As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

domingo, 26 de maio de 2013

Marcha das Vazias, por Mirian Macedo


quinta-feira, 31 de maio de 2012

   

     Quarenta nos atrás, revolucionário de esquerda chamava 'isto' aí de decadência burguesa. Na década de 70, desbunde como a Marcha das Vadias seria visto pelo pessoal engajado como coisa de burguesinha alienada, privilegiada, desocupada e condenada à extinção (física, em muitos casos) quando florescesse e se realizasse o reino da verdadeira liberdade: o socialismo.

     Quem não se lembra do escárnio com que os comunistas se referiam aos desbundados, aqueles pequenos ratos burgueses que abandonavam a luta pelo socialismo e se rendiam à alienação das drogas, do sexo livre e do rock'n roll?

     Hoje, é revolucionário pedir a legalização das drogas e praticar o sexo livre (promíscuo, é a palavra). Ou seja, para a mentalidade revolucionária as idéias não têm nenhuma importância. 




       Defender hoje o que combatiam ontem é mera conveniência do projeto de poder totalitário que os guerreiros pelo socialismo querem implantar no mundo (saibam ou não disto os 'companheiros de viagem' e inocentes (in)úteis da história).
  
     Vamos falar claro: não são as idéias que não prestam, quem não vale nada é o próprio revolucionário. Não se pode aceitar discutir 'idéias' com qualquer um deles, seria conceder-lhes o status de interlocutores. Não o são, revolucionário é um sujeito que não defende idéias, o seu projeto é destruir o mundo. Ele não aceita a realidade, qualquer uma.
     

     Antes, as feministas acusavam o 'sistema' de oprimir a mulher, que era obrigada a tornar-se vadia por rejeição da família e para servir de objeto sexual dos machistas chauvinistas. Agora, o must é ser vadia, prostituta virou profissional do sexo, tem registro do Ministério do Trabalho e grife Daspu.

     O que um revolucionário fala é desmentido pela realidade que está à sua frente, é negado pelo que ele está fazendo naquele momento. Não porque o revolucionário não perceba a incoerência, o desvio. Não! A intenção é exatamente esta, praticar a inversão para transformar o mundo em 'algo jamais visto', nas palavras do satânico chefe da seita, Karl Marx.




     Quer ver? Basta olhar a Marcha das Vadias: a passeata está coalhada de crianças. Mas, convenhamos, só por delírio uma pessoa que diz defender o direito da criança à inocência e que é contra a sua exploração como objeto sexual decide levar o próprio filho (filha, em sua maioria) à Marcha das Vadias, em que mulheres com roupa, atitude e discurso de vagabundas se orgulham de serem vadias, putas e sapatonas. Mulheres de vida fácil, isto sim.

     Agora, experimenta dizer a estas vagabundas (elas não se ofendem de serem assim chamadas, por supuesto)que criança pode, sim, levar palmadas dos pais, para sua educação e disciplina. Avançarão sobre quem o disser com unhas e dentes, berrando Violência! Mas consideram prova de amor pedagógico levar esta mesma criança ao circo de horrores, depravação, vulgaridade e indução à promiscuidade, exatamenteo o que é a Marcha das Vadias.

     Hoje, a inversão é norma. Todo mundo sabe que mulher 'vadia' não é coisa que preste. E ficamos todas nós a gritar que somos vadias? Ninguém mais acredita nos seus próprios olhos.

     É assim que funciona a mente revolucionária, Hoje e ontem, aqui e em Cuba. Quando tomou o poder, Fidel Castro pôs na cadeia e mandou para el paredón dezenas de centenas de homossexuais, porque o seu comportamento era 'anti-revolucionário'. Cinquenta anos depois, o mesmo comportamento é aceito, até louvado. 

     Fidel pediu desculpas: "eu errei". Lorota, ele não acha que errou, acha que estava certo lá atrás e acha que está certo agora. Se for do interesse do projeto revolucionário voltar a perseguir, encarcerar e matar homossexuais, isto será feito. Se, daqui a algum tempo, as 'vadias' não mais interessarem elas serão 'oprimidas' e 'reprimidas'.




     Esta mulherada (a maioria é canhão, doida que alguém lhe jogue pelo menos um gracejo na rua) faria melhor se ficasse em casa estudando, lendo, se instruindo. Ainda nos pouparia deste espetáculo grotesco e bizarro de banhas explodindo, peitos caídos, celulite e pneus. 

     Uma amiga de muitos anos, mulher sensível, culta, criativa, nascida em berço aristocrático de tradicional família mineira e hoje uma distinta senhora e avó de muitos netos, cobra de mim ter mudado, de não ser a mesma pessoa que ela conheceu na juventude. Ela lamenta que eu não apóie a Marcha das Vadias.




 
     Eu lhe perguntei se ela se orgulharia de ver suas filhas e netas ao lado de gente que porta cartazes onde se lê "A porra da buceta é minha". Ela não respondeu. Eu respondo: as minhas filhas eu quero em outras companhias. 

     Ter feito e defendido coisa semelhante no passado só aumenta a minha obrigação de lutar contra isto agora. Mudar é próprio de quem pensa, de quem busca a verdade. Hoje, eu prefiro ficar com as palavras de São Paulo: "Aspirai às coisas do alto e não às coisas da terra".

     Marcha das Vadias? Eu e minhas filhas não vamos. Porque não somos.

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