terça-feira, 21 de abril de 2009
Conversa com a doutoranda
Escrito por Jarbas Passarinho
Aceitei a proposta, solicitando-lhe gravar o que eu diria, mas antecipei que tudo que eu afirmasse, na comparação das quatro décadas, eu me obrigava a acompanhar de provas. A primeira pergunta foi o porquê do golpe de 64, sua razão de ser, caso a tivesse, já que ela ouvira versão de que a alegação de ameaça comunista fora pretexto para os militares tomarem o poder. Lembrei-lhe que o mundo estava vivendo a Guerra Fria, dividido em dois hemisférios ideológicos: o comunismo e o anticomunismo. O primeiro avançava desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Além dos países da Europa central e oriental que a União Soviética anexara, Mao Tse Tung vencera na China, Ho Chi Min em parte da Indochina lutava contra os americanos no Vietnã, a descolonização da África aumentara os regimes comunistas e Fidel Castro fazia de Cuba a ponta de lança exportadora da revolução leninista na América Latina, com guerrilhas comunistas atuando nos nossos vizinhos, Venezuela e Colômbia. Irônico que lhe parecesse, nós militares éramos antigolpistas, preparando-nos para enfrentar a ameaça do golpe representada pelo governo João Goulart. Não que fosse ele comunista. Era um latifundiário pecuarista, com aliança com diversos tipos de esquerda, inclusive os comunistas. Mostrei-lhe a prova: o livro Prestes, lutas e autocríticas, por ele ditado em 1982 ao jornalista Dênis de Moraes. Nele, Prestes revela a aliança com Jango, visando a erigir um Estado de aliança da ''burguesia progressista'' com os comunistas. Em nome das ''reformas de base'', Brizola pregava o fechamento do Congresso e criara uma facção paramilitar, o ''grupo dos 11'', para atuar em força, se necessário. Jango tentou dominar o Congresso e os adversários políticos pelo estado de sítio. Acabou retirando a proposta dada a reação do Congresso. Tudo isso não passava, para nós, de veleidades políticas, até que sargentos armados em 1963 tomaram o quartel dos fuzileiros navais, prenderam um ministro e ocuparam parte de Brasília. Foram rechaçados por tropas legais do Exército, com mortos e feridos. Estava clara a ameaça militar, com o motim revolucionário e a quebra da disciplina e da hierarquia, o que se repetiu com os marinheiros e fuzileiros navais amotinados no Rio de Janeiro.
Então nós passamos de antigolpistas, preparados para nos opor à ameaça concreta, a golpistas e decidimos nos antecipar a ela. Prova? Outro livro de um comunista e escritor honesto: Combate nas trevas, de Jacob Gorender. No capítulo ''Pré-revolução e golpe preventivo'' ele descreve a revolução que estava em processo e o golpe de Estado, preventivo.
A doutoranda, limitando-se até então a ouvir e gravar meu testemunho, atacou: ''por que o ditatorial AI-5, de quem dizia defender a democracia?''. Respondi-lhe que em 1967 já atuavam guerrilhas comunistas no Brasil com dissidentes de Prestes. Se um Estado agredido pelas armas responde fogo contra fogo passa a autoritário. É o dilema que enfrenta. Se não reagir restringindo as liberdades democráticas, elas serão usadas pelos insurgentes para tomar o poder. Mas - insistiu ela - só se pode combater a insurgência pela ditadura? Passei então a outra prova: a Colômbia. Não restringiu as liberdades civis e políticas e o resultado foi que há 40 anos não vence a guerrilha comunista, as Farc, que já dominam mais de um terço do território colombiano. O Estado nesse caso é suicida.
Pediu-me então para comparar as realizações nas quatro décadas, afirmando desde logo que os resultados materiais foram inegáveis no ciclo militar, mas sob o autoritarismo. De fato, aduziu ela, o Brasil se modernizara, a economia atingira a oitava do mundo, as rodovias asfaltadas, as hidrelétricas construídas, uma em Tucuruí, a maior nacional, e a outra a de Itaipu, a maior do mundo. Mas não poderia isso ser realizado sem perda das liberdades durante 20 anos? Primeiro - respondi - só tivemos autoritarismo a partir do AI-5 que durou 10 e não 20 anos. Por quê? Para enfrentar as guerrilhas urbanas, todas de comunistas. A ameaça era concreta, os guerrilheiros financiados e treinados não só em Cuba. O mundo ainda não mudara. O Muro de Berlim ainda existia.
Os regimes autoritários tendem a tornar-se democráticos. Assim, com a Emenda Constitucional número 11, de outubro de 1978, o AI-5 foi revogado bem como todas as medidas de exceção. As liberdades fundamentais foram restauradas e em março de 1985 o governo foi passado pacificamente aos civis. Cuba continua ditadura cruel, que não se cansa de oprimir e matar.
Reconheço que viver em democracia é infinitamente preferível, ainda que nos 20 anos de democracia plena, em que estamos, a economia já seja a décima quinta do mundo, as rodovias estão abandonadas e os Correios que já foram reconhecidos pela eficiência, como um dos melhores do mundo, hoje são antro de corrupção. Reconheço ainda que a convocação da Constituinte, em 1987, foi instrumento de admiráveis conquistas de direitos civis e políticos e de caráter social, mas Fernando Henrique Cardoso, ao fim de seu segundo mandato, disse que ''o Funrural é o maior programa de renda mínima do mundo''. Só esqueceu de dizer que foi criado em 1969...
Não há, no que tange às liberdades, melhor regime que o democrático. No mundo atual não há nenhuma razão para ditadura. A globalização, desde o colapso da URSS, erigiu o regime universal democrático como princípio de forma de governo. Deus permita que assim seja, sempre.
Publicado no Jornal do Brasil - 7/6/2005
Tortura e terrorismo
“Com razão tem sido sustentado que a prática de tortura não é limitada a algum específico sistema político ou regime, a determinada cultura ou religião, ou situação geográfica, desde as eras primitivas da história da humanidade” (prof. dr. Dionísio Spinellis, da Universidade de Atenas).
Destaco a universalidade da prática e a nenhuma exceção aos diferentes regimes. Seu irmão xifópago, o terrorismo, nasceu, como prática política, já no mundo moderno, a partir de Robespierre e seu “reino do terror”. Derivou, na história contemporânea, para a monstruosidade dos Estados totalitários, bem assim dos grupos terroristas da segunda metade do século 20, empenhados em abalar e derrubar regimes burgueses. Che Guevara deles discordou em seu manual Guerra de guerrilha, “porque perdem o apoio popular”. Ao contrário, Carlos Marighella defendia o terrorismo como forma de luta na guerrilha.
Na Constituinte de 1987 — 1988 a esquerda, sobretudo o PT, que abrigara terroristas anistiados, bateu-se pela condenação da tortura como crime hediondo. Nós, no plenário, Roberto Campos inclusive, aprovamos a emenda. A seguir, considerando igualmente hediondo o terrorismo, propusemos condená-lo também. Encontramos forte oposição de petistas seguidores de Carlos Marighella na luta armada, apologista dos seqüestros, atentados a bomba, assaltos de bancos e assassínios. Hoje, tortura e terrorismo estão no artigo 5º da Constituição, ambos considerados crimes inafiançáveis e desmerecedores de anistia.
Quando leio que o ministro Paulo Vannuchi declara publicamente que a Lei da Anistia deveria ser revogada, para que se punam os que, na luta armada contra os comunistas, ele atribui haverem torturado, dou-lhe o troféu de coerência. Revejo o plenário da Constituinte em 1987, quando discutíamos os direitos e deveres individuais e coletivos. Recordo a dicotomia no julgamento da tortura e do terrorismo.
O ministro dos Direitos Humanos foi da Aliança Libertadora Nacional liderada por Carlos Marighella cuja bíblia era o seu Manual do guerrilheiro urbano. Militante que foi da ALN, tem o dever de ser contra a tortura, mas não contra o terrorismo, cuja prática absolve ideologicamente como arma legítima de luta armada. De resto, a primeira ação da luta armada foi o atentado terrorista, em 1966, do Aeroporto Guararapes, no Recife. Estava lotado, não só de correligionários da Arena, que iam receber o general Costa e Silva, eleito indiretamente presidente da República. Anunciado que ele vinha de Aracaju por terra, a maioria dos presentes já se retirara quando a bomba explodiu. Matou cinco, feriu dezenas de inocentes. Três bombas mais falharam em pontos da cidade. O ministro Vannuchi é coerente com seu passado e hoje trata, no governo, dos Direitos Humanos, assimetricamente, o que lhe é muito adequado.
Khruschev, em seu discurso histórico no XX Congresso do Partido Comunista soviético, de 1956, comprovou, como comunistas leais haviam sido, no XVII Congresso do Partido, objeto de acusação forjada de “inimigos do povo” (o mais grave dos crimes), presos e submetidos a “brutais torturas” para assinarem confissão do crime que não haviam cometido. Um julgamento comprometido com Stalin e a NKVD os sentenciou à morte, o que levou a um genocídio entre 1937 e 1938.
Dos 139 candidatos ao Comitê Central, 98 foram mortos, vítimas de “culpas fabricadas”; e de 1966 delegados, 1.108 deles foram assassinados. Um dos mais qualificados disse ao fim do julgamento: “Reconheço que esta assinatura é verdadeira, mas não o é qualquer palavra dessa falsa confissão”. As torturas não acabaram depois da morte de Stalin. Não. Quando em 1968 os tanques soviéticos esmagaram a Primavera de Praga, os torturadores vieram da União Soviética para torturarem os tchecos presos.
Fidel imitou Stalin. Armando Valladares, jovem guerrillheiro desde Sierra Maestra, católico praticante, porque discordou verbalmente da adesão de Fidel ao comunismo em 1961, foi preso. Nas várias prisões, foi torturado e nelas sofreu 21 anos, até que, a pedido de Mitterrand, foi libertado. Em seu livro Contra toda a esperança, descreve as brutais torturas que sofreram todos os presos, desde simulação de fuzilamento à limpeza do excremento acumulado numa só latrina para muitos detidos, que um deles, aleatoriamente, tinha de desentupir com a mão nua. Lula, hóspede do Dops de Romeu Tuma por 30 dias, cavalheirescamente tratado, cometeu a repulsiva injustiça de chamar Valladares de “picareta”.
Nossos guerrilheiros treinaram em Cuba e na China de Mao, onde a tortura era a norma desde Stalin. Hoje mentem, dizendo que fizeram uma “resistência democrática”. É falso. Quem o afirma é um deles: Daniel Aarão Reis Filho, que foi preso e exilado. Em entrevista publicada, disse que essa versão surgiu para fortalecer a campanha da anistia. “Seu objetivo era implantar uma ditadura revolucionária.” Que moral têm para acusar aqueles que têm, na consciência, a mancha indelével da tortura?
Fonte: Correio Braziliense - 05/08/2008
segunda-feira, 16 de março de 2009
Contribuições da crítica
Por Ronaldo F. Cavalcante
Mais um ano que se inicia. Novas gerações chegando à escola. E nós, facilitadores, temos o semi-divino dever de, com paciência, estarmos preparados para lhes dar boas vindas, prontos para repassar-lhes tudo de bom que absorvemos com o árduo trabalho das gerações anteriores, na esperança de que essa geração receba esses conhecimentos, deles sejam dignos, incremente-os com melhora, e repasse-os integralmente às gerações futuras. Sabe-se que o educador não enche ou completa vasilha. Só acende a luz.
É mais um ano que nada muda na cantina. O que é perfeitamente compreensível, haja vista que as pessoas que decidem sobre a permanência, melhora, concorrência, e fiscalização, não são fiéis consumidores como nós, pobres mortais que saímos as vinte e duas horas do nosso trabalho. Dessa maneira não há uma avaliação (nem enquete) sobre preço, qualidade, atendimento, variedade e outros elementos necessários ao estudo de qualquer relação fornecedor-consumidor. E se há essa avaliação, devem achar que está tudo bem. Então, paciência...
Ainda estava desfrutando dessas reflexões obrigatórias dos primeiros dias de aula, em plena semana pedagógica, quando se senta ao meu lado um aluno antigo e já vai logo me provocando:
- E aí, o que o Sr. acha da possibilidade de mudança da cor tradicional da camisa da escola?
- Já tive conhecimento dessa possibilidade, e até ouvi sobre as opções esdrúxulas na qual a tradicional e centenária camisa azul celeste poderá ser abolida. Em seu lugar surgiria uma espécie de “meio-abadá”, como bem disse o anunciante do fato, com cores tipo branco gelo, verde-cana, vermelho-carmin, listas horizontais, inclinadas, e sabe lá Deus que outras aberrações podem surgir ainda nesse bloco. Espero que não tenhamos que aprender a tocar percussão. Eu sou terminantemente contra essa mudança. Não é imperativo atender o novo, “criativo” e sugestivo logotipo. Até porque a Escola tem autonomia para isso.
Que esse logotipo permaneça com suas cores e deixe em paz a nossa camisa. Porque nesse caso, não em todos, eu sou a favor da tradição, apesar de já terem escrito que tradicionalismo é idiotice. Mas, qual dirigente de país, estado, município, time de futebol e outras agremiações teriam coragem de sugerir a mudança nas cores de seus pavilhões? Tradição é tradição, como próprio nome diz, não se muda. E pt saudações (como se telegrafava antigamente. Não mudar a pontuação). Eu vou permanecer fiel ao azul celeste, pelo menos durante este restinho de tempo que tenho ainda na escola, nesse meu estágio de pé-na-cova.
- Já pensou: eu torcedor fanático do Bahia, vestindo uma farda do fluminense? Vou ser massacrado em dia de jogo – sorriu o meu interlocutor.
Alguns dias se passaram até eu ser provocado novamente. Desta vez por um professor de renome da escola, durante um almoço, acerca de um bombástico e-mail lançado na intranet, por sinal muito bem redigido, que chamava a atenção da comunidade sobre democracia na Escola.
- Não sei se você também, mas eu achei muito importante a contribuição do professor escrevendo sobre o tema “demagogia e democracia”. Acho que não tem nenhuma mentira ali, mas alguns não gostaram.
- É como você mesmo disse: não deixa de ser uma contribuição. É sabido que a crítica ajuda a melhorar o produto final, além de ser um direito de cidadania e referencial de qualquer democracia (mesmo que seja a dita radical). Como não há direitos sem obrigações, é correto dizer que as críticas devem ser acompanhadas de sugestões corretivas.
- Mas e quando não se aceitam sugestões?
- Veja bem, meu caro: Albert Einstein foi um dos maiores cientistas da humanidade. Isso não impediu que ele fosse uma das pessoas mais criticadas do mundo, e até humilhada por várias vezes. No entanto ele era um defensor ardoroso da crítica, pois achava que sem a crítica não haveria nenhum progresso em nenhuma área. E ele sempre mudava de opinião quando a crítica era razoável. Certa feita, ao ser perguntado sobre qual benefício sua lei da relatividade traria para o ser humano ele calou-se. Tempos depois estava criticando em público todas as nações que desenvolvia a bomba de hidrogênio, se comprometendo contra as armas nucleares e a favor da paz. (vídeo no rodapé).
- Sim, mas ele também disse que a fórmula para o sucesso é: trabalho + lazer + boca fechada.
- Mas nesse tempo ele ainda era jovem. Veja que já foi dito que pode não ser ético em instituições públicas serem cobradas quaisquer tipos de taxas; usarem-se artifícios para conseguir manter uma coesão entre pares; indicarem-se dirigentes visando alianças nas próximas eleições, etc., mas é legal. E isso basta, considerando que poucos têm a firmeza ou competência para mostrar que nem sempre o que é lícito é também ético.
É nesse contexto que os ditos heróis da resistência surgem para mostrar, através das críticas, aquilo que eles acham que pode melhorar. Esperam eles que essas críticas sejam respondidas pelos criticados, e não pelos D’Artagnans da vida que, na melhor das intenções, criam uma cortina de fumaça durante um embate infrutífero, dificultando um esclarecimento maior dos fatos. Daí surge uma acomodação e o pacto com Mefistófeles, qual o personagem da obra de Goethe.
- Ainda mais agora que estamos em plena adaptação dos novos rumos.
- E é aí que aparece o incontestável paradoxo: contradizer a autoridade burocrática e sobreviver academicamente; criticar e viver nesse ambiente negado. Para Tragtenberg (1993) é preciso sobrevier sem sacrificar a liberdade e o espírito crítico, mesmo sabendo das dificuldades para que isso aconteça.
IF-Bahia
Dep. III - Mecânica
Ronaldo F. Cavalcante
Conversa de Cantina n.45-Contribuições da crítica.
http://www.conversadecantina.blogse.com.br/blog/conteudo/home.asp?idblog=15843
segunda-feira, 9 de março de 2009
A Demagogia sobre Democracia, Transparência e Compromisso: Parte I
Por Marcus Vinícius Teixeira Navarro
Nos últimos 20 anos convivemos e/ou participamos (no Brasil, na Bahia e no CEFET) de diversos movimentos populares, clamando por uma tríade que seria responsável por nossa transformação em uma sociedade mais justa: Democracia-Transparência-Compromisso (com as Instituições Públicas).
Entretanto, esses movimentos populares eram, sem exceção, coordenados e aparelhados por grupos e/ou partidos políticos que, apenas utilizavam os movimentos populares como trampolim. Quando conseguiram chegar ao poder (no Brasil, na Bahia e no CEFET) implantaram práticas antidemocráticas, obscuras/nebulosas e sem compromisso com as instituições públicas, ficando muito claro que os discursos inflamados, os panfletos indignados e as passeatas gigantescas, não passavam da mais pura prática da demagogia com fins eleitorais.
Não podemos mais continuar calados diante das absurdas práticas implantadas no CEFET/IFBA, jamais vistas nos 100 anos de história Institucional. Assim, pretendo escrever 3 textos sobre cada um dos elementos da tríade, iniciando pela democracia.
Quando os atuais gestores conseguiram o poder, no CEFET/IFBA, começamos a ouvir discursos proclamando que a marca registrada da gestão, seria a radicalização da democracia.
Bem, desde então, penso sobre o que seria “radicalizar a democracia”. Inicialmente, fiquei muito animado, imaginando que seria implantado um sistema democrático, tão democrático, mas tão democrático, que talvez fosse até criado um “Prêmio Nobel da Democracia” para premiar o fato mais importante, depois da criação da própria democracia, que seria a “democracia radicalizada” ou a “radicalização da democracia”. Contudo, meu sonho durou poucos minutos e nos primeiros dias já se transformava em pesadelo, pois a decepção venceu a esperança de algo novo e transformador. A “radicalização da democracia”, na verdade, era a terrível demagogia da democracia.
Podemos dizer que esses grupos e/ou partidos políticos, descobriram a caixa de Pandora da demagogia e estão utilizando todo o seu poder, com todas as forças. Mas seu uso foi tão desmedido que, com apenas poucos anos de gestão, os poderosos mandamentos das falácias demagógicas foram revelados para o público, diminuindo seu poder e possibilitando seu fim!
Encontrei, em um pedaço de papel rasgado no chão, os 10 mandamentos para “reinar” com a demagogia da democracia, sendo eles:
1. Critique a falta de eleições nas unidades, mas, quando chegar ao poder, só realize eleições na unidade que tenha a certeza da Vitória. Nas outras unidades, indique um “pro-tempore” interventor, para que possa governar sem repartir o poder;
2. Combata o assédio moral e clame pela formação de uma comissão de ética ampla, autônoma e democrática. Mas, quando chegar ao poder, não cometa o erro de realizar eleição (nem por demagogia) e indique os seus membros. O presidente deve ser um dos que possuem cargo de direção, para garantir obediência e que nenhum dos seus será molestado;
3. Defenda o orçamento participativo. Mas, pelo amor ao poder, não cometa esta tentação! Concentre todo o poder financeiro não mão de uma só pessoa. Assim, com o poder da caneta financeira, manterá os aliados e “conquistará” outros. Para os demais, basta entregá-los os lentos trâmites burocráticos;
4. Reivindique a participação da comunidade nas reformas administrativas. Quando chegar ao poder, se precisar realizar alguma reforma administrativa, crie uma comissão ou uma discussão na internet, só para a comunidade pensar que participa (lembre sempre da máxima dos nossos mestres, não precisa ser democrático, basta parecer) e implante, na canetada, a reforma que você deseja. Melhor será se tudo for feito sem comunicar à comunidade, pois, assim, ninguém saberá quais são os novos órgãos, muito menos para que sirvam, possibilitando uma gestão sem nenhum controle da comunidade;
5. Participe de sindicatos livres e autônomos. Mas, quando chegar ao poder, aparelhe e cale os sindicatos. Estas instituições aparelhadas são de grande valia para se perpetuar no poder;
6. Discurse sobre o valor e os direitos dos recém chegados na Instituição. Faça-os se sentirem devendo um favor pelo cargo público que conseguiram. Caso algum ouse questionar o poder, utilize o instrumento, legal, da avaliação de estágio probatório para transformar os rebeldes em aliados ou em ex-servidores;
7. Denuncie a ausência discente dos conselhos. Mas, quando chegar ao poder cuidado, esses jovens podem causar muitos problemas. Assim, só fomente a eleição e participação se tiver certeza que um dos seus será eleito. Caso contrário, finja-se de morto e não toque neste assunto;
8. Clame por publicações e/ou informativos produzidos pela comunidade, principalmente dos estudantes. Mas, muita calma nessa hora, quando assumir o poder não deixe essa turma escrever o que quer, isso é um perigo!. Indique, democraticamente, um tutor para tais publicações, garantindo que não críticas não serão publicadas, nem críticas construtivas, pois nós gostamos mesmo é de elogios;
9. Afirme, constantemente, que trata todos iguais. Mas, não permita que sua equipe pratique esse erro. Nas reuniões fechadas, lembre sempre que os seus são mais iguais que os outros;
10. Lembre, a cada momento, que a demagogia lhe confere o poder divino. Assim, se algum mortal ousar dirigir alguma crítica à sua gestão, não responda. Os deuses não se comunicam com os mortais e nenhum mortal é digno de criticar o divino. Logo, deve fazer cair sobre o indigno toda a sua ira e de seus aliados, pois assim, só assim, servirá de exemplo para evitar novas blasfêmias.
Prof. Marcus Vinícius Teixeira Navarro
Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia
Núcleo de Tecnologia em Saúde – NTS
Laboratório de Física Radiológica – LAFIR
Rua Emídio dos Santos S/N Salvador-Ba
CEP 40.301-015 Fone/FAX: 55 71 2102-9451
sábado, 7 de março de 2009
AS ROSAS DO CUME
Esta, ouvi muitas vezes declamada por um dos tios de minha amada, senhor pra lá dos 80 e dono de um humor de moleque...
No cume daquela serra
Eu plantei uma roseira
Quanto mais as rosas brotam
Tanto mais o cume cheira
À tarde, quando ao sol posto
O vento no cume beija
Vem travessa borboleta
E as rosas do cume deixa
No tempo das invernias
Que as plantas do cume lavam
Quanto mais molhadas eram
Tanto mais no cume davam
Quando cai a chuva fina
Salpicos no cume caiem
Abelhas no cume entram
Lagartos do cume saem
Mas, se as águas vêm correndo
O sujo do cume limpam
Os botões do cume abrem
As rosas do cume brincam
Tenho, com certeza agora
Que no tempo de tal rega
Arbusto por mais mimoso
Plantado no cume, pega
E logo que a chuva cessa
Ao cume leva alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no cume abria
À hora de anoitecer
Tudo no cume escurece
Pirilampos do cume brilham
Estrelas no cume aparecem
E quando chega o Verão
Tudo no cume seca
O vento o cume limpa
E o cume fica careca
Vem, porém, o sol brilhante
E seca logo em catadupa
O mesmo sol, a terra abrasa
E as águas do cume chupa
As rosas do cume espreitam
Entre as folhagens d'além
Trazidas da fresca brisa
Os cheiros do cume vêm
E quando chega o Inverno
A neve no cume cai
O cume fica tapado
E ninguém ao cume vai
No cume dessa montanha
Tem um olho de água à beira
É uma água tão cheirosa
Que a multidão ansiosa
O olho do cume cheira.
AUTOR: Não tenho a menor idéia.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
no paraiso Deus criou os animais
Nos primeiros sete dias de trabalho no paraíso Deus criou tudo, inclusive os animais
CRIOU O BURRO E DISSE: Trabalharás incansavelmente de sol a sol, carregando fardo nos lombos. Comerás capim , não terás inteligência alguma e viverás 60 ANOS. SERÁS BURRO
O BURRO RESPONDEU: Serei burro, mas viver 60 ANOS é muito, Senhor. Dá-me apenas 30 ANOS. Deus lhe deu 30 ANOS.
DEUS CRIOU O CACHORRO E DISSE: Vigiarás a casa dos homens e serás seu melhor amigo.
Comerás os ossos que ele te jogar e viverás 20 ANOS. SERÁS CACHORRO
O CACHORRO RESPONDEU: Senhor, comerei ossos, mas viver 20 ANOS é muito. Dá-me 10 ANOS. Deus lhe deu 10 ANOS.
DEUS CRIOU O MACACO E DISSE: Pularás de galho em galho, fazendo macaquices, serás divertido e viverás 20 ANOS. SERÁS MACACO.
O MACACO RESPONDEU: Senhor, farei macaquices engraçadas, mas viver 20 ANOS é muito. Dá-me apenas 10 ANOS. Deus lhe deu 10 ANOS.
DEUS CRIOU O HOMEM E DISSE: Serás o único ser racional sobre a face da Terra, usarás tua inteligência para te sobrepores aos demais animais e à Natureza. Dominarás o Mundo e viverás 30 ANOS.
O HOMEM RESPONDEU: Senhor, serei o mais inteligente dos animais, mas viver 30 ANOS é muito pouco. Dá-me os 30 ANOS que o BURRO rejeitou, os 10 ANOS que o CACHORRO não quis, e também os 10 ANOS que o MACACO dispensou.
E ASSIM FEZ DEUS...
- Viverás 30 ANOS como HOMEM.
- Casarás e passarás a viver 30 ANOS como BURRO, trabalhando para pagar as contas e carregando fardos.
- Serás aposentado pelo INSS, vivendo 10 ANOS como CACHORRO, vigiando a casa.
- E depois ficarás velho e viverás mais 10 ANOS como MACACO, pulando de casa em casa, de um filho para outro, e fazendo macaquices para divertir os NETOS...
Dura Conclusão!!:
(Autor desconhecido)
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Qual a diferença entre forma de governo, doutrina econômica e politica social?
Acabei de receber um e-mail do nosso sindicato agradecendo pela instituição ter posto na sua Home Page um link para o mesmo. Alguem pode me explicar o que um sindicato de esquerda, defendendo os direitos dos trabalhadores junto ao patrão, o governo, que também é de esquerda, está fazendo aqui? Acho isso preocupante. Alias, muito preocupante. Mistura, confusão, simbiose, etc. Fui chamado de antiquado já que as relações evoluíram. É, pode ser que eu seja mesmo antiquado e até conservador em algumas coisas.
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José Lamartine Neto
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"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Carl Gustav Jung)
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Extraído do texto "Esquerda vs Direita - Again" disponível em FYI - Perplexity is the beginning of knowledge http://fyiblog.wordpress.com/2005/12/10/esquerda-vs-direita-again/ . Vale a pena dar uma lida pra recapitular...
Primeiro de tudo, é totalmente necessário se separar os três âmbitos em discussão: forma de governo, doutrina econômica e política social.
Economicamente, o espectro de opções vai de comunismo (aonde o governo controla todos os aspectos) ao “laissez-faire puro”, aonde o governo não tem envolvimento nenhum. Atualmente, todas as economias do mundo estão entre um extremo e o outro. Além disso, o intervencionismo estatal também pode ser classificado em níveis. O primeiro é o dos impostos, taxas e tarifas. Depois temos as intervenções diretas na produção privada, como as diversas formas de subsídio, quotas, banco central, controle de preços, etc. Por último, temos a estatização da produção, que é a mais grave. Quanto mais empresas estatais (em proporção ao PIB), mais perto do comunismo. Claro que essas regras são subjetivas. Os dois mais famosos índices de liberdade econômica (Heritage Foundation e Fraser Institute) são dois exemplos de modelos diferentes.
No lado social, as opções vão de libertários aos tradicionalistas. Os tradicionalistas sendo aqueles que pregam o respeito e obediência as regras morais pré-estabelecidas, enquanto os libertários são os que pregam a dissolução (ou mudança drástica) das mesmas.
Sobre a forma de governo, temos em um extremo a anarquia (nenhum governo) e do outro lado o totalitarismo (ou governo total).
Todas as diversas opções desses três grupos podem se misturar. Podemos ter uma ditadura tradicionalista comunista, uma democracia libertária socialista, uma monarquia conservadora capitalista, etc.
Na teoria, economias que se aproximam do comunismo promovem governos autoritários. Primeiro porque para controlar a atividade econômica é preciso de muita gente, o que cria mais incentivos para corrupção, abusos de poder, e consequentemente a manutenção do poder na base da força. Segundo, porque quando o governo se envolve na produção, os mecanismos de competição não funcionam como deveriam e a tendência é que quem está no poder tenha mais chances de se manter no topo a todo custo.
Porém, certos níveis de autoritarismo convivem temporariamente bem com sistemas capitalistas. O Chile é o exemplo mais famoso. Mas no geral, os governos autoritários que permaneceram no poder por longos períodos tendem a intervir fortemente na economia.
Na área social, muitos defendem a tese de que abertura econômica leva a abertura social. Outros dizem que “equalização” econômica (socialização) leva a maior abertura social. Na prática, nenhum dos dois casos sempre acontece. Os países comunistas tinham (os que sobraram ainda tem) péssimo histórico de direitos humanos. Entretanto, alguns países que abriram suas economias recentemente (China é o maior exemplo) ainda não tiveram melhora significativa nos direitos sociais.
Só mais algumas observações sobre ditaduras: O Nazismo e Fascismo juntavam elementos de direita e esquerda. Eles se aliaram a iniciativa privada, mas aumentaram a influência do governo em diversos aspectos. Somente certas empresas privadas (com influência no governo) prosperavam, e muitos argumentam que essa situação se tornaria insustentável a longo prazo. O governo controlava aspectos financeiros, principalmente alocação de crédito. Além disso, ao mesmo tempo em que eles eliminaram os sindicatos privados, construíram um gigantesco sindicato estatal. Ao mesmo tempo em que não estatizaram empresas privadas (só as que pertenciam aos judeus), construíram gigantes como a Volkswagen.
Mesmo nos aspectos sociais, os nazistas e fascista misturavam conceitos de direita e esquerda. Todo o aspecto racial e militarista pode ser ligado ao tradicionalismo europeu, enquanto as idéias de aumento de renda da camada mais pobre e harmonização das crises globais (os nazistas achavam que a crise de 29 foi arquitetada pelos judeus) eram ligadas (mesmo que por vias tortas) aos progressistas da época.
A ditadura do Brasil segue mais ou menos o mesmo caminho. Foi criada para evitar um possível golpe comunista, mas passou longe de implantar qualquer sistema capitalista liberal. As reservas de mercado, restrições trabalhistas, aumento do número de funcionários públicos, eram todas medidas identificadas com a esquerda.
Enfim, acho bobagem tentar enquadrar sistemas totalitários com uma ideologia (com a possível e discutível exceção dos golpes comunistas do começo do século XX). Toda ditadura, por mais poderosa que seja, é mais refém do seu povo do que qualquer democracia. Numa democracia tudo que seu partido precisa é da maioria. Numa ditadura, a minoria pode criar muito mais problemas. Esses governos tendem a ser extremamente populistas, e dai vem essa mistureba de medidas.
Ditaduras sempre acabam. E por bem ou por mal, nunca tivemos tão poucas como atualmente, o que torna essa discussão um tanto ultrapassada.
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O anúncio de Olavo Bilac Autoria desconhecida Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um ...
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Testemunho do PRÉ-SAL. Carlos Galani Dos Santos Em 1978, eu, Carlos Galani dos Santos, trabalhei em uma plataforma marítima de prospecçã...
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Navegando pela web encontrei esta espécie de “matriz” que apresenta uma espécie de “árvore genealógica” dos mitos e Religiões que conhecemos...