca-Cola, Ambev ou Johnson & Johnson. Mesmo assim, muitos governantes valem-se de sua “experiência de mercado” na hora de se candidatar a esse ou aquele cargo.

E se o exercício fosse o contrário? Se o governante se candidatasse ao cargo de CEO de uma grande empresa, seus skills e estilo de liderança fariam a diferença? E se esse governante em questão fosse Dilma Rousseff, presidente cujo destino político será traçado nessa semana pelo Senado federal?

Sobreviveria ela ao mercado corporativo apenas sendo... ela mesma?

A resposta é não. A presidente da República, eleita em 2010 e reeleita em 2014, peca em 11 posturas essenciais que, juntas ou em separado, jamais seriam toleradas em nenhuma organização séria do Brasil ou do mundo. A elas:

1. Não delegar

Marca dos dois governos Dilma Rousseff, a centralização de poder não apenas afastou a presidente de ministros e aliados, como a isolou em momentos-chave de sua caminhada no Palácio do Planalto, fosse em votações importantes no Congresso, nas disputas com a oposição e, na reta final de seu segundo mandato, durante os pedidos de apoio dentro e fora do PT.

2. Não dialogar

Dilma sempre deixou claro sua abordagem top-down, isto é, de cima para baixo, no pior estilo “eu mando, vocês obedecem”. Um estilo de liderança ultrapassado, isolacionista e comprovadamente ineficaz. Além disso, vai de encontro ao ideal de diálogo democrático pregado por ela. A presidente ignorou parlamentares pró e contra o governo e todos aqueles se se mostravam contra sua gestão. Chegou ao cúmulo de isolar (com grades) os opositores em comícios e contar com barulhentas claques para seus discursos e inaugurações.

3. Não admitir erros

Demorou alguns anos para ver a presidente reconhecer alguma falha em seus fraquíssimos governos. Quando o fez, e dá para contar esses episódios nos dedos de uma mão, as lambanças creditadas à “contabilidade criativa” e dezenas de benesses a correligionários nunca vieram acompanhadas de um pedido sincero de desculpas. Nenhum ao menos que convencesse a população. Será lembrada por não saber ganhar sem tripudiar nem saber perder.

4. Descumprir promessas públicas

Apenas para citar duas delas: a volta da CPMF e o aumento descontrolado da tarifa de energia elétrica. Menos de um ano depois de ser reeleita, Dilma acenou com a volta de um imposto detestado pelos brasileiros. E até com possíveis outros impostos – algo amplamente combatido por ela em seus discursos pró-reeleição de 2013 e 2014. A decepção generalizada também ficou evidente durante o aumento vertiginoso da conta de luz – que baixou meses antes, pré-eleição – para depois ressurgir cara como nunca.

5. Expor-se voluntariamente ao ridículo

Por que seguir roteiros? Para quê ouvir assessores? São tantos os exemplos de discursos disconexos, respostas atravessadas a jornalistas, fotos sem contexto e outros comportamentos bizarros, que não caberiam nesse texto. Mas fiquemos com uma frase, apenas: “Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”.

6. Faltar com transparência

Controladora, centralizadora e pouco afeita a ser contrariada, Dilma sempre alegou que a incompetência administrativa, corrupção e a formação e organização criminosa em tantos setores ocorreram sob seu nariz sem que ela jamais se desse conta. Quando identificou, bilhões e bilhões de reais desviados depois, perseguiu os envolvidos – ou quase isso. Pergunta: teria sido Dilma, a primeira presidente mulher do Brasil, mãe do PAC, brava lutadora contra a ditadura, enganada por tantos e por tanto tempo? Para refletir.

7. Faltar com ética

Dilma é produto de Lula e, apesar do discurso contrário, ela nunca negou nem escondeu isso. Reuniões secretas e, com o tempo, escancaradas, foram realizadas para salvaguardar o pouco crédito que ainda restava à presidente no primeiro e segundo mandatos. Quando, a pedido do juiz paranaense Sergio Moro, Lula foi levado para depor coercitivamente, em março, após suspeita de envolvimento em crimes da Operação Lava Jato, Dilma não só foi a São Bernardo prestar solidariedade (??), como ainda o reconduziu à Casa Civil. A manobra quase circense, negada pela Justiça, custou caro aos dois.

8. Tomar decisões equivocadas em série

A condução equivocada da política econômica brasileira já havia sido evidenciada no primeiro mandato pelo empresariado – uma classe que, incrivelmente, não era considerada por Dilma. E mesmo com as portas fechadas para o comércio exterior, a perda de graus de investimento sucessivas, a indústria nacional ruindo e todas as tendências econômicas em queda, Dilma preferiu seguir culpando, literalmente, o mundo. Quando acordou para a realidade, sem apoio algum, era tarde.

9.  Comunicar-se mal e menosprezar as vozes contrárias

Dilma será lembrada como uma oradora ruim. Mais ainda: uma oradora ruim e prepotente. Desprezava opositores, em vez de combate-los com argumentos, e rebatia críticas com ironias e frases grosseiras. Também foram necessárias algumas manifestações, black blocs e panelaços para que ela se posicionasse ante a voz das ruas. No início, a presidente simplesmente ignorou os protestos. Em junho de 2013, ainda em seu primeiro mandato, limitou-se a enviar ministros como mensageiros para acalmar os ânimos e a imprensa, em vez de assumir aquilo para que foi eleita: as rédeas da nação. A Dilma forte, que pegou em armas para encarar os militares na ditadura, estava acuada, para decepção inclusive dos eleitores dela. Postura semelhante aos últimos meses, quando elegeu o advogado José Eduardo Martins Cardozo como sua segunda voz.

10. Atacar os inimigos certos de forma errada

A última briga de Dilma foi também aquela que sepultou o seu mandato. A pá de cal foi justamente contra uma das biografias mais sujas da política nacional: Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem apoio dos congressistas, traquejo político e estratégias acertadas, Dilma, ao se posicionar contra a candidatura de Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro do ano passado, assumiu um embate mortal, afinal, o nefasto Cunha era estratégico no encaminhamento das pautas do governo federal no Congresso. O peemedebista anunciou o rompimento com o governo, contaminou a base, aliou-se ao vice Michel Temer – velha raposa do Congresso, um verdadeiro animal político – e, como acompanhamos, o resto é história viva – gostemos ou não.

11. Mentir

Não foi apenas a contabilidade destrutiva e as fraudes fiscais que pairam sobre a figura da presidente. Basta dar um rasante pela imprensa para verificar que as acusações contra ela, baseadas em fatos e datas, estão na boca de jornalistas, delatores e até, pasme, do mentor maior Luiz Inácio Lula da Silva.


A herança dos anos Dilma, em números


Quando Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro de 2011, o Brasil crescia 7,5%, a maior taxa desde 1986.

Passados cinco anos, o País amarga queda de 3,8% no PIB, contas públicas deterioradas, desemprego em 8,5% (já são 11,5 milhões de desocupados) e uma inflação de dois dígitos, que penaliza os mais pobres.

O governo caminha oficialmente para fechar 2016 com o terceiro rombo anual seguido em suas contas e um deficit primário recorde, de R$ 170,5 bilhões.

As expectativas indicam que, no final deste ano, a economia terá encolhido quase 8% desde 2014. A última vez que isso aconteceu foi em 1931, em meio à Grande Depressão. A dívida pública pode chegar a 80% do PIB em 2018.

E você, contrataria Dilma Rousseff para comandar a sua empresa?






Fonte - https://www.linkedin.com/pulse/10-erros-fatais-que-fariam-dilma-ser-demitida-de-qualquer-marc-tawil


PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

domingo, 21 de agosto de 2016

QUEM É NOAM CHOMSKY, USADO COMO FONTE POR “MODERADOS” NO BRASIL? (por Rodrigo Constantino)


 Alguns leitores acompanharam o “debate” que travei com um colega de revista, que se diz muito “moderado” e me rotula de “radical”. Após ele usar Noam Chomsky como fonte num texto em que acabava justamente pregando a “moderação” e atacando Bolsonaro, rebati cada ponto nesse artigo, que teve como resposta, surpresa!, a repetição dos rótulos. Ele viu nos meus argumentos que desmascaravam sua farsa a prova de que sou mesmo um “radical”. E muitos de seus seguidores, como autômatos, fizeram coro: “ele é um radical, deixa ele pra lá”.
Nada mais fácil para evitar um debate ou a reflexão do que apelar para esse rótulo: radical. Pois bem: mas quem é Noam Chomsky, que ele usou como fonte de tanta moderação? Julgo importante voltar ao tema só para demonstrar como devemos tomar cuidado com esses “moderados”. No fundo, muitos são apenas lobos em pele de cordeiro, radicais de esquerda simulando um apreço à pluralidade e à tolerância que simplesmente não possuem. Alguém puxar da cartola Chomsky para defender a moderação é análogo a citar Hitler para defender a paz, ou Fidel Castro para enaltecer a democracia.
Vejam, então, um breve resumo de quem é Chomsky, extraído diretamente do meu livro Esquerda Caviar. Tem muito mais que poderia ser dito sobre esse sujeito. Mas uma coisa fica clara, salta aos olhos de qualquer pessoa razoável: Chomsky é tudo, menos moderado. Tirem suas próprias conclusões, por favor:
Noam Chomsky
Nenhum outro representante da academia encarna de forma tão perfeita o manual da esquerda caviar como o conhecido linguista. Ele abraça simplesmente todas as bandeiras da turma.
A começar pelo antiamericanismo virulento. Chomsky vive praticamente em um estado policial, sob um regime nazista. Ao menos é assim que enxerga os Estados Unidos. Para ele, o sistema eleitoral de seu país encadeia, de quatro em quatro anos, uma série de ditaduras.
Defende, portanto, a alternativa “fantástica” de inúmeros países sob verdadeiras ditaduras, onde sua punição por crítica similar seria a morte. Nos Estados Unidos, pode continuar com suas diatribes em paz, seguro, alegando que é um “dissidente político”. Nos países que defende, no entanto, os legítimos dissidentes acabam em gulagsou paredões de fuzilamento. Ser “dissidente” na América é um pouco mais fácil…
Apesar de uma produção literária e verborrágica profícua, a mensagem de Chomsky é bastante simples: você consegue ver o horror e a miséria no mundo? A culpa é do capitalismo e do complexo militar americano. Ponto final. Simples assim.
O Pentágono, segundo este pensador, é “a instituição mais hedionda da Terra” e constitui uma “ameaça para a vida humana”. Isso em um mundo que tem terroristas islâmicos, ditaduras com bomba nuclear, teocracias que desejam varrer povos inteiros do mapa etc. Mas Chomsky foi encontrar no Pentágono a verdadeira ameaça à paz mundial.
Aqui, pois, começa a hipocrisia pesada do ícone da esquerda caviar. Não apenas ele ataca o “estado policial” dos Estados Unidos de uma posição fácil, confortável e segura, típica do estado democrático de direito, como lucra graças ao próprio Pentágono! Nos últimos quarenta anos essa “instituição hedionda” destinou milhões ao escritor socialista, por meio de projetos e financiamentos às suas pesquisas.
E a “instituição fascista” inclui a família toda nas benesses estatais. Sua esposa, Carol, também uma linguista, procurou o Pentágono para que financiasse um projeto chamado “Baseball”. Parece que o “fascismo” não tem tanta importância quando o agraciado se chama Chomsky.
Apesar de todo o discurso anticapitalista, o fato é que sujeito gosta e muito de dinheiro, como todo socialista. Acumulou milhões de dólares ao longo de sua carreira, e investe até no mercado de ações, em busca de um retorno melhor.
Defensor dos impostos pesados sobre heranças, criou ao menos um “trust” em paraíso fiscal – justamente para fugir dessas taxas. Quando confrontado com essa contradição, reagiu afirmando que não iria pedir desculpas por guardar dinheiro para seus filhos e netos. Sim, pode pensar no futuro de seus familiares. Mas, se um rico empresário faz o mesmo, é claro que se trata de um egoísta insensível.
Esse grande defensor da igualdade e dos pobres vive em uma casa avaliada em pelo menos US$ 850 mil, e ainda possui outra, para férias, em Wellfleet, Massachusetts, estimada em US$ 1,2 milhão. Além disso, claro, tem um belo barco. Coisas típicas do cotidiano dos pobres do mundo todo, como sabemos.
Como todo campeão da esquerda caviar, Chomsky posa de defensor das minorias. Ocorre que quase todas as contratações que fez para os departamentos de linguística e de filosofia nos anos anteriores foram de homens brancos. As cotas parecem boas apenas para os outros.
A revolta de Chomsky contra massacres a inocentes é bastante seletiva. Durante a Guerra Fria, acusou o governo de Saigon, no Vietnã do Sul, de “autoritário e repressivo”, mas foi incapaz de emitir uma só palavra de condenação ao regime do norte, que massacrava milhares de inocentes. Os fatos já eram conhecidos na época.
Ao contrário, soltaria palavras elogiosas sobre a “reforma agrária” dos vietcongs, que nada mais era do que expropriação de terras privadas, depois distribuídas entre os membros do partido. Também elogiaria a “reforma” de Mao na China, algo “realmente muito admirável”. Nessa época, comprava sua propriedade em Wellfleet. Sorte dele que seus admirados regimes não cuidavam dos rumos de Massachusetts.
Chomsky negou o genocídio cometido pelo Khmer Vermelho no Camboja, chegando a desqualificar testemunhas oculares, e compararia o regime de Pol Pot com a Revolução Americana. O quão pérfido é preciso ser para afirmar algo assim?
Certa vez, quando cinco cubanos foram presos, nos Estados Unidos acusados de espionagem, Chomsky saiu-lhes em defesa, alegando que se tratavam de “patriotas”. O linguista, entretanto, nunca teve palavras de apoio aos milhares de prisioneiros políticos da ditadura cubana. Para ele, Cuba, sob Fidel Castro, tornara-se um símbolo de resistência corajosa ao ataque americano.
Sempre em busca de um tirano para admirar, Chomsky encontrou no islã fundamentalista um aliado, principalmente porque seu alvo é a destruição do “império” americano e do capitalismo. Tentou convencer os Estados Unidos de que o terrorismo islâmico não era realmente uma ameaça, e que o verdadeiro culpado pelos ataques eram os próprios americanos.
Quando sua segurança esteve em jogo, porém, levou a ameaça bastante a sério. Para conseguir acesso a suas aulas, era preciso antes apresentar uma identificação com foto, então passar por um posto de segurança e ser revistado na porta. Em nome da proteção pessoal, ainda costuma usar policiais à paisana em suas palestras. Nessas horas, decerto que não é dos militares americanos que tem medo…
Em maio de 2006, poucas semanas antes de o Hezbollah atacar Israel, Chomsky foi ao Líbano consumar seu romance de longa data com os terroristas. Em Beirute, visitou a sede do grupo e abraçou calorosamente seu secretário-geral, Hassan Nasrallah. Finalmente, tivera a oportunidade de demonstrar seu carinho àqueles responsáveis pela morte de 241 americanos no ataque de 1983.
Ecoando as palavras de Nasrallah, endossaria a acusação de que o então presidente Bush era o maior terrorista do mundo, e os Estados Unidos, um dos mais perigosos estados terroristas.
Na América Latina, Chomsky parece procurar um substituto a seu querido Fidel Castro. Sempre defendeu Hugo Chávez, o tiranete venezuelano responsável pelo “socialismo do século XXI”, aquele que muito se parece com o do século anterior, responsável por muita miséria e escravidão, além da morte de milhões de inocentes. Claro que o linguista prega esse modelo de longe, pois o intelectual refinado não suportaria viver em um país onde o papel higiênico virou bem de luxo, contrabandeado no mercado negro.
Até no Brasil Chomsky se meteria, quando achou que encontrara algo suficientemente radical para com que flertar. Apoiou a candidatura de Heloísa Helena à presidência, aquela do PSOL, em 2006. Onde houver esquerda jurássica e carnívora, cedo ou tarde lá estará Chomsky, até seus últimos suspiros, para oferecer seu prestígio e fama em nome da causa socialista e contra o capitalismo.
O sensacionalismo deste senhor é tão grande que um de seus livros se chama O lucro ou as pessoas?, estampando já na capa a falsa dicotomia de quem pretende monopolizar as virtudes e condenar o lucro. Ora, sabemos que é justamente a busca pelo lucro que permite a produção de alimentos em um volume que salva vidas, especialmente dos mais pobres. Ninguém precisa escolher entre lucro e pessoas. Ao contrário: devemos escolher ambos.
Os regimes comunistas defendidos por Chomsky tentaram abolir o lucro, e o resultado foi a morte de milhões por inanição. A fome se instalou nesses países. Mas ele, como ícone perfeito da esquerda caviar, não se importa com todo esse sofrimento real, com os resultados práticos de suas ideias, com os fatos incômodos.
Para esse pensador, o importante é a imagem de nobre defensor dos pobres. Imagem essa reforçada quando ovacionado como verdadeiro popstar no Fórum Social Mundial, o palco mais famoso da esquerda caviar, um evento orçado em milhões de dólares. É lá que uma multidão de idiotas úteis pode massagear o ego do linguista mentiroso e hipócrita.
Em tempo: filha de peixe, peixinho é. Ou, no caso: filha de safado comunista, safada comunista é. Vejam aquicomo a filha de Chomsky também saiu em defesa da ditadura cubana recentemente. Aqui, João Pereira Coutinho, bastante moderado, detona o radicalismo canalha de Chomsky. Nesse outro texto, derrubo a falácia socialista de que precisamos escolher entre vidas ou lucro, tema que dá título a um dos livros mais famosos de Chomsky, ignorando que foi o lucro que salvou tantas vidas no mundo.
É esse crápula que nosso formador de opinião “moderado” usou como fonte para pregar um “equilíbrio” contra os “extremos”. E não esperem um só argumento como resposta: esse tipo de gente só vive de aparências, de embuste, e precisa insistir nos rótulos para fugir dos debates. Diante dessa pequena biografia desse “ultra-moderado” defensor das piores ditaduras do planeta, tudo que será dito em resposta é isso: “Constantino é um radical”.
Portanto, não escrevo esse texto para ele, nem mesmo para seus seguidores mais aguerridos: são casos perdidos. Escrevo para os neutros, os leigos que acabam sendo vítimas desses oportunistas, e que acreditam que os radicais somos nós, liberais e conservadores que defendemos a economia de mercado, a democracia representativa, valores tradicionais, um estado limitado e o império das leis, enquanto eles, os “moderados”, usam como fonte Chomsky, Zizek, Paulo Freire e outros tantos radicais de esquerda. É uma farsa!
Rodrigo Constantino









PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A merenda escolar, a militância e o reaça



José Lamartine Neto - Não é possível que a fome tenha aumentado em relação aos anos 1970/80 quando nem se falava em merenda escolar na então ETFBa, ou que as pessoas eram mais resistentes do que as hoje. E aqueles estudantes aprendiam.
14 de agosto às 10:21

TBR - José Lamartine, e temos que retroceder?
Acho que uma escola rica como a nossa, não pode fazer discurso que nos coloca para baixo, nivela ao sistema precarizado das escolas públicas estaduais e municipais. Ao tratamento que os gestores têm dado a este sistema público de educação.
Não podemos deixar a educação federal chegar ao patamar de descaso que vivemos no serviço público estadual e municipal. Somos uma rede com recursos, mas, com problemas administrativos de incompetência de gestão. Temos que criticar, exigir melhorias. Acho a crítica muito válida. Se os gestores tivessem escuta sensível, já teria melhorado muita coisa na nossa instituição, é a equipe que possui CD e FG para esta finalidade, cuidar da gestão escolar.
14 de agosto às 18:48

José Lamartine Neto - TBR, o que vi nestes 34 anos de atuação na ETFBa/CEFET-BA/IFBA é que, ao longo do tempo estamos mudando a forma de enxergar nossos alunos. Paulatinamente os tratamos como se fossem, cada vez mais frágeis e mais infantis. Não tenho nenhum saudosismo, só fico observando o mundo real (como vejo, é claro) e o mundo acadêmico e, em muitos momentos vejo que são dissonantes.
14 de agosto às 19:07

DDSM - Ze só que estamos em 2016 e nos estudantes não vamos deixar está situação COMO está

TBR - José Lamartine Neto você mudou o assunto ?
Desculpa, mas não entendi qual contexto você se refere na resposta.
Aqui vejo uma formação cidadã muito positiva no protesto dos estudantes. Vejo maturidade neles. Acho super positivo este tipo de reivindicação. A escola deve ter participação política e democrática. Só assim, podemos ter um perfil de cidadão mais exigente quanto a coisa pública em nossa sociedade.
14 de agosto às 19:13


José Lamartine Neto - TBR Espero que não chegue a este ponto de argumentação usado pelo paulista. 

14 de agosto às 19:33

LR - É bonito de ver... Falou tudo TBR! É o movimento estudantil se empoderando novamente. Historicamente ele foi fundamental na luta contra vários sistemas totalitários. Mas, nas últimas décadas, por causa do clima gerado pela formalidade da representação democrática e pela apatia que se abateu na arena política, tivemos um recuo nas formas de mobilização estudantil, até porque, grande parte dele fora engolida pelo sistema partidário. Acontece que esses estudantes, de forma emancipada, estão dando um grande exemplo e mostrando seu protagonismo diante de uma instituição que já se torou anacrônica para seu tempo.
14 de agosto às 19:25

Lelé - TBR...
Admiro sua disposição em jogar pérolas aos porcos!
Eu não tenho paciência pra isso... não aguento os reaças de plantão! !!!
#prontofalei
15 de agosto às 05:33

TBR - Paciência histórica. Rsrs
Papel da didática e educação, da democracia, a conversa na diversidade.
Por falar neste tema, tenho uma boa dica de leitura, o momento político que vivemos no país, merece.


15 de agosto às 08:07

DDSM - E até porque agente só está dialogando não está criticando ninguém! !! Então está tudo ótimo

Lelé - Eu tou criticando sim... quem disse q não??? Rsrsrs
Até pq, se é reaça, tem de combater!!
15 de agosto às 22:52

DDSM Mas só que eu não apoio qual quer tipo de ofensa! !!
15 de agosto às 23:00

Lelé Sim... mas aí vc fala por si!! Super respeito!!!
Arrasou!
Já eu, eu tenho um jeito de falar, q é criticando mesmo!
;)
15 de agosto às 23:10

José Lamartine Neto - Obrigado pela dica de leitura TBR. Só agora que vi.



Para os normais e os lelés da cuca, a Márcia Tiburi, tratada como "filosofa" pela esquerda brasileira, citou neste vídeo alguns autores. Será que o tratamento que ela dá ao livro (que não li) é o mesmo do vídeo? Não sei.
Um destes autores foi o Adorno. Aliás, como esse povo cita a Escola de Frankfurt só para dizer ter "bases teóricas" das bobagens que falam. Adorno se esqueceu de que o fascismo era concentração total do estado: "Nada fora do estado, tudo dentro do estado" - dizia Mussolini. Alem do mais quando se refere ao termo "personalidade autoritária" como algo fascista é a mesma ideia do "crime de pensamento" descrita por George Orwell no seu livro 1984. Mas o que Adorno e a Escola de Frankfurt queria na verdade era identificar pessoas que não eram suficientemente revolucionárias com o objetivo de serem re-educadas. Nos EUA, com o objetivo de fachada de medir o anti-Semitismo americano, tinha por meta verificar o nível de aderência aos valores Judaico-Cristãos, associando estas crenças como "autoritárias", para posteriormente serem desacreditadas. Bem, é isso que vem acontecendo desde então e se ampliando país a país.
A autora interpreta o mundo com os seus paradigmas. Se ela quer experimentar o materialismo, que confunde e apaga o mundo e reescreve para servir a seus próprios interesse, tornando-se apenas a experiência de suas suposições, azar dela. Prefiro, na verdade, as interpretações da realidade de sociedades que realmente deram certo e progrediram, ao invés de experiências pífias de ditaduras dos socialistas a alimentar sonhos de utópicos.
Outras pérolas da Tiburi presente no vídeo:
-"O fascista não gosta de estudar. Não gosta de diálogo". Ora, que coisa energúmena. Quem faz isso no Brasil? Quem fica com militância virtual dizendo que gosta de liberdade de expressão mas odeia quem diz o contrário? Qual era a tribo paga pelo governo para ficar apagando todo tipo de página que lhes fazia oposição? Exatamente gente da estirpe da Márcia. Gente que sequer sabe sentar e falar de um teórico não marxista. Não sabem nada de teoria econômica, a não ser pelos autores marxistas.
-"O burro não conversa, não lê um livro" - exatamente o tipo de militantes como essa senhora. Aliás, citou Freud, que tratava da "repressão sexual", em seu livro "O mal estar da civilização". Anos mais tarde, após curta vida de liberalização sexual o que se viu foi o contrário: pessoas que caminham para a depressão, prazer a qualquer custo, vícios sexuais, aumento de estupros e abortos (para maior entendimento ver as ideias do feminismo radical de Shulamith Firestone). Pior foi tratar pessoas pela categoria de burros como uma "impotência de se colocar no lugar do outro". Isso é de uma grosseria sem tamanho, mas o que se poderia esperar? O mais curioso é o ato falho que ela "comete", horroroso até, quando se coloca como a autora da moda lida pelos burros. Aí o Freud tem razão, sem querer a verdade aparece.
-Agora, interessante: Cita Hannah Arendt, mas será que ela foi intencionalmente mal-intencionada ou realmente não sabe ela que a Arendt reprimiu veementemente os regimes totalitários, coisa bem descrita no livro "A origem do Totalitarismo".
Por fim, ou a Márcia Tiburi não sabe o que é o fascismo, ou intencionalmente não explicou que hoje é usado como uma categoria discriminatória, um xingamento, um insulto já tão desgastado pelo excesso de uso que desperta risos dos supostos ofendidos. Aguardemos que em breve surgirão insultos substitutos.

Por fim, queria lembrar a nojenta recomendação do porco conhecido como velho Major (George Orwell (1945), Animal Farm): "Pouco mais tenho a dizer. Repito apenas: lembrai-vos sempre do vosso dever de inimizade para com o Homem e todos os seus desígnios."
15 de agosto às 23:08



PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O papel dos professores

Meu medo é que professores (salvo raríssimas exceções) não estejam a serviço da formação da uma alta cultura ou de uma elite intelectual que formará as novas gerações. Em vez disso promovam a formação ideológica que arrasta milhões para mediocridade militante.

Daí surge o movimento "Escola sem Partido". Confira:





Lutas nas classes - VINICIUS MOTA
FOLHA DE SP - 08/08/2016

O Brasil, desde os anos 1980, vive uma lenta transição que reúne algumas características: voto livre e periódico para o Executivo e o Legislativo; alta moderada da renda; queda discreta mas constante da desigualdade salarial; envelhecimento e escolarização da população; liberdade de expressão e associação.

Como partimos de uma ditadura e de uma realidade mais pobre e desigual, o prolongamento do novo regime deveria produzir um conjunto de representantes cada vez mais alinhado com os representados.

Outro resultado esperado desse experimento seriam o adensamento da disputa de opinião na esfera pública e a penetração da dissidência em campos nos quais reinava a visão de grupos singulares.

O movimento Escola Sem Partido, que critica a prevalência de valores de esquerda no ensino, é uma dessas materializações esperadas da evolução democrática e econômica do Brasil. Apanha de quem se habituara a falar sozinho nas salas de aula e nos livros didáticos.

Uma visita desarmada ao site da organização basta para dissipar os ataques dos incomodados, que a acusam de propugnar por retrocesso autoritário. Os principais argumentos do Escola Sem Partido estão ancorados em valores constitucionais e ideológicos de extração iluminista.

O movimento rejeita qualquer doutrinação em sala de aula, inclusive a religiosa. Defende que a pluralidade de pontos de vista em temas controvertidos seja exposta pelo professor. Difunde direitos básicos, como o de que alunos não podem ser prejudicados por suas opiniões políticas e preferências morais ou confessionais.

A educação no Brasil melhora com a vigilância de associações como o Escola Sem Partido. Que sua atuação inspire um projeto de lei federal é outro sintoma positivo. A democracia vai quebrando monopólios de valores e aproximando o legislador do sentimento médio dos eleitores.

Pirula tem razão sobre o Escola Sem Partido! Parem com as ameãças!




PS: OS COMENTÁRIOS OFENSIVOS, SEJA CONTRA QUEM FOR, INCLUSIVE O AUTOR DO TEXTO, SOMENTE SERÃO PUBLICADOS NO CASO DE IDENTIFICAÇÃO DO AUTOR DO COMENTÁRIO.

O anúncio de Olavo Bilac

O anúncio de Olavo Bilac Autoria desconhecida Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um ...