As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Tipos de família

Este é um dialogo bastante construtivo entre quatro pessoas. Eu, Alguém, Outro alguém e a filha de um alguém.

Tudo começou quando vi este quadro no facebook, talvez o maior instrumento de manipulação de comportamento e criação de condutas dos últimos tempos. Em questão de horas temas polêmicos são debatidos apaixonadamente gerando sempre uma tomada de posição uma vez que a proteção da exposição física torna as pessoas muito confiantes. Certamente muitas não se manifestariam com o mesmo ardor se fosse uma conversa olho-no-olho. Mas vamos ao que interessa.

A respeito da foto acima, fiz uma provocação - E ééééé?

Alguém diz - é !!!

Outro alguém também diz - Ué... é sim...
Pergunto e comento - Será que diriam isso a 15 ou 20 anos??? Não perceberam que alguém ou um grupo se manifestou primeiro e disse que isso é o novo padrão de família e que todos devem aceitar (goela abaixo se preciso for). É isso que vocês estão dizendo?? Isso que estou comentando não tem nada a ver com as práticas sexuais das pessoas, que respeito totalmente.

Alguém diz - Pois a prática sexual das pessoas é uma coisa que não me diz respeito nenhum, agora se para se respeitar uma família composta seja lá de que forma for precisar ser goela abaixo, me chame que seguro o sujeito pra ajudar na deglutição.

Outro alguém também diz - Entendi que existem três exemplos do que pode ser considerado família.

Alguém diz - E um exemplo do que pode ser considerado um babaca.

Outro alguém também diz - Ah, é, o babaca...

Neste ponto só posso gargalhar horrivelmente - Haaaaaaaahahahaha.
Um comentário que não foi ao ar no FB: percebem quanta valentia, coragem e determinação? Este é o efeito que me referi no inicio do texto.

Continuando, a filha de um alguém diz - O meu conceito de família independe do sexo dos integrantes, dos laços sangüíneos... Só acho necessário respeito! Cada um de nós opta por qual formar. Ninguém tem o direito de julgar as opções/orien
tações alheias!

Depois deste prelúdio, pergunto - Que tal um exercício mental? Se o que a sociedade vive hoje, com esta crise de valores, é fruto do que foi plantado no passado, está neste caso, apenas colhendo os frutos, proponho um exercício: como estará o mundo com estes valores que adotamos hoje. Pensem nas suas famílias, filhos, filhas, visualizem o cenário ... e aí?

Alguém diz - O q temos hj é fruto do q a igreja impôs, qd lembro como era a Roma antiga, o que vier é lucro.

Torno a perguntar - Como era a Roma antiga para que o que vier ser lucro? E comento: - Pelo que sei a experiência de implantação de outro código de conduta, substituindo a moral judaico-cristã, através dos princípios da Liberdade, Igualdade e Fraternidade na França resultou em mais mortos (na guilhotina) em um período de 90 dias do que 400 anos de inquisição espanhola. Neste caso quem foi mais sanguinolenta ?

Alguém diz - Copiando e colando: Entre os antigos romanos, era comum que o marido evitasse fazer sexo vaginal com a sua esposa na noite de núpcias, em respeito à sua (dela) natural timidez de moça virgem. Como compensação, ele poderia sodomizá-la. Aí, tudo bem. Antes do cair da noite, eram permitidas as carícias, desde que feitas pela mão esquerda. Se o cara fosse maneta tava lascado !!! Entre os gregos e romanos, ser macho era ser ativo, independentemente do sexo do parceiro passivo. Um homem livre cometeria um
a infâmia caso fosse passivo numa relação homossexual. A relação homo entre homens adultos livres não era bem vista. No entanto, as pessoas divertiam-se no teatro ou se vangloriavam na alta sociedade de relações homo entre um homem livre (sempre ativo) e um escravo ou um outro homem de condição social inferior. Aí, era considerado um “pecadilho”.
Um homem livre também cometeria uma infâmia caso se colocasse a serviço do prazer feminino. Tem gente q ainda pensa assim !!! Como se sabe, era comum que homens fizessem sexo com meninos. Dizia-se que os meninos propiciavam um prazer tranqüilo, que não “agitava a alma”, enquanto a paixão por mulheres era considerada um mergulho na “escravidão”. Não que os mais velhos não se apaixonassem ou não fizessem sexo, mas era de bom tom mostrar decoro. A literatura latina nos mostra que o amor e o sexo eram considerados próprios aos jovens. A personagem da mulher velha libidinosa era sempre motivo de riso e escárnio na literatura latina, sempre na comédia ou em um gênero poético chamado iambo. Podemos ver o quadro inicial da discussão com ar de revolta ou esperar para ver um filho ou um neto homosexual e ter que “natoralmente” aceitar e engolir a situação. Na maior parte das vezes o homem aprende no amor ou na dor, eventualmente na dor do amor.

A filha de um alguém diz - Se será no amor ou na dor, não cabe a nós julgar e nem impor o melhor caminho, todos os seres possuem o livre arbítrio de seguir o caminho que julgarem melhor.

Comento - Acredito que, não uma Roma, mas estamos perto de uma Sodoma como vc mesmo se referiu quando explica o "trato" dado pelo marido na esposa tímida. Toda vez que tenho um problema, começo revendo os princípios. E daí vou fazendo o percurso atrás de respostas. Buscando socorro em Aristóteles na sua obra Ética a Nicômano, e também copio e colo o que o filósofo diz que "Virtude diz respeito às paixões e ações em que o excesso é uma forma de erro". Por outro lado, é possível errar de muitos modos (pois o mal pertence à classe do ilimitado e o bem à do limitado, como supuseram os pitagóricos), mas só há um modo de acertar. Pelas mesmas razões, o excesso e a falta são característicos do vício, e a mediania da virtude. Pois os homens são bons de um modo só, e maus de muitos modos. Logo, a virtude é, pois, uma disposição de caráter relacionada com a escolha consistente numa mediania, isto é, a mediania relativa a nós, a qual é determinada por um princípio racional próprio do homem dotado de sabedoria prática. E é um meio termo entre dois vícios, um por excesso e outro por falta; pois que, enquanto os vícios ou vão muito longe ou ficam aquém do que é conveniente no tocante às ações e paixões, a virtude entrar e escolhe o meio termo. A virtude está em achar o "caminho do meio". E isto não é nenhuma moleza. No atual estado de coisas, o que genericamente mais vemos é a busca pelos excessos, a falta de limites que atinge todos os níveis da sociedade. É o império dos direitos, que algumas vezes, passa por cima de outros já estabelecidos. Ninguém, ninguém pode questionar o direito "sacro-santo" de cometer excessos, sob pena de ser acusado (e condenado) como reacionário, homofóbico, inimigo dos direitos humanos, etc. Vemos isso acontecer a todo instante. A isso que estes grupos organizados fazem, com o aval do silencio da sociedade, muitas vezes um silencio cúmplice, chama-se de relações fascistas. Sou um cara das antigas e prefiro continuar achando que existe um modelo de família convencional, ou seja, pai-mãe ou mãe-pai. O resto é imposição. Neste caso, me enquadro no time dos babacas. Será que sou eu mesmo o babaca?

Alguém diz - A busca do equilíbrio é sempre uma coisa positiva, o problema é que tentamos o equilíbrio, o meio termo, através do bom senso, como deve ser feito, e não através do raciocínio, pois desta forma estaremos realmente procurando o meio para aquele momento que vivemos, Acho que Aristoteles foi muito feliz qd assim falou, pois se ele dissesse que a busca do equilíbrio deveria ser feita pelo raciocínio, não chegaríamos nunca a este equilíbrio, pois os extremos estão sempre mudando na escala de valores juntamente com o entendimento da sociedade, que a procura deste equilíbrio está.
Ser bom e ser mal é relativo à época que está se vivendo. Há 50 anos era muito ruim possuir uma mulher antes de se casar, e se alguma mocoila sucumbisse a esse “pecado” seria tratada como vulgar, suja, vadia, acho que não preciso contar como as coisas são hj. Os valores mudaram dentro da mesma escala de valores que existirá dentro de toda a nossa estadia aqui na terra. Se não procurarmos “calibrar” nosso bom senso durante nossa pqna passagem por essas bandas, podemos ser taxados de babacas, ou até podemos realmente ser um. Qd curto esses temas aqui no mundo virtual é pq fico me imaginando em uma situação parecida, envolvido nela de alguma forma, e penso como gostaria de ser tratado se embutido naquele contexto estivesse.
Se Pitágoras não percebesse que a escala é infinita e que sempre precisamos calibrá-la, não teria descoberto os números irracionais e o teorema que leva o seu nome. Penso que assim como ele e vários outros que a frente do seu tempo viveram, devemos tentar sempre mexer no “dial” dos nossos conceitos senão acabamos ficando obsoletos e mais rapidamente somos tratados como velhos.

Por fim me despeço - Muito bem, mas agora peço licença pois vou preparar as crianças para dormir, literalmente. Meu caro foi bom ter este diálogo virtual com vc. Espero poder repetir também em temas mais amenos. Uma boa noite. E voce "falecomeneidinha" ta fazendo falta naquela escola.

Abraços...

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Um comentário:

Anônimo disse...

O que ele fala não é ofensivo não é? Quem comenta não pode ter liberdade de expressão, só os esquerdopata de plantão...então reclama com Deus. Deus é perfeito, ele fez homem e mulher, e seus filhos, isso sim é família. Quer dizer que Deus é babaca?