As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Avaliar e seus critérios

Nesta instituição de formação profissional, baseamo-nos em práticas pedagógicas para o ensino tecnológico e científico. Os conteúdos que abordo em sala de aula ou laboratório visam fornecer ao aluno informações que o ajudarão a identificar, mensurar e avaliar a melhor forma de tomar decisões. Espero que com o tempo ele faça isso, profissionalmente ou não. É claro que não sou um professor perfeito, longe disso, mas depois de 26 anos de trabalho, usando diversos modelos de avaliação escolar, percebi algumas coisas:

a) Reproduzi durante os primeiros anos de trabalho o modelo discriminador e excludente que a sociedade de então ditava como certo, sem pensar muito nas conseqüências. Hoje tenho clareza de meu papel, de minha responsabilidade e do quanto posso influir na vida das pessoas, por pouco que seja. Já vi inúmeros alunos mudando de vida e de suas famílias;
b) Já avaliei para exercer poder, pra punir, e algumas vezes para beneficiar um aluno mais do que outro. Mas também já dei um empurrãozinho para que uma oportunidade não se perdesse. Hoje eu vejo a avaliação como um caminho de mão dupla; do mesmo modo que avalio o aluno estou me avaliando, e “medindo” o quanto tenho sido bom e justo como professor (ou me auto-enganando?). Porém só eu sei o quanto estou sento honesto profissionalmente, já que não preciso usar de nenhuma retórica comigo mesmo.
c) Vários sistemas de avaliação já utilizei: pontos corridos de zero a cem; de zero a dez em quatro unidades com pesos 2, 3, 2 e 3; sistema de conceito. As médias já foram 60, depois 7, hoje é 6 e com conselho e sem conselho. Para cada um destes “modelos” tem uma parafernália de explicações, teorias e justificativas cada uma melhor do que a outra se não, não funciona.

Penso que um instrumento de avaliação, antes de ser adotado, deverá ser validado. Só aí, através de critérios apropriados pode oferecer qualidade, confiabilidade e segurança. Validação significa certificar-se de que um dado ou informação é verdadeiro.

Outra coisa tambem é quando analisamos os instrumentos de avaliação e seus critérios, existe a necessidade de se verificar que processos mentais exigimos dos alunos: memorização, associação, comparação, explicação, análise, síntese, proposição de alternativas, habilidade motora, etc. Que tipo de avaliação vamos fazer?


1) avaliação diagnóstica: fazemos está avaliação quando queremos verificar como está o processo de construção do conhecimento, se nossos métodos estão dando resultado efetivos e a partir destas constatações tomarmos decisões sobre a continuidade do nosso trabalho.

2) avaliação classificatória: utilizamos essa forma simplesmente para separar os que sabem e os que não sabe, para aprovar ou reprovar;

3) avaliação formativa: após avaliar o processo como um todo, realimentaremos o processo para sanar falhas e atingir objetivos proposto sempre priorizando a "construção" e não o resultado.

Só não podemos perder de vista que a credibilidade desta Instituição foi construída e se manteve pela capacidade de profissional de seus funcionários (professores e técnicos administrativos) e alunos. Esta reputação que abre portas para nossos alunos deve recair sobre quem? Se algum colega está deixando de fazer o que lhe é devido, lá fora sua reputação também está sendo construída no momento em que os profissionais perguntarem aos alunos/estagiários “Quem foi seu professor que ensinou isso?”.

Prepará-los para o mundo real não é um favor que fazemos. Quando criamos facilitações para nossos alunos em qualquer dos mecanismos de interação (avaliação, aulas, conselhos, etc.), com a justificativa de que isso faz parte de políticas compensatórias, acabamos por fazer as escolhas que são deles. Não os deixamos crescer.

José Lamartine Neto
CEFET-BA/DTEE/Automação
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"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Carl Gustav Jung)

Um comentário:

Anônimo disse...

Perfeito. Só achei que faltou alguma coisa sobre avaliação absoluta e relativa. por exemplo: vamos supor o caso de três alunos do curso x, que obtiveram durante o ano letivo as seguintes notas:

ana: 10+10+10+10=10
bia: 10+8+5+4=6,75
cau: 4+5+8+10= 6,75

quem obteve maior aprendizagem? quem merece um maior cuidado? são iguais bia e cau)? como tratar diferentes de igual modo?

Claudio