domingo, 29 de junho de 2008
Comunistas no mercado
quinta-feira, 5 de junho de 2008
Despeito
Achei esta pérola e gostaria de compartilhar com voces.
Espero que gostem e meditem pois, alguns acham que pensar doi. E eu concordo. Correr o risco de destruir os castelos de areia que se demora tanto a edificar...
-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-
Torso arcaico de Apolo
Rainer Maria Rilke / Tradução de Manuel Bandeira
Não sabemos como era a cabeça, que falta,
de pupilas amadurecidas. Porém
o torso arde ainda como um candelabro e tem,
só que meio apagada, a luz do olhar, que salta
e brilha. Se não fosse assim, a curva rara
do peito não deslumbraria, nem achar
caminho poderia um sorriso e baixar
da anca suave ao centro onde o sexo se alteara.
Não fosse assim, seria essa estátua uma mera
pedra, um desfigurado mármore, e nem já
resplandecera mais como pele de fera.
Seus limites não transporia desmedida
como uma estrela; pois ali ponto não há
que não te mire. Força é mudares de vida.
-x-x-x-x-x-
...no soneto de Rilke, o autor além de ultrapassar a questão estética afinal, nos convida a mudar, aperfeiçoar. É comum pessoas se sentirem humilhadas ante a perfeição de Apolo, brotando uma reação natural - o despeito.
Despeito é a negação do melhor, é quando desqualificamos, camuflamos ou distorcemos e, de alguma forma evitamos o contato ou confronto direto. Isso produz a sensação de tranquilidade e alívio, pelo menos por alguns instantes, em nosso orgulho machucado.
Quando se faz isso encurtamos os limites humanos de uma forma miserável, só pra satisfazer nossa auto-imagem diminuída.
É muito fácil nos depararmos com nossos monstros internos: orgulho, o medo, a raiva, etc. Mais fácil do que com nossos heróis. Quando nos comparamos, os monstros parecem ser piores do que nós próprios.
E por falar em Apolo, lembrei que apologia não é só fazer "propaganda" de um determinado assunto. Ao invés de ser leal, considerando o lado positivo e negativo, constrói-se um discurso somente do lado que convém, e como fica obvio, carece de verdade. Aliás, tem uma verdade: a verdade conveniente.
terça-feira, 29 de abril de 2008
POSTURAS DE IMPROVISO
O certo seria chamar de FACILITAÇAO essa coisa toda de dar um jeitinho. Dá um jeitinho aqui, outro ali e vamos caminhando.
São alunos que aprendem com professores que improvisam nas aulas práticas, pois lhes faltam as condições adequadas de trabalho.
A falta de professores sendo suprida por colegas que não tem a devida qualificação, ou disponibilidade. A coisa fica pior se observarmos que tanta criatividade para espremer "água de pedra", em achar uma solução, acaba não se percebendo que mais do que conteúdo, nós ensinamos pelo exemplo. Então se esbarra nessa "solucionática" em que ensinamos a nossos alunos aquilo que aprendemos. Muitos de nós, criativos nas soluções, somos na verdade improvisadores. Não temos soluções definitivas e, culturalmente transformamos o provisório em permanente.
Falta ASSERTIVIDADE para dar um NÃO e fazer com que aqueles que têm responsabilidade, assumam sua parte. Os aproveitadores existem onde a postura facilitadora permite. Se existem pessoas que fazem o mínimo é porque alguém esta fazendo por dois: a sua parte e a dela.
Um abraço
O que você faria se fosse invencível? Invisível?
Meus queridos colegas, Nestas questões que evocam a honestidade (ou a falta dela) me lembro do velho Platão quando conta a história do célebre anel de Giges. O anel que tornaria qualquer um invisível, inclusive você leitor, sempre que desejasse. É um anel mágico, que um pastor encontra por acaso. Bastava girar a pedra do anel para dentro da palma da mão para que seu possuidor se tornasse totalmente invisível e, virando para fora ficaria novamente visível. Giges, que antes era tido como um homem honesto, não foi capaz de resistir às tentações a que esse anel o submetia: aproveitou seus poderes mágicos para entrar no palácio, seduzir a rainha, assassinar o rei, tomar o poder, exercê-lo em seu único e exclusivo benefício. Platão que conta esta história em A república, conclui que o bom e o mau, ou os assim considerados, só se distinguem pela prudência ou pela hipocrisia, em outras palavras, pela importância desigual que dão ao olhar alheio ou por sua habilidade maior ou menor para se esconder. Segundo Platão, se ambos possuíssem o anel de Giges, nada mais os distinguiria: "ambos tenderiam para o mesmo fim". Isso equivale a sugerir que a moral não passa de uma ilusão, de uma mentira, de um medo maquiado de virtude? Bastaria poder ficar invisível para que toda proibição sumisse e que, para cada um, não houvesse mais que a busca do seu prazer ou do seu interesse egoísta? Será verdade? Platão, claro, está convencido do contrário. Alguém se sente platônico? Um caloroso abraço -- José Lamartine Neto _ _ COMTE-SPONVILLE, André. A moral. In: Apresentação da filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 2002, p.17-26. (Adaptações por André Alcântara > > Pois é: contra a invisibilidade, a transparência! > > Não é querer demais de nós, falíveis humanos, que sejamos intrinsecamente > e incorruptivelmente corretos e honestos? A transparência ao olhar alheio > certamente nos ajudará a mantermo-nos no caminho virtuoso - e isso não é > mau; afinal, somos o mais social dos animais, e os comportamentos só podem > ser definidos como "bons" ou "maus" tendo como parâmetro a coletividade. > Exageros, evidentemente, devem ser coibidos, mas não me resta dúvida que o > gestor público pode ser fiscalizado por diversas instâncias da sociedade e > manter sua privacidade e dignidade humana. > > Concordo com Prof. P.: é necessário, e possível, termos uma organização > do tipo das fundações para termos mais agilidade no estabelecimento e na > gestão de convênios e parcerias com a iniciativa privada - e isso não > significa, de forma alguma, abrir mão do financiamento estatal para o > ensino e pesquisa. Mas, como Platão e Lamartine nos advertem, não serão as > pessoas que lá estiverem que vão garantir a honestidade das tratativas, > mas sim a transparência e a fiscalização sobre essas. > > saudações > > N. > Caro N., Perfeitas suas ponderações. E o fechamento foi preciso. Para nos proteger de nós mesmos é necessária a transparência e a fiscalização, e acrescentaria, na quantidade certa. O excesso de fiscalização é como remédio. Se a dose for grande demais pode até matar, ou seja, burocratiza tirando a agilidade. A transparência é como a luz, tira da obscuridade as relações. Deixam de existir "Deuses" ou senhores dos processos, já que a transparência nos aproxima, nos humaniza, tirando-os do Olimpo. É possível que comece uma luta pra evitar a perda da sensação de poder. Mas isso é outro papo... Grande abraço meu caro -- José Lamartine Neto ----------------------------------------------
sábado, 1 de março de 2008
Um Deus prático
Oi Colega X,
Hoje vou falar um pouco pra voce de como é o meu Deus, assim, na prática. Como ele funciona pra mim. Pode ser que você não concorde...
Quase toda a minha vida tive medo do Deus que aprendi com minha família, que existia, onipotente, onipresente, etc. O Deus católico da religião que pregava o pecado e a culpa, a penitencia.
Pois bem, vivi durante muitos anos achado que esta era a melhor forma de ver as coisas, inclusive porque também era um Deus negociante, onde eu fazia promessas em troca de graças ou milagres. Aí me esbaldava e abusava da vida e da boa vontade dos outros até o ponto em que não tinha mais cara para olhar pra Ele ou coragem de entrar sem Sua casa. Me vi só com minha fé que não funcionava mais. Vivi atormentado, depressivo... Eu nem sei se acreditava mais pois, as coisas desagradáveis que ocorriam comigo, achava que era castigo e pior, que eu merecia. A culpa e o remorso eram grandes (questões familiares e pessoais).
Foi então que ouvi dizer que a fé em Deus devia ser prática e que ajudasse a me melhorar, senão estaria me enganando.
Pois bem Colega X, continuei ouvindo que a fé deveria preencher meus vazios existenciais, não pra ficar seviciado pela fé, mas alicerçado por ela. Seria o ponto de equilíbrio na minha vida.
Outra coisa também que ouvi e que foi o mais difícil de aceitar era que tinha que me render a vontade deste Deus. Não era mais um Deus de negócios mas um Deus de merecimento. Isso implicaria em abrir mão do controle (inclusive o remoto) de minha vida e entrega-lo a Ele. E mais, as minhas vontades também. Olha, é difícil. Muito difícil, mas quando consigo fazer isso, sinto que este Deus que agora me acolhe é muito generoso.
Posso me relacionar com ele de duas maneiras:
Primeiro: através de meus pensamentos, minhas preces, minha meditação. É aí que peço orientação e, quando estou menos orgulhoso, pergunto qual é a vontade Dele pra minha vida.
Segundo: é de onde obtenho as respostas que é pelo convívio com as pessoas. É um olhar, um cachorro latindo impedindo que entre em um banco que está sendo assaltado, é no engarrafamento que fiquei preso pra não ser vitimado lá na frente, é na narrativa da experiência de outra pessoa que aprendo e me identifico, e por aí afora. Esse meu Deus assume um formato de cruz: a linha vertical é meu contato intimo com Ele e a linha horizontal é a minha relação com as pessoas. Se tenho algum problema de relacionamento com alguém, minha relação com Deus não está boa, preciso praticar o perdão, ou a humildade, ou a caridade, sei lá, algo pra meu crescimento e restabelecer o que posso.
Vim de uma série de relacionamentos fracassados também e percebi que do meu jeito não estava funcionando mais. Decidi deixar nas mãos Dele e confiar que Sua escolha era o melhor pra mim. Apenas tenho que preparar o terreno, deixa-lo fértil o bastante para com a semeadura possa dar boas flores e frutos.
Da minha experiência com relacionamentos aprendi isso, que não posso me sentir superior e que posso sempre mudar pra melhor. E tenho sido feliz...
Um ótimo fim de semana
Com carinho
Lamartine
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Prisioneiros de suas proprias mentes
Olá lamartine,
Vamos a reflexão da semana da Marlene:
"Os seres humanos não são prisioneiros do destino, mas apenas prisioneiros de suas próprias mentes."
Bem colocado tema para a reflexão.
Não somos prisioneiros do destino, visto que o traçamos todos os dias, procurando executar o que temos em nossas mentes e temos o livre arbítrio para decidir qual o caminho a seguir e modificar o que nos parece uma pré disposição a seguir (destino), que é imposto pelo meio em que vivemos e pelas pessoas com quem interagimos.
A única fatalidade em nossas vidas é a morte, essa não podemos optar quanto ao seu término, mas que, já que não sabemos quando chegará o fim da nossa existência, que busquemos ocupação(trabalho digno), procuremos cuidar da nossa mente (alimentando-a com vibrações positivas) e do nosso corpo(não o condenando a viciação: álcool, fumo, drogas, gula, sexo desvairado, etc) para assim contribuirmos com uma existência mais duradoura e saudável.
Grande abraço,
Colega X
Cara Colega X,
Que bom que você continua a me provocar, positivamente...
Não gostar de ser inconveniente é o que almeja a esmagadora maioria das pessoas que conheço, porém, acredito que um numero significante (não me peça pra quantificar) se acha nesta situação incomoda: em quem colocar a responsabilidade sobre a vida? Coloco em Deus por causa do destino, ou coloco em mim mesmo que por consequencia estarei colocando em Deus, já que me criou? Ou na vizinha, ou na tia, na mãe, no pai, no marido ou na esposa, no Lula, etc?
Deixando a metafísica de lado, existe um outro ponto que é o seguinte: Emoção e motivação. O sujeito motivado dedica emoção, paixão ao que faz e naturalmente os frutos obtidos tendem a ser contabilizados para si como autor das proezas (causas internas). Já a falta de motivação poderá mais facilmente conduzir ao fracasso. Mas o ser humano não gosta de se sentir um fracassado, exceto se manter a aparência possa auferir vantagens, então atribui tal situação ao destino ou causas externas.
Podemos constatar isso com nossos próprios alunos, entrevistando-os sem alerta-los, após o recebimentos das avaliações. Quem se dá bem regularmente nas provas, atribui a si próprio e suas qualidades as razões do sucesso. Já aqueles que não conseguem chegar lá, os motivos mais freqüentes são externos: "o gato morreu", "minha tia tá doente", "a professora não gosta de mim", ou então "ela me persegue", etc.
Ter a real medida de mim mesmo, nem tão grande quanto gostaria (prepotente) nem tão pequeno quanto seus medos (tímido, vacilante, baixa auto-estima...), ou seja me conhecer, é de fundamental importância e para isso preciso ser honesto consigo mesmo. E isso doi, as vezes muito, mas me afasta da infância emocional em direção a maturidade. Isso não respeita muito a cronologia humana.
Então, quando isso (Os seres humanos não são prisioneiros do destino, mas apenas prisioneiros de suas próprias mentes) se aplica a mim mesmo, como percebo? Quando começo a dar muitas justificativas para minhas falhas, ao invés de estar fazendo algo para resolve-las. É fácil? Não, e as vezes peço ajuda. Crescer dói e implica em assumir responsabilidades.
No meu orkut tem um negocio escrito que é assim: "Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que ‘normalidade’ é uma ilusão imbecil e estéril." (Oscar Wilde).
Pode ser que alguém esteja sendo severo demais consigo mesmo, sabe como? Quando se refere a um elogio como sendo “demasiado” ou quando se policia em excesso a “não encher o saco” ou “não ser inconveniente”. Talvez não tenha percebido o quanto pode contribuir. Que as coisas que faz ou diz podem ser boas e enriquecer a “alma” outras pessoas.
O saudoso Friedrich Nietzsche diz: "A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez. Odeio as almas estreitas, sem bálsamo e sem veneno, feitas sem nada de bondade e sem nada de maldade. Viver quer dizer ser cruel e implacável contra tudo o que em nós se torna fraco e velho. O inimigo mais perigoso que você poderá encontrar será sempre você mesmo".
Então, renove-se sempre.
Um abraço,
Lamartine
P.S. Vou pensar um pouco mais sobre gula, sexo, trabalho, morte enquanto descanso preguiçosamente ...
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
TRAPAÇA MORTAL - Os Casos do Dr. Liebermann
06 de fevereiro
Meus caros,
Apos terminar a leitura do agradabilíssimo presente que recebi da colega Aglaia, a título de amigo secreto, eis que, procurando livros didáticos para minha filha, descobri um novo título que recomendo.
Trata-se de romance policial como lances inteligentes e investigativos em um cenário da Viena do início do Séc. XX onde um médico, Dr. Max Liedermann, seguidor de Freud, ajuda um inspetor de polícia a resolver um misterioso crime. Espiritismo, trapaça, crimes contra mulheres podem ser encontrados em sua páginas e mais a descrição minuciosa de eventos climáticos e de uma série de ambientes sociais como cafés, restaurantes e praças que, de forma contagiante, envolve do leitor numa trama emocional, difícil de se livrar.
O autor desta obra, Frank Tallis, inglês e professor de Psicologia, é um dos psicanalistas mais renomados do Reino Unido. Já havia escrito vários livros e trabalhos científicos premiados pela Europa, mas é incentivado a entrar neste universo literário. Elogiado pela crítica especializada onde só posso endossar e acrescentar que de fato é uma leitura empolgante.
Além disso uma das especialidades de Frank Tallis, reconhecida na Europa é no tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo, e me recordo que foi assim que li o livro. Mas isso é outra história.
TALLIS, Frank. TRAPAÇA MORTAL - Os Casos do Dr. Liebermann: As aventuras de um detetive freudiano. Ed. Record. Rio de Janeiro. 2007
Abraço
LamartineO anúncio de Olavo Bilac
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