sábado, 18 de abril de 2015

BELO, BELEZA (de Voltaire)

Voltaire




BELO, BELEZA 



Perguntai a um sapo que é a beleza, o supremo belo, o to kalon. Responder-vos-á ser a sapa com os dois olhos exagerados e redondos encaixados na cabeça minúscula, a boca larga e chata, o ventre amarelo, o dorso pardo. Interrogai um negro da Guiné. O belo para ele é – uma pele negra e oleosa, olhos cravados, nariz esborrachado. Indagai ao diabo. Dir-vos-á que o belo é um par de cornos, quatro garras e cauda. Inquiri os filósofos. Responder-vos-ão com aranzéis. Falta-lhes algo de conforme ao arquétipo do belo em essência, o to kalon.

Assistia eu certa vez à representação de uma tragédia em companhia de um filósofo.

– Como é belo! – dizia ele.
– Que viu o sr. de belo?
– O autor atingiu seu fim.

No dia seguinte ele tomou um purgante que lhe fez efeito.

– O purgante atingiu seu fim – disse-lhe eu.
– Eis um belo purgante.

Ele compreendeu não se poder dizer que um purgante seja belo, e que para chamar belo a alguma coisa é preciso que nos cause admiração e prazer. Conveio em que a tragédia lhe inspirara estas duas emoções, e que nisso estava o to kalon, o belo.

Realizamos uma viagem à Inglaterra. Lá se representava a mesma peça, impecavelmente traduzida. Fez bocejarem todos os espectadores.

– Oh! – exclamou o filósofo – o to kalon não é o mesmo para os ingleses e os franceses.

Após muita reflexão concluiu ser o belo extremamente relativo, como o que é decente no Japão é indecente em Roma, o que é moda em Paris não o é em Pequim.


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SIGNIFICADOS:
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Significado de to kalón

Aquilo que liga o mundo divino e o terreno e que assegura à vida um significado e uma dimensão eterna é o kalón (MARTINS TERRA, 2001, p. 494).

"Nada existe de belo que não venha de Deus e não seja divino" (oudèn gár esti tôn kalôn, hò mé theoû te kaì theîon) (MARTINS TERRA, 2001, p. 494).

Significado de aranzel

1- Diz-se do discurso longo, confuso ou tedioso.
2- Narração que aborrece ou cansa. Lenga-lenga.


Fontes: 

François-Marie Arouet Voltaire. Dicionário Filosófico. Original de 1764. Edição Ridendo Castigat Mores. Disponível em http://ultimashoje.com/695

MARTINS TERRA. João Evangelista. O Deus dos Indo-europeus - Zeus e a proto-religião dos indo-europeus. São Paulo. loyola, 2001

Wikcionário, o dicionário livre. http://pt.wiktionary.org/wiki/aranzel




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quinta-feira, 2 de abril de 2015

Detonando clichês do socialismo: "Jesus era um socialista, pois defendeu a redistribuição de riqueza para ajudar os pobres" (por LAWRENCE W. REED)


ESCRITO POR LAWRENCE W. REED | 01 ABRIL 2015 

(Nota do Editor da FEE: Como uma organização não afiliada a nenhuma fé em particular, a FEE (Foundation for Economic Education) encoraja outras perspectivas em tais matérias. O Sr Reed deseja que os leitores entendam que sua perspectiva pessoal não tem intenção de fazer proselitismo para nenhuma fé ou igreja em particular, mas simplesmente iluminar sua interpretação da dimensão moral e econômica de Cristo.)

Você não precisa ser cristão para ser sensível à falsidade deste boato. Você pode ser uma pessoa de qualquer fé, ou de nenhuma fé afinal. Você só precisa ser sensível aos fatos.
Eu ouvi algo semelhante a este clichê cerca quarenta anos atrás. Como cristão, fiquei perplexo. Na visão de Cristo, a decisão mais importante que uma pessoa tomaria em sua vida terrena era aceitá-lo ou rejeitá-lo pelo que Ele afirmou ser – Deus encarnado e o Salvador da humanidade. Esta decisão era claramente uma decisão muito pessoal – uma escolha individual e voluntária. Ele constantemente enfatizou a renovação interior, espiritual, como muito mais decisiva que o bem estar material. Pensei: “Como Cristo poderia defender o uso da força para tomar coisas de alguns e dá-las a outros?” Eu simplesmente não conseguia imaginá-lo apoiando uma sentença de multa ou prisão para pessoas que não quisessem entregar seu dinheiro para programas de “bolsa família”.
“Espere um momento”, você diz. “Ele não respondeu: 'Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus' quando os fariseus tentaram pegá-lo no truque de denunciar os impostos romanos?” Sim, de fato, Ele disse isto. Pode ser encontrado no Evangelho em Mateus, capítulo 22, versículos 15 a 22 e depois em Marcos, Capítulo 12, versículos 13 a 17. Mas note que tudo depende somente do que pertenceria a César e do que não, o que é atualmente, mais propriamente, um endosso do direito de propriedade. Cristo não disse nada como “isto pertence a César se César simplesmente disser que pertence, não importa quanto ele queira, como ele pega ou como ele escolha gastá-lo”.
O fato é que alguém pode passar um pente fino nas Escrituras, e não encontrará uma palavra sequer de Cristo endossando a redistribuição forçada de riqueza por autoridades políticas. Uma sentença sequer.
“Mas Cristo não disse que veio confirmar a lei?” Você pergunta. Sim, em Mateus 5:17-20, Ele declara, “Não pensem que Eu vim para abolir a lei dos Profetas. Não vim para aboli-los, mas para levá-los à perfeição”. Em Lucas 24:44, Ele esclarece quando diz “... Isto é o que vos dizia quando ainda estava convosco: era necessário que se cumprisse tudo o que de mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos”.Ele não estava dizendo: “Qualquer lei que o governo aprove, Eu apoio”. Ele estava falando especificamente da Lei de Moisés (primeiramente os Dez Mandamentos) e das profecias de Sua vinda.
Considere o oitavo dos Dez Mandamentos: “Não roubarás”. Observe o período após a palavra “roubarás”. Esta admonição não é lida como “Não roubarás a menos que a outra pessoa tenha mais que você”, ou “Não roubarás a menos que você esteja absolutamente certo de poder gastar melhor que a pessoa de quem você roubou”. Nem se diz “Não roubarás mas tudo bem se empregar alguém, como um político, para fazer isso por você”.
No caso das pessoas ainda estarem tentadas a roubar, o décimo mandamento corta o mal pela raiz num dos principais motivos para o roubo (e para redistribuição): “Não cobiçarás a casa de teu próximo, não cobiçarás a mulher de teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma de teu próximo”. Em outras palavras: se não é seu, mantenha suas mãos longe.
Em Lucas 12:13-15, Cristo é confrontado com uma solicitação de redistribuição. Um homem com uma queixa aproxima-se Dele e reclama: “Mestre, fale com meu irmão e faça-o dividir sua herança comigo”. O Filho de Deus, o mesmo Homem que realizou curas milagrosas e acalmou as ondas, respondeu deste modo: “Homem, quem fez de mim juiz ou árbitro entre vós? Tenha cuidado e abstenha-se de controvérsias, a riqueza de um homem não consiste na abundância material que ele possui”. Uau! Ele poderia ter igualado a riqueza dos dois homens com um movimento de Suas mãos, mas em vez disso, Ele escolheu denunciar a inveja.
“E a respeito da parábola do bom samaritano? Ela não representa um exemplo de programa de bem estar governamental, senão diretamente de redistribuição?” você pergunta. A resposta é um enfático NÃO! Considere os detalhes da parábola, como descrita em Lucas 10:29-37: Um viajante encontra um homem caído às margens da estrada. O homem tinha sido surrado, roubado e deixado semimorto. O que o viajante fez? Ajudou o homem, ele próprio, no local, com seus próprios recursos. Ele não disse “escreva uma carta ao imperador” ou “vá procurar sua assistente social” e foi embora. Se ele tivesse feito isso, ele seria conhecido hoje como o “bom pra nada samaritano”, se ele fosse de fato lembrado.
E a respeito da referência, nos Atos dos Apóstolos, aos primeiros cristãos vendendo seus bens mundanos e compartilhando este procedimento comunitariamente? Isto soa como uma utopia socialista. Analisando de perto, entretanto, fica claro que aqueles cristãos não venderam tudo que tinham e não foram obrigados a fazer isso. Eles continuaram encontrando-se em suas próprias casas, por exemplo. Em seu capítulo de contribuição ao livro “For the Least of These: A Biblical Answer to Poverty” de 2014, Art Lindsey, do Institute for Faith, Work and Economics, escreve:
“Novamente, na passagem dos Atos dos Apóstolos, não há menção ao estado sob qualquer condição. Estes primeiros crentes contribuíram com seus bens livremente, sem coerção, voluntariamente. Alhures nas Escrituras nós vemos que os cristãos são instruídos a doar somente desta maneira, livremente, “Dê cada um conforme o impulso de seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama o que dá com alegria” (2 Coríntios 9:7). Há abundância de indicação de que os direitos de propriedade ainda estavam valendo...”
Isto pode frustrar os socialistas a aprender que as palavras e feitos de Cristo, repetidamente sustentadas desta maneira criticamente importante, referem-se às virtudes do capitalismo como contrato, lucro e propriedade privada. Por exemplo, considere a “Parábola dos Talentos”. Dos muitos homens na estória, o único que pega o dinheiro e o enterra é repreendido, enquanto o que investiu e gerou maior retorno é aplaudido e recompensado.
Ainda que não seja central à estória, boas lições de oferta e demanda bem como a santidade do contrato, são evidentes em Cristo na “Parábola dos Trabalhadores na Vinícola”. Um proprietário de terras oferece salário para atrair trabalhadores para um dia de trabalho urgente na coleta de uvas. Próximo ao fim do dia, ele percebe que precisa rapidamente empregar mais gente, e oferece por uma hora de trabalho o que havia previamente oferecido pagar aos primeiros trabalhadores por um dia de serviço. Quando um dos que tinham trabalhado o dia todo queixou-se, o proprietário de terras respondeu: “eu não estou sendo injusto com você, amigo. Você não concordou em trabalhar por um denário? Pegue seu pagamento e vá. Eu quero dar ao que foi empregado por último o mesmo que dei a você. Eu não tenho o direito de fazer o que quero com meu dinheiro? Ou você está com inveja porque estou sendo generoso?”
A bem conhecida “Regra de Ouro” veio dos lábios do próprio Cristo, em Mateus 7:12. “Então em tudo, faça aos outros o que você gostaria que fizessem a você, porque esta é a lei dos profetas”. Em Mateus 19:18, Cristo diz: “... ame a teu próximo como a ti mesmo”. Em nenhuma outra parte Ele remotamente sugeriu que você repugnasse seu próximo por sua riqueza, ou que procurasse tomar a riqueza dele. Se você não deseja que sua propriedade seja confiscada (e muitas pessoas não desejam, e não precisariam de um ladrão à disposição para dividir com ele de maneira alguma), então claramente você não deveria querer confiscar a propriedade de outros.
A doutrina cristã adverte contra a ganância. Como o faz em nossos dias o economista Thomas Sowell: “eu nunca entendi porque é “ganância” possuir o dinheiro que você mereceu mas não é ganância querer tirar o dinheiro de outros”. Utilizar o poder do governo para roubar a propriedade de outra pessoa não é exatamente altruístico. Cristo nunca sugeriu que acumular riqueza através do comércio pacífico era de alguma forma errado. Ele simplesmente suplicou às pessoas que não permitissem que a riqueza os dominasse ou corrompesse seu caráter. Por isto seu grande Apóstolo, Paulo, não disse que o dinheiro era mal na famosa referência em 1Timóteo 6:10. Aqui vai o que Paulo verdadeiramente disse: “Porque a raiz de todos os males é o amor ao dinheiro. Acossados pela cobiça, alguns se desviaram da fé e se enredaram em muitas aflições”. De fato, os próprios socialistas não abandonaram o dinheiro de modo abnegado, eles estão clamando é pelo dinheiro de outras pessoas, especialmente o dos “ricos”.
Em Mateus 19:23, Cristo diz: “Em verdade vos digo, é difícil para um rico entrar no Reino dos Céus”. Um socialista poderia dizer: “Eureka! Aqui está! Ele não gosta de pessoas ricas” e então distorce a observação depois de reconhecer a justificativa de qualquer esquema do tipo “roube Pedro para pagar Paulo” que põe a montanha abaixo. Mas este conselho é inteiramente consistente com tudo o que Cristo falou. Não é um convite pra invejar os ricos, para tomar dos ricos e dar celulares “grátis” aos pobres. É um conselho para o caráter. É uma observação de que muitas pessoas deixam-se dominar pela riqueza, tanto quanto por outros meios em torno. É um alerta contra tentações (as quais vêm de muitas formas, não só pela riqueza material). Todos nós já não notamos que entre os ricos, como igualmente entre os pobres, existem boas e más pessoas? Todos nós já não vimos celebridades corrompidas por sua fama e fortuna, enquanto outros, entre os ricos, levam vidas dignas? Todos nós já não temos visto pessoas que permitem que a pobreza as desmoralize e debilite, enquanto outros, entre os pobres, veem a pobreza como um incentivo para melhorar de vida?
Nos ensinamentos de Cristo e em muitas outras partes do Novo Testamento, os cristãos,e, na verdade, todas as pessoas, são aconselhadas a serem “espíritos generosos”, a cuidar da família de alguém, a ajudar os pobres, assistir as viúvas e os órfãos, a revelar bondade e manter altivez de caráter. Como tudo isso pode ser traduzido no negócio sujo de coerção, compra de votos, esquemas de redistribuição politicamente dirigidos é um problema para prevaricadores com agenda. Não é um problema para estudiosos do que a Bíblia verdadeiramente diz ou não diz.
Examine sua consciência. Considere as evidências. Seja atento aos fatos. E pergunte-se: “Desejando ajudar os pobres, Cristo preferiria doar livremente seu dinheiro ao Exército da Salvação (ou a qualquer outra instituição de caridade) ou na mira de uma de arma ao departamento de assistência social do governo?
Cristo não era estúpido. Ele não estava interessado em profissionais públicos da caridade, postura na qual os fariseus legalistas e hipócritas se engajavam. Ele repudiou essa conversa fiada interesseira. Ele sabia que ela era sempre fingida, raramente indicativa de como eles conduziam seus afazeres pessoais, e que era sempre um fim de linha com abundância de enganos e desilusões pelo caminho. Dificilmente faria sentido para Ele defender os pobres apoiando políticas que minam o processo de criação de riqueza necessário para ajudá-los. Numa análise final, Ele nunca endossaria um esquema que não funciona e é orientado pela inveja e pelo roubo. A despeito das tentativas dos socialistas modernos em transformá-lo num Robin Hood, Ele nunca foi desses.


Da Foundation for Economic Education. Original aqui.

Tradução: Flávio Ghetti

Fonte - http://www.midiasemmascara.org/artigos/cultura/15747-2015-04-01-21-18-27.html


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Doutrinação combina com educação? (por Osvaldo Lyra)


Osvaldo Lyra

Doutrinação combina com educação?

Publicada em 01/04/2015 07:16:11
Um episódio ocorrido recentemente na Universidade Federal da Bahia, em que uma professora da Faculdade de Comunicação teria insultado alunos da Faculdade de Direito, ao chamá-los de “coxinhas” (termo pejorativo usado para retratar os manifestantes em oposição ao governo Dilma Rousseff), trouxe à tona uma discussão até então adormecida nas unidades de ensino do país. Estaria em curso um processo de doutrinação ideológica nas escolas e universidades brasileiras? O tema, sensível e quase nunca tratado publicamente, chegou à Tribuna através de alunos da própria Ufba, que afirmam existir “um aparelhamento sistemático das universidades no Brasil”. O motivo, segundo disseram, é que não ser de esquerda nas faculdades, sobretudo públicas, se constitui num verdadeiro tormento. Muitos dos estudantes são moralmente achincalhados e intelectualmente perseguidos.
No episódio da Ufba, uma aluna que havia comparecido aos protestos no Farol da Barra, dia 15 de março, não teria tido coragem de se pronunciar em sala de aula, devido à pressão da professora. O argumento usado pelos integrantes da Universidade Federal da Bahia é que existe uma diferença muito grande entre ter opinião e impor ideologia. Eles dizem que a começar pelas bibliografias indicadas, “que são muito enviesadas”, não há espaço para pluralidade na vida acadêmica. Isso porque, autores, como Karl Marx e Paulo Freire, nitidamente alinhados à esquerda, são vendidos sob a áurea da neutralidade, passando uma sensação de falsa pluralidade, deixando de lado clássicos como Ludwic Von Mises, Aliomar Baleeiro e Ruy Barbosa.
No último dia 24, a Comissão de Educação da Câmara dos Deputados fez, pela primeira vez na história do país, uma audiência pública para debater a tentativa de doutrinação nas escolas públicas e privadas. À frente da ONG Escola Sem Partido, Miguel Nagib disse que a audiência preparava o caminho para uma lei nacional contra a doutrinação política e ideológica dos brasileiros. Para ele, o debate era para saber se as salas de aula estavam sendo usadas para favorecer, de forma direta ou indireta, governos, partidos e ideologias políticas, como vem denunciando, desde 2004, o movimento que lidera.
De acordo com Nagib, o uso da sala de aula para fins políticos e ideológicos afronta, a um só tempo, o princípio constitucional da neutralidade política e ideológica do Estado, e a liberdade de consciência dos estudantes, assegurada pelo art. 5º, VI, da Constituição Federal. “Mas não é só: ao abusar da liberdade de cátedra para tentar transformar seus alunos em réplicas ideológicas de si mesmo, o professor desrespeita os preceitos mais elementares da ética do magistério”, completou. Miguel Nagib diz ainda que muitos professores acreditam que, entre as quatro paredes da sala de aula, não têm contas a prestar à ética, pois, para eles, o que importa é transformar o mundo, construindo uma sociedade em conformidade com suas ideias de justiça.
O dirigente da ONG Escola Sem Partido cita ainda uma pesquisa do Instituto Sensus, que revelou, em 2008, que 80% dos professores reconhecem que seu discurso em sala de aula é politicamente engajado e que 60% dos pais e dos alunos têm a mesma opinião. E isso, tanto nas escolas particulares quanto nas unidades da rede pública.
Ideologias à parte, seja você de direita ou de esquerda, o fato é que o episódio da Ufba exige uma ampla discussão sobre o assunto. Não se pode permitir, num estado democrático de direito, que numa universidade os alunos não possam emitir suas opiniões, seja a favor ou contra o governo em questão. Uma escola e uma universidade devem incentivar, justamente, a diversidade, preparando e capacitando novos formadores de opinião. 




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segunda-feira, 30 de março de 2015

Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas

A Comissão de Educação da Câmara dos Deputados realizou audiência pública no dia 24/3/2015, através de requerimento do deputado Izalci (PSDB-DF), com o tema: Doutrinação Política e Ideológica nas Escolas.

Participaram da audiência:
- o secretário de educação básica do Ministério da Educação, Manuel Palácios (7:40);
- o representante da Associação Nacional dos Centros Universitários (Anaceu), Celso da Costa Franches (19:25);
- o professor de Sociologia do Departamento de Educação da Universidade de Brasília (UnB) Braulio Porto De Matos (26:58);
- o professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Luiz Lopes Diniz Filho (51:18);
- a professora Ana Caroline Campagnolo (1:13:45);
- o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor, do Ministério Público, Trajano Sousa De Melo (1:35:50);
- a presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), Amábile Pácios (1:51:10 );
- o coordenador do Movimento Escola Sem Partido, Miguel Nagib (1:59:57);






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quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Pobreza é Mesmo a Causa da Criminalidade? (por Felipe Lomboni)




Até que ponto os fatores externos condicionam ou até determinam a ação humana? Seria a pobreza a causa real de toda a miséria moral? Theodore Dalrymple, pseudônimo do médico psiquiatra Anthony Daniels, viu de perto a realidade das classes baixas da Inglaterra, chegando a atuar em hospitais públicos e presídios.  Sua experiência no trato com viciados, assaltantes, moradores de rua e jovens mulheres constantemente agredidas pelos maridos nos mostram que a pobreza moral somada a uma máscara ideológica que visa amenizar a responsabilidade individual tem maior fator determinante do que a quantidade de bens que se possui.

Se observarmos mais de perto o fenômeno das conversões evangélicas que ocorrem nas favelas do Rio de Janeiro, por exemplo, veríamos que boa parte dos que antes traficavam drogas e praticavam furtos sob a desculpa de que era a única saída que a vida lhes dera, abandonaram completamente estes meios de enriquecimento fácil. Tais pessoas continuam pobres, continuam habitando a mesma região, mas a percepção deles mesmos em relação à sociedade  e dos fatores que os condicionam foi alterada. Grande parte dos pobres, e dos ricos também, não ousariam praticar furtos ou traficar substâncias por medo da lei, da imagem que sustentam diante da comunidade em torno ou dos próprios valores morais. Já o fora da lei, sempre o teremos. E não importa a posição que ocupe na sociedade.

No Brasil, vemos que as condições não são tão diferentes quanto à Inglaterra de Dalrymple. Apesar da propaganda do atual governo mencionar que a miséria tenha sido erradicada entre nós e que o país esteja mais rico, os índices de violência crescem como nunca antes observado na história. Há um completo descompasso entre riqueza material e espiritual. O Wellfare-State inglês fazia de tudo para garantir os “direitos” inalienável dos mais pobres, como moradia, automóvel, pensão e até mesmo garrafas de Scotch, mas mascarava os dados que evidenciam o aumento da violência, sobretudo nos bairros mais...pobres.

“Homens”, diz Dalrymple, “pensam, e o conteúdo daquilo que pensam determina em grande parte o curso de suas vidas”[1]. É a refutação de uma máxima marxista infinitamente perniciosa que tem corrompido a vida intelectual ao afirmar que não é a consciência dos homens que determina seu ser, mas é o seu ser social que determina a consciência. Longe de ser uma mera descrição do porquê alguns escolhem uma vida de crimes, o discurso progressista de que a pobreza determina a conduta individual acaba incentivando que mentes fracas – e como o mundo sempre foi cheio delas! – transfira a culpa pessoal para algum tipo de entidade abstrata, como “o sistema capitalista”,  “a sociedade patriarcal”, “a igreja” e etc.  Se o indivíduo não existe enquanto agente de suas próprias deliberações, só resta uma massa amorfa a arcar com a responsabilidade.

No Brasil, esse  pensamento está enraizado em universidades, redações de jornais e programas de TV, e teve o seu auge quando intelectuais de esquerda aplaudiram o lançamento do livro Um Contra Mil, de William de Lima da Silva, que nada mais era que um verdadeiro tratado sociológico de como o crime era uma reação legítima contra uma sociedade injusta. Que William fosse mais conhecido como “O Professor” –  líder do Comando Vermelho – não é informação relevante a esta altura.

A esquerda brasileira, após ter ajudado direta e indiretamente a elevar o nível da criminalidade no país, tenta posar como guardiã da liberdade e do progresso, com soluções para problemas que ela mesma inventou.  Inventou e, assim como o banditismo urbano, se recusa a assumir a culpa. Talvez a esquerda gramsciana por aqui só dure até o início do verdadeiro estado de terror,  quando será absorvida – ou fuzilada – pelos velhos revolucionários stalinistas. Deixar o banditismo à solta não visa acabar com a truculência dos órgãos de segurança contra pobres que não tiveram outra escolha a não ser a vida do crime, mas tão somente levar a população a clamar pelo policiamento ostensivo, até mesmo contra seus direitos mais básicos.  Como Lênin dizia, “a burguesia tece a corda com que será enforcada”, mas no nosso caso, negando a realidade de que são espíritos de porco que materializam o chiqueiro, ou seja, que indivíduos e não entidades abstratas é que praticam ações, a corda é o discurso bem visto de que os chiqueiros é que fazem os porcos.


1. Dalrymple, Theodore - Vida Na Sarjeta, pag. 144, É Realizações(2014)




Por Felipe Lomboni

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domingo, 15 de fevereiro de 2015

Ele Salvou 669 Crianças da Morte Durante a 2ª Guerra


Ele Salvou 669 Crianças da Morte Durante a 2ª Guerra e Não Sabia Que Elas Estavam Sentadas ao Lado Dele.


Sir Nicholas Winton é um britânico que organizou o resgate de 669 crianças judias na antiga Tchecoslováquia, salvando-as da morte certa nos campos de concentração nazistas antes do início da Segunda Guerra Mundial.

O seu ato de heroísmo foi mantido em segredo até que, certo dia, a sua esposa encontrou no sótão um álbum com as fotografias das crianças salvas.

O vídeo da reportagem do Fantástico, exibido em 2007, mostra ele recebendo uma homenagem emocionante em um programa de TV inglês. Ele não sabia que as pessoas que estavam sentadas ao lado dele, eram as crianças que ele salvou.



Hoje com 105 anos, aproximadamente 6.000 pessoas lhe devem a vida, as que ele salvou e os seus descendentes. No dia 28 de outubro de 2014, ele foi condecorado com a Ordem do Leão Branco.

Esse garotinho deve a vida a ele, neto de uma das crianças que o Sir Nicholas ajudou a salvar.


Algumas das crianças que chegaram salvas em Southampton.

Nicholas Winton segurando uma das crianças que salvou.

Fonte: dailymail

Sir Nicholas Winton não se considera um herói. Segundo ele:

"O que eu fiz foi algo que os outros achavam que era impossível, mas eu tinha de tentar para ver se era possível ou não. Não é um ato heroico. O meu lema é: se algo não é obviamente impossível, então deve haver uma maneira de o fazer."




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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

A desigualdade da distribuição da renda e o luxo dos ricos - por Ludwig von Mises

Ludwig von Mises escreveu este pequeno e elucidativo texto sobre a função dos bens de luxo.


"A desigualdade da distribuição da renda, contudo, tem ainda uma segunda função tão importante [..] : torna possível o luxo dos ricos.

Muitas bobagens se têm dito e escrito sobre o luxo. Contra o consumo dos bens de luxo tem sido posta a objeção de que é injusto que alguns gozem da enorme abundância, enquanto outros estão na penúria. Este argumento parece ter algum mérito. Mas apenas aparenta tê-lo. Pois, se demonstrarmos que o consumo de bens de luxo executa uma função útil no sistema de cooperação social, este argumento será, então, invalidado. É isto, portanto, o que procuraremos demonstrar.


A defesa do consumo de luxo não deve, naturalmente, ser feita com o argumento que se ouve algumas vezes, a saber: que esse tipo de consumo distribui dinheiro entre as pessoas. Se os ricos não se permitissem usufruir do luxo, assim se diz, o pobre não teria renda. Isto é uma bobagem, pois se não houvesse o consumo de bens de luxo, o capital e o trabalho neles empregados teriam sido aplicados à produção de outros bens: artigos de consumo de massa, artigos necessários, e não "supérfluos".

Para formar um conceito correto do significado social do consumo de luxo é necessário, acima de tudo, compreender que o conceito de luxo é inteiramente relativo. Luxo consiste em um modo de vida de alguém que se coloca em total contraste com o da grande massa de seus contemporâneos. O conceito de luxo é, por conseguinte, essencialmente histórico.

Muitas das coisas que nos parecem constituir necessidades hoje em dia foram, alguma vez, consideradas coisas de luxo. Quando, na Idade Média, uma senhora da aristocracia bizantina, casada com um doge veneziano, fazia uso de um objeto de ouro que poderia ser chamado de precursor do garfo em vez de utilizar seus próprios dedos para alimentar-se, os venezianos o considerariam um luxo ímpio, e considerariam muito justo se essa senhora fosse acometida de uma terrível doença. Isto devia ser, assim supunham, uma punição bem merecida, vinda de Deus, por esta extravagância antinatural.

Em meados do século XIX, considerava-se um luxo ter um banheiro dentro de casa, mesmo na Inglaterra. Hoje, a casa de todo trabalhador inglês, do melhor tipo, contém um. Ao final do século XIX, não havia automóveis; no início do século XX, a posse de um desses veículos era sinal de um modo de vida particularmente luxuoso. Hoje, até um operário possui o seu. Este é o curso da história econômica. O luxo de hoje é a necessidade de amanhã. Cada avanço, primeiro, surge como um luxo de poucos ricos, para, daí a pouco, tornar-se uma necessidade por todos julgada indispensável. O consumo de luxo dá à indústria o estímulo para descobrir e introduzir novas coisas. É um dos fatores dinâmicos da nossa economia. A ele devemos as progressivas inovações, por meio das quais o padrão de vida de todos os estratos da população se tem elevado gradativamente.

Havia um tempo em que somente os ricos podiam se dar ao luxo de visitar países estrangeiros. Schiller nunca viu as montanhas suíças que tornou célebres em William Tell, embora fizessem fronteira com sua terra natal, situada na Suábia. Goethe não conheceu Paris, nem Viena, nem Londres. Hoje, milhares de pessoas viajam por toda parte e, em breve, milhões farão o mesmo."



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O anúncio de Olavo Bilac

O anúncio de Olavo Bilac Autoria desconhecida Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um ...