quarta-feira, 28 de julho de 2010

O terrorista de 1968, remunera-se em 2008

Artigo de Élio Gaspari.


Daqui a oito dias (foi escrito em março de 2008) completam-se 40 anos de um episódio pouco lembrado e injustamente inconcluso. À primeira hora de 20 de março de 1968, o jovem Orlando Lovecchio Filho, 22 anos, deixou seu carro numa garagem da Avenida Paulista e tomou o caminho de casa. Uma explosão arrebentou-lhe a perna esquerda. Pegara a sobra de um atentado contra o consulado americano, praticado por terroristas da Vanguarda Popular Revolucionária. (Nem todos os militantes da VPR podem ser chamados de terroristas, mas quem punha bomba em lugar público, terrorista era). Lovecchio teve a perna amputada abaixo do joelho e a carreira de piloto comercial destruída.

O atentado foi conduzido por Diógenes Carvalho Oliveira e pelos hoje arquitetos Sérgio Ferro e Rodrigo Lefevre e uma pessoa que não foi identificada. A bomba do consulado americano explodiu oito dias antes do assassinato de Edson Lima Souto no restaurante do Calabouço, no Rio de Janeiro, e nove meses antes da imposição ao país do Ato Institucional nº 5. Essas referências cronológicas desamparam a teoria segundo a qual o AI-5 provocou o surgimento da esquerda armada.

Até onde é possível fazer afirmações desse tipo, pode-se dizer que sem o AI-5 certamente continuaria a haver terrorismo e sem terrorismo certamente não teria havido o AI-5. O caso de Lovecchio tem outra dimensão.

Passados 40 anos, ele recebe da 'viúva' uma pensão especial de R$ 571,00 mensais. Nada a ver com o Bolsa Ditadura. Para não estimular o gênero coitadinho, é bom registrar que ele reorganizou sua vida, caminha com uma prótese, é corretor de imóveis e mora em Santos com a mãe e um filho. A vítima da bomba não teve direito ao Bolsa Ditadura, mas o bombista Diógenes teve. No dia 24 de janeiro passado, o governo concedeu-lhe uma aposentadoria de R$1.627,00 mensais, reconhecendo ainda uma dívida de R$400.000,00 de pagamentos atrasados.

Em 1968, com mestrado cubano em explosivos, Diógenes atacou dois quartéis participou de quatro assaltos, três atentados à bomba e uma execução. Em menos de um ano, esteve na cena de três mortes, entre as quais a do capitão americano Charles Chandler, abatido quando saía de casa.

Tudo isso antes do AI-5. Diógenes foi preso em março de 1969 e um ano depois foi trocado pelo cônsul japonês, seqüestrado em São Paulo.

Durante o tempo em que esteve preso, ele disse que foi torturado pelos militares que comandavam a repressão política. Por isso, foi uma vítima da ditadura, com direito a ser indenizado pelo que sofreu. Daí a atribuir suas malfeitorias a uma luta pela democracia, iria enorme distância.

O que ele queria era outra ditadura. Andou por Cuba, Chile, China e Coréia. Voltou ao Brasil com a anistia e tornou-se o 'Diógenes do PT'. Apanhado num contubérnio do grão-petismo gaúcho com o jogo do bicho, deixou o partido em 2002.

Lovecchio, que ficou sem a perna, recebe um terço do que é pago ao cidadão que organizou a explosão que o mutilou. (Um projeto que revê o valor de sua pensão, de iniciativa da ex-deputada petista Mariângela Duarte está adormecido na Câmara.)

Em 1968, antes do AI-5, morreram sete pessoas pela mão do terrorismo de esquerda. Há algo de errado na aritmética das indenizações e na álgebra que faz de Diógenes uma vítima e de Lovecchio um estorvo.


ELIO GASPARI [Wikipédia] – Nápolis – Itália (1944 - ), é um jornalista e escritor ítalo-brasileiro.

Chegou ao Brasil ainda na infância. Começou a carreira jornalística num semanário chamado Novos Rumos, e depois foi auxiliar do colunista social Ibrahim Sued, passando a seguir por publicações de destaque, como o Diário de São Paulo, a revista Veja e o Jornal do Brasil.

É comentarista do jornal Folha de São Paulo, jornal diário de São Paulo, onde está radicado, tendo seus artigos difundidos para outros jornais, dentre os quais O Globo do Rio de Janeiro, Correio do Povo de Porto Alegre e O POVO de Fortaleza.

Em seus artigos, trata com ironia as personalidades. Para tanto, lança mão de personagens como Madame Natasha, professora de português que "condena a tortura do idioma" e vive concedendo "bolsas de estudo" àqueles que se expressam de modo empolado. Já Eremildo, o idiota, é uma sátira aos que usam indevidamente o dinheiro público.

Dono de consagrada carreira no mundo jornalístico, publicou uma série de quatro livros sobre a ditadura militar brasileira, dividida em duas partes, as Ilusões Armadas e O Sacerdote e o Feiticeiro.

Importante documento deste período histórico do Brasil, Gaspari havia em 1984 iniciado suas pesquisas a partir de uma bolsa de estudos no Wilson Center for International Scholars, cuja temática seria centrada nas principais figuras do período ditatorial: os generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva. Embasado em documentos pessoais de ambos, a obra deslinda os bastidores do regime militar que por duas décadas mergulhou o Brasil no regime de exceção.


http://www.averdadesufocada.com/index.php?option=com_content&task=view&id=959&Itemid=34


terça-feira, 13 de julho de 2010

A falta que a miliância faz

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 5 de julho de 2010

Às vezes me pergunto se ainda resta quem, na “oposição” brasileira, tenha alguma idéia mesmo aproximada do que é política. Todos parecem imaginar que é marketing, que é relações-públicas, que é economia, que é administração de empresas, que é disputa de cargos, que é “ética” (seja isto lá o que for) ou, na mais louca das hipóteses, que é “luta de idéias”. Na elite esquerdista, todo mundo já entendeu há quarenta anos que política é conquista e exercício do poder, e que poder não é outra coisa senão determinar o curso das ações alheias. Poder é fazer-se obedecer.

Nunca encontrei um político de “direita” que entendesse isso. Todos usam a palavra “poder” como sinônimo de “governo” e imaginam que terão o poder quando chegarem ao governo. Por isso mesmo não chegam nunca. Se chegam, não ficam lá senão o tempo necessário para que alguém os remova ou os exponha ao ridículo. Se governo fosse poder, não haveria nunca revoluções e golpes de Estado, que fazem o governo em frangalhos porque têm o poder de fazer isso e ele não tem o poder de impedi-lo. Ninguém chega ao governo se não tem o poder antes disso – o poder consolidado numa massa militante disciplinada, organizada e adestrada para seguir, com o mínimo de atrito, uma linha de comando. Há três décadas digo aos políticos de direita que eleitorado não é militância, eleitorado é uma massa dispersa e amorfa que só entra em ação de quatro em quatro anos. Militância é luta diária, é consagração da vida aos objetivos apontados pela liderança. Quem descobriu isso foi João Calvino, na Suíça reformada, e desde então a fórmula se consagrou como o mecanismo essencial, senão único, da política moderna. Mas não adianta explicar: todos continuam investindo tudo no empenho de conquistar votos, nada na formação e adestramento da militância. Não aprendem nem provavelmente aprenderão nunca a lição do PT, que em suas primeiras décadas soube adiar e sacrificar a política eleitoral ao interesse maior de criar e manter unida a militância. A liderança esquerdista compreendeu a verdadeira natureza do poder porque estava excluída da vida oficial. Sabia que sua única chance era criar um poder fora dos cargos públicos, um poder capaz de atemorizar o esquema oficial e vergá-lo aos seus interesses, mesmo contra a letra e o espírito das leis vigentes. A tática dos “movimentos sociais”, que inventam direitos inexistentes e os impõem a toda a sociedade antes mesmo de consagrá-los em lei, demonstra isso da maneira mais óbvia: mais vale o poder substantivo do que o poder oficial.

Na “direita”, o mito e o sex appeal do oficialismo conservam toda a sua força de sedução: vencer eleições, ocupar altos cargos, assinar decretos mesmo sem saber se serão obedecidos parece ali ser a essência da política, como se todo o poder consistisse na estrutura nominal da administração do Estado. De que adianta eleger um governador, ou presidente, se a massa militante do outro lado está infiltrada em toda parte e num estalar de dedos transformará a administração pública numa máquina de boicote e desobediência? Mais vale comandar a administração desde fora do que brilhar dentro do governo sem poder de comando.

Militância, por seu lado, não se cria da noite para o dia. Ela começa com círculos muito pequenos de intelectuais que, por anos, nada fazem senão discutir e discutir, analisando diariamente, com minúcia obsessiva, uma conjuntura política na qual não têm o mínimo poder de interferir. É do seu debate interminável que emergem, aos poucos, certas maneiras de pensar e falar que, consolidadas e simplificadas em esquemas repetitivos, se tornam espontaneamente a linguagem dos insatisfeitos em geral. Quando estes aceitam a linguagem do núcleo intelectual como expressão de suas queixas (por mais inadequada que essa linguagem seja objetivamente), é então que começa o adestramento da militância propriamente dita. De início suas iniciativas podem parecer deslocadas e pueris, mas elas não visam a alcançar nenhum resultado objetivo: são apenas ação imanente, destinada a consolidar a militância. Isto é tão importante, tão vital, que todo movimento político sério tem de começar sacrificando eleições e cargos ao ídolo da solidariedade militante.

A direita não tem militância, desde logo, porque não entende a função dos intelectuais. Quer usá-los apenas como adornos, como redatores de publicidade ou como revisores de estilo do discurso empresarial. Não compreende que a análise de conjuntura, a revisão de estratégias, o auto-exame e a busca constante das chaves da unidade do movimento têm de ser atividades diuturnas, incansáveis, obstinadas. Essa é a função por excelência dos “intelectuais orgânicos”. Sem isso não há militância, e sem militância não adianta nem mesmo vencer eleições. Perguntem ao Fernando Collor.

Fonte - http://www.olavodecarvalho.org/semana/100705dc.html

terça-feira, 15 de junho de 2010

Diplomacia de sonâmbulos

Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 31 de maio de 2010

Pergunto-me se alguém, no nosso governo, tem alguma compreensão do pano-de-fundo religioso, místico e esotérico das manobras do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. A resposta é evidentemente “Não”. A simples idéia de que em política a religião possa ser algo mais que um adorno – ou disfarce – publicitário é absolutamente inalcançável para os brucutus do Palácio do Planalto e para os galináceos engomados do Itamaraty. Toda vez que essa gente toma decisões em assuntos que pairam infinitamente acima de seus neurônios e arrastam o povo na direção de um destino que este compreende menos ainda, a liderança intelectual, política, empresarial e militar deste país deveria bater no peito e, genuflexa, recitar: Mea culpa, mea culpa, mea maxima culpa. O Brasil está se transformando no instrumento mais passivo, bocó e inconseqüente de políticas internacionais desastrosas que, nas presentes condições, não podem sequer ser objeto de um debate público sério por absoluta falta de debatedores informados.

A ideologia dominante no mundo moderno apregoa que a sociedade política é uma realidade auto-subsistente, dentro da qual, e como parte subordinada da qual, existe um fenômeno chamado “crenças”, cujo exercício o Estado, conforme lhe dê na telha, protege ou reprime.

Essa visão das coisas, hoje tida como dogma do senso comum, é diretamente contraditada pela realidade histórica. Não existe no universo um só Estado ou nação que não tenha surgido desde dentro das religiões, como capítulo fugaz da história dos seus antagonismos internos e externos. O elemento durável e decisivo na História são as religiões: o Estado, a nação e, no fim das contas, tudo o que hoje se denomina “política” são apenas a espuma na superfície de uma corrente que se constitui, em essência, da história das religiões, tomado o termo num sentido amplo que abrange os movimentos ocultistas e esotéricos, incluindo os que se travestem de materialistas e agnósticos (o marxismo é o exemplo mais nítido: leiam Marx and Satan, do pastor Richard Wurmbrand, e To Eliminate the Opiate, do rabino Marvin Antelman, e entenderão do que estou falando).

Obscurecido pela ilusão da “política”, o predomínio absoluto do fator religioso na História mostrou uma vez mais sua força no instante em que o projeto de governo global, muito antes de se traduzir em medidas políticas concretas, teve de se constituir, já desde os anos 50, numa engenhoca espiritual que acabaria por tomar o nome de United Religions Initiative (cito uma vez mais Lee Penn, False Dawn: The United Religions Initiative, Globalism and the Quest for a One-World Religion, leitura obrigatória para quem quer que deseje entender o mundo de hoje).

Mas, se as lideranças globalistas estão bem cientes desse fator, ele continua ignorado pela massa dos analistas políticos, comentaristas de mídia e “formadores de opinião” em geral, apegados, por força da sua formação universitária, ao mito do “Estado leigo”, como se a razão de ser deste último não fosse, precisamente, o advento final de algo como a United Religions Initiative.

O único lugar do planeta onde a consciência do poder da religião como força modeladora da História está viva não só entre os intelectuais como até entre a população em geral, é o Islam. Por isso é que milhões e milhões de muçulmanos têm um senso de participação consciente em planos estratégicos de longuíssima escala – em escala de séculos – para a instauração do império islâmico mundial. Esse senso, aliado à completa invisibilidade dessa escala no horizonte histórico estreito dos políticos ocidentais, basta para explicar que o Islam tenha hoje a maior militância organizada que já se viu no mundo – um poder avassalador a cuja marcha triunfante os países mais ricos e supostamente mais fortes não sabem nem podem oferecer senão uma resistência verbal perfeitamente inútil.

Habituados a raciocinar em termos de poderes estatais, militares, econômicos e burocráticos, os estrategistas do Ocidente perdem freqüentemente de vista a unidade profunda do projeto islâmico ao longo do tempo, nublada, a seus olhos, por divergências momentâneas de interesses nacionais que, para eles, constituem a única realidade efetiva. E nisso refiro-me aos estrategistas das grandes potências, não a seus macaqueadores de segunda mão que hoje constituem a “zé-lite” da diplomacia luliana. Estes não têm sequer a noção de que exista, para além dos lances do momento, um projeto islâmico de longo prazo, ao qual servem sem atinar com o sentido daquilo que fazem ou dizem. Movem-se na cena do mundo como sonâmbulos errando entre sombras, imitando o soneto célebre de Fernando Pessoa:

“Emissário de um rei desconhecido,

Eu cumpro informes instruções de além,

E as bruscas frases que aos meus lábios vêm

Soam-me a um outro e anômalo sentido.”


fonte - http://www.olavodecarvalho.org/semana/100531dc.html


QUADRO POLÍTICO

por Jorge Roberto Pereira - Presidente FDR*
em 15 de Junho de 2010
 
O cidadão brasileiro, já há tempos, está reduzido a ter que escolher entre partidos socialistas ou comunistas, revolucionários ou reformistas. Devemos sim, a estes senhores, todo o mal generalizado que enfrentamos, e a nenhum outro regime de governo além deste que começou a se implantar no país desde a anistia, de 28 de agosto de 1979 e a governar desde o fim do ciclo militar. Sem mencionar as décadas anteriores, quando a “intelligentsia” esquerdista já fazia a cabeça dos universitários, dos meios acadêmicos e da mídia.
 
Precisamos analisar a situação política não sob a ótica da normalidade democrática, mas sob a lógica revolucionária, pois é exatamente o que está em curso no país. A democracia verga sob o fogo de uma revolução silenciosa, empreendida de forma a não levantar suspeitas das liberdades que nos estão sendo subtraídas. Façamos uma breve análise do processo político revolucionário, pois não surpreende a dificuldade da sociedade de entendê-lo.
 
 
Na disputa eleitoral, alinham-se como partidos socialistas revolucionários, o PT e o PV. Como movimentos revolucionários o MST, o MR8 (que muitos julgam extinto) e outros, incluindo aí a igreja progressista, da teologia da libertação. Como partidos comunistas marxistas-leninistas o PC do B e o PCB (dito “pcbinho”). Marxistas-trotskistas o PSOL, o PSTU e PCO. Marxistas-gramscistas o PPS e o PSB. Temos ainda os movimentos comunistas anarquistas, que podem ser ou revolucionários ou pacifistas, orientados pelo Fórum Social Mundial, compostos por ONGs e OGPs, extremamente ativas na desconstrução da sociedade tradicional. Finalmente, apresentando-se como a panacéia dos sofrimentos desta mesma sociedade, os dois partidos sociais-democratas, o PSDB, do socialismo fabiano, e o PDT, da Internacional Socialista, ambos reformistas. Ou seja, o cardápio completo do esquerdismo.

Essa confusão deliberada respeita o conselho do diabo velho ao diabo novo, quando o enviou para a Terra: “não se preocupe em esclarecer as coisas, pois o caos favorece o inferno”.
 
O trabalho em rede de todas as tendências de esquerda, num vetor somatório único, estabelece condições que passam à sociedade a impressão enganadora de estar vivendo uma democracia, pois lhe parece que a disputa eleitoral permite todos participarem democraticamente com suas idéias – todas rigorosamente antidemocráticas.
 
Defendendo teses ontem repudiadas, hoje instrumentais aos seus interesses, o “neo-marxismo” segue as “tarefas” recomendadas por Gramsci, de reformismo revolucionário, aparelhamento do estado e continuísmo no poder e adotou as seguintes “categorias”:
1. a democracia como instrumento de tomada do poder;
2. o pluralismo das esquerdas;
3. o capitalismo como instrumento de formação de prosperidade (e controlado pelos meios do “socialismo de mercado”); e
4. a revolução cultural como forma de luta de classes.
 
Por justiça, devemos todos assumir a responsabilidade de não termos conseguido, no Brasil, formar uma elite pensante a tempo e capaz de enfrentar este lado doente da condição humana, que é o pensamento esquerdista.
 




* FDR - Farol da Democracia Representativa http://www.faroldademocracia.org/index.asp
 

segunda-feira, 3 de maio de 2010

OS NOVOS ARIANOS

OS NOVOS ARIANOS

Valfrido M. Chaves - Pantaneiro, Psicanalista.

O século passado produziu fenômenos que, para sempre, serão motivos de vergonha para a humanidade. O imperialismo, o nazi-fascismo e o socialismo marxista se igualaram em suas conseqüências nefastas que, como disse, se manterão como chagas na memória das civilizações.

O Imperialismo, que sucedeu ao Colonialismo, foi o meio pelo qual as Nações mais ricas e poderosas extorquiram e degradaram os recursos naturais e humanos de povos e continentes, mais acumulando riquezas para si e pobreza para Nações incapazes de se defenderem da exploração.

A I e II Guerras Mundiais ocorreram no contexto da disputa imperialista por mercados e recursos naturais. Na sombra da I Guerra surgiu o totalitarismo nas feições nazista e socialista, movimentos que se confrontaram, mas que, bem analisados, eram faces de uma mesma moeda. Para o nazi-fascismo alemão, o arianismo, alucinando uma raça pura e superior que construiria a civilização redentora da humanidade, todos os meios eram justificados pelo glorioso objetivo. O socialismo russo, onde uma classe social redentora construiria o futuro da humanidade, desembocou no totalitarismo historicista. Para socialistas e fascistas os fins justificavam os meios, na medida em que tudo o que beneficiasse suas causas seria necessariamente moral, justo e verdadeiro.

No regime nazi-fascista a “classe” redentora seria constituída pelos arianos, a “raça superior”. No regime socialista-comunista, a “raça superior” seria o operariado, representado pelo Partido Comunista, então condutor da humanidade e da História. Ambos os regimes se irmanaram na empáfia de serem donos do futuro da história, na crueldade e no desprezo pelo valor do ser humano de qualquer etnia ou classe social.

Neste momento, os brasileiros se vêem às voltas com um movimento zumbi, ou seja, morto-vivo, em que “novos arianos” ressuscitam pretendendo ainda serem donos de nossa História e futuro, quaisquer que sejam os meios que tenham, para isso, de empregarem. Curiosamente, pretendem ser socialistas e, repetindo o velho catecismo marxista-leninista, praticam também o princípio de que os fins justificam os meios e de que a moral e a verdade sãos relativas. O leitor duvida? Então vejamos...

Quem sobre eles faz um juízo crítico, “é preconceituoso, tem preconceitos de classe”. Suas críticas, entretanto, seriam expressão de “justa consciência”... Sua oposição é “justa”, enquanto a oposição a eles é “preconceituosa”. A corrupção, nos redis alheios, é corrupção, digna de CPIs, esclarecimentos e punições. Entretanto, quando pegos com a mão na cumbuca dos cofres públicos ou da extorsão, os fatos se tornam “golpe das elites” e os recursos mal ganhos seriam apenas “recursos não contabilizados”. Com as frases “não fomos os primeiros”, “não fomos nós que inventamos”, pretendem de tudo se justificarem e se anistiarem, o que os torna acima do bem e do mal! Seres superiores, nada os atinge!

Tudo isso, em síntese, é o neo-arianismo ideológico, a “nova raça superior” tupiniquim com o qual estamos às voltas. Na prática, um Partido, uma militância com vocação totalitária e pretendendo ser dona do destino da Nação. Por isso, a tudo se julgam autorizados, desde o Mensalão com sua impunidade, até à destruição dos cacaueiros na Bahia, com vírus disseminados propositadamente. Cá entre nós... De onde poderá ter vindo a aftosa que impactou a melhor pecuária do mundo, em MS?

Eis o abacaxi que os brasileiros têm para descascar neste início de milênio.


O bispo Lula e a polícia por Diogo Mainardi

O bispo Lula e a polícia

sábado, 17 de abril de 2010 | 2:29


O presidente Lula conduz o Itamaraty da mesma maneira que o bispo Romualdo conduz a Igreja Universal. Os dois recomendaram procurar os bandidos nas cadeias e negociar diretamente com eles, dizendo: “Pô, a gente está fazendo um trabalho tão bacana. Pô, todo mundo armado. Pô, a gente é companheiro ou não é?”.

O bispo Romualdo, de acordo com a Folha de S.Paulo, resumiu candidamente o espírito desse seu empenho diplomático bilateral: “Nosso problema não é o bandido, nosso problema é a polícia”. É o que Lula tem repetido insistentemente nos últimos anos, em todos os encontros internacionais. Ele recomenda procurar os bandidos em suas cadeias e negociar diretamente com eles. Porque o problema, segundo Lula, não é o bandido de Cuba, o bandido de Gaza, o bandido da Coreia do Norte, o bandido da Guiné Equatorial, o bandido da Venezuela – o problema é a polícia.

Em 16 de maio, o bispo Lula emulará o presidente Romualdo e dará o passo mais ruinoso de sua carreira. Ele procurará Mahmoud Ahmadinejad em sua cadeia iraniana e negociará com ele “olho no olho”, prometendo ajudá-lo a escapar da polícia dos Estados Unidos e da Europa. Lula retribui assim a visita de Mahmoud Ahmadinejad ao Brasil, no fim do ano passado. Um de seus acompanhantes naquela visita foi Esmail Ghaani, que entrou anonimamente no país. Ele era comandante interino das Forças Quds, a unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana. A caminho do Brasil, Mahmoud Ahmadinejad e Esmail Ghaani fizeram uma escala no Senegal. O jornal Al Qanat, publicado no Líbano, em árabe, relatou que Esmail Ghaani usou sua passagem por Dacar para adquirir uma série de docas no porto local, em nome da companhia de fachada IRISL. Nessas docas, a Guarda Revolucionária iraniana pretende armazenar os produtos triangulados da América Latina, a fim de furar o bloqueio comercial imposto pela ONU.

O contrabando é apenas uma das bandidagens praticadas pelas Forças Quds. O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos denunciou-as por treinar, financiar e armar terroristas. O chefe de Esmail Ghaani, Qassem Suleimani, foi punido pela ONU, que congelou seus bens. A Europa acusou a Guarda Revolucionária de comandar o programa nuclear iraniano e passou a perseguir seu conglomerado de empresas por “proliferação de armas de destruição em massa”.

O que Esmail Ghaani fez no Brasil? Com quem ele se encontrou? Empresas nacionais negociaram com as empresas de fachada das Forças Quds? Para Lula, nenhuma dessas perguntas importa. Afinal, a gente é companheiro ou não é? Olho no olho com Mahmoud Ahmadinejad, em maio, Lula poderá dizer mais uma vez: “Nosso problema não é o bandido, nosso problema é a polícia”. Pô.

Por Diogo Mainardi

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Precipitação pela classificação

Caro Professor,


Desculpe não tê-lo respondido antes. Há alguns dias não me sinto bem fisicamente, estando com problemas de estomago, febre e diagnosticado como possuidor de uma “virose”. Esta, voce sabe, é a forma cômoda com que médicos definem algo desconhecido e, de tanto ser usado, acaba se incorporando no senso comum. Acho que a questão é não se darem ao trabalho metódico de investigação e análise, para se chegar a uma conclusão mais precisa.


E por falar nisso, acho que o Senhor cai nesse mesmo mecanismo da generalização simplista quando diz “é preciso mesmo ser muito extremista para ver as coisas de tal perspectiva!” É preciso mais profundidade para dar um “diagnóstico” diferente de “virose”.


Não vejo razão de concordância sobre a direita brasileira. Mais do que “incrivelmente envergonhada”, ela é terrivelmente incompetente não servindo nem para denunciar os podres que recheiam nossos “ilustres” representantes. É isso mesmo, nossos. Votei no PT sim. Logo, é provável (não sou doido de afirmar) que seu pensamento a meu respeito esteja equivocado professor, já que não tenho nenhum representante do PSDB ou do DEM.


A opinião sobre a rede Globo é algo que gostaria que fosse respeitada. É obvio que as revoluções deixaram de ser sangrentas, são sutis e de longo prazo, “dominando os corações e mentes” (parece que é de Sun Tsu). Se o “pensamento da extrema direita não tem raízes no sentimento” de nosso povo é uma obviedade, bem como a ideologia de esquerda, ambas importadas.


Meu problema com a rede Globo e outras emissoras não é, como disse “a questão dos costumes; de fato, os valores da sociedade brasileira mudaram muito nos últimos, digamos, trinta anos”. O problema professor Niels é que ficamos no discurso da liberdade, quando na verdade fazemos parte de uma “manada” sendo conduzida com berrantes, chicotes e mordidas (dos cães).


Não questionei em nenhum momento os maravilhosos avanços que nasceram genuinamente das demandas sociais, dos grupos e das lutas empreendidas. São formidáveis conquistas. Isso não está em questão, portanto não insinuei qualquer fracasso moral da sociedade. Porem existe uma sutil diferença daquilo que nasce como causa popular e do é induzido pela mídia como, por exemplo, o caso Lula ter se transformado em produto nas mãos de Duda Mendonça, ou de valores nunca foram sequer questionados e agora se coloca como algo já na pauta. Essa é a questão: quem faz a pauta de nossas discussões diárias ou semanais? Se, de alguma forma temos como nos defender com algum senso critico, o que podemos dizer dos milhões de brasileiros que engole “goela abaixo” como se fossem novas verdades? É isso que o senhor chama de progressista?


Caro Professor, também fui aluno de Colégio Militar por dois anos (1977 e 1978), alem disso tenho parentes militares tanto da reserva como da ativa como meu irmão que está servindo a ONU lá no Haiti. Quase nos mata de preocupação quando ocorreu o terremoto em janeiro. Saiu ileso e se sente abençoado por isso e por poder estar lá ajudando pessoas. Meu desabafo, agora sim, é por medo da configuração de qualquer extremo, e aí, tanto os regimes de extrema-esquerda como os de extrema-direita são danosos para sociedade.


Foi por isso que coloquei algumas informações colhidas de como se chegar ao poder...


1) Por "golpe" seguido de violência


2) Por "mudança de postura" política. Uma mudança no discurso, passando a ser falsamente considerado democrático. Vai assumindo características de ditadura – ex.: Venezuela (para ilustrar, assistir ao filme "A Onda" ("Die Welle" de Dennis Gansel); é muito ilustrativo.


3) Por fim, a "infiltração lenta e gradativa" em todos os setores da sociedade, por décadas seguidas, manipulando e adestrando as mentes para pensar a partir de um único ponto de vista – estratégia pregada por Gramsci – sendo o menos violento dos métodos e o mais incapacitante – ex.: Brasil??


O método do “golpe” e da “mudança de postura”, por mais violentos que sejam, não elimina a oposição do regime, que existe para vigiar e denunciar os abusos.


Quanto ao fato de afirmar que as idéias que expresso “geralmente estão associadas a outras como o racismo e o desprezo a tudo que vem das classes populares, a fórmulas para a educação dos jovens que não passam de manipulação e inculcamento de mentiras”. Bem, pelo meu histórico nesta instituição (tem pessoas que gostam, não só museus) afirmaria o contrário. Como não sei o que responder agora, tomarei umas informações, pra não ser injusto contigo e te darei uma resposta. Pode ser que esteja presente algum tipo de discriminação velada, ou de alguma forma me provocar algum dano moral. Não sei. Ainda.


Por fim, inteligente como você é, só deve estar de brincadeira comigo, e é assim que devo ver. Usar, de novo a fórmula cômoda de classificação quando me questiona, em aparente ironia, o título estigmatizante de “direitista extremista talvez libertário”, da vontade de rir, pois parece não ter entendido o teor de meu email.


Quanto a meu olhar sobre as coisas maravilhosas e “tanto progresso” é obvio que não sou cego. Vejo sim maravilhado até, pois isso é fácil, ta na cara é como o hardware do computador. Porém tem outras coisas que estão na cara e não se quer ver, por questão de princípios ou por falta deles, e por fim tem o software, aquilo que está nas entrelinhas. Como pode perceber, não dá para analisar o progresso com a postura de médico que não aprofunda seu trabalho, usando de generalizações para explicar o todo dos sintomas.


Antes que classifiquem em mais alguma categoria, gostaria de adiantar que o dinheiro que investi em psicanálise foi muito bem gasto, podem ter certeza, e que, alem de não ser dono da verdade (e quem é?). Neste momento estou exercendo meu direito de expressar meus pensamentos, e honestamente, é isso que quero que continue acontecendo.


Abraço


Lamartine

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