domingo, 25 de setembro de 2016

Nelson Rodrigues, você é ou não é reacionário? (4 de junho de 1969)

Entrevista com Nelson Rodrigues, em VEJA de 4 de junho de 1969



As páginas amarelas surgiram em junho de 1969, menos de um ano após o nascimento de VEJA, e tomaram forma próxima da atual ao longo de 1970. 

O primeiro entrevistado da seção, pela qual já passaram os maiores nomes da política, economia, ciência, arte e espetáculos, foi o dramaturgo e cronista Nelson Rodrigues. À época com 56 anos, o autor de Vestido de Noiva, Álbum de Família e Anjo Negro era apresentado como “o mais amado, o mais odiado e o mais discutido comentarista político do Brasil”. Na conversa, Nelson critica: a esquerda, o jovem, o carnaval, o cinema, o Maracanã (que leva o nome de seu irmão, Mário Filho), São Paulo, Piauí, o arcebispo Dom Hélder Câmara, o intelectual católico Alceu Amoroso Lima… E explica sua aversão ao biquíni: “O biquíni é a degradação da nudez. A nudez, para que tenha um valor plástico, para que tenha um interesse visual, na pior das hipóteses, exige o desejo. Mas eu vou além: a nudez exige o amor. Portanto, a nudez sem o desejo e, pior ainda, a nudez sem o amor é o que há de mais feio”. 

Confira trecho da entrevista:



Quem é você, Nelson Rodrigues? 
Eu sou um pierrô, sou um romântico. Mas o romântico piegas. Não o romântico de grande estilo, não o wagneriano. E aí me veio essa vergonha de ser romântico e uma certa tendência para negar essa emotividade fácil e vagamente burlesca.

Dizem que você é obsessivo… 
Eu sou uma flor de obsessão.

Você é reacionário, Nelson Rodrigues? 
Na televisão, sempre que me lembro, eu digo que sou reacionário, só pra chatear.

Mas você é ou não é reacionário? 
Se a Rússia – onde não existe o direito de greve, onde uma vez o Stálin, de uma só cajadada, matou 12 milhões de camponeses de fome punitiva, onde toda a experiência socialista tem 100 milhões de mortos a pauladas –, se a Rússia se considera libertária, se acha que está trabalhando para o futuro, que é o futuro, então, nesse caso, eu sou reacionário, sou o passado, sou a Idade Média. E prefiro ser a Idade Média, pois a Rússia é a pré-Idade Média. E, então, assim mesmo, estou na frente da Rússia.

Como é que sua coluna passou a ser política? 
Passei à ação política simplesmente porque deixei de ser covarde. Sou um ex-covarde.

Mas, na política, o que você é exatamente? 
Eu sou um anticomunista que se declara anticomunista. Geralmente, o anticomunista diz que não é. Mas eu sou e o confesso.

Por quê? 
Porque a experiência comunista inventou a antipessoa, ou o anti-homem. Conhecíamos o canalha, o mentiroso, o vampiro de Düsseldorf. Mas, todos os pulhas de todos os tempos e de todos os idiomas, ainda assim, homens. O comunismo, porém, inventou alguém que não é homem. Para o comunista, o que nós chamamos de dignidade é um preconceito burguês. Para o comunista, o pequeno burguês é um idiota absoluto justamente porque tem escrúpulos.

Sua fúria anticomunista não é hidrófoba? 
Não, o comunismo é que é hidrófobo. Minha fúria é a de um homem que ama a liberdade. Eu sou um homem que põe a liberdade acima do pão.



Fonte - http://veja.abril.com.br/blog/reveja/quem-e-voce-nelson-rodrigues/

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

A árvore genealógica dos partidos políticos do Brasil







Quem nunca teve a curiosidade de desenhar a árvore genealógica de sua família? Ainda mais sendo oriundo de uma família de imigrantes (alemã, italiana, etc). Aquela ‘pontinha’ de curiosidade, que ajuda a pensar “de onde venho e para onde vou”? Pois nestes últimos dias, resolvi me debruçar sobre a história dos partidos políticos brasileiros e fazer o mesmo. Como não sou historiador, nem cientista político, o desenho pode apresentar falhas. No entanto, ajudou-me a organizar as ideias e reconhecer melhor em qual terreno e contexto se inserem alguns partidos atuais. Na dúvida, veja o quadro acima.
– Brasil Império e República Velha
Para começo de conversa, durante o Brasil Império (1822-1889), dois partidos “de direita”, que defendiam a manutenção da escravatura, bipolarizaram o poder: Partido Liberal e Partido Conservador. O cenário só começou a mudar com a aparição dos Partidos Republicanos. Não existia uma união nacional nesta época, com os quadros sendo formados dentro dos Estados (o Partido Republicano Paulista, o Mineiro, e o Riograndense, de Júlio de Castilhos, por exemplo). Estes dominaram o palco principalmente a partir da Proclamação da República e estabelecendo a política do ‘café com leite‘, com paulistas e mineiros se revezando no poder. É preciso compreender que neste período não havia o sufrágio universal. Ou seja, mulheres e pobres não iam às urnas. Portanto, as referências políticas eram pessoas da elite social.
– Era Vargas
Oriundo do PRR (Partido Republicano Riograndense), o gaúcho Getúlio Vargas chegou à presidência em 1930 graças a um golpe de Estado que interrompeu o revezamento de paulistas e mineiros. Quatro anos depois, promulgou uma nova Constituição, impondo entre outras coisas o voto secreto, o voto às mulheres e direitos trabalhistas. Com a implantação do Estado Novo (nada mais do que uma ditadura populista), viu as oposições se radicalizarem entre extrema-direita e extrema-esquerda: Ação Integralista Brasileira (AIB), que defendia um governo fascista; e Aliança Nacional Libertadora (ANL), formada por integrantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro). Aliás, este último, conhecido como ‘Partidão’, foi o primeiro viés de esquerda na política nacional, fundado ainda em 1922, acabou sendo tornado ilegal por muitos dos governos que assumiram o país. Apesar de fortes revoluções organizadas por essas duas frentes, Vargas manteve-se na presidência até 1945. Voltaria eleito cinco anos depois, mas antes ainda foi o avalizador de dois partidos que seriam fundados: PSD (Partido Social Democrático) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) – pelo qual se filiou. No espectro oposto, surgiria a UDN (União Democrática Nacional), uma herdeira dos Partidos Conservador e Liberal. Seria a principal oposição ao governo getulista até seu suicídio em 1954.
– Ditadura Militar
Com o golpe militar de 1964, apoiado inicialmente pela UDN para derrubar o governo trabalhista de João Goulart (‘filho político’ de Getúlio), todos os partidos – da esquerda à direita – entraram na ilegalidade. Do PCdoB (Partido Comunista do Brasil, herdeiro do PCB), passando pelo PSB (Partido Socialista Brasileiro, encontro de ideologias entre PCB e PTB), PDC (Partido Democrata Cristão) e alcançando até a própria UDN. Permitia-se apenas a adesão a duas vertentes: MDB (Movimento Democrático Brasileiro) e ARENA (Aliança Renovadora Nacional). Era como se, de uma hora para outra, a política nacional voltasse ao período do Brasil Império, onde vigoravam apenas os liberais e conservadores. Os quadros da centro-esquerda foram forçados ao exílio (como o petebista Leonel Brizola), enquanto os da extrema-esquerda assumiram a ilegalidade para criar grupos armados – ALN (Aliança Libertadora Nacional), MR8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro), VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), entre outros.
– Reabertura política
Diante das manifestações populares pelo fim dos governos militares, foram surgindo novos partidos. Com o DNA getulista, Brizola fundou o Partido Democrático Trabalhista (PDT). Este ainda recebeu alguns componentes dos grupos revolucionários, enquanto a maioria acabou migrando para o recém fundado Partido dos Trabalhadores (PT), encontrando-se com líderes de movimentos sindicais. Com o desprestígio da ARENA, surgiu o PDS (Partido Democrático Social), que passaria a abrigar aqueles políticos que governaram sob o guarda-chuva militar, como José Sarney. O MDB, por sua vez, foi quem surfou a onda da abertura política, sendo a cara da recente democracia brasileira. Velhos partidos, como PCdoB, PSB e PTB também foram reativados, mas já desvirtuados das ideologias que os havia fundado.
– Coligações e fisiologismo
A partir da década de 90, os partidos foram se multiplicando. Da direita, saíram do PDS o PFL (Partido da Frente Liberal, hoje DEM), PPB (Partido Progressista Brasileiro, hoje apenas PP) e PRN (Partido da Reconstrução Nacional, hoje PTC) – que elegeria Fernando Collor nas primeiras eleições diretas. Do gigantesco PMDB, surgiria principalmente o PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira). Do PT, acabariam migrando vertentes radicais de esquerda, como PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado), PCO (Partido da Causa Operária) e mais recentemente PSOL (Partido Socialismo e Liberdade). O impeachment de Collor em 1992, no entanto, influenciaria ainda mais o fisiologismo na vida democrática brasileira. A troca constante de partidos – como do então vice-presidente Itamar Franco, que chegaria ao seu 5º partido ao assumir a presidência (PTB, MDB, PL, PRN e PMDB) – denunciava a falta de fidelidade a uma raiz ideológica. Além disso, o sistema presidencialista de coalizão insuflou as coligações antes inimagináveis. O ‘tucano’ Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, ex-MDB, coligou com o PFL (dissidência do PDS e ARENA) para vencer as eleições de 1994 e 1998. Já o petista Lula uniu-se com o PL para fazer o mesmo em 2002 e 2006. Quando que os liberais do Brasil Império imaginariam que seus herdeiros políticos um dia uniriam forças com trabalhadores de movimentos sindicais? Da fusão dessa coligação improvável, por exemplo, saiu o atual SD (Solidariedade), que tem como presidente o deputado Paulinho da Força Sindical – um ex-petista, que se tornou uma das principais bases de apoio ao recente impeachment de Dilma Rousseff. Outra obra do fisiologismo é o recém criado Rede Sustentabilidade, capaz de abrigar a fundadora Marina Silva, ex-PT e PV (Partido Verde); Randolfe Rodrigues, ex-PSOL; Miro Teixeira, ex-PP, PDT e PROS (Partido Republicano da Ordem Social); e João Derly, ex-PCdoB. Isso sem falar no PSC (Partido Social Cristão), herdeiro do antigo PDC extinto pela ditadura militar, mas que já lançou a pré-candidatura de Jair Bolsonaro, um entusiasta do regime militar. Mas talvez o ‘filho mais bastardo’ da política brasileira seja o PR (Partido da República), nascido da fusão entre PL e PRONA (Partido da Reedificação da Ordem Nacional) – pensado e criado pelo ultranacionalista Enéas Carneiro, primo distante do integralista Plínio Salgado. Mesmo assim, não exitou em coligar com o PT nas eleições de Dilma. Sendo assim, à esta altura, onde ninguém mais sabe quem é o inimigo ou amigo na trincheira, urge uma reforma na política brasileira. Ou sigam degustando essa sopa de letrinhas promíscuas e indigestas.









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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

11 erros fatais que fariam Dilma ser demitida de qualquer empresa séria no mundo - por Marc Tawil

Marc Tawil é Sócio-diretor na Tawil Comunicação
27 de ago de 2016


Dilma Rousseff sobreviveria ao mercado corporativo apenas sendo... Dilma Rousseff? A resposta é: jamais




Demitir um CEO parece improvável, mas acontece com mais frequência do que supõe nossa vã filosofia de rede social. CEOs ou presidentes, o topo da cadeia – ou da cadeira – sofrem, sim, sanções pesadas por terem a língua solta demais, serem arrogantes demais, tranquilos demais ou até ousados demais.

Neste milênio mesmo, vieram à tona casos bizarros de demissão, como a do CEO histórico do Yahoo!, Scott Thompson, acusado de maquiar o próprio currículo com uma faculdade de Ciências da Computação quando, na verdade, só tinha um curso de contabilidade.

O desligamento de Andrew Mason, fundador e CEO do Groupon, foi ainda mais estranho: saiu por excesso de otimismo – ele acreditava tanto na plataforma do Groupon, que ignorava a queda do número de cupons vendidos.

Já a demissão do CEO da HP, Mark Hurd, teve ares cinematográficos: Jodie Fisher, ex-atriz de filmes eróticos nos anos 1990, foi o pivô de um escândalo de assédio sexual e falsificação de relatórios de despesas por parte dele.

Estar no topo da cadeia não é fácil e isso só explica os altos salários e benefícios compatíveis com tantas responsabilidades. Cabe ao presidente, líder ou CEO colocar todos acomodados confortavelmente em seus assentos e pilotar esse Boeing sem solavancos e acima de nuvens e tempestades.

E se?


Governo não é empresa e o Brasil não é a Coca-Cola, Ambev ou Johnson & Johnson. Mesmo assim, muitos governantes valem-se de sua “experiência de mercado” na hora de se candidatar a esse ou aquele cargo.

E se o exercício fosse o contrário? Se o governante se candidatasse ao cargo de CEO de uma grande empresa, seus skills e estilo de liderança fariam a diferença? E se esse governante em questão fosse Dilma Rousseff, presidente cujo destino político será traçado nessa semana pelo Senado federal?

Sobreviveria ela ao mercado corporativo apenas sendo... ela mesma?

A resposta é não. A presidente da República, eleita em 2010 e reeleita em 2014, peca em 11 posturas essenciais que, juntas ou em separado, jamais seriam toleradas em nenhuma organização séria do Brasil ou do mundo. A elas:

1. Não delegar

Marca dos dois governos Dilma Rousseff, a centralização de poder não apenas afastou a presidente de ministros e aliados, como a isolou em momentos-chave de sua caminhada no Palácio do Planalto, fosse em votações importantes no Congresso, nas disputas com a oposição e, na reta final de seu segundo mandato, durante os pedidos de apoio dentro e fora do PT.

2. Não dialogar

Dilma sempre deixou claro sua abordagem top-down, isto é, de cima para baixo, no pior estilo “eu mando, vocês obedecem”. Um estilo de liderança ultrapassado, isolacionista e comprovadamente ineficaz. Além disso, vai de encontro ao ideal de diálogo democrático pregado por ela. A presidente ignorou parlamentares pró e contra o governo e todos aqueles se se mostravam contra sua gestão. Chegou ao cúmulo de isolar (com grades) os opositores em comícios e contar com barulhentas claques para seus discursos e inaugurações.

3. Não admitir erros

Demorou alguns anos para ver a presidente reconhecer alguma falha em seus fraquíssimos governos. Quando o fez, e dá para contar esses episódios nos dedos de uma mão, as lambanças creditadas à “contabilidade criativa” e dezenas de benesses a correligionários nunca vieram acompanhadas de um pedido sincero de desculpas. Nenhum ao menos que convencesse a população. Será lembrada por não saber ganhar sem tripudiar nem saber perder.

4. Descumprir promessas públicas

Apenas para citar duas delas: a volta da CPMF e o aumento descontrolado da tarifa de energia elétrica. Menos de um ano depois de ser reeleita, Dilma acenou com a volta de um imposto detestado pelos brasileiros. E até com possíveis outros impostos – algo amplamente combatido por ela em seus discursos pró-reeleição de 2013 e 2014. A decepção generalizada também ficou evidente durante o aumento vertiginoso da conta de luz – que baixou meses antes, pré-eleição – para depois ressurgir cara como nunca.

5. Expor-se voluntariamente ao ridículo

Por que seguir roteiros? Para quê ouvir assessores? São tantos os exemplos de discursos disconexos, respostas atravessadas a jornalistas, fotos sem contexto e outros comportamentos bizarros, que não caberiam nesse texto. Mas fiquemos com uma frase, apenas: “Temos a mandioca e aqui nós estamos e, certamente, nós teremos uma série de outros produtos que foram essenciais para o desenvolvimento de toda a civilização humana ao longo dos séculos. Então, aqui, hoje, eu tô saudando a mandioca, uma das maiores conquistas do Brasil”.

6. Faltar com transparência

Controladora, centralizadora e pouco afeita a ser contrariada, Dilma sempre alegou que a incompetência administrativa, corrupção e a formação e organização criminosa em tantos setores ocorreram sob seu nariz sem que ela jamais se desse conta. Quando identificou, bilhões e bilhões de reais desviados depois, perseguiu os envolvidos – ou quase isso. Pergunta: teria sido Dilma, a primeira presidente mulher do Brasil, mãe do PAC, brava lutadora contra a ditadura, enganada por tantos e por tanto tempo? Para refletir.

7. Faltar com ética

Dilma é produto de Lula e, apesar do discurso contrário, ela nunca negou nem escondeu isso. Reuniões secretas e, com o tempo, escancaradas, foram realizadas para salvaguardar o pouco crédito que ainda restava à presidente no primeiro e segundo mandatos. Quando, a pedido do juiz paranaense Sergio Moro, Lula foi levado para depor coercitivamente, em março, após suspeita de envolvimento em crimes da Operação Lava Jato, Dilma não só foi a São Bernardo prestar solidariedade (??), como ainda o reconduziu à Casa Civil. A manobra quase circense, negada pela Justiça, custou caro aos dois.

8. Tomar decisões equivocadas em série

A condução equivocada da política econômica brasileira já havia sido evidenciada no primeiro mandato pelo empresariado – uma classe que, incrivelmente, não era considerada por Dilma. E mesmo com as portas fechadas para o comércio exterior, a perda de graus de investimento sucessivas, a indústria nacional ruindo e todas as tendências econômicas em queda, Dilma preferiu seguir culpando, literalmente, o mundo. Quando acordou para a realidade, sem apoio algum, era tarde.

9.  Comunicar-se mal e menosprezar as vozes contrárias

Dilma será lembrada como uma oradora ruim. Mais ainda: uma oradora ruim e prepotente. Desprezava opositores, em vez de combate-los com argumentos, e rebatia críticas com ironias e frases grosseiras. Também foram necessárias algumas manifestações, black blocs e panelaços para que ela se posicionasse ante a voz das ruas. No início, a presidente simplesmente ignorou os protestos. Em junho de 2013, ainda em seu primeiro mandato, limitou-se a enviar ministros como mensageiros para acalmar os ânimos e a imprensa, em vez de assumir aquilo para que foi eleita: as rédeas da nação. A Dilma forte, que pegou em armas para encarar os militares na ditadura, estava acuada, para decepção inclusive dos eleitores dela. Postura semelhante aos últimos meses, quando elegeu o advogado José Eduardo Martins Cardozo como sua segunda voz.

10. Atacar os inimigos certos de forma errada

A última briga de Dilma foi também aquela que sepultou o seu mandato. A pá de cal foi justamente contra uma das biografias mais sujas da política nacional: Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Sem apoio dos congressistas, traquejo político e estratégias acertadas, Dilma, ao se posicionar contra a candidatura de Cunha para a presidência da Câmara dos Deputados, em fevereiro do ano passado, assumiu um embate mortal, afinal, o nefasto Cunha era estratégico no encaminhamento das pautas do governo federal no Congresso. O peemedebista anunciou o rompimento com o governo, contaminou a base, aliou-se ao vice Michel Temer – velha raposa do Congresso, um verdadeiro animal político – e, como acompanhamos, o resto é história viva – gostemos ou não.

11. Mentir

Não foi apenas a contabilidade destrutiva e as fraudes fiscais que pairam sobre a figura da presidente. Basta dar um rasante pela imprensa para verificar que as acusações contra ela, baseadas em fatos e datas, estão na boca de jornalistas, delatores e até, pasme, do mentor maior Luiz Inácio Lula da Silva.


A herança dos anos Dilma, em números


Quando Dilma Rousseff tomou posse, em janeiro de 2011, o Brasil crescia 7,5%, a maior taxa desde 1986.

Passados cinco anos, o País amarga queda de 3,8% no PIB, contas públicas deterioradas, desemprego em 8,5% (já são 11,5 milhões de desocupados) e uma inflação de dois dígitos, que penaliza os mais pobres.

O governo caminha oficialmente para fechar 2016 com o terceiro rombo anual seguido em suas contas e um deficit primário recorde, de R$ 170,5 bilhões.

As expectativas indicam que, no final deste ano, a economia terá encolhido quase 8% desde 2014. A última vez que isso aconteceu foi em 1931, em meio à Grande Depressão. A dívida pública pode chegar a 80% do PIB em 2018.

E você, contrataria Dilma Rousseff para comandar a sua empresa?






Fonte - https://www.linkedin.com/pulse/10-erros-fatais-que-fariam-dilma-ser-demitida-de-qualquer-marc-tawil


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domingo, 21 de agosto de 2016

QUEM É NOAM CHOMSKY, USADO COMO FONTE POR “MODERADOS” NO BRASIL? (por Rodrigo Constantino)


 Alguns leitores acompanharam o “debate” que travei com um colega de revista, que se diz muito “moderado” e me rotula de “radical”. Após ele usar Noam Chomsky como fonte num texto em que acabava justamente pregando a “moderação” e atacando Bolsonaro, rebati cada ponto nesse artigo, que teve como resposta, surpresa!, a repetição dos rótulos. Ele viu nos meus argumentos que desmascaravam sua farsa a prova de que sou mesmo um “radical”. E muitos de seus seguidores, como autômatos, fizeram coro: “ele é um radical, deixa ele pra lá”.
Nada mais fácil para evitar um debate ou a reflexão do que apelar para esse rótulo: radical. Pois bem: mas quem é Noam Chomsky, que ele usou como fonte de tanta moderação? Julgo importante voltar ao tema só para demonstrar como devemos tomar cuidado com esses “moderados”. No fundo, muitos são apenas lobos em pele de cordeiro, radicais de esquerda simulando um apreço à pluralidade e à tolerância que simplesmente não possuem. Alguém puxar da cartola Chomsky para defender a moderação é análogo a citar Hitler para defender a paz, ou Fidel Castro para enaltecer a democracia.
Vejam, então, um breve resumo de quem é Chomsky, extraído diretamente do meu livro Esquerda Caviar. Tem muito mais que poderia ser dito sobre esse sujeito. Mas uma coisa fica clara, salta aos olhos de qualquer pessoa razoável: Chomsky é tudo, menos moderado. Tirem suas próprias conclusões, por favor:
Noam Chomsky
Nenhum outro representante da academia encarna de forma tão perfeita o manual da esquerda caviar como o conhecido linguista. Ele abraça simplesmente todas as bandeiras da turma.
A começar pelo antiamericanismo virulento. Chomsky vive praticamente em um estado policial, sob um regime nazista. Ao menos é assim que enxerga os Estados Unidos. Para ele, o sistema eleitoral de seu país encadeia, de quatro em quatro anos, uma série de ditaduras.
Defende, portanto, a alternativa “fantástica” de inúmeros países sob verdadeiras ditaduras, onde sua punição por crítica similar seria a morte. Nos Estados Unidos, pode continuar com suas diatribes em paz, seguro, alegando que é um “dissidente político”. Nos países que defende, no entanto, os legítimos dissidentes acabam em gulagsou paredões de fuzilamento. Ser “dissidente” na América é um pouco mais fácil…
Apesar de uma produção literária e verborrágica profícua, a mensagem de Chomsky é bastante simples: você consegue ver o horror e a miséria no mundo? A culpa é do capitalismo e do complexo militar americano. Ponto final. Simples assim.
O Pentágono, segundo este pensador, é “a instituição mais hedionda da Terra” e constitui uma “ameaça para a vida humana”. Isso em um mundo que tem terroristas islâmicos, ditaduras com bomba nuclear, teocracias que desejam varrer povos inteiros do mapa etc. Mas Chomsky foi encontrar no Pentágono a verdadeira ameaça à paz mundial.
Aqui, pois, começa a hipocrisia pesada do ícone da esquerda caviar. Não apenas ele ataca o “estado policial” dos Estados Unidos de uma posição fácil, confortável e segura, típica do estado democrático de direito, como lucra graças ao próprio Pentágono! Nos últimos quarenta anos essa “instituição hedionda” destinou milhões ao escritor socialista, por meio de projetos e financiamentos às suas pesquisas.
E a “instituição fascista” inclui a família toda nas benesses estatais. Sua esposa, Carol, também uma linguista, procurou o Pentágono para que financiasse um projeto chamado “Baseball”. Parece que o “fascismo” não tem tanta importância quando o agraciado se chama Chomsky.
Apesar de todo o discurso anticapitalista, o fato é que sujeito gosta e muito de dinheiro, como todo socialista. Acumulou milhões de dólares ao longo de sua carreira, e investe até no mercado de ações, em busca de um retorno melhor.
Defensor dos impostos pesados sobre heranças, criou ao menos um “trust” em paraíso fiscal – justamente para fugir dessas taxas. Quando confrontado com essa contradição, reagiu afirmando que não iria pedir desculpas por guardar dinheiro para seus filhos e netos. Sim, pode pensar no futuro de seus familiares. Mas, se um rico empresário faz o mesmo, é claro que se trata de um egoísta insensível.
Esse grande defensor da igualdade e dos pobres vive em uma casa avaliada em pelo menos US$ 850 mil, e ainda possui outra, para férias, em Wellfleet, Massachusetts, estimada em US$ 1,2 milhão. Além disso, claro, tem um belo barco. Coisas típicas do cotidiano dos pobres do mundo todo, como sabemos.
Como todo campeão da esquerda caviar, Chomsky posa de defensor das minorias. Ocorre que quase todas as contratações que fez para os departamentos de linguística e de filosofia nos anos anteriores foram de homens brancos. As cotas parecem boas apenas para os outros.
A revolta de Chomsky contra massacres a inocentes é bastante seletiva. Durante a Guerra Fria, acusou o governo de Saigon, no Vietnã do Sul, de “autoritário e repressivo”, mas foi incapaz de emitir uma só palavra de condenação ao regime do norte, que massacrava milhares de inocentes. Os fatos já eram conhecidos na época.
Ao contrário, soltaria palavras elogiosas sobre a “reforma agrária” dos vietcongs, que nada mais era do que expropriação de terras privadas, depois distribuídas entre os membros do partido. Também elogiaria a “reforma” de Mao na China, algo “realmente muito admirável”. Nessa época, comprava sua propriedade em Wellfleet. Sorte dele que seus admirados regimes não cuidavam dos rumos de Massachusetts.
Chomsky negou o genocídio cometido pelo Khmer Vermelho no Camboja, chegando a desqualificar testemunhas oculares, e compararia o regime de Pol Pot com a Revolução Americana. O quão pérfido é preciso ser para afirmar algo assim?
Certa vez, quando cinco cubanos foram presos, nos Estados Unidos acusados de espionagem, Chomsky saiu-lhes em defesa, alegando que se tratavam de “patriotas”. O linguista, entretanto, nunca teve palavras de apoio aos milhares de prisioneiros políticos da ditadura cubana. Para ele, Cuba, sob Fidel Castro, tornara-se um símbolo de resistência corajosa ao ataque americano.
Sempre em busca de um tirano para admirar, Chomsky encontrou no islã fundamentalista um aliado, principalmente porque seu alvo é a destruição do “império” americano e do capitalismo. Tentou convencer os Estados Unidos de que o terrorismo islâmico não era realmente uma ameaça, e que o verdadeiro culpado pelos ataques eram os próprios americanos.
Quando sua segurança esteve em jogo, porém, levou a ameaça bastante a sério. Para conseguir acesso a suas aulas, era preciso antes apresentar uma identificação com foto, então passar por um posto de segurança e ser revistado na porta. Em nome da proteção pessoal, ainda costuma usar policiais à paisana em suas palestras. Nessas horas, decerto que não é dos militares americanos que tem medo…
Em maio de 2006, poucas semanas antes de o Hezbollah atacar Israel, Chomsky foi ao Líbano consumar seu romance de longa data com os terroristas. Em Beirute, visitou a sede do grupo e abraçou calorosamente seu secretário-geral, Hassan Nasrallah. Finalmente, tivera a oportunidade de demonstrar seu carinho àqueles responsáveis pela morte de 241 americanos no ataque de 1983.
Ecoando as palavras de Nasrallah, endossaria a acusação de que o então presidente Bush era o maior terrorista do mundo, e os Estados Unidos, um dos mais perigosos estados terroristas.
Na América Latina, Chomsky parece procurar um substituto a seu querido Fidel Castro. Sempre defendeu Hugo Chávez, o tiranete venezuelano responsável pelo “socialismo do século XXI”, aquele que muito se parece com o do século anterior, responsável por muita miséria e escravidão, além da morte de milhões de inocentes. Claro que o linguista prega esse modelo de longe, pois o intelectual refinado não suportaria viver em um país onde o papel higiênico virou bem de luxo, contrabandeado no mercado negro.
Até no Brasil Chomsky se meteria, quando achou que encontrara algo suficientemente radical para com que flertar. Apoiou a candidatura de Heloísa Helena à presidência, aquela do PSOL, em 2006. Onde houver esquerda jurássica e carnívora, cedo ou tarde lá estará Chomsky, até seus últimos suspiros, para oferecer seu prestígio e fama em nome da causa socialista e contra o capitalismo.
O sensacionalismo deste senhor é tão grande que um de seus livros se chama O lucro ou as pessoas?, estampando já na capa a falsa dicotomia de quem pretende monopolizar as virtudes e condenar o lucro. Ora, sabemos que é justamente a busca pelo lucro que permite a produção de alimentos em um volume que salva vidas, especialmente dos mais pobres. Ninguém precisa escolher entre lucro e pessoas. Ao contrário: devemos escolher ambos.
Os regimes comunistas defendidos por Chomsky tentaram abolir o lucro, e o resultado foi a morte de milhões por inanição. A fome se instalou nesses países. Mas ele, como ícone perfeito da esquerda caviar, não se importa com todo esse sofrimento real, com os resultados práticos de suas ideias, com os fatos incômodos.
Para esse pensador, o importante é a imagem de nobre defensor dos pobres. Imagem essa reforçada quando ovacionado como verdadeiro popstar no Fórum Social Mundial, o palco mais famoso da esquerda caviar, um evento orçado em milhões de dólares. É lá que uma multidão de idiotas úteis pode massagear o ego do linguista mentiroso e hipócrita.
Em tempo: filha de peixe, peixinho é. Ou, no caso: filha de safado comunista, safada comunista é. Vejam aquicomo a filha de Chomsky também saiu em defesa da ditadura cubana recentemente. Aqui, João Pereira Coutinho, bastante moderado, detona o radicalismo canalha de Chomsky. Nesse outro texto, derrubo a falácia socialista de que precisamos escolher entre vidas ou lucro, tema que dá título a um dos livros mais famosos de Chomsky, ignorando que foi o lucro que salvou tantas vidas no mundo.
É esse crápula que nosso formador de opinião “moderado” usou como fonte para pregar um “equilíbrio” contra os “extremos”. E não esperem um só argumento como resposta: esse tipo de gente só vive de aparências, de embuste, e precisa insistir nos rótulos para fugir dos debates. Diante dessa pequena biografia desse “ultra-moderado” defensor das piores ditaduras do planeta, tudo que será dito em resposta é isso: “Constantino é um radical”.
Portanto, não escrevo esse texto para ele, nem mesmo para seus seguidores mais aguerridos: são casos perdidos. Escrevo para os neutros, os leigos que acabam sendo vítimas desses oportunistas, e que acreditam que os radicais somos nós, liberais e conservadores que defendemos a economia de mercado, a democracia representativa, valores tradicionais, um estado limitado e o império das leis, enquanto eles, os “moderados”, usam como fonte Chomsky, Zizek, Paulo Freire e outros tantos radicais de esquerda. É uma farsa!
Rodrigo Constantino









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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

A merenda escolar, a militância e o reaça



José Lamartine Neto - Não é possível que a fome tenha aumentado em relação aos anos 1970/80 quando nem se falava em merenda escolar na então ETFBa, ou que as pessoas eram mais resistentes do que as hoje. E aqueles estudantes aprendiam.
14 de agosto às 10:21

TBR - José Lamartine, e temos que retroceder?
Acho que uma escola rica como a nossa, não pode fazer discurso que nos coloca para baixo, nivela ao sistema precarizado das escolas públicas estaduais e municipais. Ao tratamento que os gestores têm dado a este sistema público de educação.
Não podemos deixar a educação federal chegar ao patamar de descaso que vivemos no serviço público estadual e municipal. Somos uma rede com recursos, mas, com problemas administrativos de incompetência de gestão. Temos que criticar, exigir melhorias. Acho a crítica muito válida. Se os gestores tivessem escuta sensível, já teria melhorado muita coisa na nossa instituição, é a equipe que possui CD e FG para esta finalidade, cuidar da gestão escolar.
14 de agosto às 18:48

José Lamartine Neto - TBR, o que vi nestes 34 anos de atuação na ETFBa/CEFET-BA/IFBA é que, ao longo do tempo estamos mudando a forma de enxergar nossos alunos. Paulatinamente os tratamos como se fossem, cada vez mais frágeis e mais infantis. Não tenho nenhum saudosismo, só fico observando o mundo real (como vejo, é claro) e o mundo acadêmico e, em muitos momentos vejo que são dissonantes.
14 de agosto às 19:07

DDSM - Ze só que estamos em 2016 e nos estudantes não vamos deixar está situação COMO está

TBR - José Lamartine Neto você mudou o assunto ?
Desculpa, mas não entendi qual contexto você se refere na resposta.
Aqui vejo uma formação cidadã muito positiva no protesto dos estudantes. Vejo maturidade neles. Acho super positivo este tipo de reivindicação. A escola deve ter participação política e democrática. Só assim, podemos ter um perfil de cidadão mais exigente quanto a coisa pública em nossa sociedade.
14 de agosto às 19:13


José Lamartine Neto - TBR Espero que não chegue a este ponto de argumentação usado pelo paulista. 

14 de agosto às 19:33

LR - É bonito de ver... Falou tudo TBR! É o movimento estudantil se empoderando novamente. Historicamente ele foi fundamental na luta contra vários sistemas totalitários. Mas, nas últimas décadas, por causa do clima gerado pela formalidade da representação democrática e pela apatia que se abateu na arena política, tivemos um recuo nas formas de mobilização estudantil, até porque, grande parte dele fora engolida pelo sistema partidário. Acontece que esses estudantes, de forma emancipada, estão dando um grande exemplo e mostrando seu protagonismo diante de uma instituição que já se torou anacrônica para seu tempo.
14 de agosto às 19:25

Lelé - TBR...
Admiro sua disposição em jogar pérolas aos porcos!
Eu não tenho paciência pra isso... não aguento os reaças de plantão! !!!
#prontofalei
15 de agosto às 05:33

TBR - Paciência histórica. Rsrs
Papel da didática e educação, da democracia, a conversa na diversidade.
Por falar neste tema, tenho uma boa dica de leitura, o momento político que vivemos no país, merece.


15 de agosto às 08:07

DDSM - E até porque agente só está dialogando não está criticando ninguém! !! Então está tudo ótimo

Lelé - Eu tou criticando sim... quem disse q não??? Rsrsrs
Até pq, se é reaça, tem de combater!!
15 de agosto às 22:52

DDSM Mas só que eu não apoio qual quer tipo de ofensa! !!
15 de agosto às 23:00

Lelé Sim... mas aí vc fala por si!! Super respeito!!!
Arrasou!
Já eu, eu tenho um jeito de falar, q é criticando mesmo!
;)
15 de agosto às 23:10

José Lamartine Neto - Obrigado pela dica de leitura TBR. Só agora que vi.



Para os normais e os lelés da cuca, a Márcia Tiburi, tratada como "filosofa" pela esquerda brasileira, citou neste vídeo alguns autores. Será que o tratamento que ela dá ao livro (que não li) é o mesmo do vídeo? Não sei.
Um destes autores foi o Adorno. Aliás, como esse povo cita a Escola de Frankfurt só para dizer ter "bases teóricas" das bobagens que falam. Adorno se esqueceu de que o fascismo era concentração total do estado: "Nada fora do estado, tudo dentro do estado" - dizia Mussolini. Alem do mais quando se refere ao termo "personalidade autoritária" como algo fascista é a mesma ideia do "crime de pensamento" descrita por George Orwell no seu livro 1984. Mas o que Adorno e a Escola de Frankfurt queria na verdade era identificar pessoas que não eram suficientemente revolucionárias com o objetivo de serem re-educadas. Nos EUA, com o objetivo de fachada de medir o anti-Semitismo americano, tinha por meta verificar o nível de aderência aos valores Judaico-Cristãos, associando estas crenças como "autoritárias", para posteriormente serem desacreditadas. Bem, é isso que vem acontecendo desde então e se ampliando país a país.
A autora interpreta o mundo com os seus paradigmas. Se ela quer experimentar o materialismo, que confunde e apaga o mundo e reescreve para servir a seus próprios interesse, tornando-se apenas a experiência de suas suposições, azar dela. Prefiro, na verdade, as interpretações da realidade de sociedades que realmente deram certo e progrediram, ao invés de experiências pífias de ditaduras dos socialistas a alimentar sonhos de utópicos.
Outras pérolas da Tiburi presente no vídeo:
-"O fascista não gosta de estudar. Não gosta de diálogo". Ora, que coisa energúmena. Quem faz isso no Brasil? Quem fica com militância virtual dizendo que gosta de liberdade de expressão mas odeia quem diz o contrário? Qual era a tribo paga pelo governo para ficar apagando todo tipo de página que lhes fazia oposição? Exatamente gente da estirpe da Márcia. Gente que sequer sabe sentar e falar de um teórico não marxista. Não sabem nada de teoria econômica, a não ser pelos autores marxistas.
-"O burro não conversa, não lê um livro" - exatamente o tipo de militantes como essa senhora. Aliás, citou Freud, que tratava da "repressão sexual", em seu livro "O mal estar da civilização". Anos mais tarde, após curta vida de liberalização sexual o que se viu foi o contrário: pessoas que caminham para a depressão, prazer a qualquer custo, vícios sexuais, aumento de estupros e abortos (para maior entendimento ver as ideias do feminismo radical de Shulamith Firestone). Pior foi tratar pessoas pela categoria de burros como uma "impotência de se colocar no lugar do outro". Isso é de uma grosseria sem tamanho, mas o que se poderia esperar? O mais curioso é o ato falho que ela "comete", horroroso até, quando se coloca como a autora da moda lida pelos burros. Aí o Freud tem razão, sem querer a verdade aparece.
-Agora, interessante: Cita Hannah Arendt, mas será que ela foi intencionalmente mal-intencionada ou realmente não sabe ela que a Arendt reprimiu veementemente os regimes totalitários, coisa bem descrita no livro "A origem do Totalitarismo".
Por fim, ou a Márcia Tiburi não sabe o que é o fascismo, ou intencionalmente não explicou que hoje é usado como uma categoria discriminatória, um xingamento, um insulto já tão desgastado pelo excesso de uso que desperta risos dos supostos ofendidos. Aguardemos que em breve surgirão insultos substitutos.

Por fim, queria lembrar a nojenta recomendação do porco conhecido como velho Major (George Orwell (1945), Animal Farm): "Pouco mais tenho a dizer. Repito apenas: lembrai-vos sempre do vosso dever de inimizade para com o Homem e todos os seus desígnios."
15 de agosto às 23:08



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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

O papel dos professores

Meu medo é que professores (salvo raríssimas exceções) não estejam a serviço da formação da uma alta cultura ou de uma elite intelectual que formará as novas gerações. Em vez disso promovam a formação ideológica que arrasta milhões para mediocridade militante.

Daí surge o movimento "Escola sem Partido". Confira:





Lutas nas classes - VINICIUS MOTA
FOLHA DE SP - 08/08/2016

O Brasil, desde os anos 1980, vive uma lenta transição que reúne algumas características: voto livre e periódico para o Executivo e o Legislativo; alta moderada da renda; queda discreta mas constante da desigualdade salarial; envelhecimento e escolarização da população; liberdade de expressão e associação.

Como partimos de uma ditadura e de uma realidade mais pobre e desigual, o prolongamento do novo regime deveria produzir um conjunto de representantes cada vez mais alinhado com os representados.

Outro resultado esperado desse experimento seriam o adensamento da disputa de opinião na esfera pública e a penetração da dissidência em campos nos quais reinava a visão de grupos singulares.

O movimento Escola Sem Partido, que critica a prevalência de valores de esquerda no ensino, é uma dessas materializações esperadas da evolução democrática e econômica do Brasil. Apanha de quem se habituara a falar sozinho nas salas de aula e nos livros didáticos.

Uma visita desarmada ao site da organização basta para dissipar os ataques dos incomodados, que a acusam de propugnar por retrocesso autoritário. Os principais argumentos do Escola Sem Partido estão ancorados em valores constitucionais e ideológicos de extração iluminista.

O movimento rejeita qualquer doutrinação em sala de aula, inclusive a religiosa. Defende que a pluralidade de pontos de vista em temas controvertidos seja exposta pelo professor. Difunde direitos básicos, como o de que alunos não podem ser prejudicados por suas opiniões políticas e preferências morais ou confessionais.

A educação no Brasil melhora com a vigilância de associações como o Escola Sem Partido. Que sua atuação inspire um projeto de lei federal é outro sintoma positivo. A democracia vai quebrando monopólios de valores e aproximando o legislador do sentimento médio dos eleitores.

Pirula tem razão sobre o Escola Sem Partido! Parem com as ameãças!




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terça-feira, 19 de julho de 2016

CHESTERTON E A CORAGEM DE BUSCAR OS ANTIGOS IDEAIS - Rodrigo Gurgel

A seguir, coloco um trecho do prefácio que escrevi para O que há de errado com o mundo, de G. K. Chesterton, editado pela Ecclesiae.


Chesterton refutava o conjunto de opiniões que pretendia se impor como natural ou necessário. Um de seus primeiros cuidados em O que há de errado com o mundo é denunciar o poder do “grande preconceito impessoal” do mundo moderno, contrapondo-lhe “uma sanidade mental de aço e uma firme resolução de não dar ouvidos aos modismos”. Contra o caráter efêmero das ideias que via espocar em cada esquina, Chesterton retorquia com uma proposta até hoje ousada, a de buscar a dignidade escondida no passado: A mente moderna vê-se forçada na direção do futuro pela sensação de fadiga – não isenta de terror – com que contempla o passado. Ela é propelida para o futuro. Para usar uma expressão popular, é arremessada para meados da semana que vem. E a espora que a impulsiona avidamente não é uma afeição genuína pela futuridade, pois a futuridade não existe, pois que ainda é futura. É antes um medo do passado: um medo não só do mal que há no passado, senão também do bem que há nele. O cérebro entra em colapso ante a insuportável virtude da humanidade. Houve tantas fés flamejantes que não podemos suportar; houve heroísmos tão severos que não somos capazes de imitar; empregaram-se esforços tão grandes na construção de edifícios monumentais ou na busca da glória militar que nos parecem a um tempo sublimes e patéticos. O futuro é um refúgio onde nos escondemos da competição feroz de nossos antepassados. São as gerações passadas, não as futuras, que vêm bater à nossa porta. O texto chestertoniano está repleto de trechos assim, nos quais a verdade é anunciada com eloquência comovedora. Ele nos arrebata porque, no fundo de nossas mentes corrompidas pelas ideologias, sabemos o quanto seu pensamento está certo: “Os homens inventaram novos ideais porque não se atrevem a buscar os antigos. Olham com entusiasmo para a frente porque têm medo de olhar para trás”. Esperanças baseadas em sofismas, as promessas dos ideólogos são balões de ar que explodem em contato com a pressão da realidade. “O futuro é uma parede branca na qual cada homem pode escrever seu próprio nome tão grande quanto queira”, diz Chesterton, mas “o passado já está abarrotado de rabiscos ilegíveis de nomes como Platão, Isaías, Shakespeare, Michelangelo, Napoleão”. O texto integral do prefácio está aqui: http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/13976-o-que-falta-ao-nosso-tempo.html


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O anúncio de Olavo Bilac

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