quinta-feira, 27 de outubro de 2011
O Ativismo Político do CFP - Luciano P. Garrido
segunda-feira, 10 de outubro de 2011
SOBRA DINHEIRO, FALTA VIGILÂNCIA - Entrevista com Roberto DaMatta
O respeitado antropólogo brasileiro diz que o modelo de estado do PT, tão onipresente quanto ineficaz, só contribui para que a corrupção se dissemine pelo país. O antropólogo Roberto DaMatta, 75 anos, dedicou grande parte de sua vida a decifrar o comportamento dos brasileiros, publicando livros que se tomaram clássicos, como Carnavais, Malandros e Heróis, de 1979. Ele observou de perto o objeto de suas pesquisas, seja embrenhando-se por tribos indígenas, seja examinando as pessoas ao volante - esse último assunto, aliás, abordado em seu mais recente livro, Fé em Deus e Pé na Tábua. Há sete anos, depois de quase duas décadas como professor na Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, DaMatta voltou a viver em Niterói, sua cidade natal, e hoje dá aulas na PUC do Rio. Casado há 48 anos com Celeste (que sofre da doença de Alzheimer), com quem teve três filhos, ele lamenta: "O PT enterrou o ideal de pureza e aderiu às piores práticas do velho clientelismo".
Qual é a parcela de culpa do PT nos altos níveis de corrupção no Brasil?
Na era petista, essa praga que toma o estado brasileiro disseminou-se à vontade, a ponto de a população indignar-se e ir às ruas protestar. Assim que chegou ao poder, o partido enterrou de vez o ideal de pureza do qual tinha o monopólio. Para pôr de pé seu projeto, aderiu às piores práticas do velho clientelismo: (troca de favores, cargos e dinheiro. Desse modo, conseguiu formar a Arca de Noé que é a coalizão na qual se apoia hoje e que lhe confere tanta força. Também deixou vago o espaço de uma oposição rigorosa, intolerante e dura, que deveria agora estar fiscalizando a farra no estado. É preciso lembrar àqueles que mandam na corte de Brasília que a máquina pública não é um veículo de enriquecimento e de aristocratização de seus funcionários. Veja o descalabro que é a evolução do patrimônio dos políticos brasileiros. Sua fortuna cresce a velocidade comparável apenas ao ritmo que embalou os barões de estradas de ferro nos Estados Unidos do século XIX. Algo está muito errado.
Por que o Brasil é um dos campeões mundiais de corrupção?
Primeiro, porque nosso estado é grande e centralizador de verbas e não atua com metas claras pelas quais precise prestar contas à sociedade. Sobra dinheiro e falta vigilância. Além disso, estamos falando de um mal de raízes muito antigas, entranhado no caldo cultural brasileiro desde os primórdios da colonização portuguesa. Foi ali que se fincaram as bases da ideia antimoderna de estado que persiste até hoje.
Quais seriam essas bases?
Temos um modelo de estado generoso, condescendente e que faz vista grossa aos pecadilhos de seus altos funcionários em detrimento do mérito e da eficiência. Ou seja: é um verdadeiro pai, mas apenas para quem se encastela na máquina e para os que orbitam ao seu redor. Ali impera a lógica dos privilégios e dos favores, como se fosse a extensão da própria casa daqueles que estão sob suas asas. São velhas práticas que já se observavam à chegada de dom João VI. Quando desembarcou no Rio de Janeiro, um de seus primeiros atos foi confiscar um lote de casas para dar de presente à corte. Mais tarde, o então imperador dom Pedro I sairia distribuindo títulos de nobreza aos parentes da marquesa de Santos, então sua amante. A proclamação da República não representou uma verdadeira ruptura dessa lógica. Mudou o regime, mas não a maneira de governar, tampouco a mentalidade reinante. Antes, inchava-se a máquina pública com parentes de sangue. Com o PT, o parentesco obedece à proximidade ideológica.
Por que as instituições não conseguem coibir os absurdos?
Porque não sabemos distinguir o público do privado. É preciso contar com um conjunto de instituições de dimensão pública que ajude a fazer a transição do núcleo familiar para a vida em sociedade, demarcando bem as fromeiras. Nos países europeus e nos Estados Unidos, são as próprias escolas que tratam de ensinar às pessoas, desde muito cedo, que as regras de casa, onde cada um é especial e tem seus privilégios, simplesmente não podem se reproduzir na rua. Enquanto há pelo menos dois séculos se aprende ali a discemir o público do privado no bê-á-bá, no Brasil, em pleno século XXI, ainda se acha essa uma ideia estranha. Nossos maus hábitos se replicam, e se aprofundam, no âmbilo do estado. Também nossas leis não ajudam a rechaçar a praga da corrupção.
Por quê?
A matriz jurídica no Brasil visa a garantir que determinadas pessoas em certas posições jamais sejam punidas. Para elas sempre há uma brecha legal. Foi o que ocorreu recentemente no caso da deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF), filha do ex-governador Joaquim Roriz. Apesar de todas as evidências de ter acumulado dinheiro ilicitamente, Jaqueline foi absolvida por seus pares, porque eles entenderam que ela teria prevaricado antes de se tornar deputada. Sendo assim, não haveria motivo para cassar seu mandato, o que a levaria à perda do cargo e da imunidade parlamemar, abrindo a possibilidade de ela ir a julgamento. Esse caso é emblemático de como a lei, ao se moldar ao perfil de poder do réu, se toma antiética. A leniência nesses casos é regra não exceção. O estado brasileiro usa as leis para manter os maus costumes. É vital inverter essa lógica perversa.
O sistema eleitoral brasileiro precisa mudar?
Sim, e o voto distrital seria um avanço. A experiência mostra de forma contundente que esse sistema é eficaz por aproximar a sociedade dos políticos que ela elegeu, já que encurta o caminho para a cobrança de resultados e para a fiscalização. Pode fazer enorme bem ao país. Pois aqui ainda há uma distância espantosa entre eleitores e eleitos, que se beneficiam disso para fazer o que bem querem em seu cargo. Enfatizo que é preciso consolidar instituições que tratem de garantir que o estado trabalhe em benefício da sociedade - e não em favor de si mesmo.
Em sua opinião, o governo se mete demais na vida das pessoas?
O PT cultiva um especial apreço pelos marcos regulatórios, uma excrescência que se dissemina em nosso país à revelia do bom-senso. O hábito vem de uma ideia atrasada segundo a qual o estado teria a resposta para todos os males da população - o que obviamente não tem. É um ideário que guarda parentesco direto com o populismo clássico. De acordo com essa corrente, sempre caberá mais um sob as asas benevolentes do estado, que acolhe e protege a todos. Para mim, está claro que isso não passa de uma maneira adocicada de não encarar questões amargas, que têm a ver com metas, mérito e com o bom gerenciamento dos recursos que são, afinal, dos cidadãos. O estado é hoje onipresente, mas o que ele precisa ser é eficiente.
O senhor pode dar um exemplo de intromissão indevida do estado?
A discussão sobre a regulamentação da imprensa, que quando achamos que está morta teima em voltar à cena, é particularmente revoltante. Não vejo outro nome para isso senão fundamentalismo. Nos Estados Unidos, a liberdade de imprensa é um dos valores constitucionais mais caros. É sagrada. Já dizia Thomas Jefferson (1743-1826), em palavras de extrema lucidez, que preferia uma imprensa sem governo a um governo sem imprensa, sempre, segundo ele, "considerando que todos possam ler jornais". São ideias avançadas e consolidadas que parecem passar ao largo das preocupações do PT, mais voltado para o seu projeto de se manter no poder o maior tempo possível. Mesmo que não tenha um plano definido sobre o que quer para o país e esteja perdido em um caldo ideológico confuso.
Quais são as indefinições do PT?
Há uma grande indefinição no PT quanto ao que o Brasil deve ser. Ouve-se de tudo: socialista, protossocialista, pós-socialista, capitalista. Falta também ao partido definir de uma vez por todas o que pensa sobre direitos humanos. Apoiar ditaduras mundo afora é uma contradição não só com sua trajetória, mas também com seu discurso atual - o mesmo que levou o partido ao poder. Em meio a ,dúvidas tão fundamentais, emerge um paradoxo. Mesmo que o país já se baseie em um sistema econômico moderno e competitivo, que o PT acolhe e em certa medida impulsiona, persiste até hoje uma forte resistência de petistas a valores universais como liberdade, competição e meritocracia. É algo inaceitável para um país que se pretende peça relevante de um mundo globalizado.
Por que há tanta resistência à ideia da meritocracia no Brasil?
A ideia de distinguir as pessoas por suas competências e talentos especiais sempre foi rechaçada pela maioria porque vai de encontro à própria maneira como nos entendemos no mundo: o brasileiro se sente estranho e desconfortável em situações nas quais os papéis não estão predefinidos, mas precisam ser conquistados à distância das relações de parentesco e amizade. No fundo, temos verdadeira alergia ao igualitarismo, segundo o qual todos dão a largada do mesmo ponto e cada um chega a um lugar diferente dependendo do próprio esforço e resultado. Eu mesmo passei boa parte de minha vida profissional fora do Brasil para fugir desse tipo de dogma.
O que mais o incomodava no ambiente universitário brasileiro?
Nas instituições públicas, impera a regra do tradicional funcionalismo - uma camisa de força para o trabalho intelectual. Muita gente na universidade, que gosta de estar sob tais normas, faz jornada das 9 da manhã às 5 da tarde. Como se fosse possível a quem ambiciona produzir algo verdadeiramente relevante e original encerrar o expediente com o critério do cartão de ponto. Comprar um reagente ou qualquer outro material é uma via-crúcis. Quem julga o processo é um burocrata de Brasília sem nenhuma sintonia com a cabeça do cientista. E as greves? Evidentemente, respeito o protesto, mas a paralisação das aulas é inadmissível. Professor indignado deve dar mais aulas ainda. De tudo, no entanto, o que mais me agastava era a isonomia salarial. É inadmissível ganhar o mesmo que um profissional que fica contando os minutos para ir para casa, Como o grande gerente do ensino superior de elite no Brasil, o estado não tem contribuído para tornar a academia brasileira criativa e inovadora.
Em sua mais recente pesquisa, o senhor estudou o comportamento dos brasileiros no trânsito. O que concluiu?
O trânsito mostra de forma inequívoca como o brasileiro tem horror a situações em que é colocado em igualdade de condições com os outros. Porque, ainda que uns dirijam suas limusines e outros, carrinhos populares, ou que uns tenham dinheiro para molhar a mão do guarda e outros não, o sinal vermelho será o mesmo para todos. Ultrapassá-lo significa pôr a própria vida e a dos outros em risco. As 40000 mortes no trânsito registradas no Brasil por ano são, em grande parte, o resultado da absurda e homicida tentativa de sobrepor-se à regra. O sistema de favores e privilégios, tão eficiente em outras esferas, não garante a invulnerabilidade dos que desrespeitam as regras de trânsito. Para um antropólogo como eu, ainda que com todos os entraves, o Brasil oferece um campo inesgotável para a investigação científica.
Sua mulher foi diagnosticada com a doença de Alzheimer. Como é lidar com isso?
Essa doença é terrível porque rouba a alma do doente, subtraindo dele o que nos torna, afinal, humanos: a capacidade de expressar de forma elaborada nossas ideias e emoções. A doença de rainha mulher, Celeste, foi diagnosticada há sete anos, e hoje ela já não fala, só sorri. Claro que faço projeções sobre esse sorriso. Será que é para mim? Celeste foi perdendo a capacidade motora e cognitiva aos poucos. No princípio, até pensei: "Não deve ser tão complicado". Mas com o tempo a doença mostrou seu lado mais perverso. É doloroso demais perceber que da pessoa que conheci há 48 anos, por quem me apaixonei perdidamente e com quem formei uma família, só ficou o corpo, como uma lembrança do que já foi. Ela ainda está aí, mas não dá para traduzir em palavras a falta que me faz.
domingo, 9 de outubro de 2011
Sobre autoridade, leis e moral
Estão em estrutura que tem uma certa leniência em cobrar deveres e obrigações dos demais. Comentei com ela que os postos mais altos adoram este tipo de “chefe” que cobra e faz as coisas acontecerem enquanto eles ficam com ares de bonzinhos. É muito difícil estes cobrarem providencias a seus subordinados. Na verdade quando são identificados estes "chefes" estes são valorizados, funcionam como o braço forte. Isso piora muito quando o alto escalão chegou ao posto pelo voto.
Nossa sociedade de um modo geral é muito frouxa a este respeito. São leis demais que simplesmente não funcionam. Dezenas de milhares de leis, portarias, resoluções para tentar regular o que? E na sua grande maioria é cessão de direitos que o Estado não pode abarcar por falta de condições mesmo.
Penso que fazer leis depois de um período de limitação de direitos como a que vivemos de 1964 a 1985 foi determinante para o padrão de liberdades aprovada na Constituição de 1988. De uma forma dialética, é lógico que após um período de limitações se criasse o oposto, algo cheio de direitos. O medo de viver novamente a experiência da ditadura criou todo um pensamento de liberdade.
Mas esta liberdade é tamanha que qualquer um que de alguma forma exerça sua autoridade logo será apontado com autoritário. Ora, uma coisa é a autoridade, algo benéfico que inclusive cria ordem, limites seguros de convivência, outra é o autoritário que abusa da autoridade trazendo inclusive prejuízos. Uma das heranças malditas da luta contra o autoritarismo foi a confusão gerada também com a figura da autoridade.
Em se tratando de regras de conduta, regras morais, se algumas pessoas, desde a época do império já se sentiam diferentes e por isso mesmo sentiam que não precisavam obedecer a certas leis (isso era para os outros), com a confusão gerada depois da constituição de 88 as coisas ficaram piores porque agora estamos diante de um processo deliberado de inversão de valores morais da sociedade. A permuta rápida de conceitos de certo e errado tem ocorrido de forma tão rápida e em tantas áreas que têm gerado uma condição de tal desconforto cognitivo nas pessoas que as impede de reagir, se tornam submissas preferindo abrir mão de se posicionar no que é certo ou errado. É a velha estratégia de Antônio Gramsci de alteração de valores da sociedade, mas que está ampliada tambem na infiltração nesta mesma sociedade dos seus intelectuais orgânicos, todos que de alguma forma militam algo, desde uma prostituta que reivindica o reconhecimento profissional (O Ministério do Trabalho não só reconhece como também ensina- ver 5198 :: Profissionais do sexo).
O processo civilizatório ocidental conheceu sua base de desenvolvimentos com a moral judaico-cristã a mais de 2 milênios. Outras tentativas de criar bases morais diferentes foram tentadas na Revolução Francesa (sec. XVIII) resultando na morte de mais pessoas em quatro meses do que em quatrocentos anos da Inquisição Espanhola. A outra foi a moral do socialismo globalizante dos proletários que matou alguns milhões de compatriotas e por fim a experiencia de um socialismo nacionalista do nazismo que resultou em muitos milhões a mais de vidas dos que eram “diferentes”.
Onde quero chegar com isso? Resgatemos nossa moral judaico-cristã. O estado laico é antiético. Onde estão os dez mandamentos?
1º - Amar a Deus sobre todas as coisas.
2º - Não usar o nome de Deus em vão.
3º - Guardar domingos e festas de guarda.
4º - Honrar pai e mãe (e os outros legítimos superiores).
5º - Não matarás.
6º - Guardar castidade nas palavras e nas obras.
7º - Não roube. (nem injustamente reter ou danificar os bens do próximo).
8º - Não levantar falsos testemunhos.
9º - Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
10º- Não cobiçar as coisas do outro.
As drogas não são inocentes na morte de Amy Winhouse
Acerca do comentário o Dr. Nery à morte de Amy Winhouse postado no link a seguir, respondi-lhe.
http://conversandocomnery.wordpress.com/2011/08/03/amy-winehouse-um-destino-inelutavel/#comment-175
Caro Dr. Nery,
Realmente as drogas não têm alma. Atribuir-lhes poderes que não tem é bem típico do humano. Concordo com vossa explanação até o ponto em que os seres humanos podem fazer suas escolhas e desta forma, escolher usar ou não.
O que o Senhor não coloca no seu ótimo texto é a ilustração de que inúmeros usuários perdem o controle sobre suas escolhas, perdem o controle sobre suas vidas. Talvez o Senhor queira colocar como que fazendo parte de um numero estatisticamente reduzidos em relação a população.
O caso da Amy, e o Senhor bem sabe, não era falta do desejo de parar de usar. Isso ela tinha tanto, que se submeteu a inúmeros tratamentos, pena que fracassaram.
O que ocorreu na vida da Amy é o que ocorre na vida de milhões de usuários que se transformaram em dependentes químicos em que perdem a capacidade de manter suas decisões.
Se neste seu texto retirarmos qualquer menção a drogas e substituirmos por “armas de fogo” provavelmente poderíamos atribuir que o problema está na pessoa que a porta e não no objeto. Pois bem, vejo que alguns objetos são mais propensos a gerar danos às pessoas. Se colocarmos que temos uma arma de fogo, um revolver com uma única bala no tambor e fossemos “brincar” de roleta russa, todos sabem o risco da tragédia. Mas o que leva pessoas a fazerem isso? Talvez a influencia do grupo, aliado as fortes emoções decorrentes da prática e talvez a um desejo de auto-afirmação, realmente não sei estou especulando. Mas voltemos a tal “bala na agulha” da roleta russa, que agora pode ser a relação do usuário com as drogas. O que fazer?
Assisti uma palestra do Senhor na qual disse que o ser humano ao descobrir sua finitude começou uma espécie de sofrimento, de angustia perante a morte e que se drogar era uma forma de sair um pouco desta dura realidade.
A droga (seja da boca-de-fumo seja da farmácia) perde a sua inocência quando se transforma em símbolo. O mesmo ocorre com a arma de fogo na mão de alguém, simbolicamente é o poder de vida ou morte que está ali. Não é possível inocentar as drogas quando estas se transformam em símbolos. Ninguém vai atrás de droga pela droga e sim pelo que ela representa.
Um abraço
segunda-feira, 5 de setembro de 2011
Primores de ternura - 2
Diário do Comércio, 16 de outubro de 2009
Nos anos 50-60, a união simbiótica de revolução e crime passou por um upgrade formidável, deixando de ser apenas uma prática consagrada e um objeto de exortações retóricas e tornando-se alvo de teorização sistemática por parte dos pensadores marxistas, especialmente da Escola de Frankfurt. Segundo Herbert Marcuse, o mais popular dentre esses autores na época e um queridinho da grande mídia americana, o proletariado industrial já não servia como classe revolucionária, por ter sido corrompido pelas benesses do capitalismo. Em vez de tirar desse óbvio desmentido dos prognósticos de Marx quanto à miséria crescente dos trabalhadores no livre mercado a conclusão lógica de que o marxismo não servia para grande coisa, Marcuse achou que podia consertar a teoria simplesmente buscando uma nova classe revolucionária, definida não pela desvantagem econômica, mas por qualquer tipo de frustração psicológica. Em vez de uma ele descobriu três: (1) os intelectuais e estudantes, sempre revoltados contra uma sociedade que não lhes dá toda a importância que julgam merecer; (2) todos os insatisfeitos com qualquer coisa – esposas mal amadas, gays enfezados com a empáfia masculina, crianças rebeldes à autoridade paterna, etc.; (3) os marginais em geral: prostitutas, viciados, assassinos, estupradores e tutti quanti. Eram essas pessoas maravilhosas, e não os proletários, que tinham de ser organizadas para corromper o "sistema", enfraquecê-lo e destruí-lo por dentro. A influência de Marcuse, fundindo-se às propostas de "revolução cultural" inspiradas em Antonio Gramsci, foi tão vasta e profunda que hoje o marcusismo em ação já nem aparece associado ao nome de seu inventor: tornou-se o modo de ser natural e universal do movimento revolucionário por toda parte.
No Brasil, a íntima colaboração entre a esquerda revolucionária e o banditismo, da qual já se viam amostras esporádicas desde os anos 30, começou a existir de forma mais organizada durante o regime militar, quando os terroristas adestrados em Cuba, na Coréia do Norte e na China passaram a transmitir seus conhecimentos de estratégia e tática da guerrilha urbana aos delinqüentes comuns com os quais compartilhavam o espaço no Presídio da Ilha Grande, RJ. Foi daí que nasceram as mega-organizações criminosas, o Comando Vermelho e depois o PCC. A esperança que inspirou a sua fundação não foi decepcionada. Em poucos anos, o guru do narcotráfico carioca, William Lima da Silva, o "Professor", já podia se gabar de haver superado seus mestres:
"Conseguimos aquilo que a guerrilha não conseguiu: o apoio da população carente. Vou aos morros e vejo crianças com disposição, fumando e vendendo baseado. Futuramente, elas serão três milhões de adolescentes, que matarão vocês nas esquinas. Já pensou o que serão três milhões de adolescentes e dez milhões de desempregados em armas?"
O recorde anual de homicídios no Brasil, entre 40 e 50 mil mortos, segundo a ONU, e o crescimento acelerado do consumo de drogas neste país – enquanto diminui nos países em torno - mostram que esta segunda expectativa também não foi totalmente frustrada.
Mais tarde os terroristas subiram na vida, tornaram-se deputados, senadores, desembargadores, ministros de Estado, tendo de afastar-se de seus antigos companheiros de presídio. Estes não ficaram, porém, desprovidos de instrutores capacitados. A criação do Foro de São Paulo, iniciativa daqueles terroristas aposentados, facilitou os contatos entre agentes das Farc e as quadrillhas de narcotraficantes brasileiros – especialmente do PCC –, dos quais logo se tornaram mentores, estrategistas e sócios. Foi o que demonstrou o juiz federal Odilon de Oliveira, de Ponta Porã, MS, pagando por essa ousadia o preço de ter de viver escondido, como de fosse ele próprio o maior dos delinqüentes (ver fontes 2 e 3 abaixo), enquanto os homens das Farc transitam livremente pelo país, têm toda a proteção da militância esquerdista em caso de prisão e até são recebidos como hóspedes de honra por altos próceres petistas. (O secretário de Relações Internacionais do PT, Valter Pomar, diz que as Farc nem mesmo pertencem ao Foro de São Paulo.. Ele mente e sabe que mente. Dezenove anos de documentos oficiais do Foro provam isso acima de qualquer possibilidade de dúvida.)
Mesmo apoiada pela mais vasta e permanente campanha de mutação cultural, a articulação direta de bandidos e revolucionários não seria suficiente para produzir seus efeitos se, ao mesmo tempo, a própria estrutura jurídico-policial do Estado não fosse submetida a alterações destinadas a dificultar a atividade repressiva, fornecendo aos delinqüentes todas as vantagens na sua luta contra a sociedade. O desarmamento da população civil, a criminalização fácil das ações policiais mais corriqueiras, a leniência proposital para com os delinqüentes juvenis, a tolerância ou mesmo incentivo à violência nas escolas – tudo isso converge com a estratégia geral do movimento revolucionário em seu empenho de demolir as defesas da sociedade por meio da criminalidade triunfante.
O auxílio-reclusão – ou "Bolsa-Bandido", como o povo prefere chamá-lo – não tem nada de extravagante ou surpreendente. É apenas mais uma expressão da "imensa ternura para com os ferozes", o sentimento mais profundo e permanente da religião revolucionária, que de há muito já deixou de ser só um estado de alma e se transformou em temível instrumento de ação prática.
fontes:
1) http://www.olavodecarvalho.org/semana/091016dc.html
2) http://homemculto.wordpress.com/2010/07/23/juiz-odilon-de-oliveira-fala-de-pcc-farc-foro-de-sao-paulo/
3) http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2007/12/406589.shtml
domingo, 4 de setembro de 2011
Perfil de pressão em tubo Venturi
Muitos anos antes o prof. Claudio Reynaldo ja havia iniciado este trabalho que tivemos a oportunidade de concluir.
Concluída a reforma chegou a hora dos testes e medidas que foram devidamente anotadas e ilustradas em gráfico.
Parabéns a equipe: Adeline, Bruno, Guilherme e Isaac.
segunda-feira, 25 de julho de 2011
Amy Winehouse, as drogas e o patrulhamento ideológico
Caros amigos,
É impressionante o patrulhamento ideológico dento de um Instituto Federal possuidor de cursos profissionalizantes mantido pelo governo federal. Ninguém, repito, ninguem mais pode se sentir livre para emitir opiniões, a não ser que sejam as “politicamente aceitas” pelo grupelho de esquerdopatas em permanente plantão.
Pois bem, a ultima destes ocorreu por conta de um comentário que fiz depois da morte a cantora Amy Winehouse em conseqüência do uso de drogas:
“Amy Winehouse morreu... E ainda tem gente que fala que tem uso de droga inocente como se fosse uma marcha pela liberdade. Que liberdade é essa que mata?? Ela foi livre para usar drogas até morrer... Será que os nossos integrantes da "marcha da maconha" lutam para criar este tipo de liberdade, ou prisão sem grades?”
Um dos comentadores teve a coragem de escrever que um dos problemas das drogas é a sua qualidade. Vejam a seguir:
“O uso de drogas sempre andou paralelamente à história da humanidade, não podemos negar. O problema que temos hoje não é com o uso, mas com a qualidade das substâncias que são consumidas por aí. Há usuários de cocaína que não estão consumindo a cocaína somente, mas pó de mármore, altamente prejudicial ao organismo. Há usuários de maconha que não estão consumindo somente maconha, mas outras substâncias desconhecidas que vêm junto com a própria maconha. O problema está no controle de qualidade dessas drogas.”
Que complementa em outro e-mail...
A questão não é levantar bandeira por uma droga "limpa", mas levantar bandeira por uma sociedade mais esclarecida, civilizada e evoluída, menos alienada e pré-histórica.
Um de nossos muitos alunos, munido já de algum discernimento retruca...
“Não sei se o pior é a retórica desesperada do comuna ou a justificativa científica do controle de qualidade das drogas. Recorramos a Crosby e Ishikawa para resolver tal problema. O que tenho certeza é que estou com Lamartine, em busca da volta dos valores familiares dentro dos quais fui criado.”
Pronto. Foi armado o picadeiro onde hoje os defensores desta falsa moral semântica exercem seu patrulhamento. Vejam como um professor se porta “educativamente” frente a uma opinião de que discorda:
Colegas, estou estupefato! O que foi mesmo que eu li? "a retórica desesperada do comuna"? É incrível vermos aqui manifestações de pessoas que parece que se prezam pela truculência!
Depois, não querem que se use a classificação de "direitista" como se não fosse ofensivo! É essa a direita que o Brasil tem, ruim mesmo, sem contribuição positiva a dar, inimiga visceral da democracia! Preconceito, ignorância, má-fé e truculência... é mesmo como a direita tem aqui no Brasil se caracterizado, e são pessoas como nosso colega que têm se empenhado mesmo em tornar o adjetivo "direitista" mais e mais pejorativo.
Com pessoas que se expressam assim, é impossível discutir, buscando resolver, uma questão tão grave como a das drogas e da criminalidade. Essas pessoas também jamais entenderão o que é uma tragédia humana como a dessa moça, bela e triste cigarra, de cuja morte esses moralistas invejosos de sua vida buscam apropriar-se para seus discursos limitados e raivosos. Jamais entenderão - e, no final das contas, é mesmo o interesse em manter a proibição e o lucro imenso que ela traz - que o problema das drogas deveria ser um problema de saúde pública e não de segurança pública. Por pior que seja o efeito do craque, o que mata mesmo é a bala a mando dos traficantes.
"Comuna"!?! Como é que eu estou conversando com uma pessoa que chama assim a seu interlocutor?!?!
Acrescente-se a esta manifestação, o comentário de outro “professor”
É tudo do CCC! Mas esse aluno, é um menino. Pior são aqueles que o influenciaram. Já pensou se esse povo chega ao poder? O que aconteceu na Noruega seria pequeno.
Me senti na obrigação de também fazer comentários, e assim o fiz conforme texto abaixo:
Colegas de boa fé,
Talvez se alguns de nossos colegas Professores e Técnicos Administrativos se interessassem e estudassem um pouco mais como funciona o ser humano ou fossem, honestamente, mais atentos consigo mesmos, perceberiam que esta capa civilizada de polidez e altruísmo, às vezes representados nas palavras rebuscadas ou adocicadas, acabam por mostrar quem são na verdade quando um texto, frase ou mesmo palavra funcionam como "gatilho”, representa o oposto do discurso (ou ideologia) disseminado, adotada muitas vezes como seu próprio. Imediatamente toda aquela educação e gentileza caem por terra evidenciando nos discursos sentimentos de nojo, ódio, vingança, inveja, desejo de destruição e morte simbólica (quando não real) do outro. Um pouco mais de profundidade, certamente evitaria que palpiteiros em plantão permanente atribuíssem ao “recalque” ou a “repressão”, mesmo que por citação, a manifestação (legítima) de pensamentos ou opiniões discordantes, por ignorarem por si próprios o significado mais profundo da dinâmica das energias psíquicas.
Se o conhecimento efetivo de S. Freud ou mesmo Wilhelm Reich pudessem mudar um pouco estes discursos cheios de uma moral indignada e ofendida pela palavra alheia, certamente a defesa por mais disfarçada que seja, de uma ideologia que assassinou mais de 100 milhões de pessoas no mundo, não de inimigos em guerra, mas seus próprios irmãos, de suas próprias nacionalidades, ficaria esvaziada de sentido.
As pessoas que justificam ou de alguma forma apóiam crimes de morte, seja com falso testemunhos ou dando fuga ao criminoso, ou apoio intelectual, etc., são chados de cúmplices. Agora, imaginem o que deve sentir uma pessoa de bem ao descobrir que durante algum tempo se associou como cúmplice de assassinos em massa, defendendo-os, acobertando-os, distorcendo perante a opinião pública a verdade dos fatos praticados, ou as suas idéias? É possível que devessem sentir vergonha de si próprios?
O Livro Negro do Comunismo: Crimes, Terror, Repressão http://www.4shared.com/document/lodFfBUW/O_LIVRO_NEGRO_DO_COMUNISMO_-_C.html , obra coletiva de professores e pesquisadores universitários europeus a maioria comunistas ou ex-comunistas, foi “editado por Stéphane Courtois, diretor de pesquisas do Centre national de la recherche scientifique (CNRS), e seu lançamento ocorreu por ocasião dos 80 anos da Revolução Russa. Este livro faz um inventário da repressão política por parte regimes ditos marxistas-leninistas - incluindo as execuções extrajudiciais, as deportações e as crises de fome”, dá uma idéia quando me refiro a cúmplicidade.
Ainda assim, longe de acreditar em um caso patológico de esquizofrenia, mas alguém que faz esforço para não enxergar que um sistema de idéias e práticas, como o decorrente do marxismo, teve conseqüências desastrosas para a humanidade até os dias de hoje, mas e justifica em função dos benefícios que advirão em um futuro incerto, é uma cegueira que, implantada ou adquirida, beira o crime, quando não, a má fé. Crime, se por uma escolha voluntária e má fé se por ignorância. Esta, graças a Deus, tem cura: estudo e conhecimento.
A este respeito basta ler o artigo QUEM TEM MEDO DA FILOSOFIA BRASILEIRA? que reproduzo em http://joselamartine.blogspot.com/2011/07/quem-tem-medo-da-filosofia-brasileira.html de Ricardo Vélez Rodríguez, coordenador do Centro de Pesquisas Estratégicas “Paulino Soares de Sousa” e do Núcleo de Estudos Ibéricos e Ibero-Americanos da UFJF e verão o que ocorreu (ocorre) no Brasil em que “forças invisíveis” insistem em manter fatos na obscuridade e na desinformação.
O livro "Red Cocaine" do Dr. Joseph D. Douglass (ou pelo menos sua resenha em http://joselamartine.blogspot.com/2011/07/red-cocaine-drugging-of-america-resenha.html que é bacharel, mestre e doutor pela Universidade Cornell onde lecionou e também na Escola de Pós-Graduação Naval e na escola de Relações Internacionais Johns Hopkins. O hoje consultor de assuntos de segurança, com 43 anos de experiência em políticas de defesa, tecnologia e de inteligência, que trabalhou para o governo americano como vice-diretor do Escritório de Tecnologia Tática da Agência de Projetos Avançados e também com vários prestadores de serviços de defesa baseados em Washington, DC e serviu em vários conselhos de ciência e estudos de defesa e até 1990, foi consultor e assessor de várias agências governamentais americanas e de institutos sem fins lucrativos) “traça o quadro geral, dá os antecedentes históricos, apresenta a evolução do planejamento estratégico de longo prazo chinês e soviético quanto ao uso das drogas como arma política e química...” contra a juventude americana e o ocidente a médio e longo prazos, diante de toda a cegueira ocidental, não acidental.
Antes de finalizar, gostaria de alertar aos apressados em atribuir truculência, chamar de direitistas de forma pejorativa (como se liberais, marxista ou petista fossem algo moralmente melhor) e de inimigos viscerais da democracia e até de acusar de preconceito, ignorância, má-fé, aos que de alguma forma emitem opiniões discordantes, fiquem atentos pois este pode ser o velho “efeito espelho” no qual enxergam no outro aquilo que não gostam, e o acusam, mas sem saber que podem estar vendo a si próprios no reflexo e opinando sobre si mesmos.
Mas Karl Marx (e seus seguidores) sempre jogou para o futuro tudo que escreveu falando que a historia o julgaria!!! Covarde!!!
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Prof. José Lamartine de Andrade Lima Neto
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