As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

sábado, 1 de março de 2008

Um Deus prático

Oi Colega X,

Hoje vou falar um pouco pra voce de como é o meu Deus, assim, na prática. Como ele funciona pra mim. Pode ser que você não concorde...

Quase toda a minha vida tive medo do Deus que aprendi com minha família, que existia, onipotente, onipresente, etc. O Deus católico da religião que pregava o pecado e a culpa, a penitencia.

Pois bem, vivi durante muitos anos achado que esta era a melhor forma de ver as coisas, inclusive porque também era um Deus negociante, onde eu fazia promessas em troca de graças ou milagres. Aí me esbaldava e abusava da vida e da boa vontade dos outros até o ponto em que não tinha mais cara para olhar pra Ele ou coragem de entrar sem Sua casa. Me vi só com minha fé que não funcionava mais. Vivi atormentado, depressivo... Eu nem sei se acreditava mais pois, as coisas desagradáveis que ocorriam comigo, achava que era castigo e pior, que eu merecia. A culpa e o remorso eram grandes (questões familiares e pessoais).

Foi então que ouvi dizer que a fé em Deus devia ser prática e que ajudasse a me melhorar, senão estaria me enganando.

Pois bem Colega X, continuei ouvindo que a fé deveria preencher meus vazios existenciais, não pra ficar seviciado pela fé, mas alicerçado por ela. Seria o ponto de equilíbrio na minha vida.

Outra coisa também que ouvi e que foi o mais difícil de aceitar era que tinha que me render a vontade deste Deus. Não era mais um Deus de negócios mas um Deus de merecimento. Isso implicaria em abrir mão do controle (inclusive o remoto) de minha vida e entrega-lo a Ele. E mais, as minhas vontades também. Olha, é difícil. Muito difícil, mas quando consigo fazer isso, sinto que este Deus que agora me acolhe é muito generoso.

Posso me relacionar com ele de duas maneiras:

Primeiro: através de meus pensamentos, minhas preces, minha meditação. É aí que peço orientação e, quando estou menos orgulhoso, pergunto qual é a vontade Dele pra minha vida.

Segundo: é de onde obtenho as respostas que é pelo convívio com as pessoas. É um olhar, um cachorro latindo impedindo que entre em um banco que está sendo assaltado, é no engarrafamento que fiquei preso pra não ser vitimado lá na frente, é na narrativa da experiência de outra pessoa que aprendo e me identifico, e por aí afora. Esse meu Deus assume um formato de cruz: a linha vertical é meu contato intimo com Ele e a linha horizontal é a minha relação com as pessoas. Se tenho algum problema de relacionamento com alguém, minha relação com Deus não está boa, preciso praticar o perdão, ou a humildade, ou a caridade, sei lá, algo pra meu crescimento e restabelecer o que posso.

Vim de uma série de relacionamentos fracassados também e percebi que do meu jeito não estava funcionando mais. Decidi deixar nas mãos Dele e confiar que Sua escolha era o melhor pra mim. Apenas tenho que preparar o terreno, deixa-lo fértil o bastante para com a semeadura possa dar boas flores e frutos.

Da minha experiência com relacionamentos aprendi isso, que não posso me sentir superior e que posso sempre mudar pra melhor. E tenho sido feliz...

Um ótimo fim de semana

Com carinho

Lamartine

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