sábado, 24 de janeiro de 2015

"Você estar comunisto?" (por Olavo de Carvalho)

SÃO PAULO, 05 DE DEZEMBRO DE 2014 ÀS 11:50 POR OLAVO DE CARVALHO

Seria ingênuo acreditar que o PT não está cumprindo uma etapa para a instauração de um regime totalitário

O falecido Jean Mellé, fundador e diretor do “Notícias Populares”, que se tornaria um clássico do jornalismo de escândalo, era um refugiado romeno que tinha sólidas razões para odiar o comunismo. Grande e musculoso, de vez em quando agarrava um de seus subordinados pela goela e, com um olhar feroz de grão-inquisidor, perguntava: “Você estar comunisto?”. Se a resposta fosse “Não”, ele se dava por satisfeito.

Em noventa por cento dos casos, o interrogado era um membro do Partido e saía rindo do patrão cujo poder ameaçador se neutralizava a si mesmo com uma dose patética de ingenuidade.

Na verdade, Mellé não era nada ingênuo. Conhecia de trás para diante a ambiguidade escorregadia da conduta dos comunistas. Não tinha a menor ilusão de que andassem com foice e martelo estampados na testa ou declarassem de bom grado sua identidade ideológica. Contentava-se com a resposta sumária somente porque não dominava a língua nacional o suficiente para encompridar a discussão. Queria apenas infundir um pouco de medo no coração dos comunas, e conseguia. Eles vingavam-se com risadinhas forçadas que espalhavam o mito do adversário simplório, grandão bobo que até crianças poderiam enganar. Mentiam, e mentiam sobre a mentira: ocultavam sua filiação partidária e fingiam que tinham conseguido ludibriar “a direita”. A satisfação com que se entregavam a esse empreendimento acabava por se impregnar nas suas mentes, transfigurando o fingimento ocasional numa sintomatologia histérica completa e o autoengano num estilo de vida permanente.

Decorrido meio século, o movimento comunista ainda tem no jornalismo brasileiro um exército de colaboradores fiéis cuja tática persuasiva habitual e praticamente única consiste em inventar uma versão ridiculamente simplória do comunismo, atribuí-la aos direitistas e, demolindo-a com duas ou três piadinhas sem graça, cantar vitória, ficando assim provado que o comunismo não existe, que é apenas uma fantasia paranoica de direitistas raivosos. É o bom e velho recurso erístico do “homem de palha”, que nessas pessoas já se tornou uma segunda natureza.

Alguns dos praticantes dessa mágica besta são homens tarimbados, treinados em Havana e Praga. A prova mais patente do poder que adquiriram nas redações é a naturalidade com que estágios em centros de propaganda e desinformação na Cortina de Ferro entram nos seus currículos como provas de “experiência jornalística”, como se a técnica de mentir fosse a mesmíssima coisa que a de relatar os fatos. É óbvio que, ao menos nos velhos tempos, muitas dessas gentis criaturas eram agentes pagos de serviços secretos comunistas. Seus nomes, com atraso de meio século, vão sendo pouco a pouco revelados pelos documentos arquivados em Praga no Instituto para o Estudo dos Regimes Totalitários (v. https://www.youtube.com/watch?v=Dbt1rIg8FbI e https://www.youtube.com/watch?v=S0hcCDwS8xU).

Outros, mais jovens, não precisaram viajar para adquirir as manhas da prosa comunista. Aprenderam-nas por aqui mesmo, em faculdades de jornalismo que os cavalheiros mencionados no parágrafo anterior transformaram em centros de adestramento da militância pelo menos desde a década de 70 do século passado.

O primeiro sinal de que você é inteligente é a sua capacidade de perceber que um outro é mais inteligente. Mutatis mutandis, o primeiro sinal de burrice é supor, sempre, que o outro é mais burro do que é. Nisso consiste o artifício de retórica erística a que me referi: O sujeito define o comunismo da maneira mais simplória e mecânica e, argumentando que esse comunismo não existe (como de fato não pode existir), conclui que todo anticomunismo é uma doença mental, fonte de violência e “crimes de ódio”.

A definição usada nesse truque é a seguinte: o comunismo é a estatização completa, repentina e ostensiva dos meios de produção e de toda propriedade particular. O governante pega o microfone e anuncia: “Olhe aqui, gente, eu sou comunista. Agora quem manda nesta porcaria é o comunismo. Passem aí as suas propriedades ou vão para o Gulag.”Para tipos como o sr. Jô Soares e outras cabeças iluminadas que guiam o pensamento nacional, o fato de que isso nunca tenha acontecido é a prova cabal de que o perigo comunista não passa de uma invencionice criada para justificar um golpe de Estado ou coisa pior.

Em contraste com essa desconversa vagabunda, vejamos o que é o comunismo de verdade, na sua teoria e na sua prática no mundo.



Karl Marx ensinava que a estatização dos meios de produção – etapa inicial da construção do socialismo – seria um processo complexo que deveria se estender por muitas décadas ou séculos, e que não poderia nem mesmo começar antes que os meios capitalistas de produção alcançassem o seu máximo desenvolvimento possível.

A última coisa que um governante comunista deve fazer – sobretudo se chegou ao poder pelas vias democráticas usuais e sem derramamento de sangue -- é portanto sair estatizando tudo, desmantelando a classe capitalista. Ao contrário: deve ajudar os capitalistas a ganhar o máximo de dinheiro que possam, ao mesmo tempo que os destitui dos seus meios de ação política e ideológica. A função do capitalista nessa fase do socialismo é fazer dinheiro e não dar palpite, tornando-se tanto mais próspero quanto mais politicamente inócuo e subserviente à elite governante comunista. Seduzidos pelos ganhos fáceis, os capitalistas vão transferindo aos comunistas todo o seu poder ideológico, de modo que, em prazo relativamente breve, quatro coisas acontecem:

(1) Em pleno regime de prosperidade capitalista, só há ideias comunistas em circulação. De maneira mais ostensiva ou mais camuflada, a propaganda comunista se torna o único discurso vigente na sociedade. As ideias concorrentes desaparecem ao ponto de se tornarem impensáveis. Subsistem, na melhor das hipóteses, como vagos mitos de outras épocas. Um restinho de “ideologia capitalista” permanece no ar, reduzido à apologia da eficiência econômica, que os comunistas seriam os últimos a negar.

(2) A riqueza deixa de ser um meio de ação política independente e se reduz a instrumento da propaganda comunista. Cada capitalista gasta rios de dinheiro elegendo comunistas e financiando o ódio ao capitalismo.

(3) Ter uma imensa conta bancária dá menos poder do que uma carteirinha do Partido ou um cargo público qualquer. O poder político-ideológico é transferido da burguesia para a elite partidária sem que a propriedade capitalista sofra qualquer arranhão visível.

(4) Os comunistas, por seu lado, podem tanto se gabar de ser os dominadores absolutos da situação como continuar a se fazer de vítimas indefesas da burguesia. Passam do discurso ameaçador às lágrimas de autocomiseração com a maior facilidade, e a incoerência mesma da sua atitude serve para desnortear ainda mais o adversário.

Nessa etapa, não há guerra econômica. Não se trata de tomar as propriedades dos burgueses, mas de destituí-los de seus meios de autodefesa ideológica.

Esse é o programa que o governo do PT vem cumprindo à risca, esse é o esquema comunista real e genuíno. Ele não é um homem de palha, muito menos é uma ameaça: é a realidade em que vivemos.







Fonte - http://www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/voce_estar_comunisto

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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O que penso sobre Olavo de Carvalho (Por ADOLFO SACHSIDA)

 5 DE JANEIRO DE 2015


Participo de vários grupos e, inevitavelmente, em algum momento alguém começa a falar sobre Olavo de Carvalho. Uns defendem outros criticam, esse post é a minha resposta a todos eles.


Olavo de Carvalho é um craque. Mais do que isso, é um homem de coragem e força de vontade ímpar. Assim, ele é um exemplo de conhecimento, inteligência, preparo acadêmico, e coragem para enfrentar desafios. Este homem lutou praticamente sozinho, por mais de 10 anos, contra toda a esquerda nacional e internacional. Alertou sobre os perigos do socialismo, sobre o Foro de São Paulo, sobre o PT, sobre o problema da deterioração da alta cultura quando estes problemas sequer eram imaginados seja na academia ou nas redações de jornais e revistas brasileiras.

Pagou um preço altíssimo por seus avisos: foi sendo paulatinamente ridicularizado, posto de lado, relegado ao esquecimento, e demitido de seus empregos. Resumindo: teve que suportar a solidão intelectual e a perda de empregos por falar a verdade, por embasar seus argumentos em raciocínios lógicos e comprovados.

Onde outros teriam desistido ele perseverou. Foi dele um dos artigos mais importantes que já li em toda vida: O Natal não é para os Covardes. Foi em seus textos que encontrei as primeiras referências a von Mises e Hayek (sim, o professor Ubiratan Iorio também é uma referência nesse tema). Boa parte das pessoas que tiveram contato com pensadores conservadores, ou mesmo libertários, tomaram conhecimento de suas obras lendo artigos de Olavo de Carvalho.

Alguns dizem que Olavo de Carvalho é extremamente agressivo. Sim, ele é. Mas quando se luta sozinho por tanto tempo essa arma que hoje lhe atrapalha é a mesma que o manteve vivo. Ninguém passa incólume por lutar tanto tempo contra um inimigo tão forte, essa foi a cicatriz que tal batalha lhe deixou.

Outros dizem que Olavo de Carvalho fala besteira demais. Bom, esses para mim são pessoas despreparadas. Certamente não concordo com todas as ideias do professor Olavo de Carvalho, mas daí a dizer que ele fala muitas besteiras é de um absurdo completo. Todo mundo erra de vez em quando, isso não é motivo para se jogar uma biografia no lixo. Ainda mais que tais erros, se é que eram erros mesmo, não são o ponto central de sua obra em nada comprometendo sua análise geral.

Deixemos que a esquerda tente destruir a reputação e a obra desse grande pensador. À direita cabe respeitar e promover o nome de Olavo de Carvalho como um de seus grandes ícones. A direita, a democracia, a liberdade de expressão, os conservadores e os liberais brasileiros devem muito a Olavo de Carvalho. Esse post é um pequeno agradecimento a esse gigante guerreiro das batalhas quase impossíveis. Boa parte da assim chamada direita brasileira só existe graças a obra e a perseverança desse nobre homem.
Fonte - http://bdadolfo.blogspot.com.br/2015/01/o-que-penso-sobre-olavo-de-carvalho.html



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sábado, 3 de janeiro de 2015

ALGUNS SINAIS PARA RECONHECIMENTO DE PADRÕES AUTOCRÁTICOS

Por Augusto de Franco em 3 janeiro 2015 às 8:56


Esta é uma lista demonstrativa (não-analítica) contendo apenas exemplos de indícios da presença de processos de autocratização da vida cotidiana, de reprodução de pressupostos hierárquico-autocráticos, em geral aceitos como verdades evidentes por si mesmas (ideias-implante básicas ou rotinas de um programa autocrático instalado na mente coletiva), da existência de acentuada hierarquização (topologias da rede social mais centralizadas do que distribuídas), da adesão por boa parte dos agentes a princípios de modos de regulação autocráticos, da existência de estado de guerra como dinâmica organizadora do cosmo social e do estatismo como ideologia e comportamento político.


A - INDICADORES (SIMBÓLICOS) DE AUTOCRATIZAÇÃO DA VIDA COTIDIANA

A1 - A limpeza e a pureza (a aversão à sujeira e à contaminação pelo contato com o que é impuro).
A2 - A predominância do branco (e da luz que espanca as trevas).
A3 - As formas geométricas retilíneas (as linhas e ângulos retos) na arquitetura de interiores e exteriores, urbana e rural (ruas, praças, prédios, plantações etc.).
A4 - A arquitetura monumental privilegiando a direção vertical e a repartição e separação dos espaços: muros, escadas, portas, fechaduras...
A5 - A sociedade totalmente organizada e uniformizada (as pessoas com uniformes ou roupas semelhantes, com cortes padrão de cabelo ou penteados canônicos, os conjuntos habitacionais com construções e aparência iguais etc.)
A6 - Os horários fixos válidos para determinadas atividades (eletivas ou compulsórias): a existência de uma espécie de regulamento geral das horas (ou tabela taylorista, com horas para trabalhar, descansar, dormir, fazer sexo, se divertir etc.)
A7 - O silêncio (a aversão ao alarido do populacho ou da turba vil e ao falar alto).
A8 - A ordem (a aversão à bagunça ou à baderna).
A9 - O culto à bandeira, ao hino e aos símbolos pátrios (e à pátria) e a exaltação do patriotismo.
A10 - Os regulamentos e as numerosíssimas proibições ("levíticas": para tudo ou quase haverá uma disposição ou modo-de-fazer correto).
A11 - A espada, a coroa, o cetro, o bastão (como símbolos de poder deslizados para a política).
A12 - O intrincado protocolo para qualquer cerimônia, os modos de tratamento canônicos, os numerosos títulos e as reverências ou prostrações para falar com o governante (ou coexistir em sua presença ou até sobreviver diante da sua passagem).
A13 - O culto (necrófilo) do trabalho e a exaltação do trabalhador.
A14 - As restrições à livre sexualidade e a deslegitimação da imaginação criadora.
A15 - A existência - e onipresença - de uma polícia política.
A16 - O sentimento geral de poder estar violando - nas menores ações privadas do dia-a-dia - alguma regra estabelecida conhecida ou ser interpretado como violador de alguma regra desconhecida e, por isso, cair em desgraça, ter suas aspirações ou demandas preteridas ou ser reprimido pela polícia política (supostamente onisciente).
A17 - A constante vigilância de todos sobre todos e a existência de mecanismos de delação espalhados (que podem ser usados por qualquer um).
A18 - A naturalização da ordem social que impede a percepção, deslegitima alternativas e promove a configuração social existente como necessária (de sorte a fazer com que as pessoas imaginem que as coisas 'são' assim e não que 'estão' assim).
A19 - A despessoalização: os seres humanos - as pessoas, sempre únicas - são transformados em indivíduos, não raro, designados por números (e não por nomes próprios; ou seus nomes são antecedidos por tratamentos niveladores (camarada, companheiro, irmão) ou sucedidos pelas designações dos cargos funcionais ou hierárquicos que ocupam.

B - IDEIAS-IMPLANTE (ROTINAS DO PROGRAMA BÁSICO)

B1 - A felicidade como ideal supremo.
B2 - A igualdade como ideal supremo (e como pré-condição para a liberdade); ou a ideia de que não pode haver (verdadeira) liberdade sem (ou até que se alcance a perfeita) igualdade.
B3 - A abundância como ideal supremo (que, para ser alcançado, exige a politização da economia como administração da escassez, em geral artificialmente introduzida).
B4 - A utopia (qualquer utopia) como modelo a ser alcançado no futuro (e que, para ser alcançada, exige algum tipo de sacrifício ou de restrição às liberdades no presente).
B5 - O esforço para consertar a natureza, a sociedade ou o ser humano (que teriam vindo com alguma espécie de "defeito de fábrica").
B6 - A ideia de que existe uma sociedade igual para colocar no lugar da sociedade desigual (e de que essa sociedade igual estaria em alguma espécie de mundo paralelo pronta para ser trazida - ou realizada - a partir das contradições da sociedade desigual, elidindo a evidência de que a sociedade igual é somente o conjunto das relações igualitárias que se traçam aqui e agora por meio de atos singulares e precários).
B7 - A ideia de que a nação é uma grande comunidade de destino e a própria ideia de destino (ou da existência de leis ou disposições transcendentes ou imanentes à história).
B8 - A ideia de que existe uma História (assim mesmo, com H maiúsculo) e ela tem leis (que podem ser conhecidas por quem tem a teoria e o método corretos de interpretação da realidade).
B9 - A ideia de que a superestrutura da sociedade (a política, a cultura etc.) é determinada em última instância pela sua infraestrutura econômica.
B10 - A ideia de que o ser humano é inerentemente (ou por natureza) competitivo e de que as pessoas se movem buscando sempre maximizar a satisfação de seus interesses (que são, ao fim e ao cabo, egotistas).
B11 - A ideia de que não é possível mobilizar a ação coletiva a não ser a partir de lideranças destacadas.
B12 - A ideia de povo como rebanho à espera de um condutor, salvador (messias).
B13 - A ideia de povo eleito (escolhido ou ungido por alguma entidade transcendente que intervém na história para conduzi-lo para algum destino já configurado ou prefigurado).
B14 - A ideia de espaço vital (necessário à consumação do destino de um povo predestinado a cumprir um ideal ou de uma raça superior).
B15 - A ideia de que é direito do povo eleito dominar os demais sem limitações de qualquer natureza, sejam elas impostas por leis humanas ou divinas (sendo esse direito determinado pelo critério único do valor do grupo no interior de uma luta darwiniana).
B16 - O mito fundante: de que a nação teria alguma origem comum em um suposto evento épico ou glorioso (perdido nas brumas do passado).
B17 - A ideia de que não é possível organizar nada sem (uma boa dose de) hierarquia.

C - INDICADORES DE PRESENÇA DA HIERARQUIA

C1 - A existência de sacerdócio (a burocracia, a intermediação, a descentralização da rede em vez da sua distribuição).
C2 - A ordenação top down do Estado e da sociedade (os graus, degraus, a estratificação: camadas sobre camadas).
C3 - Ordem, hierarquia, disciplina, obediência, fidelidade imposta top down, punição e recompensa.
C4 - A busca e manutenção da estabilidade pela aproximação do estado de equilíbrio (e não feita e refeita no fluxo dos sistemas afastados do estado de equilíbrio).
C5 - As opções pré-ordenadas e a redução dos caminhos possíveis (levando à escolhas sempre limitadas).

D - PRINCÍPIOS DO MODO DE REGULAÇÃO AUTOCRÁTICO

D1 - O conflito como uma disfunção (malfunction).
D2 - A resolução do conflito pela eliminação (ou recuperação, restauração ou conserto de um defeito) do elemento ou polo conflitante.
D3 - A regulação do conflito pela imposição da vontade da maioria (ignorando-se os desejos das minorias).
D4 - As restrições à liberdade (de opinião, de ir-e-vir, de imprensa, de manifestação, de organização, de difusão de ideias por qualquer meio, inclusive no ciberespaço etc.).
D5 - O segredo nos negócios de Estado (e nos negócios do chefe de Estado e de suas organizações), a opacidade das instituições e procedimentos: inexistência de transparência e impossibilidade de accountability.
D6 - A ideia de que democracia é o poder do povo ou o poder da maioria da população (pervertendo a ideia fundante - ou o meme democrático original - de que ela é 'o poder de qualquer um', quer dizer, a indiferença das capacidades para ocupar as posições de governante ou de governado).
D7 - O regime político baseado em votação por maioria, em que as minorias não têm direitos (ou têm menos direitos do que a maioria).
D8 - O julgamento de que a oposição não é legítima e de que os que se opõem aos chefes do Estado ou aos seus representantes ou delegados são traidores ou sabotadores.
D9 - A caracterização (e inculpação) de quem desobedece, diverge, desvia ou destoa como traidor.
D10 - A ideia (meritocrática) de que quem deve governar (dirigir o Estado, o país, a cidade e, por decorrência, a sociedade) é quem sabe mais.
D11 - A sociedade regulada por um algoritmo, sem necessidade de um chefe ou comandante.

E - A GUERRA COMO DINÂMICA ORGANIZADORA DO COSMO SOCIAL

E1 - A separação nós x eles (e todas as separações decorrentes dessa separação primordial: bem x mal, explorados x exploradores, povo x elites, esquerda x direita, socialistas x liberais, fieis x infiéis de qualquer religião ou seita, nacionais x estrangeiros, leste x oeste, sul x norte, brancos x não-brancos, heterossexuais x homossexuais etc.)
E2 - A ideia e a prática da política como arte da guerra, ou como continuação da guerra por outros meios (a fórmule-inverse de Clausewitz-Lenin).
E3 - O culto do conflito e a guerra como instituição permanente (e como realidade inexorável, sobretudo a guerra não-ocorrida como guerra-quente ou conflito violento - como o é toda guerra - mas latente e eternamente presente nos períodos considerados de paz.
E4 - A ideia e a prática de que governar é comandar (uma força, um contingente, um exército, um povo).
E5 - O culto do herói.
E6 - A ideia de que a luta de classes é o motor da história.
E7 - A ideia de que a violência é a parteira da história.
E8 - A ideia da beleza da violência e a eficácia da vontade, quando voltadas para o êxito do grupo que tem uma causa redentora ou reformadora do mundo.
E9 - A construção e manutenção de inimigos.

F - O ESTATISMO COMO IDEOLOGIA E COMPORTAMENTO POLÍTICO

F1 - A ideia de Estado como materialização do espírito ou da vontade divina (ou de alguma realidade ou entidade transcendente).
F2 - O culto do Estado (e a ideologia estatista, ou seja, a visão estadocêntrica do mundo).
F3 - A sociedade como dominium do Estado (no sentido feudal do termo) e a ideia de que é o Estado que deve dirigir a sociedade.
F4 - O partido fundido ao Estado, que conquistou hegemonia sobre a sociedade e transformou a sociedade em um ente privado.
F5 - A existência de um líder supremo, benfeitor, condutor, com alta gravitatem e carisma, que ocupa o centro do Estado para fazer uma ligação direta com as massas bypassando as mediações institucionais.
F6 - Os direitos encarados como privilégios (ou concessões de um benfeitor).
F7 - Os cidadãos reduzidos a súditos (do Estado e, às vezes, do chefe de Estado).
F8 - As pessoas - todas as pessoas - transformadas em funcionários (stricto ou latu sensu) do Estado.
F9 - A ideia de que o Estado - quando nas mãos certas - é o grande agente transformador da sociedade e a ele compete educar as massas para produzir o Homem Novo.
Estamos começando a experimentar um projeto de investigação-aprendizagem democrática pelo exercício do reconhecimento de padrões autocráticos (esta parte inicial do projeto é baseada em 10 livros clássicos de ficção e 10 filmes). Mas o projeto é mais amplo: depois ele vai abordar 10 livros históricos e, em seguida, 10 textos teóricos fundamentais de referência.



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sábado, 27 de dezembro de 2014

A Cartilha de Antonio Gramsci (1891-1937)

Por Manoel Soriano Neto*
Jornal da Paulista - 16/09/13



Intelectual italiano e um dos fundadores do Partido Comunista Italiano (PCI) em 1921, percebeu que a implantação do comunismo nos países do Ocidente não deveria seguir o modelo russo (LENIN) do uso da violência para conquistar ou tomar o Estado, mas, sim, ao contrário, primeiro conquistar o Estado e depois, então, a aplicação da violência para finalizar o processo.
Nessa concepção, destaca-se o valor atribuído ao seu entendimento de Sociedade Civil como sendo o espaço social onde deve ocorrer a luta pela hegemonia, para que a classe subalterna passe a ser a Classe Dirigente.
Um grupo social da classe dirigente, assumindo o controle da Sociedade Política (Estado), permite que o partido da Classe Dirigente seja posicionado acima do Estado.

A manobra simples, lenta e gradual utiliza-se dos instrumentos legais e políticos da democracia para, de forma pacífica e sorrateira, minar e enfraquecer as principais trincheiras democráticas: Executivo, Legislativo, Judiciário, Forças Armadas, Religião e Família. Usando a propaganda subliminar, o populismo e a demagogia, as consciências são entorpecidas e é criada a sociedade massificada para a luta pela hegemonia.

O envolvimento estratégico também é simples e eficaz, conduzindo o processo em três fases:

- na primeira, organiza o Partido das Classes Subalternas e luta pela ampliação das franquias democráticas para facilitar a ação política, explorando as deficiências e vulnerabilidades do governo;

- na segunda, luta pela hegemonia das classes subalternas, criando as condições para a tomada do poder;

- na terceira fase, toma o poder, impondo novos valores e princípios através de uma nova ordem.

O «socialismo pacífico» é a etapa intermediária para o «socialismo marxista», o marxismo-leninismo, o comunismo...

Preso em 1926, escreveu na prisão «Cadernos do Cárcere» contendo o seu pensamento sobre a tomada do poder de forma pacífica. Foi libertado pouco antes de morrer em 1937.

O gramscismo contagiou países da Europa e, hoje, está transbordando na América do Sul.


A PENETRAÇÃO GRAMSCISTA NO BRASIL

 FINALIDADE

Criar as melhores condições para transformar o Brasil em uma República Socialista sob a inspiração de Antônio Gramsci.

OBJETIVOS

1. Obter a hegemonia na sociedade civil.

2. Obter a hegemonia na sociedade política ( Estado)

3. Estabelecer o domínio do intelectual coletivo (partido classe).

4. Silenciar os intelectuais independentes.


MÉTODO

Realizar a transformação intelectual e moral da sociedade pelo abandono de suas tradições, usos e costumes, mudando valores culturais de forma progressiva e contínua, introduzindo novos conceitos que, absorvidos pelas pessoas, criam o «senso comum modificado», gerando uma consciência homogênea construída com sutileza e sem aparente conteúdo ideológico, buscando a identificação com os anseios e necessidades não atendidas pelo poder público.

Assim é estabelecido o desejo de mudança em direção a um mundo novo, com a sociedade controlada através dos mecanismos de uma «democracia popular», onde os pensadores livres, temendo o rótulo de retrógrados ou alienados, se submetem a uma prisão sem grades calando a voz de divergência existente dentro de si e se deixam, assim, vencer pelo «senso comum modificado». Este prossegue intoxicando a sociedade, sob a égide do Estado, usado para reduzir e suprimir a capacidade de reação individual e coletiva.

Nesse momento, está construída a base para a «tomada do poder» e consequente implantação do Estado Socialista.

AÇÕES QUE ENFRAQUECEM TRINCHEIRAS DA DEMOCRACIA

I. PARTIDOS POLÍTICOS

• Estimular o número elevado de partidos para enfraquecer a oposição e facilitar a tática de «aliança», favorecendo o «partido classe».

• Manter a regionalização dos partidos; o controle por caciques ou oligarquias regionais afeta a unidade nacional, favorecendo o enfraquecimento dos partidos políticos de oposição e favorecendo o «partido classe», que possui «unidade de comando».

• Admitir a pluralidade de esquerda para ser bem explorada pelo «partido classe» por tempo determinado.

• Esvaziar as poucas lideranças da oposição através de patrulhamento e ataque (dossiê) direto ou indireto (parentes).

• Criar fatos novos para o esquecimento das mazelas de militantes do «partido classe» e aliados.

• Afastar ou mudar de cargo o militante com erro focado pela mídia de oposição, para a sua proteção e do «partido classe».

• Usar a «mídia da situação» para silenciar as mazelas dos militantes do «partido classe».

• Infiltrar militantes nos outros partidos para obter o seu controle e esvaziar os líderes de oposição, os neutros e os que não são adeptos do «partido classe».

II. EXECUTIVO

• Criar aparelhos governamentais de coerção.

• Distribuir cargos em órgãos e empresas públicas para militantes do partido-classe e seus aliados, em todos os níveis da administração (federal, estadual e municipal), (aparelhar o Estado).

• Criar uma estrutura policial que possa ser transformada em Guarda Nacional ou Guarda Pessoal ou em Polícia Política (Polícia Federal, Força Nacional) para emprego imediato, quando chegar o momento oportuno.

• Ampliar o «curral eleitoral» usando o assistencialismo como fim e não como meio, mantendo o benefício por tempo indeterminado.

• Manter o «curral eleitoral» através de um sistema de ensino, controlando o baixo nível de aprendizagem e desenvolvimento da inteligência.

• Silenciar a imprensa através de emprego da verba pública destinada à propaganda, mantendo a população sem informação correta.

• Neutralizar políticos de oposição e aliados através de distribuição de dinheiro, cargo público ou qualquer outro tipo de benefício pessoal ou familiar.

• Criar ou fortalecer um organismo sul americano para diminuir a importância da OEA (EUA).

• Participar de um bloco sul americano de repúblicas socialistas democráticas.

• Facilitar a penetração cultural e a projeção dos intelectuais orgânicos.

• Denegrir heróis nacionais.

• Enaltecer militantes da ideologia marxista.

• Desmerecer fatos e vultos marcantes da História Nacional.

• Impedir a tomada da Consciência Nacional.

• Entorpecer a Vontade Nacional.

• Eliminar valores do processo histórico-cultural nacional.

• Mudar usos e costumes.

• Enfraquecer o moral nacional.

• Mudar traços da identidade nacional.

• Mudar valores e princípios ético-morais.

• Enfraquecer a família.

• Enfraquecer a coesão-nacional.

• Lançar a discórdia no seio da população.

• Desviar o foco dos debates em torno de questões relevantes em áreas estratégicas (saúde, educação, segurança, defesa, etc), isentando o Governo de responsabilidade pelas deficiências e vulnerabilidades.

• Estabelecer um poder paralelo ao do Estado (Conselho de Política Externa, Comissão de Direitos Humanos, etc).

• Alimentar as ONGs com o dinheiro público e estimular outras para atuarem na sociedade civil, apoiando direta ou indiretamente a luta pela sua hegemonia.


III. LEGISLATIVO

• Eleger militantes do Partido-Classe.

• Unir temporariamente os partidos de mesma ideologia.

• Fazer alianças com partidos de ideologia oposta.

• Desmoralizar o Legislativo, mantendo privilégios, barganhas e a falta de espírito público.

• Criar leis para dar o respaldo às mudanças de usos, costumes e valores da nacionalidade brasileira.

• Obter o controle do Legislativo para conquistar o domínio da sociedade política (Estado), através do Partido-Classe.

• Enfraquecer o Legislativo como fiscal do Executivo.

• Submeter o Estado ao controle do Partido-Classe.


IV. JUDICIÁRIO


• Retardar ou impedir a modernização da estrutura do judiciário.

• Retardar ou impedir o aperfeiçoamento do funcionamento do judiciário.

• Estimular o corporativismo extremado na magistratura.

• Manter o magistrado afastado do povo e das suas necessidades.

• Difundir na sociedade civil as ideias de parcialidade, ineficiência e improbidade do judiciário.

• Desacreditar o judiciário perante as classes subalternas, explorando a lentidão funcional e a corrupção e privilégios dos magistrados como funcionários públicos.

• Aparelhar o judiciário.


V. ESCOLA

• Usar as universidades como refúgio ideológico.

• Buscar a hegemonia nos meios intelectuais.

• Construir nova massa de manobra, usando as universidades, a mídia e as editoras.

• Criar a geração revolucionária nas escolas do ensino médio.

• Usar professores da nova massa de manobra no ensino básico (fundamental e médio).

• Fortalecer o controle do sistema de ensino que não ensina a pensar, através do MEC.

• Apagar a memória do povo reescrevendo a história do Brasil para fatos e vultos nacionais relevantes.

• Mudar valores e princípios ético-morais (professores homossexuais no ensino médio e fundamental, alterando a estrutura familiar).

• Enfraquecer a vontade nacional.

• Transformar a consciência nacional em consciência do partido político.

• Controlar escolas e universidades particulares através de sindicatos e com uma reforma universitária.


VI. FORÇAS ARMADAS


• Enfraquecer a união dos militares, afastando os militares da ativa dos militares inativos.

• Enfraquecer o «espírito de corpo», separando os oficiais generais da tropa.

• Introduzir, a curto prazo, o uso de drogas entre os militares.

• Disseminar, a médio prazo, o homossexualismo entre os militares.

• Preparar, a longo prazo, as gerações de chefes militares que servirão ao governo, e não à pátria, modificando a grade curricular das escolas de formação.

• Enfraquecer a credibilidade e a confiança da população nas forças armadas.

• Desestimular profissionalmente os militares que servem à pátria e não ao governo.

• Criar o ambiente em que os oficiais terão apenas a visão da expressão militar e não de todo o poder nacional.

• Enfraquecer o «espírito combativo», de fundamental importância no confronto bélico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

O pensamento de Gramsci está sendo aplicado de forma dissimulada e protegida pelas franquias da democracia, tornando difícil a sua identificação.

Conhecendo o pensamento de Gramsci, as técnicas para a sua aplicação e com uma análise paciente e detalhada da conjuntura nacional, chega a ser surpreendente a infiltração do marxismo–gramscismo na sociedade brasileira.

Encontrando Gramsci, a decisão sobre o que e como fazer é do descobridor.

Já é hora de deixarem de lutar por ideologias importadas, inadequadas às características do brasileiro, que atendem a interesses estrangeiros ao dificultarem o progresso do nosso país.

*Historiador Militar Membro da AHIMTB - msorianoneto@hotmail.com




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quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Nem religião, nem virgens, nem vingança (por Leandro Narloch)

Leandro Narloch - O Caçador de Mitos - Uma visão politicamente incorreta da história, ciência e economia

16/12/2014




O que move extremistas a se vestirem com explosivos e apertarem o detonador no meio de dezenas de crianças inocentes, como fizeram hoje numa escola do Paquistão?

Terroristas e vítimas parecem concordar com a resposta “religião + virgens”. O objetivo seria espalhar o Islã a qualquer custo e vingar-se do Ocidente, com o benefício adicional de passar a eternidade no paraíso na companhia de 72 jovens intocadas.

Para o psicólogo israelense Ariel Merari, que estuda o assunto há 30 anos, essa resposta não passa de um mito. Merari liderou o primeiro grupo de estudiosos com acesso a terroristas palestinos que tiveram o ataque suicida frustrado – ou porque o equipamento não funcionou ou porque foram presos antes de explodirem. Por meio de testes psicológicos e longas entrevistas, ele chegou a duas surpresas:

- A religião não é a principal motivação dos homens-bomba. Os terroristas que se dispuseram ao suicídio não eram mais religiosos que os não suicidas ou mesmo que a população palestina em geral. Oitenta por cento deles se disseram “moderadamente religiosos”. Eram também mais escolarizados e ricos que a média da população. Com idade entre 15 e 23 anos, 53% tinham completado o Ensino Médio ou começado a faculdade, enquanto só 33% dos terroristas não suicidas estavam nesse nível de escolarização. Para 60% dos homens-bomba, o ataque seria a primeira atividade violenta de resistência.

- Os homens-bomba não buscam vingança. Nenhum dos terroristas entrevistados por Merari revelou ter decidido se tornar homem-bomba para vingar a morte de um parente ou conhecido. Todos os entrevistados tinham a mãe viva; 94%, o pai. Só um terço deles lembrava de algum familiar distante morto nos conflitos com Israel.

Se não lutam por vingança nem por virgens no paraíso, o que, então, os homens-bomba querem? Para Merari, a maioria deles busca realizar um grande ato que possa compensar a falta de habilidade social. Os testes conduzidos pelo psicólogo mostraram que 60% dos terroristas suicidas tinham transtornos de personalidade dependente ou esquiva. É o perfil de quem tem pouca autoconfiança, timidez exagerada, dificuldade em tomar decisões, hipersensibilidade a culpa, necessidade extrema de aprovação dos outros, medo de rejeição e de expressar desacordo, e disposição a realizar tarefas só para agradar os demais.

Um caso exemplar é o de Hamed, preso aos 21 anos. Asmático desde os 10, durante a adolescência preferia ficar em casa vendo televisão que brincar com amigos. Nunca tinha se relacionado com mulheres. Conta o psicólogo:

Nos testes psicológicos, Hamed foi avaliado como uma personalidade esquiva. Ansioso, tímido e introvertido, tinha uma autoestima muito baixa, rigidez e necessidade de agradar os outros, ainda que sem competência social. Abstinha-se de relações social até ter certeza que seria bem-vindo.

No começo, quando perguntado o que o fez participar de missões suicidas, respondeu simplesmente ‘meu objetivo era ir para o paraíso e ficar com 72 virgens’ (apesar de ter se descrito como moderadamente religioso). Depois, no entanto, ele disse: ‘Eu também queria ser famoso, ser visto num pôster, e ajudar minha família a ter mais dinheiro’.

Esse perfil é uma presa fácil do fanatismo. Jovens carentes por pertencer à elite de um grupo social são mais leais, dedicados e dispostos a se sacrificar em nome do grupo. O ataque daria a eles o ingresso ao clube exclusivo dos heróis suicidas, compensando uma vida de fracassos sociais e pouca visibilidade. Mais que uma ideologia maluca, o que motiva os homens-bomba a cometer crimes tão absurdos é a necessidade de se sentirem especiais.



Fonte - http://veja.abril.com.br/blog/cacador-de-mitos/2014/12/16/religiao-nao-e-a-principal-motivacao-dos-homens-bomba/

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domingo, 14 de dezembro de 2014

Falácias na argumentação que acusa Bolsonaro de estuprador.

Um colega de trabalho inicia uma discussão sobre um tema está em ebulição nestes primeiros 15 dias de dezembro de 2014. A relação Bolsonaro x Maria do Rosário.

O convite para o debate se dá assim: "Os meus poucos amigos que curtem esse cara podem me explicar o porque ? Hipsterismo da pior qualidade?" acrescido da página da internet:



Fui lembrar dos fatos que já aconteceram e que tiveram um tratamento bem diferente.
Disse que os partidos de esquerda querem tirar uma pedra do caminho. Bolsonaro defende causas opostas às desta turma dos ofendidos. 
Veja como os detratores deste deputado se contradizem: 
- ''Che Guevara estuprou sua empregada na frente de quatro amigos em sua casa durante uma reunião (Silêncio da esquerda); 
- Assessor de Gleise Hoffman foi acusado por estupro e pedofilia (Silêncio da esquerda ); 
- Lula falou que tentou estuprar um colega de prisão na cadeia (Silêncio da esquerda); 
- Paulo Ghiraldelli falou que Rachel Sheherazad deveria ser estuprada (Silêncio da esquerda); 
- ISIS foram acusados de estuprarem mulheres no oriente médio (Silêncio da esquerda); 
- Maria do Rosário defendeu penas mais brandas pra estupradores (Silêncio da esquerda); 
- Bolsonaro é acusado de estuprador e se defende com ironia dizendo: "Não te estupro por que você não merece" (O Brasil todo em alvoroço)''

Nisso, um sujeito de iniciais JTM comentou: Temos de fazer pressão para cassar este filho da puta.

Outro sujeito, o RB fez a argumentação dele: E os políticos cada vez mais ricos... Por unanimidade, assembleia aprova pensão vitalícia para ex-governadores baianos (Silêncio do povo)... PT,PSDB, direita, esquerda...No Brasil nada tão liberal quanto um conservador, na tão esquerdista quanto um de direita...

Quando volta o JTM a dizer: Tudo bem. Mas por mais desmoralizado que o Congresso esteja não podemos aceitar uma cafajestada deste nível. Não gosto dele nem dos torturadores e assassinos que ele representa. Mas, na democracia temos de aceitar o contraditório. Não peço a cassação por suas idéias e sim pelos CAFAGESTADA em plena tribuna do Congresso.

Como se não bastasse, JTM se dirige para mim: Ou Lamartine quanta bobagem você falou ! Que idade você tem ?

Não deu pra deixar pra lá. Respondi:  Idade suficiente para não fazer parte da boiada.

Ao iniciador desta discussão JTM explica: Desculpe S.A. É que eu não posso me calar. Perdi amigos e outros foram torturados, perdi emprego encasado e vivi com medo durante anos da munha juventude. Quem não viveu não sabe ou era muito alienado. Por isso a pergunta. A proposito, nunca votei no PT e odeio o que eles estão fazendo ao Brasil.

O iniciador S.A. alimenta, dizendo: JTM, Lamartine está cometendo a famosa falácia "Tu Quoqe"
http://www.papodehomem.com.br/falacias-logicas/ "Não cometerás nenhuma dessas 24 falácias lógicas" O filósofo, matemático e cientista americano Charles Sanders Peirce fala que as lógicas são "ferramentas para o raciocínio correto".

Foi aí que respondi:
S.A., não creio que fugi da discussão com o contra-ataque. Trouxe alguns fatos (trechos de discurso gravados) de alguns acusadores que de éticos não têm nada. Não dá para analisar um fato como se fosse isolado sabendo que ele faz parte de um contexto de complexidade muito maior. 

Gostaria de relembrar o fato gerador, se bem que não é preciso pois está tudo gravado e disponível na internet, mas mesmo assim vou arriscar. Logo, perdoe-me pelo texto um pouco longo.

Todos conhecem o episódio da discussão ocorrida no salão verde do Congresso Nacional na qual a deputada Maria do Rosário xingou seu colega Jair Bolsonaro de “estuprador” (Uso do RETORSIO ARGUMENTI - do Schopenhauer,por Maria do Rosário) que, sem acreditar, perguntou:

- Agora sou eu o estuprador?

A deputada, fria e pausadamente, confirmou:

- É sim. (ENCOLERIZAR O ADVERSÁRIO - do Schopenhauer)

O deputado, famoso não pelas boas maneiras, lhe respondeu sarcasticamente “não vou estuprar você porque você não merece”. Neste momento a adversária ameaçou dar-lhe uns tapas, que só não cumpriu devido a promessa de um revide. Foi então chamada de “vagabunda” (ÚLTIMO ESTRATAGEMA: Ofensas pessoais - do Schopenhauer) pelo deputado momento em que ocorreu um dos mais célebres chiliques da história política nacional.

Observem que as circunstâncias que antecederam este deprimente episódio são esclarecedoras. Bolsonaro havia apresentado um projeto de lei que previa penas mais duras para os estupradores até mesmo a antecipação do prazo de maioridade penal. Qual o objetivo dele? Fazer com que a punição pudesse alcançar tipos como Roberto Aparecido Alves Cardoso, vulgo Champinha, um dos estupradores e assassinos mais cruéis deste país. Maria do Rosário era contra a antecipação da maioridade e defendia penas mais brandas para estupradores e assassinos de menos de dezoito anos (MUTATIO CONTROVERSIAE - do Schopenhauer, por Maria do Rosário). 

Estes são os fatos e, como disse, está tudo gravado.

Particularmente não creio que o Bolsonaro seja flor que se cheire mas, certamente estão usando o argumento "Espantalho" (Charles Sanders Peirce) para facilitar toda sorte de ataques (RÓTULO ODIOSO - do Schopenhauer).

Obvio que um estudo mais detido do episodio gerador poderia esclarecer que, o que está em jogo a nível nacional não são os fatos, mas a interpretação destes fatos, e é aí que está o cerne da questão. Para manipular a massa humana usa-se instrumentos da semiótica, especialmente a frankfurtiana, em que mensagens verbais criam outras imagens mentais associadas a fortes emoções, ou seja, dane-se os fatos, o que vale é o que me fizeram acreditar. É aquilo que o Groucho Marx dizia: " Você prefere acreditar em mim ou em seus próprios olhos?". 

É evidente que as pessoas que não estão afeitas a estes mecanismos do discurso são presas fáceis mas, como os torcedores do Bahia (ou do Vitória), não abrem mão de sua posição (ou do time, mesmo na 2ª divisão). 

Antes de Sanders Peirce listar estas interessantes falácias, para alimentar este debate sugiro também um texto póstumo do filósofo Arthur Schopenhauer chamado "Como vencer um debate sem precisar ter razão – em 38 estratagemas" - Dialética Erística. 

Abraço.

Como responder a JTM depois desta conclusão maravilhosa: Sandro, muito obrigado e desculpe mais uma vez por usar seu espaço. Paradoxal é que esta tática do " você também" é a usada pelo pessoal do PT para justificar os mal feitos dos seus lideres quadrilheiros. Pelo visto não é o caso de seu amigo. Acredito na frase do Volteie que diz:: "Não concordo, mas daria a vida para garantir seu direito de dizer". Por isso abomino quem defende a ditadura.

Até meu pai José Lamarck entrou na história: Neto, excelente a analise lógica dos fatos que voce produziu a luz da logica de Schopenhauer e das falácias apontadas de Peirce. Colocado, posto, dado o argumento, recolha-se ao silêncio. É que um dos atributos da burrice é a arrogancia e quando ela fala o saber deve humildemente calar, para não dialogar com um asno. José Lamarck

S.A. retoma a discussão: Minha pergunta original no post continua sem resposta ...

A sabedoria (irônia) de JTM se revela: Como explicar a brutalidade? Cada caso é um caso. Só uma analista ao qual ele se submetesse poderia responder sua pergunta.

Para ser finalmente a arrematado por S.A. comesta pérola: Em um mundo tão carente de sutilezas, de desapegos, de empatias, uma figura como essa é um deserviço à humanidade ...

Fica difícil continuar...




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sábado, 13 de dezembro de 2014

Psicopatia e histeria - OLAVO DE CARVALHO

SÃO PAULO, 11 DE DEZEMBRO DE 2014 

Uma elite de psicopatas sobe ao poder e se cerca de adeptos e militantes que, no afã de enxergar as coisas como seus chefes mandam, acabam desenvolvendo todos os sintomas da histeria
A saúde mental de uma comunidade pode ser aferida pela dos indivíduos que ela eleva aos mais altos postos e incumbe de representá-la. O mais breve exame do Brasil sob esse aspecto leva a conclusões que já ultrapassam a escala do alarmante e se revelam francamente aterrorizantes.
Já tivemos um presidente que achava lindo fazer sexo com cabritas, se gabava de haver tentado estuprar um companheiro de cela – prova de macheza, segundo ele – e confessava entre risos as mais cínicas mentiras de campanha. É claro que a tropa dos seus guarda-costas e marqueteiros corria, nessas ocasiões, para dar a essas declarações o sentido de meras brincadeiras, mas, supondo que o fossem, é igualmente evidente que pessoas adultas normais não se divertem com gracejos tão torpes.
Qualquer que fosse o caso, no entanto, a conduta desse cidadão não sugeria nenhuma doença mental e sim propriamente uma psicopatia – a deformidade moral profunda que sufoca a voz da consciência e autoriza o indivíduo a viver de manipulações, trapaças e crimes sem nunca enxergar nisso nada de anormal.
Já mencionei, em outros artigos, o livro do psiquiatra Andrew Lobaczewski, Ponerologia: Psicopatas no Poder (Vide Editorial, 2014), em que uma equipe de médicos poloneses condensa os resultados de décadas de observação da elite comunista que dominava o país, e descreve tecnicamente o fenômeno da “patocracia”, o governo dos psicopatas.


Mas, como explica o próprio dr. Lobaczewski, quando uma elite de psicopatas sobe ao poder, ela se cerca de adeptos e militantes que não são psicopatas, mas que, no afã de enxergar as coisas como seus chefes mandam em vez de aceitar os dados da realidade, acabam desenvolvendo todos os sintomas da histeria. A histeria é um comportamento fingido e imitativo, no qual o doente nega o que percebe e sabe, criando com palavras um mundo fictício cuja credibilidade depende inteiramente da reiteração de atitudes emocionais exageradas e teatrais.
Um exemplo, já antigo, esclarecerá isso melhor.
Todo mundo conhece o deprimente episódio da discussão feia na qual a deputada Maria do Rosário xingou seu colega Jair Bolsonaro de “estuprador”. Incrédulo, o deputado perguntou:
            -- Agora sou eu o estuprador?
            A deputada, fria e pausadamente, confirmou:
            -- É sim.
O deputado, que não é lá muito famoso pelas boas maneiras, deu-lhe uma resposta brutalmente sarcástica (“não vou estuprar você porque você não merece”) e a adversária ameaçou dar-lhe uns tapas, deixando de cumprir o intuito ante a promessa de um revide, sendo então chamada de “vagabunda” e tendo um dos mais célebres chiliques da história política nacional.
Está tudo gravado.


As circunstâncias que precederam o acontecimento são muito reveladoras. Bolsonaro tinha apresentado um projeto de lei que previa penas mais severas para os estupradores, inclusive antecipando o prazo de maioridade penal para que a punição pudesse alcançar tipos como Roberto Aparecido Alves Cardoso, o Champinha, um dos estupradores e assassinos mais cruéis que este país já conheceu.
Maria do Rosário era contra a antecipação da maioridade e defendia penas mais brandas para estupradores e assassinos de menos de dezoito anos.
O projeto do deputado Bolsonaro era aprovado por mais de 90% da população. 
Defensora de uma causa impopular, e cunhada, ela própria, de um estuprador de menores, Maria do Rosário tinha todos os motivos para ficar com os nervos à flor da pele quando se discutia estupro e menoridade. Chamar de estuprador o algoz maior dos estupradores não fazia o menor sentido, evidentemente, exceto como inversão histérica da situação real.
Do ponto de vista penal, admitindo-se que ambos os parlamentares tenham cometido delitos, o da deputada foi bem mais grave. Nosso Código Penal pune com seis meses a dois anos de detenção o crime de calúnia (imputação falsa de ato delituoso) e com apenas um a seis meses de detenção o de injúria (ofender a dignidade e o decoro de alguém). Pior: a lei concede atenuante ao delito de injúria se é cometido em revide a insulto anterior, e um segundo e maior atenuante se o revide foi imediato. Os dois atenuantes aplicavam-se à conduta do deputado Bolsonaro. Em comparação com Maria do Rosário, ele estava praticamente inocente no episódio.
Bem, esses são os dados objetivos da situação, mas a reação da esquerda nacional quase inteira, seguida de perto por toda a grande mídia, foi levantar um escarcéu dos diabos contra o deputado, chegando a pedir a cassação do seu mandato e apresentando Maria do Rosário como vítima inocente de uma violência verbal intolerável.
Por mais intenso que seja o ódio político que se vota a um inimigo, simplesmente não é normal inverter de maneira tão flagrante a lógica dos fatos e o seu sentido jurídico para fazer do agredido o agressor e do revide injurioso, por mais grosseiro que fosse, um crime mais grave que o de calúnia.
Pior: todos os que incorreram nessa loucura faziam-no em tom de tão profunda indignação – alguns chegando até às lágrimas --, que não pareciam, de maneira alguma, estar mentindo deliberadamente. Ao contrário: a coisa era uma inversão histérica genuína, característica, indisfarçável. E coletiva.
A passagem do tempo não parece tê-la curado, mas agravado. Ainda esta semana, como o deputado Bolsonaro relembrasse o episódio, mostrando não arrepender-se do que tinha dito a Maria do Rosário, a deputada Jandira Feghali viu nisso, não, como seria normal, uma prova de falta de educação, mas – pasmem – uma confissão de estupro. E, aos berros, exigia a cassação do mandato de Bolsonaro, alegando que “não podemos admitir a presença de um estuprador nesta Casa”. Não deixa de ser significativo que, nessa mesma semana, uma pesquisa da Universidade da Califórnia revelasse que a incapacidade de perceber o sarcasmo pode ser um sintoma de demência.
Porém ainda mais significativo é que, também na mesma semana, a deputada, lendo uma frase minha segundo a qual todos deveríamos “atirar à cara dos comunistas, em público, todo o mal que fizeram”, lançou o alarma: Olavo de Carvalho prega assassinato de comunistas!
O histérico não enxerga o que está diante dos seus olhos, mas o que é projetado na tela da sua imaginação pelo medo e pelo ódio.







Fonte: http://www.dcomercio.com.br/categoria/opiniao/psicopatia_e_histeria_





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