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quarta-feira, 4 de junho de 2014

O MOVIMENTO CONSERVADOR - por MÁRCIO COIMBRA



 O MOVIMENTO CONSERVADOR
MÁRCIO COIMBRA
Publicado: 22 de maio de 2014 às 17:02 - Atualizado às 17:45







A política cria situações interessantes. Estamos vendo no Brasil o crescimento de um movimento de viés conservador nos últimos anos. Isto não quer dizer que o País esteja se descobrindo conservador. Pelo contrário, na minha opinião somos uma nação onde estes traços estão bem definidos, o que explica, em certa medida a cautela e o ritmo com que são feitas mudanças no cenário político. Conservadorismo nada tem a ver com intolerância ou radicalismo. Só defende isso quem desconhece o assunto. Para situar-se deveriam ser apresentados aos livros de Edmund Burke ou Russell Kirk. Mas vamos adiante.
O renascimento de um movimento consistente conservador no Brasil de hoje está diretamente associado a fadiga de material apresentada pelo projeto petista que iniciou com a eleição de Lula e hoje está nas mãos de Dilma. Isto não quer dizer que os tucanos encarnem os sonhos dos conservadores, tampouco os socialistas ou ambientalistas do terceiro projeto. Os conservadores, ao contrário do que se diz por aí, estão órfãos nesta eleição, como estavam em 2010 e em muitos outros pleitos. Hoje, estão juntos dos liberais em uma cruzada contra o petismo, mas isso não quer dizer que convirjam totalmente no plano das idéias.
O conservadorismo geralmente está ligado aos partidos de direita, o que no Brasil também virou nome feio. Em nosso país, a idéia de direita está ligada aos governos militares e a supressão de liberdades civis. Nada disso. Governos que suprimem as liberdades podem vir tanto da direita, quanto da esquerda. Na direita conservadora encontramos líderes como José María Aznar na Espanha, Margaret Thatcher no Reino Unido, Angela Merkel na Alemanha, Anders Fogh Rasmussen na Dinamarca, Ronald Reagan nos Estados Unidos, John Howard na Austrália, Álvaro Uribe na Colômbia, Junichiro Koizumi no Japão, Stephen Harper no Canadá, José Manuel Durão Barroso em Portugal, Victor Orban na Hungria, Donald Tusk na Polônia, Nicolas Sarkozy na França, entre muitos outros, alguns ainda no comando dos seus países. Nestes governos encontramos uma direita conservadora, geralmente aliada aos liberais, responsáveis por reformas estruturais que mudaram a face de suas nações para melhor.
No Brasil ainda não existe um partido conservador de densidade nacional. O poder está divido entre as esquerdas, de visão socialista ou social-democrata em sua maioria, que dividem o palco desde a eleição do Presidente Fernando Henrique. A agenda brasileira está hoje nas mãos destes grupos e não existe tendência de reversão no curto prazo. De qualquer forma, a chegada dos conservadores, com agenda, nome, articulistas em jornais e grupos nas universidades é um sopro muito satisfatório em nossa democracia, que pode encontrar nesta nova geração um importante contraponto aos líderes e partidos tradicionais.
Conservadorismo é acima de tudo limitação do poder do Estado e a aceitação de mudanças em caráter gradual. É o império da Lei sobre os homens na geração de meritocracia e a responsabilização do indivíduo como motor da sociedade. Na década de 60, Barry Goldwater, pai do conservadorismo político moderno norte-americano, foi derrotado por larga margem nas eleições presidenciais. Mas ali foi plantada uma semente. Os conservadores dizem que Goldwater não perdeu, apenas seus votos demoraram 16 anos para serem contados, quando Reagan foi eleito Presidente. Os conservadores que se organizam politicamente no Brasil hoje devem entender esta lógica política, largamente compreendida pela esquerda: eleições não passam, elas reverberam. Com a palavra, a nova geração conservadora do Brasil.



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