As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Como se pode querer cercear o direito de pensar

Saiu na FOLHA


Caso Bolsonaro reabre discussão sobre imunidade parlamentar


As polêmicas declarações do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) sobre negros e homossexuais reacenderam um debate que há anos divide os especialistas: quais são os limites da imunidade parlamentar?


O advogado Ives Gandra Martins disse que "Sou daqueles que prefere sofrer o desconforto de manifestações [como essa] do que optar pelo cerceamento da liberdade de expressão", disse.


Aí eu pergunto, o que foi exatamente que ele disse de tão abjeto assim??? Que a vida da Preta Gil é promiscua e que vive em ambiente "lamentável"? Me parece que não é proibido ser racista, nazista ou homofóbico. A proibição é a comunicação de idéias desta natureza e não o pensamento delas.


Particularmente nada tenho contra negros e homossexuais, mas sim contra a militância que alguns grupos exercem, criando fatos e se aproveitando das situações decorrentes com a argumentação do tipo, "não te disse, não te disse que ele é assim", ou seja, dando motivo para ser processado. São grupos muito bem organizados e infiltrados em todos os lugares e profissões. De professores, jornalistas a deputados como Big Brother recém eleito. Olha, isso não é nenhuma teoria da conspiração. É real.


Voltemos ao caso da Preta Gil e do Bolsonaro. Me lembra uma recomendação que ouvia de meus avós, ainda eu criança aprendendo a não cutucar cachorro, principalmente quando sabendo que ele é bravo. Quando reagia não dava para dizer que não era esperado. Preta Gil cutucou o bicho com vara curta e deu no que deu. Ela sabia que ia dar nisso e fez de propósito. Ele, o Bolsonaro com um jogo de cintura que é peculiar a um poste, caiu no engodo. Burro. Agora a Preta está se sentindo lesada, ou sendo induzida a isso (e viva os holofotes), ou faz, ela também parte destes grupos – o que é provável. Os militantes dos movimentos que se dizem defensores das minorias perseguidas, excluídas e discriminadas caíram de pau e querem ver sangue, não sei se no sentido figurado.





Como planejado, criam fatos, geram notícia, fazem exemplo. É assim que agem fazendo movimentações em defesa desta ou daquela minoria e aprovam-se leis que aparentemente protegem a “pessoa humana” mas cerceiam direitos. O tiro sai pela culatra, como esperado, ou seja, do movimento anti-racista sai a nova cara do racismo; do movimento em defesa dos homossexuais sai a homofobia e assim por diante, e cada vez mais novas e novas “mordaças” vão surgindo através de leis que cercam a sociedade dos comportamentos sadios, mas permite o comportamento escandaloso, o pensamento que vai de encontro àquilo que sustentou a sociedade, alem de está em franco processo de destruição a imagem de instituições que nortearam a civilização, como a igreja por exemplo.


Desta forma, elaboram-se leis invertidas. Ao invés de serem leis aplicáveis nas situações gerais, em que os casos particulares são resolvidos conforme a demanda, não, está se fazendo leis de casos particulares para aplicação geral.


A moral judaico-cristão está em apuros. Ninguém fala de valores morais e éticos da sociedade e da família. Ta tudo liberado numa verdadeira esculhambação, um eterno hedonismo, mas para estes grupos de militantes não pode haver um sussurro de oposição para virem acusando os sussurradores de racistas, homofóbico, etc. Nada pode ser dito contrário, que provoca melindre. São, acima de tudo, militantes melindrosos. Isso é a mordaça que nem na proteção dada pela imunidade parlamentar, conquistada a partir das experiências dos anos de chumbo para garantir a oposição sem risco de prisão, mordaça ou tortura, está se colocando abaixo porque alguém disse algo contrário ao que está posto.


Por aqui, tenho que tomar cuidado, alguém pode se ofender com isso e me denunciar, mesmo eu que não represento ameaça a ninguém na minha insignificância quase anônima. Chamam-se os cães e serve-se o banquete a daí os holofotes para que sirva de exemplo.


Estamos caminhando para um regime de terror. Para alguns ele já acontece...

5 comentários:

Anônimo disse...

Concordo "Lama", ninguém defende mais os valores morais, algumas instituições como a igreja católica quando o fazem, são ridicularizadas, tomadas por ultrapassadas e obsoletas, e muitos grupos se aproveitam disso para defender os seus "inversos" valores, já que a moda hoje em dia é a inversão de valores, principalmente dos valores morais, familiares, éticos etc... Não odeio os gays mas nem por isso devo concordar com eles. Cada um tem seus valores e deve defendê-los, claro que com sabedoria e tolerância (tolerar não significa aceitar, mas tentar compreender o que pensa diferente de nós e respeitar seu ponto de vista).

allan matos

Anônimo disse...

L, respeito a opinião do professor Lamartine, mas ela não pode ser tratada como verdade absoluta. Em recente entrevista Fidel reconheceu que Cuba não tratou de forma correta a questão da homossexualidade, iso é um grande passo. Em Cuba temos um sistema de saúde pública modelo. Não se morre de fome, exatamente pelo fato de não se morre comendo demais.
Apesar dos limites, Cuba é uma resistência, é uma luz de utopia. Não é a sociedade que sonho, mas é a sociedade que me permite sonhar. Mas não é de Cuba que você fala. É um péssimo exemplo querer buscar nos erros de uma outra nação justificativas para práticas facistas. Deixem Cuba em paz!. Vamos tratar aqui dessa nação onde as leis modernas "não passam de ideias fora do lugar". Não é em Cuba que se mata negros, não é em Cuba que de mata homossexuais, não é em Cuba que se mata de fome. Ou será que é normal ser fascista? ou será que a democracia deve permitir o direito ao fascismo? Aqui, como bem mostrou Machado de Assis, as leis só servem para quem tem sobrenome e nome. Parabéns Lais, fico feliz com a tua revolta. Não faça parte dos circuito dos conservadores, seja jovem, seja rebelde, seja questionadora. Não vire reacionária tão jovem, deixe isso para quem passou dos 40.
SSA

José Lamartine Neto disse...

É isso SSA, já passei dos 40, já fui jovem, rebelde e questionador. Continuo questionador e minha rebeldia deixou de ser utópica e passou a ser real. Amadureci sem ficar amargo. Aprendi com a vida a olhar a coisa com uma amplitude maior, um certo distanciamento que tem a vantagem de mostrar as vantagens e desvantagens. Não sem aquelas paixões desenfreadas de adolescente.
Como já havia dito, a militância age assim, não mais discute os temas mas, cria mentiras e faz acusações, se não de homofóbico racista, chama de fascista. O papo inicial era o direito de expressão, a imunidade parlamentar.
Quanto a Cuba, bem, quando jovem já desejei muito que aqui fosse algo parecido, sem fome, bom sistema de saúde e todas estas coisas que divulgavam e que bestamente acreditava que fossem verdades. A Cuba que hoje bem...
...para começar, que tal uma lida na entrevista da cubana Yoani Sánchez http://editoracontexto.com.br/decubacomcarinho/?p=147. Aí da pra perceber quem diz a verdade e quem não a quer ver, talvez agora por incapacidade cognitiva...
Pensar corretamente é uma grande responsabilidade. Os educadores deveriam se preocupar com isso evitando deformações cognitivas muito trabalhosas de serem reparadas em seus alunos.
Lamartine

Tony Melo disse...

Acho bacana a repercussão do fato. Segue minha publicação a respeito: extraído do blog
http://tony-melo.blogspot.com/

Estava agora a pouco assistindo o CQC e vi a polêmica repercussão em torno das afirmações do Deputado Jair Bolsonaro, o que impulsinou-me a expressar minha opinião a respeito.
Pra quem não sabe o "nobre" deputado está no seu sétimo mandato. Aí eu pergunto quem elegeu esse cara, para que o mesmo deboche da cara da gente sem o menor pudor? Lembrando da afirmação dele em ser um puritano que não gosta de promiscuidade. rs.

No quadro do CQC, Preta Gil havia perguntado o que Jair faria se seu filho namorasse uma garota negra. Ele responde:

Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu.
Dou meus parabéns ao deputado não pela declaração em si, mas pela discussão que girou em torno de sua opinião. Lembro-me aqui de uns enscritos do também "nazista" Arnaldo Jabor que, com razão, afirmava ser o brasileiro um povo bobalhão, que acha graça em tudo, como se estivesse contando piada no enterro do próprio pai.
Vejo o julgamento que fazem do parlamentar por todo o país, o execrando por emitir sua opinião sensacionalista. O que me indigno é que boa parte dos que o crucificam pensam como ele. São poucos, em percentual, os brasileiros que aceitam a homossexualidade de seus filhos por exemplo. Vejo no lunático a opinião de milhares e milhares que o elegeram como representante, que num momento de surto, tem inúmeros lapsos na fala que expressam suas verdadeiras convicções, o que choca nossa sociedade ora moderna, ora puritana. Vejo que estamos muito preocupados com a opinião de pessoas públicas, muito mais que as nossas opiniões, muitas vezes veladas ou escondidas atrás do anonimato, por medo de afastar-se da mediocridade.
Observo que sempre estamos esperando por mudanças, porém com muito medo delas. Medo de arriscar, de pagar o preço, de sair da zona de conforto. Quantos de nós, até mesmo esquerdistas, não temeram quando Lula foi eleito? Ou melhor a palavra certa nesse caso não seria temor e sim tensão. Todos nós temos medo do novo e por isso nos furtamos quase sempre. Raramente temos coragem de dizer o que realmente pensamos sobre o nosso cotidiano. Estamos muito mais preocupados em reproduzir discursos de alguém, porque esses falaram e em algum momento tiveram virtude, nisso nos escondemos, para sermos aceitos. Trabalhamos em prol de sempre agradar, mesmo que isso seja prejudicial ao outro; é apenas o que ele quer ouvir, para ter o ego confortável.
De fato não sei o que é pior entre reproduzir o discurso de alguém, sem nenhuma originalidade, ou se furtar e não dizer nada a respeito. A mediocridade dá ânsia de vômito. Coitado de Jesus: o povo que o seguia gritava: Senhor, Senhor; foi so ele está no desconforto e o discurso mudou: Crucifique-o, crucifique-o.
Pelo amor de Deus, vamos sair do lugar de vítimas da História, por favor.

José Lamartine Neto disse...

E quem disse que a sociedade brasileira é moderna? Não é não. Ela é bem "careta".
Porem, a imposição de valores ditos modernos através de pequenos grupos bem organizados usando a mídia, direta ou indiretamente, nos BBB, novelas, noticias sensacionalistas, etc., acaba descambando na criação de leis que tenta criar uma espécie de igualdade entre as pessoas, como se fosse para proteger estas minorias, em uma verdadeira "lavagem cerebral".
Ocorre que, as distinguindo das demais, faz isso da pior forma e no único espaço em que efetivamente não deveria haver diferença que é perante a lei. As pessoas são diferentes sim, e é isso que nos torna plurais. Quando deixamos de ser iguais aos olhos da lei, acabou a justiça já que o próprio Estado se encarrega de discriminar.
É tão desconfortável pensar sobre antagonismos ou inversões lógicas, que as pessoas simplesmente optam por não pensar sobre isso. É o que ocorre sobre a disputa cigarro x maconha, direitos humanos para criminosos x falta de apoio governamental para as vítimas, ou o Estado premia as mães solteiras com “bolsas” x estrutura familiar em decadência, dentre muitos outros exemplos. É o que chamamos de Dissonância Cognitiva