segunda-feira, 16 de março de 2009

Contribuições da crítica

Por Ronaldo F. Cavalcante

Mais um ano que se inicia. Novas gerações chegando à escola. E nós, facilitadores, temos o semi-divino dever de, com paciência, estarmos preparados para lhes dar boas vindas, prontos para repassar-lhes tudo de bom que absorvemos com o árduo trabalho das gerações anteriores, na esperança de que essa geração receba esses conhecimentos, deles sejam dignos, incremente-os com melhora, e repasse-os integralmente às gerações futuras. Sabe-se que o educador não enche ou completa vasilha. Só acende a luz.

É mais um ano que nada muda na cantina. O que é perfeitamente compreensível, haja vista que as pessoas que decidem sobre a permanência, melhora, concorrência, e fiscalização, não são fiéis consumidores como nós, pobres mortais que saímos as vinte e duas horas do nosso trabalho. Dessa maneira não há uma avaliação (nem enquete) sobre preço, qualidade, atendimento, variedade e outros elementos necessários ao estudo de qualquer relação fornecedor-consumidor. E se há essa avaliação, devem achar que está tudo bem. Então, paciência...

Ainda estava desfrutando dessas reflexões obrigatórias dos primeiros dias de aula, em plena semana pedagógica, quando se senta ao meu lado um aluno antigo e já vai logo me provocando:

- E aí, o que o Sr. acha da possibilidade de mudança da cor tradicional da camisa da escola?

- Já tive conhecimento dessa possibilidade, e até ouvi sobre as opções esdrúxulas na qual a tradicional e centenária camisa azul celeste poderá ser abolida. Em seu lugar surgiria uma espécie de “meio-abadá”, como bem disse o anunciante do fato, com cores tipo branco gelo, verde-cana, vermelho-carmin, listas horizontais, inclinadas, e sabe lá Deus que outras aberrações podem surgir ainda nesse bloco. Espero que não tenhamos que aprender a tocar percussão. Eu sou terminantemente contra essa mudança. Não é imperativo atender o novo, “criativo” e sugestivo logotipo. Até porque a Escola tem autonomia para isso.

Que esse logotipo permaneça com suas cores e deixe em paz a nossa camisa. Porque nesse caso, não em todos, eu sou a favor da tradição, apesar de já terem escrito que tradicionalismo é idiotice. Mas, qual dirigente de país, estado, município, time de futebol e outras agremiações teriam coragem de sugerir a mudança nas cores de seus pavilhões? Tradição é tradição, como próprio nome diz, não se muda. E pt saudações (como se telegrafava antigamente. Não mudar a pontuação). Eu vou permanecer fiel ao azul celeste, pelo menos durante este restinho de tempo que tenho ainda na escola, nesse meu estágio de pé-na-cova.

- Já pensou: eu torcedor fanático do Bahia, vestindo uma farda do fluminense? Vou ser massacrado em dia de jogo – sorriu o meu interlocutor.

Alguns dias se passaram até eu ser provocado novamente. Desta vez por um professor de renome da escola, durante um almoço, acerca de um bombástico e-mail lançado na intranet, por sinal muito bem redigido, que chamava a atenção da comunidade sobre democracia na Escola.

- Não sei se você também, mas eu achei muito importante a contribuição do professor escrevendo sobre o tema “demagogia e democracia”. Acho que não tem nenhuma mentira ali, mas alguns não gostaram.

- É como você mesmo disse: não deixa de ser uma contribuição. É sabido que a crítica ajuda a melhorar o produto final, além de ser um direito de cidadania e referencial de qualquer democracia (mesmo que seja a dita radical). Como não há direitos sem obrigações, é correto dizer que as críticas devem ser acompanhadas de sugestões corretivas.

- Mas e quando não se aceitam sugestões?

- Veja bem, meu caro: Albert Einstein foi um dos maiores cientistas da humanidade. Isso não impediu que ele fosse uma das pessoas mais criticadas do mundo, e até humilhada por várias vezes. No entanto ele era um defensor ardoroso da crítica, pois achava que sem a crítica não haveria nenhum progresso em nenhuma área. E ele sempre mudava de opinião quando a crítica era razoável. Certa feita, ao ser perguntado sobre qual benefício sua lei da relatividade traria para o ser humano ele calou-se. Tempos depois estava criticando em público todas as nações que desenvolvia a bomba de hidrogênio, se comprometendo contra as armas nucleares e a favor da paz. (vídeo no rodapé).

- Sim, mas ele também disse que a fórmula para o sucesso é: trabalho + lazer + boca fechada.

- Mas nesse tempo ele ainda era jovem. Veja que já foi dito que pode não ser ético em instituições públicas serem cobradas quaisquer tipos de taxas; usarem-se artifícios para conseguir manter uma coesão entre pares; indicarem-se dirigentes visando alianças nas próximas eleições, etc., mas é legal. E isso basta, considerando que poucos têm a firmeza ou competência para mostrar que nem sempre o que é lícito é também ético.

É nesse contexto que os ditos heróis da resistência surgem para mostrar, através das críticas, aquilo que eles acham que pode melhorar. Esperam eles que essas críticas sejam respondidas pelos criticados, e não pelos D’Artagnans da vida que, na melhor das intenções, criam uma cortina de fumaça durante um embate infrutífero, dificultando um esclarecimento maior dos fatos. Daí surge uma acomodação e o pacto com Mefistófeles, qual o personagem da obra de Goethe.

- Ainda mais agora que estamos em plena adaptação dos novos rumos.

- E é aí que aparece o incontestável paradoxo: contradizer a autoridade burocrática e sobreviver academicamente; criticar e viver nesse ambiente negado. Para Tragtenberg (1993) é preciso sobrevier sem sacrificar a liberdade e o espírito crítico, mesmo sabendo das dificuldades para que isso aconteça.

IF-Bahia
Dep. III - Mecânica
Ronaldo F. Cavalcante


Conversa de Cantina n.45-Contribuições da crítica.

http://www.conversadecantina.blogse.com.br/blog/conteudo/home.asp?idblog=15843


segunda-feira, 9 de março de 2009

A Demagogia sobre Democracia, Transparência e Compromisso: Parte I

Por Marcus Vinícius Teixeira Navarro

Nos últimos 20 anos convivemos e/ou participamos (no Brasil, na Bahia e no CEFET) de diversos movimentos populares, clamando por uma tríade que seria responsável por nossa transformação em uma sociedade mais justa: Democracia-Transparência-Compromisso (com as Instituições Públicas).

Entretanto, esses movimentos populares eram, sem exceção, coordenados e aparelhados por grupos e/ou partidos políticos que, apenas utilizavam os movimentos populares como trampolim. Quando conseguiram chegar ao poder (no Brasil, na Bahia e no CEFET) implantaram práticas antidemocráticas, obscuras/nebulosas e sem compromisso com as instituições públicas, ficando muito claro que os discursos inflamados, os panfletos indignados e as passeatas gigantescas, não passavam da mais pura prática da demagogia com fins eleitorais.

Não podemos mais continuar calados diante das absurdas práticas implantadas no CEFET/IFBA, jamais vistas nos 100 anos de história Institucional. Assim, pretendo escrever 3 textos sobre cada um dos elementos da tríade, iniciando pela democracia.

Quando os atuais gestores conseguiram o poder, no CEFET/IFBA, começamos a ouvir discursos proclamando que a marca registrada da gestão, seria a radicalização da democracia.

Bem, desde então, penso sobre o que seria “radicalizar a democracia”. Inicialmente, fiquei muito animado, imaginando que seria implantado um sistema democrático, tão democrático, mas tão democrático, que talvez fosse até criado um “Prêmio Nobel da Democracia” para premiar o fato mais importante, depois da criação da própria democracia, que seria a “democracia radicalizada” ou a “radicalização da democracia”. Contudo, meu sonho durou poucos minutos e nos primeiros dias já se transformava em pesadelo, pois a decepção venceu a esperança de algo novo e transformador. A “radicalização da democracia”, na verdade, era a terrível demagogia da democracia.

Podemos dizer que esses grupos e/ou partidos políticos, descobriram a caixa de Pandora da demagogia e estão utilizando todo o seu poder, com todas as forças. Mas seu uso foi tão desmedido que, com apenas poucos anos de gestão, os poderosos mandamentos das falácias demagógicas foram revelados para o público, diminuindo seu poder e possibilitando seu fim!

Encontrei, em um pedaço de papel rasgado no chão, os 10 mandamentos para “reinar” com a demagogia da democracia, sendo eles:

1. Critique a falta de eleições nas unidades, mas, quando chegar ao poder, só realize eleições na unidade que tenha a certeza da Vitória. Nas outras unidades, indique um “pro-tempore” interventor, para que possa governar sem repartir o poder;

2. Combata o assédio moral e clame pela formação de uma comissão de ética ampla, autônoma e democrática. Mas, quando chegar ao poder, não cometa o erro de realizar eleição (nem por demagogia) e indique os seus membros. O presidente deve ser um dos que possuem cargo de direção, para garantir obediência e que nenhum dos seus será molestado;

3. Defenda o orçamento participativo. Mas, pelo amor ao poder, não cometa esta tentação! Concentre todo o poder financeiro não mão de uma só pessoa. Assim, com o poder da caneta financeira, manterá os aliados e “conquistará” outros. Para os demais, basta entregá-los os lentos trâmites burocráticos;

4. Reivindique a participação da comunidade nas reformas administrativas. Quando chegar ao poder, se precisar realizar alguma reforma administrativa, crie uma comissão ou uma discussão na internet, só para a comunidade pensar que participa (lembre sempre da máxima dos nossos mestres, não precisa ser democrático, basta parecer) e implante, na canetada, a reforma que você deseja. Melhor será se tudo for feito sem comunicar à comunidade, pois, assim, ninguém saberá quais são os novos órgãos, muito menos para que sirvam, possibilitando uma gestão sem nenhum controle da comunidade;

5. Participe de sindicatos livres e autônomos. Mas, quando chegar ao poder, aparelhe e cale os sindicatos. Estas instituições aparelhadas são de grande valia para se perpetuar no poder;

6. Discurse sobre o valor e os direitos dos recém chegados na Instituição. Faça-os se sentirem devendo um favor pelo cargo público que conseguiram. Caso algum ouse questionar o poder, utilize o instrumento, legal, da avaliação de estágio probatório para transformar os rebeldes em aliados ou em ex-servidores;

7. Denuncie a ausência discente dos conselhos. Mas, quando chegar ao poder cuidado, esses jovens podem causar muitos problemas. Assim, só fomente a eleição e participação se tiver certeza que um dos seus será eleito. Caso contrário, finja-se de morto e não toque neste assunto;

8. Clame por publicações e/ou informativos produzidos pela comunidade, principalmente dos estudantes. Mas, muita calma nessa hora, quando assumir o poder não deixe essa turma escrever o que quer, isso é um perigo!. Indique, democraticamente, um tutor para tais publicações, garantindo que não críticas não serão publicadas, nem críticas construtivas, pois nós gostamos mesmo é de elogios;

9. Afirme, constantemente, que trata todos iguais. Mas, não permita que sua equipe pratique esse erro. Nas reuniões fechadas, lembre sempre que os seus são mais iguais que os outros;

10. Lembre, a cada momento, que a demagogia lhe confere o poder divino. Assim, se algum mortal ousar dirigir alguma crítica à sua gestão, não responda. Os deuses não se comunicam com os mortais e nenhum mortal é digno de criticar o divino. Logo, deve fazer cair sobre o indigno toda a sua ira e de seus aliados, pois assim, só assim, servirá de exemplo para evitar novas blasfêmias.


Prof. Marcus Vinícius Teixeira Navarro

Centro Federal de Educação Tecnológica da Bahia

Núcleo de Tecnologia em Saúde – NTS

Laboratório de Física Radiológica – LAFIR

Rua Emídio dos Santos S/N Salvador-Ba

CEP 40.301-015 Fone/FAX: 55 71 2102-9451

sábado, 7 de março de 2009

AS ROSAS DO CUME

Poesia. Um momento mágico.
Esta, ouvi muitas vezes declamada por um dos tios de minha amada, senhor pra lá dos 80 e dono de um humor de moleque...

No cume daquela serra
Eu plantei uma roseira
Quanto mais as rosas brotam
Tanto mais o cume cheira

À tarde, quando ao sol posto
O vento no cume beija
Vem travessa borboleta
E as rosas do cume deixa

No tempo das invernias
Que as plantas do cume lavam
Quanto mais molhadas eram
Tanto mais no cume davam

Quando cai a chuva fina
Salpicos no cume caiem
Abelhas no cume entram
Lagartos do cume saem

Mas, se as águas vêm correndo
O sujo do cume limpam
Os botões do cume abrem
As rosas do cume brincam

Tenho, com certeza agora
Que no tempo de tal rega
Arbusto por mais mimoso
Plantado no cume, pega

E logo que a chuva cessa
Ao cume leva alegria
Pois volta a brilhar depressa
O sol que no cume abria

À hora de anoitecer
Tudo no cume escurece
Pirilampos do cume brilham
Estrelas no cume aparecem

E quando chega o Verão
Tudo no cume seca
O vento o cume limpa
E o cume fica careca

Vem, porém, o sol brilhante
E seca logo em catadupa
O mesmo sol, a terra abrasa
E as águas do cume chupa

As rosas do cume espreitam
Entre as folhagens d'além
Trazidas da fresca brisa
Os cheiros do cume vêm

E quando chega o Inverno
A neve no cume cai
O cume fica tapado
E ninguém ao cume vai

No cume dessa montanha
Tem um olho de água à beira
É uma água tão cheirosa
Que a multidão ansiosa
O olho do cume cheira.

AUTOR: Não tenho a menor idéia.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

no paraiso Deus criou os animais

Nos primeiros sete dias de trabalho no paraíso Deus criou tudo, inclusive os animais


CRIOU O BURRO E DISSE: Trabalharás incansavelmente de sol a sol, carregando fardo nos lombos. Comerás capim , não terás inteligência alguma e viverás 60 ANOS. SERÁS BURRO

O BURRO RESPONDEU: Serei burro, mas viver 60 ANOS é muito, Senhor. Dá-me apenas 30 ANOS. Deus lhe deu 30 ANOS.


DEUS CRIOU O CACHORRO E DISSE: Vigiarás a casa dos homens e serás seu melhor amigo.

Comerás os ossos que ele te jogar e viverás 20 ANOS. SERÁS CACHORRO

O CACHORRO RESPONDEU: Senhor, comerei ossos, mas viver 20 ANOS é muito. Dá-me 10 ANOS. Deus lhe deu 10 ANOS.


DEUS CRIOU O MACACO E DISSE: Pularás de galho em galho, fazendo macaquices, serás divertido e viverás 20 ANOS. SERÁS MACACO.

O MACACO RESPONDEU: Senhor, farei macaquices engraçadas, mas viver 20 ANOS é muito. Dá-me apenas 10 ANOS. Deus lhe deu 10 ANOS.


DEUS CRIOU O HOMEM E DISSE: Serás o único ser racional sobre a face da Terra, usarás tua inteligência para te sobrepores aos demais animais e à Natureza. Dominarás o Mundo e viverás 30 ANOS.

O HOMEM RESPONDEU: Senhor, serei o mais inteligente dos animais, mas viver 30 ANOS é muito pouco. Dá-me os 30 ANOS que o BURRO rejeitou, os 10 ANOS que o CACHORRO não quis, e também os 10 ANOS que o MACACO dispensou.


E ASSIM FEZ DEUS...

- Viverás 30 ANOS como HOMEM.

- Casarás e passarás a viver 30 ANOS como BURRO, trabalhando para pagar as contas e carregando fardos.

- Serás aposentado pelo INSS, vivendo 10 ANOS como CACHORRO, vigiando a casa.

- E depois ficarás velho e viverás mais 10 ANOS como MACACO, pulando de casa em casa, de um filho para outro, e fazendo macaquices para divertir os NETOS...


Dura Conclusão!!:


(Autor desconhecido)

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Qual a diferença entre forma de governo, doutrina econômica e politica social?

Meus caros,

Acabei de receber um e-mail do nosso sindicato agradecendo pela instituição ter posto na sua Home Page um link para o mesmo.
Alguem pode me explicar o que um sindicato de esquerda, defendendo os direitos dos trabalhadores junto ao patrão, o governo, que também é de esquerda, está fazendo aqui? Acho isso preocupante. Alias, muito preocupante. Mistura, confusão, simbiose, etc. Fui chamado de antiquado já que as relações evoluíram. É, pode ser que eu seja mesmo antiquado e até conservador em algumas coisas.

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José Lamartine Neto
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"Todos nós nascemos originais e morremos cópias." (Carl Gustav Jung)


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Extraído do texto "Esquerda vs Direita - Again" disponível em FYI - Perplexity is the beginning of knowledge
http://fyiblog.wordpress.com/2005/12/10/esquerda-vs-direita-again/ . Vale a pena dar uma lida pra recapitular...

Primeiro de tudo, é totalmente necessário se separar os três âmbitos em discussão: forma de governo, doutrina econômica e política social.

Economicamente, o espectro de opções vai de comunismo (aonde o governo controla todos os aspectos) ao “laissez-faire puro”, aonde o governo não tem envolvimento nenhum. Atualmente, todas as economias do mundo estão entre um extremo e o outro. Além disso, o intervencionismo estatal também pode ser classificado em níveis. O primeiro é o dos impostos, taxas e tarifas. Depois temos as intervenções diretas na produção privada, como as diversas formas de subsídio, quotas, banco central, controle de preços, etc. Por último, temos a estatização da produção, que é a mais grave. Quanto mais empresas estatais (em proporção ao PIB), mais perto do comunismo. Claro que essas regras são subjetivas. Os dois mais famosos índices de liberdade econômica (Heritage Foundation e Fraser Institute) são dois exemplos de modelos diferentes.

No lado social, as opções vão de libertários aos tradicionalistas. Os tradicionalistas sendo aqueles que pregam o respeito e obediência as regras morais pré-estabelecidas, enquanto os libertários são os que pregam a dissolução (ou mudança drástica) das mesmas.

Sobre a forma de governo, temos em um extremo a anarquia (nenhum governo) e do outro lado o totalitarismo (ou governo total).

Todas as diversas opções desses três grupos podem se misturar. Podemos ter uma ditadura tradicionalista comunista, uma democracia libertária socialista, uma monarquia conservadora capitalista, etc.

Na teoria, economias que se aproximam do comunismo promovem governos autoritários. Primeiro porque para controlar a atividade econômica é preciso de muita gente, o que cria mais incentivos para corrupção, abusos de poder, e consequentemente a manutenção do poder na base da força. Segundo, porque quando o governo se envolve na produção, os mecanismos de competição não funcionam como deveriam e a tendência é que quem está no poder tenha mais chances de se manter no topo a todo custo.

Porém, certos níveis de autoritarismo convivem temporariamente bem com sistemas capitalistas. O Chile é o exemplo mais famoso. Mas no geral, os governos autoritários que permaneceram no poder por longos períodos tendem a intervir fortemente na economia.

Na área social, muitos defendem a tese de que abertura econômica leva a abertura social. Outros dizem que “equalização” econômica (socialização) leva a maior abertura social. Na prática, nenhum dos dois casos sempre acontece. Os países comunistas tinham (os que sobraram ainda tem) péssimo histórico de direitos humanos. Entretanto, alguns países que abriram suas economias recentemente (China é o maior exemplo) ainda não tiveram melhora significativa nos direitos sociais.

Só mais algumas observações sobre ditaduras: O Nazismo e Fascismo juntavam elementos de direita e esquerda. Eles se aliaram a iniciativa privada, mas aumentaram a influência do governo em diversos aspectos. Somente certas empresas privadas (com influência no governo) prosperavam, e muitos argumentam que essa situação se tornaria insustentável a longo prazo. O governo controlava aspectos financeiros, principalmente alocação de crédito. Além disso, ao mesmo tempo em que eles eliminaram os sindicatos privados, construíram um gigantesco sindicato estatal. Ao mesmo tempo em que não estatizaram empresas privadas (só as que pertenciam aos judeus), construíram gigantes como a Volkswagen.

Mesmo nos aspectos sociais, os nazistas e fascista misturavam conceitos de direita e esquerda. Todo o aspecto racial e militarista pode ser ligado ao tradicionalismo europeu, enquanto as idéias de aumento de renda da camada mais pobre e harmonização das crises globais (os nazistas achavam que a crise de 29 foi arquitetada pelos judeus) eram ligadas (mesmo que por vias tortas) aos progressistas da época.

A ditadura do Brasil segue mais ou menos o mesmo caminho. Foi criada para evitar um possível golpe comunista, mas passou longe de implantar qualquer sistema capitalista liberal. As reservas de mercado, restrições trabalhistas, aumento do número de funcionários públicos, eram todas medidas identificadas com a esquerda.

Enfim, acho bobagem tentar enquadrar sistemas totalitários com uma ideologia (com a possível e discutível exceção dos golpes comunistas do começo do século XX). Toda ditadura, por mais poderosa que seja, é mais refém do seu povo do que qualquer democracia. Numa democracia tudo que seu partido precisa é da maioria. Numa ditadura, a minoria pode criar muito mais problemas. Esses governos tendem a ser extremamente populistas, e dai vem essa mistureba de medidas.

Ditaduras sempre acabam. E por bem ou por mal, nunca tivemos tão poucas como atualmente, o que torna essa discussão um tanto ultrapassada.


domingo, 18 de janeiro de 2009

O que é guerra de quarta geração

Como está acontecendo esta guerra na Faixa de Gaza entre Israel e o Hamas, este se utiliza de expediente moderno. Mesmo o exercito Israelense sendo um dos mais fortes do mundo, a outra parte usa muitas "inovações". Veja o texto a seguir...

Eduardo Italo Pesce
Especialista em Relações Internacionais e professor no Centro de Produção da UERJ.

Iberê Mariano da Silva
General-de-brigada engenheiro militar do Exército Brasileiro, na reserva.

Publicado no Monitor Mercantil 31/08, 01/09 e 02/09/07


O termo "guerra de quarta geração" vem sendo empregado para designar o conflito multidimensional, envolvendo ações em terra, no mar, no ar, no espaço exterior, no espectro eletromagnético e no ciberespaço. Nesse novo contexto estratégico, o "inimigo" pode não ser um Estado organizado, mas um grupo terrorista ou outra organização criminosa qualquer.

Mas o que significa exatamente guerra de quarta geração, e quais foram (ou são) as três primeiras gerações da guerra? Em última análise, a guerra de quarta geração (G4G) significa a perda, pelo Estado, do monopólio dos conflitos armados. Este monopólio resultou do Tratado de Westfália de 1648, que pôs fim à Guerra dos Trinta Anos.

A partir daquele tratado, que também marcou o fim das guerras privadas e o declínio das tropas de mercenários, desenvolveram-se os modernos Estados nacionais soberanos - com seus Exércitos e suas Marinhas permanentes - e as várias gerações de conflitos interestatais, assim como as relações internacionais na forma que conhecemos.

A guerra de primeira geração (G1G), que perdurou da segunda metade do século XVII até meados do século XIX, caracterizou-se pela rigidez das táticas e formações lineares, em terra ou no mar.

A Revolução Industrial tornaria tais métodos de combate obsoletos, dando origem à guerra de segunda geração (G2G), a qual incorporou o poder de fogo dos novos armamentos, produzidos em massa pelas indústrias.

A evolução da G2G culminou com a Primeira Guerra Mundial. Durante aquele conflito, foram empregados os instrumentos que permitiriam o desenvolvimento da guerra de terceira geração (G3G), como o carro de combate, o submarino e a aviação. A G3G mudaria a orientação das táticas militares, do poder de fogo para a combinação de movimento e fogo - isto é, do atrito para a manobra.

Desde a Segunda Guerra Mundial, as táticas e doutrinas da G2G e da G3G coexistem nas Forças Armadas de quase todos os países do mundo. O Brasil também assimilou tais ensinamentos, por influência estrangeira (inicialmente francesa e posteriormente norte-americana) e pela experiência de combate das Forças Armadas brasileiras durante aquele conflito.

Os conflitos periféricos do período da Guerra Fria levariam ao desenvolvimento da guerra de quarta geração (G4G). O surgimento das armas nucleares em 1945 contribuiu para tornar a guerra entre grandes potências demasiadamente perigosa. Desde então, os conflitos locais ou regionais (envolvendo inclusive atores não-estatais) vêm proliferando e tendem a ser cada vez mais comuns.

O terrorismo dito "fundamentalista" é uma das manifestações de tal fenômeno. Os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono, em 11 de setembro de 2001, constituem um ponto de virada fundamental, na trajetória dos conflitos de quarta geração. Desde então, o mundo tem vivido uma espécie de "conflito de baixa intensidade permanente", sujeito a surtos periódicos de média ou alta intensidade.

O terrorismo internacional é uma ameaça a ser combatida pelos órgãos de inteligência e segurança dos Estados, e não pelo emprego de força militar convencional. As invasões do Afeganistão e do Iraque, por coalizões lideradas pelos Estados Unidos, são dois exemplos de emprego mal-sucedido das Forças Armadas contra ameaças terroristas (reais ou não), que resultaram num agravamento do problema.

Ao invadir países periféricos e destruir seu Estado, eliminando o precário equilíbrio de forças interno, a superpotência hegemônica e seus aliados estabelecem o caos no território desses países e criam condições propícias à proliferação de grupos insurgentes de quarta geração. O Estado, ainda que em condições precárias de funcionamento, deve ser preservado - pois é uma barreira entre a civilização e a barbárie.

A destruição de um Estado pode ser conseguida - intencionalmente ou não - por outros meios que não os militares. A fim de "conquistar" um país, é possível destruir sua economia e seu sistema político, assim como sua coesão interna e sua identidade cultural, sem necessidade de empregar força militar.

No contexto da G4G, os ataques à segurança de um Estado podem partir de outros Estados, mas também de conglomerados multinacionais, organizações terroristas ou cartéis de narcotraficantes. Desse modo, uma coalizão de facções ideológicas ou criminosas - com ramificações internas e externas - poderia "declarar guerra" ao Estado brasileiro. Será que o Brasil estaria preparado para tal possibilidade?

Este tipo de conflito é uma guerra sem escrúpulos - na qual o alvo pode ser qualquer um, não importando as consequências. Consequentemente, é uma guerra sem ética e sem honra, baseada frequentemente na covardia. É também uma guerra sem "critério de parada" - pois nela não existe convicção de derrota, nem há ninguém para capitular.

Finalmente, a G4G é uma guerra sem limites - na qual perdem validade prática as Convenções de Genebra e as normas da Organização das Nações Unidas (ONU), e não há ninguém (leia-se, nenhum Estado) para assumir a responsabilidade pelos excessos cometidos. Como diria Hobbes, é a "guerra de todos contra todos".

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Patria de terroristas.


Brasil. Pátria de terroristas.
Existe algo de estranho no ar, meio pútrido quando um Ministro da Justiça insiste em dar guarida ao um condenado terrorista italiano (Cesare Battisti). A empatia do Ministro e de alguns outros da chamada esquerda com pessoas que cometeram este tipo de crime deveria impressionar mais as pessoas de bem.
Porque a dificuldade de se admitir que o grupo Farc da Colômbia era terrorista?
Por que foi negado o asilo político a dois jovens atletas cubanos na época do PAN? Será porque nosso governo é apoiador da ditadura de Cuba?
O Senhor Ministro da Justiça quis há pouco ressuscitar a Lei de Anistia só que questionando sua abrangência, alegando que certos “crimes” são imprescritíveis como a tortura. Ora bolas, da mesma forma que a tortura é imprescritível, os atos terroristas também o são. E estes resultaram em vítimas inocentes que ninguém fala. Onde estão os nossos mutilados ou mortos inocentemente pelas ações ditas “libertadoras” para que identifiquem seus algozes, aqueles que cometeram atos de terror.
Quem eram estes senhores no passado e quais os seus interesses? Qual a trajetória? Se forem honestos nos seus pontos de vista verão porque dissidentes cubanos não têm guarida por aqui só os terroristas.
Não esquecem que as Farc foi promovida de grupo terrorista para partido político (tudo que sempre quis). Em breve será o Hamas e tantos outros que usam estratégia de guerra de 4ª. Geração. Daí para o poder quem sabe mais uns 15 a 20 anos (já vimos isso acontecer).
Acreditem, isso não é nenhuma apologia à direita. Penso que é um desrespeito ao estado de direito democrático de um país livre e soberano como a Itália, que gozando de todas as prerrogativas liberais teve acordos vilipendiados por um ministro, que calçado na nossa confusa lei, arrisca nossa credibilidade enquanto assinante de acordos e tratados internacionais.
É questão de identificação. Não se pode reconhecer o outro como diferente, sendo igual a ele.
Diferente do governo brasileiro, o italiano está responsabilizando os terroristas por seus atos.
José Lamartine Neto

O anúncio de Olavo Bilac

O anúncio de Olavo Bilac Autoria desconhecida Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um ...