quarta-feira, 13 de maio de 2009

Transito sob o viaduto do Aquidabã, ufa...

O Aquidabã é uma passagem do transito de Salvador que está se tornando enlouquecedor para motoristas, taxistas, passageiros e usuários de transporte urbano em geral.



Exibir mapa ampliado


O horário das 17h30 até as 19h30 é algo assombroso. Passei por esse sufoco de andar 6 metros

em uma hora. É isso mesmo, seis metros.

Nossa Engenharia de Transito é uma coisa do outro mundo. Fizeram um desvio para os ônibus urbanos entrarem na parte coberta do Aquidabã para logo em seguida, 95% destes mesmos ônibus terem que pegar a via contrária, bloqueando quem deseja ir para Nazaré, Dique ou Bonocô.

A estratégia destes motoristas é ficar “colado” um atrás do outro como comboio neste cruzamento, não permitindo que os automóveis sigam seu destino.

Na verdade o motorista de carro tem que ficar esperto para pegar o motorista do ônibus no vacilo e encaixar o seu, se não, não vai.

Da pena de ver o trabalhador cansado dentro dos ônibus parados, em pé, cochilando de cansaço, com vidros fechados, não por causa do ar-condicionado, mas por causa da chuva. Parecem gado dentro de caminhão boiadeiro, conformados com seu destino.

Dentro do taxi, num calor medonho, sem ar-condicionado, uma TV preto-e-branco mostrava o apresentador Datena falando as mazelas, os crimes horripilantes...

Que fim de dia...


A seguir apresento um artigo sobre Educação vs. Trânsito que escrevi na Faculdade.


José Lamartine Neto

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Quanto vale ou é por quilo?

Comentários do filme, por - José Lamartine Neto (2009)

Filme: Quanto vale ou é por quilo?
Direção: Sérgio Bianchi (2005)
Gênero: drama


O filme faz uma analogia entre o antigo comércio de escravos e a atual exploração da miséria pelo marketing social, com uma fachada de solidariedade.
A trama que ocorre nos nossos dias, envolve uma ONG que implanta um projeto Informática na periferia em uma comunidade carente. Dentre os vários profissionais que trabalham nesta Organização, existe uma que descobre irregularidades, que os computadores comprados foram superfaturados e, por causa disto, um dos gestores decide que ela precisa ser eliminada.
O filme retrata cenas do século XVII, registrado em documentos oficias, da relação entre senhores e escravos. Em uma delas, um capitão-do-mato sustenta a família pela captura de escravos fugitivos, recebendo o pagamento após entregá-los ao seu dono. Nos dias atuais, o personagem Candinho, um jovem desempregado cuja esposa está grávida, torna-se matador de aluguel para conseguir dinheiro para sobreviver, uma clara analogia, numa sofisticação dos métodos, adaptando-os aos instrumentos atuais.
O filme trata também da denuncia como negócio e, tematizando o uso econômico da miséria, faz da denúncia seu próprio negócio.
Com a participação da sociedade civil, neste atual jogo democrático, em prol de demandas não atendidas pelo Estado, as ONG’s, ou o terceiro setor, aparecem no filme funcionando como empresa, objetivando o lucro tendo incorporando seu discurso típico da responsabilidade social, solidariedade e sucesso.
Fazendo um paralelo com “A Violência urbana e a exclusão de jovens” de MELLO (2008) o filme mostra, de uma forma diferente a mesma violência e exclusão perversa, usando o discurso de exaltação do social ou solidariedade, usando o marketing na mídia para promover essa nova indústria, que gerencia a miséria e os miseráveis.
O uso da mídia/marketing como elemento de manipulação de uma verdade conveniente, como na seleção dos atores mirins para o comercial, aprofunda os elementos de formação de preconceitos e estereótipos, cujo objetivo é associar uma imagem de sucesso que deve ser investida.
O maior benefício que os recursos captados geram, segundo o filme, é para sustentação da “máquina”. Os jovens, beneficiários, são detalhe menor.
A participação fraudulenta nas licitações, o baixo rendimento dos recursos pelo bem que podem gerar é a denúncia do filme. Onde o Estado falta ou é ineficiente, permite o surgimento da corrupção e dos desvios com conseqüente aumento da distancia entre ricos e pobres, ampliando a exclusão social.

REFERENCIA:
MELLO, S.L. A Violência urbana e a exclusão de jovens. In SAWAIA, B. As artimanhas da exclusão – Análise psicossocial e ética da desigualdade social. 8ª. Edição. Petrópolis, RJ. Ed.Vozes, 2008


domingo, 10 de maio de 2009

A neurose está morrendo para nascer a perversidade

Quando o Estado se exime de sua responsabilidade, minimizando-se como reflexo da política neoliberal, alguem (ou algo) vai assumir este espaço.
A violência é só um reflexo de uma sociedade que se transforma, desligando-se de suas referências históricas, sendo guiado por novas forças que pregam o prazer a qualquer custo sem se preocupar com as consequencias, ou seja, as lições do passado e as consequencias no futuro, ficam em segundo plano pelo imediatismo do presente.


Os sentimentos de culpa ou remorso estão acabando face ao prazer e gozo que se obtém pela saciedade dos desejos, ao consumir. Não que o presente não seja importante, é obvio que sim. O problema é a desvinculação progressiva que ocorre entre o passado e o futuro, ou seja, a culpa e o medo. É a ditadura da liberdade e o direito ao extremo. A neurose está morrendo para nascer a perversidade?

Um abraço

--
José Lamartine Neto

segunda-feira, 4 de maio de 2009

IFBAHIA piora no ENEN 2009

IFBAHIA, ex-famoso CEFET, ex-famosa ESCOLA TÉCNICA...hoje em SEXTO lugar???!!! E nós ainda temos que comemorar por não ter sido décimo, vigésimo ou lanterna? Ora, me faça uma garapa... (R.C.)


Acho difícil comemorar quando se regride em direção a uma “segunda divisão”.


Quando se fala em inserção no mercado de trabalho, dentro de uma ótica capitalista, competitiva, fica parecendo, para alguns colegas, que se é contrário ao social. Não é nada disso. Basta ver o sucesso das olimpíadas de Matemática e de Física. Só recebe prêmio quem é bom. É mérito, competência.


Quando perdemos posições no ranking das escolas, uma parte de nossa credibilidade vai junto para o buraco. Nossa imagem enquanto instituição formadora de cidadãos habilidosos e competentes fica arranhada. Nossos alunos perdem espaço competitivo já que outras instituições formadoras estão atuando.


Estamos fazendo alguma revolução educacional? Pelos resultados acredito que seja difícil. Penso que formá-los criticamente é um dever. Mas formá-los competentes é uma obrigação.


Temos colegas muito bons não só academicamente como em política, no discurso em defesa de classes ou de “minorias”, hoje resguardadas por lei e por cotas.Pois bem, o que motiva um profissional a ser bom? Dizem por aí que se é ruim porque se ganha pouco ou porque as condições de trabalho são precárias. Tudo bem, concordo. Agora, faço uma pergunta: um jogador de um time de futebol de periferia faz gol contra com a desculpa de que ganha salário mínimo? Não faz, sabe por quê? Porque ele joga o melhor que pode, na esperança de que isso possa mudar a sua vida. O que tem de diferente entre eles e nós? Que elementos existem em um e falta no outro?


Será que é a motivação, expectativa positiva, companheirismo, objetivos comuns, foco, paixão, “vestir a camisa”, envolvimento, satisfação, comprometimento, liderança, empatia, competição, cooperação, inclusão, competência, alegria, carinho, harmonia, autoridade, etc.?


E que tal a exclusão, ciúme, inveja, fofoca, conluio, compadrio, incompetência, falsidade, maldade, disputa, rejeição, hostilidade, agressividade, insatisfação, tristeza, autoritarismo, etc.?


Tenho cá minhas opiniões. Só sei que uma ex-aluna postou um comentário no meu site de relacionamento no dia 01 de maio quando viu uma fotografia de alguns professores que teve, dizendo:


“Alguns responsáveis pela minha formação... e hj ganho meu bom din-din... rsssss”.


Ela foi incluída, além da família, e provavelmente amigos, etc. Infelizmente é uma ex-aluna antiga.

Não dá pra se falar de inclusão e não propiciar condições para nosso aluno não ganhar dinheiro. Basta ver o exemplo dos nossos velhos esquerdistas como estão bem de vida.


José Lamartine Neto

Notícia boa pra cachorro.

A respeito da notícia "Obama dá o cachorrinho a sua filha, como tinha prometido na epoca de sua campanha" divulgado pela mídia televisiva em abril de 2009, só posso dizer o seguinte...

É uma notícia boa pra "cachorro" e essa "coisa" em que se tornou nossa televisão? O que não for vendável não aparece e isso se reflete em todas a áreas. No artístico-cultural tem umas novelas que nem como comédias funcionam, se tratarmos da música, o que se salva? Além disso tem o BBB, as noticias sensacionalistas que prendem os telespectadores por semanas como uma novela da vida real e, o mais interessante, sem precisar de atores, roteiristas, autor, etc. Apenas uma postura ideológica para marketeira para em um produto atraente sem necessariamente ser bonito.


Por falar em ideológico, os sentimentos que motivam as pessoas à reivindicação são a raiva e a injustiça. É bom notar que por aqui tudo acaba em festa, em pizza em marmelada e ninguém faz muita coisa. Quando é que algo diferente vai acontecer se os sentimentos reinantes são desta eterna alegria que nos condenam com tanta festa e tanta comemoração? Já viu alguem querer defender seus direitos com os dentes arreganhados, sorrindo? Não? Nem nunca verá.

José Lamartine Neto

terça-feira, 21 de abril de 2009

Conversa com a doutoranda

Conversa com a doutoranda
Escrito por Jarbas Passarinho

Aceitei a proposta, solicitando-lhe gravar o que eu diria, mas antecipei que tudo que eu afirmasse, na comparação das quatro décadas, eu me obrigava a acompanhar de provas. A primeira pergunta foi o porquê do golpe de 64, sua razão de ser, caso a tivesse, já que ela ouvira versão de que a alegação de ameaça comunista fora pretexto para os militares tomarem o poder. Lembrei-lhe que o mundo estava vivendo a Guerra Fria, dividido em dois hemisférios ideológicos: o comunismo e o anticomunismo. O primeiro avançava desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Além dos países da Europa central e oriental que a União Soviética anexara, Mao Tse Tung vencera na China, Ho Chi Min em parte da Indochina lutava contra os americanos no Vietnã, a descolonização da África aumentara os regimes comunistas e Fidel Castro fazia de Cuba a ponta de lança exportadora da revolução leninista na América Latina, com guerrilhas comunistas atuando nos nossos vizinhos, Venezuela e Colômbia. Irônico que lhe parecesse, nós militares éramos antigolpistas, preparando-nos para enfrentar a ameaça do golpe representada pelo governo João Goulart. Não que fosse ele comunista. Era um latifundiário pecuarista, com aliança com diversos tipos de esquerda, inclusive os comunistas. Mostrei-lhe a prova: o livro Prestes, lutas e autocríticas, por ele ditado em 1982 ao jornalista Dênis de Moraes. Nele, Prestes revela a aliança com Jango, visando a erigir um Estado de aliança da ''burguesia progressista'' com os comunistas. Em nome das ''reformas de base'', Brizola pregava o fechamento do Congresso e criara uma facção paramilitar, o ''grupo dos 11'', para atuar em força, se necessário. Jango tentou dominar o Congresso e os adversários políticos pelo estado de sítio. Acabou retirando a proposta dada a reação do Congresso. Tudo isso não passava, para nós, de veleidades políticas, até que sargentos armados em 1963 tomaram o quartel dos fuzileiros navais, prenderam um ministro e ocuparam parte de Brasília. Foram rechaçados por tropas legais do Exército, com mortos e feridos. Estava clara a ameaça militar, com o motim revolucionário e a quebra da disciplina e da hierarquia, o que se repetiu com os marinheiros e fuzileiros navais amotinados no Rio de Janeiro.

Então nós passamos de antigolpistas, preparados para nos opor à ameaça concreta, a golpistas e decidimos nos antecipar a ela. Prova? Outro livro de um comunista e escritor honesto: Combate nas trevas, de Jacob Gorender. No capítulo ''Pré-revolução e golpe preventivo'' ele descreve a revolução que estava em processo e o golpe de Estado, preventivo.

A doutoranda, limitando-se até então a ouvir e gravar meu testemunho, atacou: ''por que o ditatorial AI-5, de quem dizia defender a democracia?''. Respondi-lhe que em 1967 já atuavam guerrilhas comunistas no Brasil com dissidentes de Prestes. Se um Estado agredido pelas armas responde fogo contra fogo passa a autoritário. É o dilema que enfrenta. Se não reagir restringindo as liberdades democráticas, elas serão usadas pelos insurgentes para tomar o poder. Mas - insistiu ela - só se pode combater a insurgência pela ditadura? Passei então a outra prova: a Colômbia. Não restringiu as liberdades civis e políticas e o resultado foi que há 40 anos não vence a guerrilha comunista, as Farc, que já dominam mais de um terço do território colombiano. O Estado nesse caso é suicida.

Pediu-me então para comparar as realizações nas quatro décadas, afirmando desde logo que os resultados materiais foram inegáveis no ciclo militar, mas sob o autoritarismo. De fato, aduziu ela, o Brasil se modernizara, a economia atingira a oitava do mundo, as rodovias asfaltadas, as hidrelétricas construídas, uma em Tucuruí, a maior nacional, e a outra a de Itaipu, a maior do mundo. Mas não poderia isso ser realizado sem perda das liberdades durante 20 anos? Primeiro - respondi - só tivemos autoritarismo a partir do AI-5 que durou 10 e não 20 anos. Por quê? Para enfrentar as guerrilhas urbanas, todas de comunistas. A ameaça era concreta, os guerrilheiros financiados e treinados não só em Cuba. O mundo ainda não mudara. O Muro de Berlim ainda existia.

Os regimes autoritários tendem a tornar-se democráticos. Assim, com a Emenda Constitucional número 11, de outubro de 1978, o AI-5 foi revogado bem como todas as medidas de exceção. As liberdades fundamentais foram restauradas e em março de 1985 o governo foi passado pacificamente aos civis. Cuba continua ditadura cruel, que não se cansa de oprimir e matar.

Reconheço que viver em democracia é infinitamente preferível, ainda que nos 20 anos de democracia plena, em que estamos, a economia já seja a décima quinta do mundo, as rodovias estão abandonadas e os Correios que já foram reconhecidos pela eficiência, como um dos melhores do mundo, hoje são antro de corrupção. Reconheço ainda que a convocação da Constituinte, em 1987, foi instrumento de admiráveis conquistas de direitos civis e políticos e de caráter social, mas Fernando Henrique Cardoso, ao fim de seu segundo mandato, disse que ''o Funrural é o maior programa de renda mínima do mundo''. Só esqueceu de dizer que foi criado em 1969...

Não há, no que tange às liberdades, melhor regime que o democrático. No mundo atual não há nenhuma razão para ditadura. A globalização, desde o colapso da URSS, erigiu o regime universal democrático como princípio de forma de governo. Deus permita que assim seja, sempre.



Publicado no Jornal do Brasil - 7/6/2005

Tortura e terrorismo

Escrito por Jarbas Passarinho

“Com razão tem sido sustentado que a prática de tortura não é limitada a algum específico sistema político ou regime, a determinada cultura ou religião, ou situação geográfica, desde as eras primitivas da história da humanidade” (prof. dr. Dionísio Spinellis, da Universidade de Atenas).

Destaco a universalidade da prática e a nenhuma exceção aos diferentes regimes. Seu irmão xifópago, o terrorismo, nasceu, como prática política, já no mundo moderno, a partir de Robespierre e seu “reino do terror”. Derivou, na história contemporânea, para a monstruosidade dos Estados totalitários, bem assim dos grupos terroristas da segunda metade do século 20, empenhados em abalar e derrubar regimes burgueses. Che Guevara deles discordou em seu manual Guerra de guerrilha, “porque perdem o apoio popular”. Ao contrário, Carlos Marighella defendia o terrorismo como forma de luta na guerrilha.

Na Constituinte de 1987 — 1988 a esquerda, sobretudo o PT, que abrigara terroristas anistiados, bateu-se pela condenação da tortura como crime hediondo. Nós, no plenário, Roberto Campos inclusive, aprovamos a emenda. A seguir, considerando igualmente hediondo o terrorismo, propusemos condená-lo também. Encontramos forte oposição de petistas seguidores de Carlos Marighella na luta armada, apologista dos seqüestros, atentados a bomba, assaltos de bancos e assassínios. Hoje, tortura e terrorismo estão no artigo 5º da Constituição, ambos considerados crimes inafiançáveis e desmerecedores de anistia.

Quando leio que o ministro Paulo Vannuchi declara publicamente que a Lei da Anistia deveria ser revogada, para que se punam os que, na luta armada contra os comunistas, ele atribui haverem torturado, dou-lhe o troféu de coerência. Revejo o plenário da Constituinte em 1987, quando discutíamos os direitos e deveres individuais e coletivos. Recordo a dicotomia no julgamento da tortura e do terrorismo.

O ministro dos Direitos Humanos foi da Aliança Libertadora Nacional liderada por Carlos Marighella cuja bíblia era o seu Manual do guerrilheiro urbano. Militante que foi da ALN, tem o dever de ser contra a tortura, mas não contra o terrorismo, cuja prática absolve ideologicamente como arma legítima de luta armada. De resto, a primeira ação da luta armada foi o atentado terrorista, em 1966, do Aeroporto Guararapes, no Recife. Estava lotado, não só de correligionários da Arena, que iam receber o general Costa e Silva, eleito indiretamente presidente da República. Anunciado que ele vinha de Aracaju por terra, a maioria dos presentes já se retirara quando a bomba explodiu. Matou cinco, feriu dezenas de inocentes. Três bombas mais falharam em pontos da cidade. O ministro Vannuchi é coerente com seu passado e hoje trata, no governo, dos Direitos Humanos, assimetricamente, o que lhe é muito adequado.

Khruschev, em seu discurso histórico no XX Congresso do Partido Comunista soviético, de 1956, comprovou, como comunistas leais haviam sido, no XVII Congresso do Partido, objeto de acusação forjada de “inimigos do povo” (o mais grave dos crimes), presos e submetidos a “brutais torturas” para assinarem confissão do crime que não haviam cometido. Um julgamento comprometido com Stalin e a NKVD os sentenciou à morte, o que levou a um genocídio entre 1937 e 1938.

Dos 139 candidatos ao Comitê Central, 98 foram mortos, vítimas de “culpas fabricadas”; e de 1966 delegados, 1.108 deles foram assassinados. Um dos mais qualificados disse ao fim do julgamento: “Reconheço que esta assinatura é verdadeira, mas não o é qualquer palavra dessa falsa confissão”. As torturas não acabaram depois da morte de Stalin. Não. Quando em 1968 os tanques soviéticos esmagaram a Primavera de Praga, os torturadores vieram da União Soviética para torturarem os tchecos presos.

Fidel imitou Stalin. Armando Valladares, jovem guerrillheiro desde Sierra Maestra, católico praticante, porque discordou verbalmente da adesão de Fidel ao comunismo em 1961, foi preso. Nas várias prisões, foi torturado e nelas sofreu 21 anos, até que, a pedido de Mitterrand, foi libertado. Em seu livro Contra toda a esperança, descreve as brutais torturas que sofreram todos os presos, desde simulação de fuzilamento à limpeza do excremento acumulado numa só latrina para muitos detidos, que um deles, aleatoriamente, tinha de desentupir com a mão nua. Lula, hóspede do Dops de Romeu Tuma por 30 dias, cavalheirescamente tratado, cometeu a repulsiva injustiça de chamar Valladares de “picareta”.

Nossos guerrilheiros treinaram em Cuba e na China de Mao, onde a tortura era a norma desde Stalin. Hoje mentem, dizendo que fizeram uma “resistência democrática”. É falso. Quem o afirma é um deles: Daniel Aarão Reis Filho, que foi preso e exilado. Em entrevista publicada, disse que essa versão surgiu para fortalecer a campanha da anistia. “Seu objetivo era implantar uma ditadura revolucionária.” Que moral têm para acusar aqueles que têm, na consciência, a mancha indelével da tortura?

Fonte: Correio Braziliense - 05/08/2008

O anúncio de Olavo Bilac

O anúncio de Olavo Bilac Autoria desconhecida Certa vez, um grande amigo do poeta Olavo Bilac queria muito vender uma propriedade rural, um ...