As obras aqui publicadas podem não ser inteiramente ficcionais, podendo corresponder ao comportamento ou opinião pessoal de seus autores. Qualquer semelhança com pessoas ou fatos reais será mera coincidência?

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Qual ética e risco?

30 de janeiro de 2008
Tudo começou com um e-mail que incluía o ensaio "Ética e risco" que foi publicado em 4 de junho de 2006 - encontrado em http://cienciaemdia.zip.net/arch2006-06-01_2006-06-30.html

Estou encaminhando um texto intitulado ÉTICA E RISCO que foi publicado na folha de São Paulo em junho de 2006.
Ele certamente auxiliará nas nossas reflexões para a elaboração do código de conduta ética para os servidores da instituição.

Atenciosamente,
Presidente da comissão de ética do ...


Muito interessante este texto. Traz um assunto muito pertinente aos dias atuais, pena que o autor tenha se limitado nas informações.
Como Sociólogo tão bem formado e relacionado, é de se estranhar no texto a falta de uma análise que parta do geral e se encaminhe ao particular. Quem sabe se abordasse a ética na sua própria profissão/formação, principalmente quando no exercício de cargos públicos, como presidência da república, e daí ampliasse sua análise até o operariado, especialmente a ética na ascensão política. Não é apenas ao cientista que falta o “compromisso com princípios éticos mais altos”. Será que tal afirmação não deveria atingir de forma mais ampla a sociedade? O autor tratou de assuntos de alto nível e se esqueceu que no morro o traficante coopta soldados e oficiais das forças armadas. A ética nasce da educação e não de formação.
O autor não se deu ao trabalho de uma simples consulta ao banco de dados de patente do INPI ou de publicações científicas da CAPES ou do CNPq. Quem sabe pudesse chegar a outra conclusão, que neste país, meio que na contra-mão, quem faz pesquisa é o setor público, as universidades públicas e não a grande empresa que tem sua “ética” focada provavelmente no mercado e na competitividade. Este provavelmente é mais um motivo pelo qual o Brasil está tão distante tecnologicamente, mesmo que em algumas áreas se destaque. Para nossos colegas daqui do Cefet-Ba, duas oportunidades ótimas para obter informações privilegiadas. Bastou ter assistido a exposição de alunos de PIBIC no seminário de Iniciação Científica de 2007 ou a uma das monografias do curso de Especialização em Gestão Pública em janeiro de 2008, que fez um raio “x” dos grupos de pesquisa e da produção intelectual tanto do país como desta Instituição. Certamente se chegaria a uma conclusão diferente da exposta pelo autor.
Quando o autor diz “Muita gente boa acredita que as práticas científicas atuais criam incentivos para desvios de conduta como a fraude, a fuga do controle social e a submissão de todas as linhas e estratégias...” não cita quem é essa “gente boa” e quantos compõe o grupo dos “gente boa”. Gente boa pra quem? Em todas as esferas de atuação humana, sabe-se que os defeitos de caráter de alguns vão se manifestar. É desagradável quando se classifica o todo pela postura de alguns. Nós, servidores públicos atuantes, sabemos como é desagradável os comentários depreciativos acerca da profissão, quando o “justo paga pelo pecador”.
A salvação da humanidade, que estava a cargo da religião, foi assumida pela ciência positivista, e está longe de acontecer. O que se tem de fato é a ampliação da expectativa de vida do ser humano desde o Iluminismo, bem como diminuição da mortalidade infantil, possibilidades de tratamento mais sofisticados de doenças, etc. Devido a isso, quais os problemas a nível planetário desse aumento todo? Cabe aos estudiosos da dinâmica das massa humanas trazer algumas respostas. Daí poderíamos ter um panorama mais fiel em que o cientista, como ser humano, está inserido e portanto, faz também suas escolhas, como a Pós Doutora Ana Claudia [lessinge@unicamp.br] do Departamento de Genética e Evolução, Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), quando comenta o autor...

[ana claudia] Sobre nós, pesquisadores das ciências naturais, seu comentário foi: 

"São os mais refratários a qualquer norma de conduta, que consideram ingerência externa, ou tentativa de restringir a liberdade de pesquisa. O nome de Galileu lhes aflora tão fácil quanto rapidamente aos lábios." Sério que você acha isso? Dessa forma generalizada e contexto vago? Parece um pouco gratuito escolher caricaturar o cientista (de uma area, aliás hiper-diversa, que congrega, por exemplo, tanto os defensores e quantos os críticos da pesquisa genômica; tanto os "marketeiros pró" quanto "militantes anti" transgênicos; tanto pesquisadores reclusos em suas pesquisas particulares, quanto àqueles que buscam incluir a dimensão social em seus esforços de pesquisa; tanto o que faz pesquisa para e fora do Brasil, quanto quem acredita que possa realizá-la para e dentro do País; tanto o cientista que vive exclusivamente para a auto-promoção, quanto quem se emociona em produzir e divulgar conhecimento, etc)

Talvez o naturalista Darwin, se estivesse entre nós, pudesse ver seu objeto de estudo também nessa dinâmica social-econômica, sendo que na sua época Marx e Engels não tardaram em reconhecer e explorar o materialismo radical de A origem das espécies (1859), época em que o materialismo era mais ofensivo que a evolução. Quem sabe Nietzsche ache isso tudo muito normal, à luz da sua intitulada Moral de Escravo de Alem do Bem e do Mal (1886), todos que se sentem submissos a algo, contestando, criticando, lutando, etc, está na verdade, no íntimo desejando estar lá, naquela posição de mando ou de controle possuidor da Moral de Mestre.

José Lamartine de Andrade Lima Neto

O currículo da comentarista é encontrado em:

Um comentário:

Anônimo disse...

É isso mesmo. As vezes as pessoas escrevem ou dizem coisas imbuídos de uma superioridade como se fossem juízes. A arrogância emprestada pela vaidade.
Muito bem.